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domingo, 29 de maio de 2011

A analise do socialismo, por Engels.

Da parceria entre Marx e Engels surge uma proposta de um socialismo baseado na racionalidade, capaz de transformar, de fato, sua realidade.
Socialistas utópicos seriam, então, sonhadores, que imaginavam propostas. E propostas imaginadas, ao contrário das formadas sobre bases concretas da razão, não conseguiriam sobreviver num mundo onde o capitalismo só avançava.
Entre os socialistas utópicos Engels propõe o estudo de três deles: Saint-Simon, Owen e Fourrier.
Saint-Simon considerava o conflito entre trabalhadores (industriais e operários) e “ociosos”(clero e nobreza). Sua ideia de socialismo é a de uma sociedade onde os ociosos seriam eliminados, já que seriam elementos patológicos da sociedade. Acredita que a situação econômica seja a base das relações políticas e que a distribuição dos lucros era necessária e possível.
Owen, por sua vez, acreditava que as forças produtivas deveriam servir para identificação de uma nova sociedade onde os homens fossem livres do trabalho. Via a cooperação como o rumo ao bem coletivo, e considerava que a coesão social é obtida por meio de condições dignas de trabalho e educação às crianças.
Já Fourrier baseia-se na crítica a situação burguesa. Segundo ele a miséria e a barbárie seriam consequências da naturalização da pobreza, causada pela acumulação da riqueza. Propõe uma comunidade “auto-gerista”, com uma perspectiva de liberdade ao aprisionamento do homem ao trabalho.
Para Engels essas teorias eram analises reveladas pela visão de alguns homens especiais, sendo incoerentes com a realidade em que viviam, e, portanto, só funcionariam em situações isoladas. Sendo assim, elas deveriam ser combatidas.
Marx e Engels pegavam a essencialidade da analise profunda da sociedade para que o socialismo pudesse afrontar o capitalismo da maneira certa. O materialismo é então proposto como método, enfatizando a analise das condições históricas e sociais.  
Analisando a historia e sua realidade social, Engels teoriza numa dialética histórica, ou seja, na existência permanente de duas dinâmicas. Assim, concluem que o capitalismo é auto-destrutivo.
O socialismo cientifico tem, então, a missão de entender as formas da corrosão do capitalismo e descobrir em que condições ele se destruirá.

Entre o capitalismo e o socialismo, onde estará a solução para os males sociais?

O socialismo nasce como uma tentativa de libertar toda a humanidade das distintas classes sociais que surgiram em decorrência do modo de produção capitalista. Considerado como utópico, esse socialismo primitivo, não foi colocado em prática, somente idealizado por grandes iluminados como Saint-Simon, Charles Fourier e Robert Owen que acreditavam que a solução para antagonismo entre a burguesia e o proletariado deveria emergir de intelectuais, devido a incapacidade do proletariado de lutar por si mesmo e por seus direitos. De fato, o socialismo já estava latente a tempos, porém necessitava de ser revelado as pessoas, e mais, precisava de ser materializado para gerar a compreensão da realidade e assim mover uma energia revolucionária na classe dominada que transformasse não só os modos de produção, mas suas vidas e a vida em sociedade. Esses pensadores o revelaram, faltava agora materializá-lo.


Assim, Fredrich Engels assume essa missão e em seu livro "Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico" esclarece como superar o modo de produção capitalista para se chegar, finalmente, a libertação da força produtiva e uma possível igualdade entre as classes sociais. Para isso, segundo o autor, o socialismo deve ser uma ciência, que se situe na realidade e no momento histórico vivido, as respostas dos males sociais então aí. Diante das divergências, o socialismo deve estar atento a dinâmica social, e não pode perder a visão do todo, a observação fragmentada dos fatos não leva a uma verdade clara. Então, é preciso conectar passado e presente para perceber o por quê do resultado final, e assim, a defesa do método hegeliano da dialética, que em resumo é o confronto entre tese e antítese que leva a uma síntese. E essa síntese, nova tese, leva a outra antítese e a uma outra síntese... e é um movimento permanente. E por isso, o socialismo não pode ser só ideia, mas real, por que as ideias são estáveis, a realidade não.


