Em março, o Senado Federal aprovou o PL que equipara misoginia ao crime de racismo, tendo então a criminalização da mesma. A votação foi unânime, entretanto, muitos políticos que se dizem ´´conservadores`` se colocaram contrários à medida, alegando principalmente que esse novo projeto apresentaria ´´o risco de uma possível divisão do país entre homens e mulheres``, perseguição política, além de afirmarem que o homem seria tratado como ´´cidadão de segunda classe``.
É possível notar como a busca pela manutenção de valores e costumes se mantém na sociedade por meio de tentativas de conservadores de manter aquilo que lhes é cômodo, não seria nenhuma surpresa notar que a grande maioria dos deputados que são contrários ao PL são homens brancos, cis e heterossexuais, ou seja, o ´´topo da cadeia alimentar`` desde que se conhece o mundo. É notório que tentativas de alterar essa ordem de poder vão repercutir como uma forma de ´´revolucionarismo`` insustentável que impede o progresso de acontecer.
Esses políticos se utilizam do Positivismo, principalmente da sua característica que reivindica cientificidade, para pautar seus discursos que são na verdade, contra o progresso.
O que está em discussão é o receptor desse tal progresso, assim como a pergunta que se deve fazer: progresso para quem? A resposta é simples para os positivistas brasileiros do século XXI - o progresso para eles próprios - já que são eles quem disseminam discursos de ódio e submissão e é com esses discursos que eles permanecem e permanecerão no poder.
Progresso não é válido para grupos de minorias, já que para o positivista, você deve negar suas vontades e desejos individuais pela ordem e em favor das instituições, ou seja, se uma mulher decide não ter filhos ou que vai construir uma carreira, isso vai contra a ´´ordem`` pré-estabelecida dos papéis sociais que devem ser seguidos. Assim como quando uma mulher deve se calar ao sofrer agressão (física ou emocional) pelo bem da instituição da Família e a quebra do padrão natural do homem ser a ´´primeira classe``.
Logo, nada dessa comoção contra avanços nos direitos e reivindicações das minorias é novo, e sim uma forma que por todo o tempo quem está no poder utilizou para que continuasse lá, passando por cima de qualquer noção de evolução e humanidade.
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