O Positivismo é uma vertente sociológica que busca a análise da sociedade utilizando ferramentas das ciências exatas (como a física newtoniana). Dessa forma, ao longo do debate social, pela visão positivista, chega-se à conclusão de que o progresso e o desenvolvimento geral são o melhor para todos os indivíduos. Frente a isso, os positivistas que detêm o poder buscam constantemente um suposto avanço, sem considerar os reais interesses individuais da população. Ademais, apaixonados por sua ideologia, os positivistas podem muito facilmente tornar-se reacionários; basta que uma ideia nova contraste com seus ideais “perfeitos e imutáveis”.
Tal abordagem é uma sentença de morte para o próprio diálogo científico, uma vez que, segundo Hegel, este é composto de tese, antítese e síntese. O diálogo de um positivista termina na tese, já que acredita fielmente que conseguiu resolver a problemática e, portanto, não deve mais se preocupar com isso (o progresso já ocorreu). Entretanto, sem que haja possibilidade de conflitos de ideias, o verdadeiro desenvolvimento democrático e inclusivo nunca poderá ocorrer.
Esta situação que descrevo pode parecer um tanto distópica, mas convido para uma analogia: imagine que um Estado esteja com um problema quanto à qualidade da educação — os estudantes não estão tendo um desempenho satisfatório. Diante disso, os representantes desse país analisam os dados referentes à educação e, insatisfeitos, resolvem implantar uma política que torne as aulas mais dinâmicas. Dessa forma, os estudantes ficariam mais engajados nas aulas e obteriam melhores resultados. A proposta é aplicada, é bem absorvida e melhora o índice geral da educação. No entanto, em uma cidade afastada, mesmo com o novo sistema, o rendimento permanece baixo. Acontece que, nessa região, a população sofre com insegurança alimentar, e as crianças são obrigadas a trabalhar ou, quando conseguem estudar, a fome não lhes permite que se concentrem.
Os políticos positivistas, diante do crescimento dos índices, consideram a situação resolvida e finalizam essa discussão. Realmente, uma problemática foi detectada, uma solução foi adotada e a situação, no macro, foi aparentemente resolvida. De forma que os positivistas, equivocadamente, não permitem que novos debates surjam acerca desse assunto “resolvido”. Entretanto, no micro, essa decisão condena as crianças de nossa pequena cidade à insegurança alimentar e à deficiência nos estudos. Assim, a sociologia positivista busca um progresso geral da sociedade, mas não só condena as pequenas exceções à marginalidade como também condena as ideias contrastantes que provocam debate, responsável por produzir um desenvolvimento realmente democrático.
João Pedro Hernandes dos Santos | 1° período direito noturno
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