Após essa análise dialética da sociedade e sua história, é hora de superar o modo capitalista de produção, baseado na mais-valia. Antes de esclarecermos sobre essa mais-valia, é interessante citar que o capitalismo foi algo que supreendeu e por isso inundou e modificou todo o modo produtivo. Ele gerou uma capacidade de produção ilimitada, que não se esgotava. Foi uma forma de exploração sutil, por isso a produção de expandiu com a aceitação da classe explorada, pois "parecia" que a riqueza era distribuída, todas as classes passaram a "ter coisas", porém o abismo entre elas só crescia, e com isso a desigualdade, e nada foi transformado, aliáis, só se acentuou o antagonismo, co-existindo superabundância e miséria. E a mais-valia foi o instrumento do capitalismo. A geração de grandes lucros só foi possível devido a apropriação do trabalho não pago, que foi ainda mais evidente com o surgimento da tecnologia e das máquinas. Concluimos que a produção e a ordem econômica determinam a ordem social, e assim superar as contradições significa mudar a estrutura econômica e material da sociedade.


Portanto, como superar? O fogo destruidor deve ser convertido em fogo posto a serviço dos homens, ou seja, os benefícios da modernidade devem estar disponíveis a todos e não só a uma classe, e para isso o Estado burguês deve ser apropriado pelo proletariado. Assim a força produtiva no poder promoveria a emancipação da sociedade e o Estado e a dominação se extinguiriam.


Essa é uma pincela da visão do referido autor. É eficaz? Ou novamente utópica? O capitalismo é o grande mal da sociedade? Na verdade, não há resposta. O socialismo não chegou a ser efetivamente aplicado, e portanto não podemos dizer qual é melhor. O capitalismo também possui pontos positivos e negativos, como o socialismo. Porém, é verdade que a maneira como o capitalismo está vigente está cego pela procura de lucro, lucro, e mais lucro, e as necessidades humanas, a dignidade e a igualdade entre os homens foram totalmente esquecidas, em virtude da obcessão de uma elite poderosa. E penso, que é isso que o socialismo procura resgatar. Talvez a verdade e a solução para os problemas sociais esteja entre o capitalismo e o socialismo, absorvendo o que há de melhor nos dois sistemas, retomando a dialética, talvez a síntese da tese capitalista e a antítese socialista, seja a tão deseja forma de produção, de organização social e política que a maioria explorada do mundo almeja. E novamente a mesma pergunta, é utópico? Isso só a história poderá nos dizer.


Ana Beatriz Taveira Bachur - 1º ano direito diurno

A ciência parte da dialética


Para Engels, os iluministas trouxeram à humanidade sua aurora. Dessa bela imagem pode-se extrair um profundo significado: era apenas o início das luzes, apenas o começo da percepção real do mundo e da sociedade.

O sol começava a aparecer mais ainda não era capaz de emancipar totalmente a sociedade de seus pontos cegos. De acordo com nosso filósofo, a racionalidade burguesa se alastrou de maneira a ludibriar os operários e os mais periféricos indivíduos da sociedade a uma mentalidade burguesa, o suficiente para uma simples troca de governos e permanência da subordinação.

No decorrer do tempo, a luz vai aumentando sua abrangência. A antítese burguesa, carregada pelos próprios membros dessa classe, é exposta e o Socialismo utópico, um estágio de pouca maturidade, emana dos filósofos com a abstração de uma sociedade de uma só classe, com todos os membros produtivos. Entretanto, o nome diz, utopia, “lugar nenhum”. Pensadores como Saint-Simon, Charles Fourier e Robert Owen, são pouco vividos. A razão pensante por eles proposta não é capaz de trazer o socialismo de fato já que não se vale da realidade material, portanto, estagnamos aqui em mais uma etapa.

Mais um pouco de Luz e a teoria ganha mais vivacidade. O teoria social torna-se ciência. Já mais madura é apta agora de censurar a metafísica e o estudo do objeto em detrimento do todo. Em complemento à teoria positivista, na qual importa a função do objeto e sua ordenação, o socialismo cientifico pede pelo estudo de sua origem e em que meios chegou até onde está. A filosofia alemã, especialmente com Hegel(1770-1831),recupera a dialética na análise da natureza, da sociedade e do pensamento, em íntima conexão, constante movimento, transformação e desenvolvimento e examinando a história da humanidade não como caos, mas como processo.

É dessa dialética que provém o agitação social, e a sua antítese deve promover a transformação como na Antiguidade, feudalismo, capitalismo e socialismo. Cada um dos três primeiros é superado por uma contradição interna, chamada "germe da destruição". A contradição da Antiguidade é a escravidão; do feudalismo, os servos; e do capitalismo, o proletariado. O socialismo seria a síntese final, em que a história cumpre seu desenvolvimento dialético.

Processo de ciência social

No século XIX, diferentes pensadores tentaram refletir sobre os problemas causados pelas sociedades capitalistas em desenvolvimento. Ainda fortemente calcados nas idéias do pensamento iluminista, esses pensadores continuaram a buscar no racionalismo a saída para as contradições geradas no interior do pensamento capitalista. No entanto, esses não faziam uma crítica radical ao capitalismo, pois ainda defendiam a manutenção de suas práticas mais elementares.

