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sexta-feira, 5 de maio de 2023

A obra de Senett e as consequências da modernização do trabalho

 A principal reflexão da obra de Richard Senett é sobre as transformações no mundo do trabalho nas últimas décadas, em que a precarização, a flexibilização e a informalização do trabalho têm se intensificado. A principal contribuição de “A corrosão do caráter” é que essas mudanças não apenas afetam a vida profissional dos trabalhadores, mas também têm impactos significativos em suas vidas pessoais e emocionais.  

Analisando o contexto de trabalho atual, as mudanças descritas por Senett são ainda mais evidentes. A pandemia acelerou o processo de digitalização do trabalho e impulsionou a adoção de novas formas de trabalho remoto e flexível. E embora essas mudanças tenham benefícios, uma das principais consequências da popularização desses métodos de trabalho é a permanência do trabalho no cotidiano e nos momentos de descanso dos trabalhadores, onde não acontece o “desligamento” do ambiente de trabalho, devido à tecnologia permitir que os trabalhadores estejam conectados 24 horas por dia, 7 dias por semana, ocorrendo uma dificuldade em estabelecer limites claros entre o trabalho e a vida pessoal. Junto a essa prática, caracteriza-se um fenômeno da atualidade, o “burnout”, onde ocorre o esgotamento físico e mental do trabalhador, afetando sua produtividade e principalmente sua vida pessoal e emotiva. 


Outro dos pontos destacados por Senett em sua obra é a perda do sentido de identidade e propósito que era atribuído ao trabalho. Com a crescente fragmentação do trabalho e a busca incessante por produtividade e eficiência, a classe trabalhadora perdeu a conquista do significado em suas atividades laborais. O que leva à outra consequência negativa, que é a falta da capacidade de criar relações de confiança e cooperação no meio de trabalho, que se traduz também para a vida pessoal. Um exemplo da influência do método de trabalho da atual sociedade capitalista é a prática do “babysitting” ou a presença de babás, onde um cuidador (que na maioria das vezes passa mais tempo com os filhos do que os próprios pais) dificulta a formação de laços paternos e maternos que devem caracterizar o desenvolvimento de uma criança, porém a esfera do trabalho impossibilita que os pais façam parte na criação dos filhos mesmo em momentos essenciais da maternidade. 


Resumidamente, a análise do autor focaliza em demostrar que, embora essas mudanças tenham trazido benefícios, as consequências negativas para a vida profissional e pessoal dos trabalhadores são inegáveis, e entre elas estão: a perda de identidade e propósito no trabalho, a dificuldade em estabelecer relações interpessoais de confiança e cooperação, a intensificação do trabalho e da sobrecarga emocional. Essas consequências são extremamente preocupantes considerando o contexto em que vivemos, onde transtornos mentais constituem ameaças cada vez maiores e mais presentes na sociedade. 

Afonso da Silva Ferreira - 1º ano de Direito - Matutino 

RA: 231223242 

quinta-feira, 4 de maio de 2023

A relação de Sennett e Marx com as estruturas de trabalho

 As relações de trabalho e o meio de produção que temos hoje passou por grandes mudanças em um período razoável, e estas transformações foram fundamentais para que possamos compreender a realidade em que estamos vivendo sem muitas vezes perceber a lógica do capitalismo e suas relações.

O sociólogo e filósofo Karl Marx foi um dos grandes pensadores acerca da relação de trabalho com o capital, principalmente na ligação entre a classe burguesa e o proletariado, já que ele viveu em um contexto de crescente urbanização e industrialização do Sec. XIX. Esse confronto de acordo com Marx, vem de seu materialismo histórico, justificando que essa ligação que ditou os rumos das sociedades ao longo da história humana, onde há o dominado e o dominador, que em sua época, a classe operária seria a dominada enquanto os burgueses seriam os dominadores.

 Além disso, ao pensar em uma perspectiva mais ampla, ele percebeu que a classe trabalhadora dominada estava dependente de suas tarefas dentro das fábricas e isso gerou transformações que iriam para o âmbito familiar e social, e com isso os trabalhadores ficaram alineados, graças a um Estado burguês com políticas burguesas que visavam explorá-los sem uma justa remuneração pelo bem ali produzido.

