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sábado, 8 de abril de 2023

Consciência coletiva e marginalização

                             

          Em 1500 quando os portugueses chegaram ao Brasil havia uma ideia em comum entre eles, que, portanto, faria deles uma sociedade excludente e cruel com pessoas que não compartilhavam das mesmas opiniões, religião e cultura. Na atualidade, por meio do sociólogo Durkheim, descobrimos que tudo isso fazia parte do que chamamos de consciência coletiva, como pregava o Funcionalismo.

     A princípio, é importante frisar que a consciência coletiva "brasileira" teve início em 1500, com a escravidão, os massacres em massa do povo originário que, portanto, explica exatamente o motivo de ainda haver a marginalização, majoritariamente, do povo negro e, inclusive, a predominância de religiões de matriz europeia, como o cristianismo e, obviamente, a discriminação de religiões cuja origem é africana, os discursos - inclusive políticos - contra os povos indígenas e uma cultura que possa se diferenciar da consciência moral de uma sociedade que teve início na extinção de pensamentos diferentes do povo colonizador.

 Para tanto, é necessário um pensamento crítico por parte da sociedade, uma mudança cultural. Grada Kilomba é uma autora importante para que haja um afastamento da consciência coletiva colonizadora, como o título da obra de Grada questiona  "Quem pode falar?", o texto aborda diversas questões relacionadas ao racismo vivenciado pela autora e questiona o espaço que cada indivíduo "deve" ocupar. Desse modo, observa-se que a consciência coletiva é, sim, uma forma de marginalização e de perpetuação de um pensamento imposto há mais de 500 anos.

Portanto, é imprescindível que a sociedade brasileira questione tais comportamentos que, infelizmente, estão presentes em, inclusive, lideranças políticas e sendo perpetuados por muitos anos se não forem combatidos. Para isso, é primordial que sejam priorizados os lugares de fala de cada um e a dívida histórica para com a população excluída por tantos anos no Brasil e, principalmente, na Europa. A consciência coletiva deve promover as ideias de inclusão social e compreender que não existe um pensamento correto, não se deve curar uma "possível" anomia, um equilíbrio não deve existir quando o objetivo é progredir como sociedade.

Sophia Caños Farias - Direito (noturno)
RA: 231224826

O conceito de consciência coletiva na contemporaneidade

A consciência coletiva é um conceito chave na sociologia, especialmente na obra do sociólogo Émile Durkheim. Ele dizia que se trata de um conjunto de valores, normas e crenças que são compartilhados por membros de uma sociedade e que moldam a forma como eles pensam, sentem e se comportam.

No contexto contemporâneo, a consciência coletiva ainda é relevante, especialmente no que se refere às questões de identidade, pertencimento e solidariedade. Por exemplo, movimentos sociais que lutam por direitos e reconhecimento muitas vezes se baseiam na construção de uma consciência coletiva compartilhada entre seus membros. No entanto, esse conceito também tem sido criticado por alguns estudiosos, que argumentam que ele pode ser usado para justificar a opressão e a exclusão de grupos marginalizados que não se encaixam na norma dominante da sociedade.

É nesse sentido de exclusão que a obra de Grada Kilomba se destaca. Ela defende que a consciência coletiva muitas vezes se baseia em um sistema de valores e normas que refletem as perspectivas daqueles que estão no poder, deixando de lado as vozes e experiências dos grupos marginalizados. Ela também enfatiza a importância da descolonização dessa consciência, a fim de incluir perspectivas que foram historicamente silenciadas. Apesar dessas críticas, a consciência coletiva continua sendo uma ferramenta importante para entender a dinâmica social e os processos de mudança nas sociedades atuais, e sua influência pode ser vista em várias áreas, desde a política até a cultura popular. Rayssa de Oliveira Dantas - 1° ano de Direito (matutino)
RA: 23122316

Durkheim: A consciência coletiva de cada dia

Émile Durkheim foi um sociólogo francês, frequentemente creditado como pioneiro no estudo da sociologia como disciplina científica. As teorias de Durkheim centraram-se na forma como as estruturas sociais e as instituições moldam o comportamento e a experiência humana.  O conceito de consciência coletiva sugere que há uma consciência ou compreensão compartilhada entre os indivíduos durante um período de tempo. A consciência coletiva da sociedade é expressa por meio de suas instituições sociais, como religião, educação e governo. Essas instituições servem para reforçar os valores e crenças compartilhadas da sociedade e garantir que os indivíduos estejam em conformidade com os padrões morais da consciência coletiva.