Os socialistas utópicos deram os primeiros passos no desenvolvimento das teorias socialistas. Os seus principais representantes são Robert Owen, Saint-Simon e Charles Fourier. Entre eles, podemos perceber claramente a construção de uma sociedade ideal, onde se defendia a possibilidade de criação de uma organização onde as classes sociais vivessem em harmonia ao buscarem interesses comuns que estivessem acima da exploração ou da busca incessante pelo lucro.

Levantando determinados pressupostos, os socialistas utópicos sofreram a crítica dos socialistas científicos. Para os últimos, o socialismo utópico projetava uma sociedade sem antes devidamente avaliar as condições mais enraizadas que constituíam o capitalismo. Com isso, os socialistas ambicionavam definir a natureza do homem e, a partir disso, indicar o caminho entre a harmonia e os interesses individuais.

Marx e Engels pouco se ocuparam em esmiuçar a sociedade do futuro, descrevendo-a apenas em seus traços mais gerais. Todos os seus estudos tiveram como foco a sociedade do presente. Trataram de dissecar o capitalismo, reconstituir seu nascimento e sua trajetória, revelar suas entranhas, expor à luz do dia os mecanismos secretos do seu funcionamento, estudar suas contradições e as forças sociais que o protagonizam.

Engels localiza, dentro do próprio desenvolvimento capitalista, as contradições que abrem caminho para o socialismo. A produção é social, e socializa-se sempre mais, enquanto a apropriação é privada, e concentra-se a cada dia - através da concorrência - em um círculo mais reduzido de grandes burgueses. Desta contradição básica nasce o irremediável antagonismo entre as duas classes fundamentais da sociedade moderna, o proletariado e a burguesia. E nasce também daí uma terceira contradição, entre a organização cada vez mais expandida e sofisticada da produção, no nível de cada empresa, e a anarquia da produção, no nível de toda a sociedade, condenando o sistema à tortura das crise cíclicas.

Mais de um século depois de escrita, a análise de Engels impressiona pela atualidade. Ali está, exposta, a explicação dos verdadeiros motivos econômico-sociais do chamado desemprego tecnológico. É verdade que o ciclo das crises já não é dez anos, como ocorria no século 19. Os mecanismos de intervenção "anticíclica", criados no nível dos Estados burgueses (após o crack de 1929) e de todo o mundo capitalista (ao fim da II Guerra) quebraram essa regularidade de relógio. Mas mostram-se impotentes para evitar ou vencer as crises, como mostra a onda recessiva de 1997-98, que já derrubou os tigres asiáticos, o Japão e a Rússia.

Libertar para a revolução é preciso

Na obra ''Do socialismo utópico ao socialismo científico'', Engels aponta a diferença fundamental que separava a sua teoria e a de Marx das doutrinas socialistas anteriores e até daquelas contemporânea a ele.É importante ressaltar que as doutrinas socialistas anteriores a Marx eram tidas como utópicas, enquanto a de Marx passa a ser científica.Além disso, o caráter ideológico burguês de seus fundamentos teóricos dá forma à concepção que estas doutrinas socialistas fazem não só dos fins que buscam alcançar, mas também dos meios de ação utilizados para construir esses fins, que veremos adiante ser a luta ou meramente a ideia de auto-realização.

Engels mostra que as doutrinas utópicas- mesmo tendo como objetivo o tal ''socialismo'' ou apenas a construção de uma sociedade melhor , mais justa e igualitária- baseiam a construção dessa sociedade em parâmetros não científicos, como o religioso ou o jurídico.Portanto a teoria socialista utópica baseia-se em conceitos ideológicos e não em práticos.É um exemplo disso o desejado igualitarismo econômico, a reforma da sociedade a partir da educação e a reforma moral da política.

Ao iniciar uma representação ideológica tanto dos fins quanto dos meios para alcançar aquela sociedade mais justa e igualitária, as teorias utópicas ficaram prisioneiras das noções, dos princípios morais, políticos, jurídicos e econômicos da burguesia, preso às ideias da classe dominante, acorrentadas na crença de mudança feita pela elite conformista- que nunca aconteceu- e assim não houve o almejado rompimento com o sistema burguês de conduta econômica, social, política e até religiosa.Imóveis pela ação capitalista burguesa, ou pela simples crítica a esse modelo, as ideologias em questão não buscaram se movimentar, sair do imaginário e se tornar uma revolução, dessa forma o nome ''socialismo utópico'' caiu perfeitamente.