Ao levar esses conceitos para a atualidade, as formas de trabalho foram se adaptando ao longo do tempo, principalmente com a chegada da internet e com a crescente globalização. Ao fazer uma análise do texto de Sennett “A corrosão do caráter”, podemos ver que há mudanças em relação ao trabalho entre o pai e o filho, ambos entrevistados por Sennett em diferentes épocas.

O pai estava muito vinculado, identificado e alienado com o seu emprego, criando uma certa identidade com aquilo que ele fazia e levando aquilo para o âmbito familiar e social, enquanto o filho, que viveu a ascensão da internet e trabalha com ela, tem outro tipo de relação com o seu trabalho, que é muito mais frio e distante em comparação com o pai, além de não ter certa identificação com aquilo que fazia por ser rápido e supérfluo, não garantindo algo fixo com que se identificasse.

Em conclusão, podemos ver que a estrutura do trabalho e o do Estado por muito tempo se consolidou de uma maneira que foram explicados por Marx e por outros sociólogos ao passar dos anos e agora essa nova estrutura está mudando o jeito como vemos o trabalho e o trabalhador com suas novas noções de exploração.



Hugo Rodrigues da Silva Direito 1º ano (Matutino)  RA:231222637 

A corrida dos ratos explicada por Marx e Sennett

      No livro "A corrosão do caráter", de Richard Sennett, o autor retrata sobre a vida de um pai e um filho, Enrico e Rico, ambos submetidos à uma sociedade capitalista de diferentes formas, a vida do "chefe da família" sempre muito mais difícil, pensada sempre em como manter o status dos filhos, trabalhando por uma boa educação, nunca pensando numa forma de lazer, em como passar o tempo da melhor maneira junto com a família e aproveitar o momento.

  Visto que, todos estamos submetidos à uma vida pensada no capital, é notável que, cada vez mais, os indivíduos têm objetivos que possam ser alcançados através do dinheiro. Em sua obra "Feuerbach", Karl Marx se contrapõe à esse tipo de modo de existência, segundo o autor "A maneira como os indivíduos manifestam sua vida reflete exatamente o que eles são. O que eles são coincide, pois, com sua produção, isto é, tanto com o que eles produzem quanto com a maneira como produzem. O que os indivíduos são depende, portanto, das condições materiais da sua produção", ou seja, o indivíduo submetido à uma sociedade capitalista não existe em seu ser individual, mas sim, em um ser que deve sempre estar disposto à trabalhar o máximo possível para acumular riquezas, em sua grande maioria, para deixar à próxima geração, à fim de alcançar a tão sonhada estabilidade financeira, o status social, uma qualidade de vida boa, talvez, nos últimos dez anos (sendo muito otimista) de sua vida.

 Por fim, fazendo uma analogia aos trabalhadores (motoristas, entregadores etc) de aplicativo que, por muitas vezes, trabalham o dia inteiro, não possuindo, sequer, direitos trabalhistas, chegam em casa extremamente cansados e, por consequência, raramente ou nunca podem acompanhar o mandato de um político que o próprio elegeu, portanto, não consegue obter um conhecimento crítico acerca das mudanças nas leis, se estão melhorando suas condições de trabalho ou não, ou seja, o ciclo continua, semelhante aos ratos que correm em suas rodas dentro de gaiolas e nunca saem do lugar. 


Sophia Caños Farias, 1 ano noturno

RA: 231224826

Sociologia como concepção materialista da história: as contribuições de Marx e Sennett.

    Karl Marx e Richard Sennett se dedicaram a compreender a história e a sociedade a partir de uma perspectiva materialista. Ambos acreditavam que a análise das condições materiais de vida das pessoas é fundamental para entender as transformações sociais e históricas.
    Para Marx, a sociologia como concepção materialista da história busca compreender as estruturas sociais a partir da análise das condições econômicas e materiais que as sustentam. Ele argumentava que a produção e distribuição de bens materiais eram os motores principais da história, moldando as relações sociais, as instituições políticas e os conflitos que caracterizam cada época. Além disso, Marx enfatizava a importância da luta de classes na dinâmica social e histórica, destacando a centralidade das relações de poder e da exploração econômica na organização das sociedades.
    Por sua vez, Sennett também parte da premissa de que as condições materiais de vida são cruciais para entender a sociedade e a história. Em suas obras, ele enfatiza a importância do trabalho como elemento central da vida social, e analisa as transformações que ocorreram no mundo do trabalho ao longo do tempo. Para Sennett, a organização do trabalho é fundamental para compreender as relações sociais, as desigualdades e as dinâmicas de poder presentes em uma determinada sociedade.
    Nesse sentido, a sociologia materialista oferece uma importante contribuição para o entendimento da dinâmica social e histórica, ajudando a explicar as transformações e os conflitos presentes nas sociedades contemporâneas.