De acordo com Durkheim, a consciência coletiva é moldada pelos valores compartilhados, crenças e normas que existem em uma determinada sociedade. Essa consciência coletiva serve como uma espécie de código moral que orienta o comportamento  do indivíduo e molda a coesão social, a consciência coletiva reflete um processo contínuo de integração e diferenciação social. À medida que as sociedades se tornam mais complexas e diferenciadas, a consciência coletiva deve se adaptar a essas mudanças para manter a coesão e a estabilidade social.

No entanto, é importante notar que a consciência coletiva não é uniforme em todos os indivíduos ou grupos. As pessoas têm diferentes perspectivas, experiências e crenças que podem moldar sua interpretação e resposta a eventos e informações que lhes são apresentadas. Como resultado, a consciência coletiva de cada dia pode ser complexa e multifacetada, refletindo a diversidade de perspectivas e experiências que existem no mundo.

Em conclusão, a consciência coletiva é um fenômeno dinâmico e em constante mudança que reflete a consciência compartilhada e a compreensão dos indivíduos durante um período de tempo. Essa consciência pode ser influenciada por uma série de fatores e pode criar um sentimento de unidade e solidariedade entre os indivíduos, refletindo a diversidade de perspectivas e experiências que existem no mundo.

Leticia de Oliveira Martins 1 ano Direito- Noturno

R.A: 231220431

Funcionalismo para quem ?

 Em março de 2021 a CDF (Congregação para Doutrina da Fé) anunciou que qualquer benção para casamentos entre pessoas do mesmo sexo seria considerada ilícita, e de acordo com a instituição: ‘’Deus não pode abençoar o pecado’’, esta doutrina se baseia na definição de que somente casais heterossexuais estariam seguindo as normas estabelecidas pela igreja do que seria ideal. Isto também ocorre fora da religião, onde a sociedade determina o que é aceito e o que não é, e no segundo caso, estes são extremamente marginalizados.

  O funcionalismo de Emile Durkheim é fundamentado na mesma teoria: organização para o funcionamento da sociedade, olhando para o coletivo e não para o indivíduo em si, acarretando deste modo a segregação de grupos específicos. A convenção social de como determinadas pessoas devem agir, provoca a expectativa imposta de que devem seguir o que é determinado pelo centro, deste modo ao desviarem desta predestinação estão condenados ao julgamento dos demais. 

  No entanto Grada Kilomba tem uma perspectiva diferente: ‘’A margem é um local que nutre nossa capacidade de resistir a opressão de transformar e imaginar mundos alternativos e novos discursos’’, ou seja ao invés do contentamento da situação de exclusão, a resistência deve prevalecer, e com ela a projeção de novos espaços. Deste modo, a imposição de lugares baseados em fatos sociais anteriores aos indivíduos é sempre atrelada ao medo de ultrapassar os limites que foram pré impostos, estando necessariamente conectada ao preconceito.

Aluna: Heloísa Calixto da Silva       Ra:231224631

1° ano Direito Matutino 08/04/2023

sexta-feira, 7 de abril de 2023

O papel da consciência coletiva na atual sociedade

 A consciência coletiva, segundo Durkheim  é a junção dos pensamentos, convicções, costumes e valores que circundam a sociedade, compondo a vida de todos os indivíduos. Dessa maneira, esse conceito é um elemento fundamental para a coesão social - isto é, para a convivência em sociedade -, como explicou o filósofo francês. A consciência coletiva transcende as individualidades, ou seja, não é algo particular; pelo contrário: está enraizada no corpo social, fazendo-se parte da vida de todos os cidadãos.

Além disso, a consciência coletiva assume o papel de regular e moldar as relações sociais, bem como os modos de pensar, de agir, de viver, etc. Isso se dá devido à condição inerente que as ideias morais produzem na coletividade, ou seja, não é possível dissociar a consciência coletiva do corpo social. Sendo assim, tudo aquilo que está enraizado na moral da sociedade passa a ser parte da vida de todos os cidadãos, de modo que estabelece regras e valores que guiam os comportamentos individuais.

A consciência coletiva está consolidada em cada parte de nossa sociedade. Quando nos deparamos com regras, com valores transpassados de outras gerações, ou, até mesmo, com a própria cultura de nosso país - aí está a consciência coletiva. Compreende-se, assim, que o conceito designado por Durkheim é intrínseco à convivência social. 