A base do socialismo científico é a revolução, motivada pelos trabalhadores em superar o empobrecimento e a exploração cada vez maior feita pelos capitalistas.O socialismo científico é uma atividade que permite solucionar problemas, oferecendo mudanças, variantes e ideias socioculturais-econômico-políticas, para serem executadas com conhecimento ideológico da conduta humana.Entregam-se à causa desse modelo socialista, à revolução, refletindo o que é o princípio do socialismo científico, do cultural e até do socialismo humanista não só toda a classe operária, mas também a sociedade que visa uma maior igualdade e justiça social.Logo a essência do socialismo é a associação das relações sociais com o povo para o povo.

Enfim, o conhecimento exato do socialismo permite conhecer que não há ideias concretas e que a auto-crítica é, sim, necessária para embalsar o socialismo sob medida ao país em que será feito, alcançando uma autonomia cultural, econômica, política e, sobretudo, uma conciliação de classes.Portanto concluímos que o socialismo científico comporta ideias do socialismo utópico, mas para Engels apenas aquele acontecerá e trará resultados- logo deve-se deixar o socialismo ''do sonho'' de lado e passar para o socialismo ''real''-, enquanto este fica apenas no plano imaginário e das críticas, sem movimentação social, acarretando o nome utópico.


Do utópico ao científico

"Do socialismo utópico ao socialismo científico" é o título da obra escrita por Fredrich Engels em 1877 na qual este propõe o materialismo dialético como método científico e, consequentemente, o rompimento total com a metafísica do passado.

Engels discorre a respeito da supremacia de um socialismo científico, no qual deve-se observar o fenômeno em seu processo de nascimento e no de caducidade; priorizar a análise dos "meios" e não apenas dos "fins" (negação do enfoque na "morte" e não na "vida" dos objetos); ter uma visão do todo, não fragmentar objetos a fim de obter clareza ("obcecado pelas árvores, não consegue ver o bosque").

Tal concepção se contrapõe ao socialismo primitivo, ou socialismo utópico, elaborado por pensadores como Henri de Saint-Simon, Charles Fourier e Robert Owen, de cujas ideias Engels discordava, sobretudo, por partirem da imaginação, visando apenas o que será e não o que é e o que foi, além de não serem fruto de uma análise científica do contexto social no que concerne ao pensamento e ao real.

Esse território de igualdade imaginado e não analisado cientificamente, no que consistia o socialismo utópico, primava pela destruição das diferenças de classe, provocando a libertação de "toda" a humanidade e não só de uma única classe. Para Engels, esta teoria são se aplicaria à prática, uma vez que a burguesia não renunciaria aos seus privilégios e poderes a favor pelo bem comum proposto por tal utopia. Sendo assim, os homens "iluminados", como eram chamados os primeiros pensadores socialistas, falharam ao idealizar que a burguesia iria igualar todos os membros da sociedade dividindo, para isso, seus bens e dando a cada um o mínimo necessário à sobrevivência. Ao contrário, os mais abastados queriam forjar em todos a mesma perspectiva política, incutindo em cada um o ideal de propriedade e de tornar-se parte da burguesia.

Por isso, a ideia de Fourier, que se refere a uma cultura social que se opusesse ao capitalismo, promovendo trabalho e cooperação entre os indivíduos, e a de Owen, que consiste na junção entre cooperação e educação a fim de ampliar os horizontes das crianças e de educá-las para o futuro acostumadas à igualdade, segundo Engels, não são nada além de formas utópicas do socialismo.

Nesse sentido, o idealismo hegeliano também é criticado, principalmente, porque Hegel libertara a concepção histórica da metafísica, tornando-a dialética, mas sua interpretação da história continuou idealista, o que é negado pelo materialismo científico de Engels.

O percurso incontornável da história, como o socialismo era considerado, não era obra do gênio humano, mas das leis históricas (das quais a principal era a luta de classes) e das contradições inerentes ao capitalismo. Modo de produção este, que utilizava-se da exploração da classe trabalhadora para aumentar a produção e obter mais lucros.

Sabe-se que essa apropriação de trabalho não pago é chamada mais-valia e, se analizarmos, não é concernente apenas ao passado. Levando-se em conta a mais-valia relativa, sem, contudo, esquecer-se da absoluta, pode-se perceber que isto ainda é aplicado aos dias atuais e, tentando supor o que Engels diria se tivesse vivido a realidade atual, provavelmente, seria que o capitalismo aproxima-se, cada vez mais, do seu fim e que o socialismo substituiria esse modo de produção iminente.

