O positivismo surge como uma forma de tentar explicar para então resolver os problemas de uma sociedade que passava por tantas mudanças, entretanto, ao aproximar-se das ciências naturais em busca de maior objetividade perde-se a complexidade presente na realidade, deixando passar fatos importantes para a resolução do caso.Como forma de manter a ordem, vê-se necessário, manter a inércia: as relações sociais têm de permanecer conservadas como sempre foram, assim como os valores, caso contrário perde-se os alicerces que mantém os pilares sociais e ,portanto, a estática que promove o progresso.Desta forma, universaliza-se a moral, a ciência, os costumes, enfim, há a primazia da sociedade sobre os indivíduos, sociedade esta que é racista, homofóbica e pretende continuar conservando essa moral.Com isso evidencia-se a busca da objetividade na ciência como forma de manter a lógica social a mesma, sem abrir espaço para novas falas e vozes, mas apenas inércia para um suposto progresso.
Assim, em um contexto pós-colonial aparece Grada Kilomba que procura desmistificar a ciência de modo a evidenciar impessoalidade na sua fala.O discurso acadêmico, está longe de ser universal: a fala dos negros é reduzida à subjetividade ou -como resquício da colonização- até mesmo silienciada;. Isso pois, a população negra por anos foi tratada como objeto de estudo, fato que a autora reivindica, de forma substituir o lugar em que estes residem, de serem observados, para serem produtores. Para a autora, falar é um ato de poder, de transformação para com a ordem colonial ainda presente, é uma forma de resistência, visto que o racismo cria silenciamento e como apresentado, a ciência perpetua essa posição ao invalidar o conhecimento negro por prestigiar apenas o fazer cientifico do branco.
Como exemplo dessa disputa de poder há a Lei de Drogas (11.343/06) que não estabelece uma quantidade exata para diferenciar usuário de traficante, essa decisão cabe à autoridade.Desta forma, em conjunto com estudos do IPEA e do IDDD é possivel verificar que pessoas brancas, presas com quantidades maiores de droga em bairros nobres, são frequentemente classificadas como usuárias, enquanto os negros, com quantidades mínimas em periferias, são classificadas como traficantes recebendo pena de prisão.
Portanto, conclui-se pela lei ser proibido traficar, entretanto a aplicação "universal" ignora o contexto social, permitindo que o preconceito implícito do magistrado proteja o réu branco.
Logo, é possível verificar que não há neutralidade da lei , positivismo puro (onde a lei é aplicada "cegamente") não se faz presente da forma como é idealizado, pois o sistema jurídico foi construído por e para uma elite branca manter a ordem social com a ilusão de um futuro progresso,que acaba por gerar desfechos desproporcionais.
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