Para tanto, entende-se que isto deve ser usado como ferramenta de promover o bem-estar e os bons costumes em uma sociedade. Grada Kilomba, escritora portuguesa, em seu texto "Quem pode falar?", aborda temáticas relacionadas ao racismo, sobretudo no ambiente acadêmico, o qual a autora faz parte. Dessa maneira, observa-se que a consciência coletiva, como molde dos pensamentos e valores de uma sociedade, deve encarregar-se de retaliar e repudiar os preconceitos que afligem uma sociedade - como o racismo -  formando, em cada cidadão, uma real consciência. 

Portanto, conclui-se que este é o papel da consciência coletiva nos dias atuais: promover as boas ideias e desaceitar as más, para que preconceitos sejam extinguidos da sociedade, e, ademais, para que a consciência coletiva seja, cada dia mais, uma ferramenta disseminadora de bons princípios, e, sobretudo, do respeito ao próximo. 


Beatriz Fernandes - 1° ano de Direito (matutino)

quinta-feira, 6 de abril de 2023

O perigo de uma história única que gera episódios de racismo no cotidiano

     Em "O Perigo de uma história única", Chimamanda Adichie, escritora nigeriana, conta que cresceu lendo histórias únicas e que muitas vezes não geravam identificação. Grada Kilomba, escritora com raízes em São Tomé e Príncipe, em seu livro "Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano" também enfatiza o fato de muitas vezes ser vista como subjetiva, não-científica, emocional e intepretativa demais. Ambas africanas, negras e com o mesmo sentimento: inadequação no meio acadêmico e, principalmente, na vida social.
         "As histórias são definidas por quem as conta, quando são contadas e por quem. Isso define quem tem o poder de gerar uma história definitiva". De fato, Adichie está certa, já que a maior parte das narrativas são contadas por brancos, europeus (ou norte-americanos) que utilizam desses discursos para se manterem no poder e invalidar o que negros têm a dizer. Infelizmente, o espaço científico é também um espelho do social, ou seja, inferioriza a "Outridade", deslegitima o sentimento de outros, em suma, é um local de violência. As duas escritoras vivenciaram esse silenciamento e essa brutalidade. Lamentavelmente não foram, nem serão as únicas...
         Essa história única pode ter sido defendida, dita e naturalizada por August Comte. Isso porque a visão determinista dele de que a vida em sociedade possui estágios e dependendo da fase que certa civilização estiver, ela é inferior, demonstra tal tese. Diferente desse positivismo arcaico, Durkheim crítica esse evolucionismo banal e analisa cada povo de acordo com a sua cultura. No entanto, só isso não foi capaz de evitar as violências passadas pelas africanas... Porém, ainda se pode pensar em uma consciência coletiva que vem mudando cada dia mais e reprimindo tal opressão.
             Em síntese, a sociedade é persuadida por uma história única que, muitas vezes é contada sempre pelas mesmas pessoas. E, por isso, inferioriza e despreza tudo o que é do outro: o sentimento, as palavras, os discursos... Portanto, a consciência coletiva não só tem que mudar de percepção, como também recuperar tudo aquilo que não ouviu por silenciar pessoas que tinham muito a dizer.
                                 Isabela Junqueira 1° ano Direito Matutino
                                 RA: 231223315
        

O papel da consciência coletiva na renovação da ciência

 O debate acerca do conhecimento e de quem o produz é, de certa forma, recente dentro da Academia, haja visto que, embora os renomados e clássicos autores pudessem ter suas ideias postas à prova, não tradicionalmente é considerado nas análises feitas os espaços de enunciação que tais autores ocupavam. A autora portuguesa Grada Kilomba, em seu livro ``Memórias da Plantação:episódios de racismo cotidiano´´, disserta, a partir da junção de fatos empíricos e teóricos, a forma pela qual se dá o apagamento do discurso e da ciência produzida por pessoas pretas.Além disso, sua obra contempla a discussão sobre a colonização do conhecimento, que no atual contexto de globalização se torna ainda mais acentuada, pois em um mundo onde, para a maioria,infindáveis informações estão facilmente disponíveis, convém aos interesses dos que buscam a hegemonia do conhecimento produzido por grupos dominantes controlar quais estudos serão passiveis de reconhecimento. 