O socialista hoje

A criação de um novo método para análise da sociedade em seus diversos períodos históricos é a maior contribuição de Marx e Engels, no qual a humanidade progride através dos modos de produção, impulsionada pela constante dinâmica de contradições, onde até aquele momento houve sempre opressores e oprimidos. O socialismo é, portanto, ciência, passível de situar-se na realidade, porém fruto não somente da vontade dos homens, mas do momento histórico.

Partindo dessa perspectiva é nítida a conclusão de que aquele que se opõe ao capitalismo não pode dizer-se socialista marxista, pois, para Engels e Marx, o socialismo apenas seria possível em uma sociedade na qual o capitalismo estivesse plenamente desenvolvido, pois este proporciona tecnologia, ciência, máquinas, que no futuro não serviriam mais a exploração, mas a libertação do homem das suas condições essenciais de existência e estariam a serviço de todos. Sem capitalismo não há burguesia ou proletários, estes os responsáveis pela Revolução que distribuiria a riqueza uniformemente.

Ignora o método marxista o que, em nossos dias, proclama discursos contra a burguesia... Que burguesia? Quem são os burgueses, ou proletários? Onde se encaixam os pequenos proprietários?... Ser materialista dialético é ser capaz de enxergar as contradições de nossa época, a destreza com que o capitalismo se adaptou as crises, “suavizou” a exploração, seduziu a classe operária... Habilidades que Marx e Engels não vislumbravam em sua época e não puderem antever.

Se examinarmos nossa realidade sob a ótica marxista a primeira questão apontada é que temos camadas médias em nossa sociedade, com objetivos plurais, carente de uma ideologia, de um discurso que interesse a todos, prosseguir com a máxima: “proletários de todos os países, uni-vos” é contraproducente e contrário ao materialismo histórico, sem identificação social.

Portanto, admitir-se SOCIALISTA aos moldes de Marx e Engels não impõe a proibição de se usufruir do sistema capitalista (privar-se de roupas de marca, produtos importados...) na medida que para lutar em favor de condições necessárias ao estabelecimento do socialismo faz-se necessário hoje, integrar-se a ele. (e além do mais como já dissera Lênin: “vamos destruir a burguesia, mas preservar o seu bom gosto”).

Vestir-se da maneira mais simples, adquirir hábitos contrários a sociedade, discursar contra os burgueses, proclamar a revolução... são formas, mais do que ineficazes, mas ingênuas, antimarxistas, de luta por ideais de igualdade. O marxista de nossos dias, o autêntico, deve conquistar voz, poder para combater, acima de tudo, as desigualdades sociais, e tem como arma fundamental o Direito. É por meio da lei que os direitos são elevados a toda a sociedade, que as minorias passam a reivindicar sua condição de cidadão, debilitando preconceitos, intolerância... logo, ser socialista, na efetividade, é empenhar-se por um sociedade mais justa.

A sedução capitalista

Com a Revolução Francesa os privilégios dos nobres mudam de mãos. Aqueles que lutaram por profundas reformas se corrompem. A burguesia passa a ser a classe detentora de benefícios. Carregando consigo sua própria contradição, confirma sua supremacia conforme o capitalismo consolida-se.

Surgem, então, os primeiros pensadores que propõe a libertação de toda humanidade, não só a dos burgueses. Inicialmente o socialismo se caracteriza como utópico por não ser pensado cientificamente, e sim imaginado.

Acreditando que o modo de produção capitalista chegaria a um limite no qual haveria a revolta dos explorados, Engels profetiza o colapso do sistema e propõe um socialismo possível de ser concretizado.

Baseando suas ideias na análise da própria história da humanidade que revela como sua principal lei a luta de classes, Engels define o socialismo como inevitável e independente das obras do pensamento do homem. Seu objetivo era, através da ciência, desvendar as contradições inerentes ao capitalismo.

Apesar da prática da mais-valia, de considerar o trabalhador como uma simples peça da produção, de limitar o conhecimento do processo de confecção de um produto, de produzir miséria para muitos e riqueza para alguns, o capitalismo, ao contrário do que profetizou Engels, se mantém sólido e hegemônico ainda nos dias atuais. Os avanços científicos e tecnológicos expandem os valores capitalistas e são capazes de espalhar a ideologia burguesa mesmo entre os explorados pelo sistema. Mais do que incoerente e repressivo, o capitalismo é sedutor.

