A tecnocracia legitima-se com o pensamento positivista, exemplificado na frase ordem e progresso presente em nossa bandeira, o poder político dos especialistas busca um saber neutro e objetivo. Atualmente essa lógica se reflete na governança algorítmica das BigData e IA, essas se apresentam como técnicas imparciais, entretanto frequentemente perpetuam desigualdades históricas. Ao reduzir grupos a categorias analíticas, essa "nova física social" pode exercer violência epistêmica, silenciando as margens e propagando estruturas de poder sob uma máscara de racionalidade técnica.
Um
exemplo concreto disso é o caso do sistema de recrutamento automatizado da
Amazon, desenvolvido por volta de 2014 e descontinuado. A ferramenta utilizava
Inteligência Artificial para analisar currículos com base em dados de
contratações anteriores, como resultado, o algoritmo passou a favorecer perfis
masculinos e penalizar candidatos que apresentavam indícios associados ao
feminino, já que sua base de estudo continha esse padrão enraizado.
Esse
episódio evidencia que algoritmos não são neutros, pois aprendem a partir de
dados que carregam marcas das desigualdades sociais. Nesse sentido, a
discriminação não é eliminada, mas transformada em um processo automatizado e
menos visível, o que dificulta sua identificação e contestação.
Relacionar
o positivismo à atualidade implica reconhecer que a busca por ordem e progresso
por meio da ciência deve ser acompanhada por uma reflexão crítica sobre seus
fundamentos, ampliação dos horizontes do conhecimento e incorporação das diversas
perspectivas historicamente marginalizadas. Nesse sentido, a transformação
social não depende apenas da capacidade de previsão, mas também da valorização
da pluralidade de experiências que constituem a vida em sociedade.
Amanda Akemy Henrique Takii - Direito matutino
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