Em muito o conceito de Fato Social de Émile Durkheim se relaciona com a temática tratada por Grada, já que suas características principais são: generalidade, exterioridade ao indivíduo e coercitividade. Sob esse viés, nota-se que o fato social é regulado por meio da consciência coletiva que impera entre as relações desenvolvidas pelos indivíduos. A consciência coletiva,por sua vez, por representar o conjunto de valores e crenças de uma sociedade estabelecidos historicamente, muitas vezes, impede a renovação dos pensamentos para que se adequem a valorização da dignidade humana.Dessa forma, a generalidade dessas concepções é analisada por Durkheim sob uma ótica negativa, como em `` É assim que indivíduos perfeitamente inofensivos na maior parte do tempo podem ser levados a atos de atrocidade quando reunidos em multidão´´(As Regras do Método Sociológico)


Em suma, a teoria de Durkheim dialoga com a pensadora contemporânea Grada Kilomba à medida que o primeiro expõe as motivações para muitas das ações sociais que são oriundas de uma retrógrada consciência coletiva,e a segunda revela as consequências reais dessa invisibilização vivenciada pela população negra dentro e fora do meio acadêmico devido ao novo tipo de colonialismo ciêntifico que vivemos. 


Guilherme Ferreira Ghiraldelli-1° ano Direito(matutino)

             Para Durkheim, a solidariedade social é a força que une os indivíduos em uma sociedade e é expressa por meio da consciência coletiva.

A consciência coletiva é o conjunto de crenças, valores, normas e hábitos que são compartilhados por todos os membros de uma sociedade. Ela é formada a partir da interação social e da comunicação entre os indivíduos, e é transmitida de geração em geração por meio da educação e da socialização.

Durkheim argumentou que a consciência coletiva é um elemento crucial para a manutenção da ordem e da estabilidade social. Ela fornece um conjunto de regras e normas que orientam o comportamento dos indivíduos e garantem a cooperação e a solidariedade entre eles. A consciência coletiva é, portanto, uma fonte de coesão social e um fator importante na manutenção da continuidade e da estabilidade da sociedade, segundo Durkheim

A solidariedade social pode ser dividida em dois tipos: solidariedade mecânica e solidariedade orgânica. Na solidariedade mecânica os indivíduos compartilham valores, crenças e práticas comuns. Nesse tipo de sociedade, a coerção social é utilizada para reprovar o ato que confronta a consciência coletiva, como, por exemplo, o direito penal.

Já na solidariedade orgânica os indivíduos têm papéis e funções diferentes. Nesse tipo de sociedade, a consciência coletiva é menos forte e a interdependência funcional é utilizada para garantir a cooperação e a solidariedade entre os indivíduos.

Em ambas as formas de solidariedade social, a consciência coletiva desempenha um papel fundamental na manutenção da coesão social. Ela é a fonte da identidade coletiva e fornece um conjunto de normas e valores que orientam o comportamento dos indivíduos e garantem a cooperação e a solidariedade entre eles. Em resumo, a teoria da solidariedade social de Émile Durkheim destaca a importância da consciência coletiva como um fator crucial na manutenção da coesão e da estabilidade social.

Lucas Wellington dos Santos Lopes – Noturno – RA: 181220598

As catracas invisíveis

 No cotidiano é possível perceber as diversas catracas invisíveis as quais passamos, essas são delimitadores da sociedade, catracas pois permitem uma filtração dos seres e invisível por não existir um objeto de fato, mas são facilitadores na entrada de alguns a certos campos sociais e para outros dificultam. No texto de Grada Kilomba são notadas as diversas catracas invisíveis quem pretos e principalmente mulheres pretas passam, ou melhor, precisam destruir teoricamente esses dificultadores (catracas), pois se trata de um mundo em que as diferentes pessoas e classes ocupam diferentes lugares sociais, em que há um apagamento de tudo o que não é produzido por brancos, uma vez apenas a ciência produzida por brancos é legitima. Segundo o sociólogo Émile Durkheim a sociedade possui uma consciência coletiva, essa é pautada na moral e é capaz produzir coesão social, ou seja, influencia na ação pessoal, uma vez que muitas pessoas não fazem coisas pois no pensamento comum é imoral, portanto é preciso primeiro entender a coletividade antes do indivíduo, pois essa o influencia. Um exemplo seria a segregação em atividades comuns, é possível perceber que há ambientes majoritariamente brancos, como universidades e locais de alto prestígio em geral, justificado pelo privilégio branco pautada em uma consciência coletiva que outras etnias eram incapazes da produção do conhecimento e, assim apagando todo legado cultural de pessoas pretas; até os dias atuais é possível notar a dificuldade de identificação de uma cultura preta em destaque na sociedade. 