Do Iluminismo à Guerra Fria

O Iluminismo não conseguiu acabar com as desigualdades de classes, pois, embora justificasse tudo ante o foro da razão, foi se erguendo um império idealizado pela burguesia. A Revolução Francesa demonstra claramente esse império, no qual foram abolidos os privilégios de nascimento, mas estabelecidos os privilégios do capital. Dessa forma, a justiça se reduz à justiça burguesa, a igualdade se reduz à igualdade burguesa. Houve, pois, uma troca de classe dominante: sai a nobreza e entra a burguesia. E a grande massa continua excluída da esfera política e econômica.


O socialismo primitivo busca solucionar a diferença de classes baseado na concepção de que a solução viria dos intelectuais, pois o proletariado seria incapaz de promover as mudanças. Entretanto, a burguesia não abriria mão de suas possses. Este socialismo, chamado também de utópico, repudiava a produção capitalista, todavia não explicava a histórica exploração entre as classes.


Hegel consegue libertar da metafísica a concepção da história e propõe a dialética, a qual analisa a natureza e a história segundo uma constante transformação. No entanto, de acordo com a perspectiva de Engels a interpetação da história do filósofo alemão era idealista e deve ser substituída por uma concepção materialista. O socialismo deixa de ser um protótipo de sistema ideal e passa a ser o estudo histórico das lutas de classes juntamente com os meios que levarão à sua solução.


Além da concepção materialista da história, o segredo da produção capitalista foi revelado. Este foi denominado mais-valia e consiste na "apropriação do trabalho não pago". O socialismo adquiriu, portanto, um caráter científico, alavancando ondas revolucionárias pelo mundo no século XX e protagonizando a grande tensão mundial durante a Guerra Fria.

A história como ciência.

Críticos não só do Estado liberal, mas também do socialismo utópico e do anarquismo, Marx e Engels desenvolvem o socialismo cientifico. De fato, eles desprezavam os outros. Achavam que eram baseados em meros sonhos utópicos, ao passo que ele empreenderam um estudo científico da sociedade para descobrir que forças estavam realmente em ação dentro dela, e que leis governavam a operação dessas forças, e então basearam suas doutrinas políticas nessas realidades. O socialismo foi tido como inevitável, e isso significava que os socialistas estavam, por assim dizer, do lado do futuro.

Saint-Simon, Fourier e Proudhon viveram numa época em que ainda não era insensato pensar que o progresso material poderia constituir o reino da felicidade na Terra. O desenvolvimento da ciência e da técnica levava a pensar que o inicio do século XIX também indicava o inicio de uma era de prosperidade, graças ao triunfo do homem e da maquina sobre todas as coisas. Essa crença, porém, desenvolveu-se em um cenário no qual a miséria e a opressão predominavam em largas faixas da população, precisamente em virtude do advento do progresso técnico e industrial. Modificando radicalmente as condições de trabalho, esse processo impunha a pobreza e a degradação como a contrapartida dos benefícios do progresso.

O trabalhador, ao trocar-se por um salário, torna-se mercadoria. Há uma diferença entre o valor da força de trabalho, que corresponde à manutenção do operário, e o valor que este operário produz. Essa diferença é exatamente a mais-valia, que o capitalista toma para si.

No capitalismo, as relações de produção estabelecidas entre o capital e o trabalho tornaram-se possíveis pelo desenvolvimento das forças produtivas, que asseguraram a exploração em larga escala do trabalho assalariado. A separação entre os meios de produção e o trabalhador permitem o contínuo desenvolvimento das forças produtivas, como testemunha a historia do próprio capitalismo. Mas, do mesmo modo como o capitalismo emergiu destruindo as relações feudais de produção, que já não comportavam o desenvolvimento das forças produtivas, as próprias relações capitalistas de produção também se tornam obstáculos para as forças produtivas que elas mesmas liberaram. No capitalismo, quanto mais se produz riqueza, apropriada privativamente, mais se agrava a miséria dos trabalhadores, que não têm como usufruir das mercadorias por eles produzidas. A expressão dessa contradição entre as relações de produção e as forças produtivas é a luta de classes.

A existência de classes é que leva à existência de conflitos. Se inexistissem classes na sociedade, não haveria mais necessidade de um governo das pessoas, mas apenas da administração das coisas. Os seres humanos estariam livres para se realizar sem a coação do governo ou de forças históricas.

Socialismo como ciência e a Revolução Proletária

Quando se fala do socialismo de Marx e Engels é impossível se restringir a uma teoria de revolução social, política e econômica, sobretudo porque à ele relaciona-se ao que é responsável por ter influenciado culturalmente o mundo todo, tendo inclusive o polarizado durante um bom tempo e porque não dizer à gerações passadas e futuras também?

Trata-se de uma teoria complexa, cheia de conceitos extremamente elaborados e, sobretudo fundamentados na dialética ou materialismo histórico.

No texto, Engels crítica o socialismo utópico justamente em razão de suas bases serem o idealismo alemão o que considera muito utópico por buscar as soluções apenas no plano das ideias. Na prática isso se dá pela ideia de que somente a razão (e não as condições históricas) explica a situação de exploração e ainda por omitir-se a respeito de uma revolução, o que segundo Engels é inevitável ,é curso natural, considerando a grande evolução industrial e técnico-científica da época e a própria contradição do capitalismo. Além disso, parece-lhe muito óbvio que a burguesia não deixará suas convicções em nome do bem estar social, pois a burguesia e o operariado são classes conflitantes por natureza e não harmônicas. Logo seria utopia acreditar nisto.

É justamente nisso que se diferencia o socialismo científico: nas bases cientificas de que se o utiliza, sempre sob perspectiva da dialética, e na análise objetiva que faz da sociedade, contudo sempre considerando as condições históricas.

Ora, como já mencionado, é assim que se chega a conclusão de que o único meio real de implantação do socialismo :através da revolução do proletariado! Determina também que ela deve se dar nesse momento presente no qual a força de produção do capitalismo é tão grande que permitirá uma futura geração de riquezas para todos e não só para a burguesia. Nesse momento de contradição do capitalismo, no qual a exploração da prole chega a um limite e que por unanimidade existe agora uma consciência dos oprimidos de que devem tomar conta dos meios de produção e se manifestarem para fazer a revolução do proletariado.

Importante mencionar que Engels surpreendentemente presume o fim do estado após a revolução, pois segundo ele este seria o meio da classe dominante garantir seus interesses e oprimir as outras, o que não mais ocorreria.

O socialismo primitivo prega que para ocorrer uma mudança social é preciso que as classes que se encontram acima do proletariado façam uma mudança, e não este que é o mais afetado. Deste modo, acreditam que a classe trabalhadora não possui condições de agir em seu próprio benefício.

Assim, defende que as condições históricas não devem ser utilizadas para explicar a exploração dos menos favorecidos. Existe uma consciência de que a razão pensante é o que pode trazer soluções para tal problema.

Para Owen a coesão social é viável a partir do oferecimento de educação de qualidade para as crianças e de condições de trabalho digna aos trabalhadores. Sob seu ponto de vista, a força produtiva guia a formação da sociedade, isto é, são relações interdependentes.

Em relação aos socialistas utópicos, Engels dizia que estes fixavam a concepção de que apenas algumas pessoas “especiais” poderiam estabelecer o que realmente seria o socialismo. Para ele, a dialética era entendida como algo que colocava os opostos numa mesma situação, isto é, ao mesmo tempo em que algo é o que é, é também o diferente disto. Assim, a história está em permanente mudança, já que ocorrem, simultaneamente, inúmeros “fatos opostos”.

A dialética hegeliana é a do idealismo, isto é, apenas a mente é real e tudo o que é racional é real. Desta forma, ele defende o estabelecimento das idéias como fonte de conhecimento. Já Marx, defende o materialismo dialético, que considera que a matéria é a única realidade, tentando superar o pensamento de Hegel.

O socialismo marxista caracteriza a mais-valia como o trabalho obtido e não pago a quem o produziu. Assim, o sistema capitalista explora a classe trabalhadora e firma-se como classe dominante. Entretanto, para Marx a burguesia, detentora dos meios de produção, é quem deve libertar os trabalhadores da condição miserável em que viviam.

Então, para consolidação do socialismo marxista era preciso um capitalismo avançado, pois apenas assim seria possível produzir o suficiente para a conversão dos meios individuais em meios sociais de produção. Marx apresentava uma filosofia revolucionária que procurava demonstrar as contradições internas da sociedade de classes e as exigências de superação.

Revolução do materialismo histórico-dialético

Em 1877, a partir do livro “Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico”, Friedrich Engels colabora com novas bases de estruturação da sociedade, diferenciando as duas formas de socialismo até então preceituadas: o Utópico (Thomas Morus e Campanella) e o Científico (Karl Marx e si próprio).

Como método filosófico, há a restauração da dialética (retomada por Hegel na Modernidade, após a sua utilização na Antiguidade) em contraposição à chamada “maneira metafísica de pensar”. A diferença básica entre as duas é que, enquanto a primeira reúne em si os pontos de tese, antítese e síntese, a segunda preocupa-se apenas com os fatores tese e antítese. Essa realidade da metafísica limita sua investigação dos fenômenos, porquanto não permite a concatenação dos fatos, isto é, cerca-se apenas de dissoluções, mesmo quando a situação exige uma união de sentidos.