Pessoas que conseguem acessar lugares diferentes do que a sociedade as impõem são muitas vezes isoladas, tratadas como fora de onde deveriam, pois para uma comunidade pautada na desigualdade social, as classes devem frequentar diferentes locais, utilizar de diferentes serviços, enfim, possuir rotinas completamente distintas; os seres que não aceitam tal realidade são constantemente jogados à margem, a resistência que permite uma mudança, a que traz para o centro; como as cotas raciais, que depois de muita luta e injustiça, pessoas pretas conseguem entrar em universidades, dessa forma elas têm a oportunidade de sair da margem e ir ao centro, superar as catracas invisíveis. 

 

Maria Eduarda Souza Vasconcellos – RA:231220651. 1* ano direito matutino.

 

O meio compondo indivíduos conscientes ainda é uma utopia

A sociologia, de forma simplória, costuma partir de 2 opções: o meio compondo os indivíduos ou os indivíduos compondo o meio. Através de diversas análises e mecanismos, os sociólogos tentam entender a sociedade sobre algum desses dois aspectos. Pautando-se em Émile Durkheim, é nítido a prevalência da sociedade sobre os indivíduos, logo, o meio compõem coercitivamente os indivíduos.

Nesse sentido, em tudo há uma origem coletiva, ou seja, a dinâmica social que orienta e predispõe os seres. Não há uma coincidência em pensamentos ou sentimentos iguais entre seres diferentes, já que, no princípio, tudo parte da mesma força exterior, geral e coercitiva. Sendo assim, através da educação, na infância, já são incorporados regras sociais que certa sociedade quer que os indivíduos sigam.

Dessa forma, conforme o homem se adequa a essas regras que lhe foram interiorizadas, ele acredita até que elas podem ser fruto de sua própria elaboração, sem perceber a coerção que foi realizada pelo exterior ao longo da sua vida.

Infelizmente, Durkheim, com seu funcionalismo, é capaz de explicar como a sociedade dita diversos comportamentos de forma velada e naturalizada. Dentro da história, como percebe-se com Grada Kilomba, no seu livro “Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano”, é naturalizado inferiorizar o negro e seu local de fala. Esses comportamentos estão tão interiorizados e assimilados há tantos anos pelo indivíduos por uma pressão exterior, geral e coercitiva da sociedade que torna-se difícil dissociar essas regras embutidas inconscientemente. Desse modo, analisar o mundo, de forma sociológica, é despir-se dessas assimilações construídas historicamente, mas não é fácil. Simples é permitir que o que já está generalizado, ou seja, as coerções passadas cheias de preconceitos, permaneça regendo a sociedade, mesmo que de uma forma coercitiva, na qual poucos conseguem se livrar.

Sendo assim, como a sociedade constrói os indivíduos, usando de sua coerção, exterioridade e generalidade para interiorizar regras, deveria ser possível fazer isso com inserção de avanços humanitários. Nesse viés, através de uma consciência coletiva, seria possível que a sociedade interiorizasse noções de igualdade racial e igualdade de gênero. Assim, o meio seria capaz de compor indivíduos humanos, conscientes e livres de conceitos coercitivos preconceituoso da história que a humanidade percorreu. Entretanto, essa possível realidade, ainda utópica, romperia com hierarquias e poderes já pré-estabelecidos. Por isso, parece distante demais ainda.

 

Laís Tozzi Muraro - 1° ano Direito (matutino)

RA: 231221304

quarta-feira, 5 de abril de 2023

O viés problemático da consciência coletiva


       Dentre seus estudos relacionados à Teoria Funcionalista, que estabelece para cada fato social uma função, o sociólogo francês Émile Durkheim utiliza o termo “consciência coletiva” para se referir ao conjunto de crenças e sentimentos que são, de maneira geral, compartilhados pelos indivíduos de uma mesma sociedade e que são incorporados por eles através da educação com o objetivo de manter a coesão social.

Nesse sentido, analisando tal conceito na prática, entende-se que ele consiste na padronização do pensamento das pessoas na vida em comum, sendo responsável por causar reações semelhantes na sociedade em geral diante de determinados acontecimentos. Um exemplo disso seriam os relatos de Grada Kilomba, em seu livro “Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano”, nos quais é apresentada a dificuldade de uma mulher negra, historicamente colocada na margem social, ser respeitada, tendo que lidar com inúmeras reações que invalidam sua fala e seu trabalho no cotidiano. A partir disso, pode-se dizer que tais relatos representam o racismo presente na consciência coletiva, que, ainda na atualidade, é caracterizada por traços que remetem à herança histórica da escravidão, do patriarcalismo, entre outros. Sendo assim, percebe-se que esse pensamento padronizado torna-se problemático quando é incorporado pelas novas gerações sem que haja uma postura crítica em relação à visão de mundo que está sendo imposta, fazendo com que valores preconceituosos permaneçam na consciência geral da sociedade sem qualquer contestação. 


   Em suma, fica evidente que a consciência coletiva é o mecanismo social responsável por sincronizar o pensamento dos cidadãos de modo que determinados valores, hábitos, condutas e normas sejam considerados socialmente corretos por todos e que, por isso, devem ser incorporados. Em contrapartida, tal conjunto pode reproduzir preconceitos que reforcem a exclusão de grupos marginalizados historicamente. Portanto, cabe à consciência individual repensar criticamente o comportamento imposto pela consciência coletiva.



Lara Guerreiro - Primeiro ano de direito (matutino)

RA: 231223196


" Sapies: uma breve história da humanidade "e o positivismo na atualidade.

 Lorena Ramos Panizza Jalkh 

1° ano de Direito noturno 

RA: 231223072

       O livro de autoria do historiador Yuval Noah Hurari, promete contar a história da humanidade até os dias atuais e ainda faz projeções para o futuro da espécie humana. Nesse sentido, o best-seller propõe uma interpretação da humanidade a partir da análise histórica, assim como Augusto Comte remete ao objetivo da sociologia para compreensão da sociedade : " [...] O espírito dessa ciência consiste sobretudo em ver, no estudo aprofundado do passado, a verdadeira explicação do presente e a manifestação geral do futuro" - COMTE, Augusto. Sociologia, 1978, p. 53. Dessa forma, desde a premissa do livro, escrito em 2011, é possível observar ,a partir da visão do autor, resquícios do positivismo na atualidade. 

       Precipuamente, Comte disserta sobre os três estados da história do conhecimento: Primeiramente o estado " teológico" em que o espírito humano está voltado para as crenças (paganismo) como forma de construção do conhecimento, sendo assim o ponto de partida da humanidade para a busca da explicação dos fenômenos ; em seguida há o estado " metafísico" relacionado ao renascimento e trata-se de um período de transição do conhecimento humano; e por fim o estado " positivo" marcado pela observação como maneira de entendimento da realidade e o advento do método científico. Sob essa perspectiva, o israelense também traz a ideia de que a sociedade atual foi formada por estágios de desenvolvimento social ou estágios de " progresso ". 

       Ademais, devido a sua formação acadêmica ser apenas em história, Yuval Noah não tem experiência em arqueologia, e nem formação na área. Segundo Eduardo Carlos Bittar (2001, p.43), " É por isso que a interdisciplinaridade (transdisciplinaridade) tem surgido como recurso que supera os caminhos monológicos da tradição dos estudos positivistas". Dessarte, os argumentos do autor não se baseiam em referências interdisciplinares suficientes para formular as conclusões do livro. 

       Portanto, o livro está atrelado as ideias do século XIX do pai do positivismo e seu grande sucesso reflete como a sociedade atual ainda enxerga, mesmo que de maneira inconsciente, a forma de pensar proposta por Comte em que a ciência tem como objetivo a descoberta de " leis naturais invariáveis " que exercem poder sobre os seres humanos , e que poderiam ditar proposições para o futuro, como eficaz.


Fato social e consciência coletiva

 "É fato social toda maneira de fazer, fixada ou não, suscetível de exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior; ou ainda, toda maneira de fazer que é geral na extensão de uma sociedade dada e, ao mesmo tempo, possui uma existência própria, independente de suas manifestações individuais." Essa é a definição de fato social trazido por Durkheim em seu livro. Ou seja, o fato social é algo exterior do indivíduo que é imposto a ele desde criança (em sua educação, em suas relações sociais e parentais dentro de casa). Essa imposição desde cedo, faz com que o indivíduo seja forjado pela regras sociais até que elas sejam incorporadas pelo indivíduo, de maneira, que aquilo seja algo natural para ele, porém esses comportamentos e ideias não seriam desenvolvidas espontaneamente. Ou seja, ele acha que esses sentimentos tem origem nele próprio, mas isso é algo que foi imposto a ele.