Ao se comparar a dialética hegeliana com a marxista (ou materialista), depreende-se que aquela possui caráter idealista, pois a ideia acaba materializada no real, enquanto esta tem como essência a concretude, já que é o contrário, ou seja, o homem elaborará seu pensamento a partir do materializado.
Sob uma perspectiva socioeconômica, a produção constitui a base de toda a ordem social. Assim, as transformações não ocorrem por causa do raciocínio dos seres ou do ideário sobre verdade e justiça eternas, mas pelo modo de produção e de troca. Nesse sentido, a luta de classes é o motor da história, uma vez que é o conflito entre elas quem vai gerar novas situações completamente inauditas, reestruturando a organização coletiva a ponto de provocar revoluções.

À época de Engels, o capitalismo havia propiciado enorme riqueza aos burgueses, os quais utilizavam a mão de obra dos proletários como sustentáculo. Tal relação chegou ao ápice de revolta da classe trabalhadora após tanta exploração, pois além de ser obrigada ao labor em ambientes insalubres, durante dezenas de horas, subjugando, inclusive, seus filhos às mesmas tarefas degradantes, ainda era responsabilizada e punida com a demissão em presença de crises econômicas.

Diante desse quadro, as revoltas sociais tornaram-se inevitáveis e permitiram, concomitantemente, o surgimento de teorias com vistas à derrubada do sistema vigente. Entre as quais, cita-se o próprio Socialismo, que tinha como prerrogativa a tomada do poder político pelos proletários, convertendo os meios de produção em propriedade pública. Como conseqüência, não haveria mais a divisão em classes sociais, pois todos seriam iguais e teriam os mesmos direitos e deveres.

Portanto, a obra de Engels representa grande valor ao estudo das ciências sociais por vislumbrar uma realidade extremamente inovadora que influencia, até hoje, muitos passos no mundo inteiro.

Dialética e socialismo científico: revolução nas ciências e na sociedade

Em sua obra "Do socialismo utópico ao socialismo científico", Frederich Engels expõe que a dialética, ao contrário da metafísica, leva em conta o caráter efêmero das coisas, o que permite que ela seja utilizada como forma de compreender os diversos elementos mundanos sejam eles históricos, sociais e científicos, todos sujeitos a transformações.
Segundo o mencionado autor, as coisas, em um determinado estado, trazem em si as condições propícias para ocorrência do estado seguinte. Tais condições contradizem os aspectos que caracterizam o estado em que as coisas se encontram. Daí a formulá que sintetiza a proposta da dialética: tese, antítese e síntese.
Na referida obra, é possível também observar que Engels refuta o idealismo de Hegel, propondo- ao contrário do procedimento adotado por Hegel- que deve-se partir das coisas para as ideias, para evitar a criação de concepções falsas acerca dos diversos elementos que nos cerca.
A dialética e o materialismo, aplicados ao estudo da História, permitiram que Engel criasse o chamado materialismo histórico dialético. Segundo esta teoria, ao longo da história, cada modo de produção carregava em si os elemento que propiciavam a sua sucessão por um modo de produção mais eficiente e o surgimento de uma nova sociedade. Por exemplo, durante a Idade Média, a existência das ligas hanseáticas permitiu o surgimento de meios coletivos de produção, os quais passaram a predominar sobre os indivíduais( que foram os mais abundantes até então). Juntamente com esses novos meios de produção surgiu uma nova classe social- a burguesia-e uma sociedade em que esse estrato social exercia posição dominante, explorando a classe trabalhadora. A sociedade burguesa citada apresentaria algumas contradições, tais como a produção com vistas à socidade e a apropriação individual dos produtos, o aumento dos meios de produção e do desemprego, a superprodução e a ausência de consumidores. Tais contradições motivariam o proletariado( a classe trabalhadora) a visar ao fim do modo de produção capitalista e da sociedade que está vinculada a este. Para isso, o proletariado assumiria o poder, representando assim a vontade de maior parte da população, não havendo exploração de uma classe por outra. Com isso o Estado- que é o meio pelo qual se assegura a exploração de uma classe sobre outra(s)- se extinguiria.
A essa passagem da sociedade capitalista para a sociedade socialista, dá-se o nome de Socialismo Científico. È importante ressaltar que ele não chegou a se concretizar da maneira pregada por Engels. Segundo este, o socialismo deveria ser implantado em regiões onde o cpitalismo estivesse em seu máximo grau de desenvolvimento. Não foi o que ocorreu na prática, o que é exemplificado pelo caso da Rússia, que em 1917, assistiu a uma revolução socialista pouco tempo após uma reestruturação econômica de cunho capitalista, ocorrida em 1905.