Com isso, cria-se uma consciência coletiva na qual quem se desvia dela é punido- tanto legalmente quanto socialmente. Atualmente, no mundo da Internet, isso se tornou muito comum com a prática do "cancelamento", que puni, socialmente, quem se desvirtua do que é moralmente imposto pela sociedade. Essa punição social pode até ser pior do que uma pena legal, ao passo que alguém "cancelado socialmente", é excluído da sociedade e de suas atividades, assim como afirma Durkheim no trecho: "Se não me submeto às convenções do mundo, se, ao vestir-me, não levo em conta os costumes observados em meu país e em minha classe, o riso que provoco, o afastamento em relação a mim produzem, embora de maneira mais atenuada, os mesmos efeitos que uma pena propriamente dita."

Além disso, essa consciência social causa, o que Durkheim sintetiza na frase "cada um é arrastado por todos", uma espécie de comportamento social que a pessoa não teria se estivesse sozinho, devido à coerção que o fato social é capaz de realizar em uma sociedade. É como Durkheim diz:  "É assim que indivíduos perfeitamente inofensivos na maior parte do tempo podem ser levados a atos de atrocidade quando reunidos em multidão. Ora, o que dizemos dessas explosões passageiras aplica-se identicamente aos movimentos de opinião, mais duráveis, que se produzem a todo instante a nosso redor, seja em toda a extensão da sociedade, seja em círculos mais restritos, sobre assuntos religiosos, políticos, literários, artísticos, etc."




Giovanna de Moraes Pereira- 1º ano direito noturno
RA: 231223706

terça-feira, 4 de abril de 2023

O POSITIVISMO E UMA ATUALIDADE RADICALIZADA

             Em meados do séc. XIX surge o Positivismo, uma nova área de estudo científico proposta pelo acadêmico francês August Comte. Seguindo a linha dos avanços e rigores das ciências naturais de sua época, Comte visou desenvolver um método de estudo que romperia com a influência das doutrinas religiosas e das correntes filosóficas tradicionais, propondo assim uma análise material e objetiva da sociedade e de suas relações. No entanto a proposta do sociólogo, apesar de revolucionária e pioneira, também estabeleceu uma série de condutas que continuam a promover desavenças e conflitos nos dias atuais.

“O Amor por princípio, a Ordem por base e o Progresso por fim”, essa frase revela uma série de valores que norteiam o pensamento positivista. O objetivo final da doutrina era o alcance do “progresso”, ou seja, uma mudança positiva na condição de vida em sociedade. No entanto, na concepção dos positivistas esse “progresso” só seria alcançado em razão de dois princípios norteadores, o primeiro deles sendo o amor (impulso individual) e a ordem (harmonia governamental através da imobilidade). Logo, todo movimento ou comportamento que escapava dos moldes estabelecidos nesse período era (e muitas vezes ainda é) considerado anormal, dúbio e até mesmo hostil para com o bom funcionamento social.

O movimento negro, feminista, indígena, LGBTQIA+, etc., todos hostilizados por uma oposição conservadora embasada, essencialmente, pelos ideais positivistas. Os padrões de “humanidade” estabelecidos no final do século XIX e início do XX constituem, para os mesmos, um conjunto de fatos inquestionáveis e essenciais para o funcionamento da sociedade, devendo serem, portanto, defendidos sem reservas.

 Na atualidade essa batalha se traduz eventualmente nos dois extremos do espectro político. De um lado tem-se um grupo de “direita” conservador, formado em sua maioria por adultos educados pelos padrões dogmáticos citados anteriormente, do outro os progressistas de “esquerda” que ostracizam qualquer hábito ou tradição distintos dos arquétipos contemporâneos minoritários.

Para tanto, percebemos que os preceitos de Comte se enraizaram nos mais distintos âmbitos sociais e, a cada metamorfose e inovação, nossas opiniões ficam cada vez mais engessadas e a nossa sociedade mais radicalizada. Em busca da ordem frequentemente sacrificamos o motor do desenvolvimento, a mudança e a diversidade e, como postulado por Heráclito: “Nada é permanente, exceto a mudança”.

 Bruno Vieira Salles - 1° ano - Ra: 231224885