Luiz de Deus Silva Neto
RA: 231223641

Os encontros das teorias de Karl Marx e Richard Sennett.

 A teoria de Karl Marx é uma das mais influentes teorias sociológicas do mundo. Ele acreditava que a história humana era impulsionada pela luta de classes e que a economia era a base da sociedade. Marx argumentava que as relações de produção eram as mais importantes, pois elas determinavam a forma como a riqueza era distribuída na sociedade. De acordo com Marx, a exploração do trabalhador pelo capitalista é o cerne do capitalismo, o que leva à alienação do trabalhador e à desigualdade social.

O livro "A Corrosão do Caráter" de Richard Sennett é um olhar sobre as mudanças no mundo do trabalho e como essas mudanças afetaram a identidade e a personalidade dos trabalhadores. Ele defende que o trabalho se tornou mais fragmentado e superficial, o que leva a um sentido de desapego e falta de compromisso com o trabalho. Sennett argumenta que a cultura do trabalho mudou de uma cultura de compromisso para uma cultura de flexibilidade, onde o trabalhador é forçado a ser adaptável e a mudar constantemente.

A ideia de Marx e o livro de Sennett se complementam em muitos aspectos. Marx acreditava que o capitalismo era um sistema econômico baseado na exploração do trabalhador pelo capitalista. Sennett explica que, como resultado das mudanças no mundo do trabalho, o trabalhador moderno é fragmentado e superficial, o que leva a um sentido de desapego e falta de compromisso com o trabalho. Ambos os autores argumentam que a alienação do trabalhador é uma consequência direta da estrutura do trabalho capitalista moderno.

Outro aspecto em que os dois autores se complementam é na questão da identidade. Marx alegou que a identidade do trabalhador é definida pelo trabalho que ele realiza. Sennett declara que a identidade do trabalhador moderno é cada vez mais fragmentada e superficial, o que leva a uma perda de identidade. Ambos os autores justificam que a falta de identidade e compromisso com o trabalho é uma consequência da estrutura do trabalho capitalista moderno.

Além disso, Marx e Sennett também compartilham a crença de que o trabalho moderno leva à desigualdade social. Marx cita que o capitalismo é intrinsecamente desigual porque o capitalista explora o trabalhador. Sennett declara que as mudanças no mundo do trabalho levaram a um aumento da desigualdade social, já que alguns trabalhadores são considerados mais valiosos do que outros.

Em conclusão, a teoria de Marx e o livro de Sennett se complementam em muitos aspectos. Ambos os autores argumentam que a estrutura do trabalho capitalista moderno leva à alienação do trabalhador, à perda de identidade e à desigualdade social. Embora a teoria de Marx tenha sido escrita há mais de um século, ainda é relevante hoje, assim como as ideias de Sennett sobre as mudanças no mundo do trabalho. Juntos, eles nos alertam sobre as consequências negativas do trabalho moderno e nos incentivam a buscar mudanças positivas para a sociedade.

 

Maria Eduarda Souza Vasconcellos – RA:231220651. 1* ano direito matutino.

 

 

quarta-feira, 3 de maio de 2023

contemporaneidade do materialismo histórico dialético

O materialismo histórico dialético é uma teoria desenvolvida por Karl Marx que busca entender a dinâmica da história e da sociedade. Segundo essa teoria, a história é movida por contradições internas e o desenvolvimento das sociedades é resultado das lutas de classes. Na sociedade atual, essa teoria continua sendo relevante e pode ser usada para entender a realidade social e econômica que vivemos.

Em primeira análise, Marx argumenta que a sociedade capitalista é dividida em duas classes sociais fundamentais: a burguesia, que detém os meios de produção e exerce o controle sobre a produção e a distribuição de bens e serviços; e o proletariado, que é obrigado a vender sua força de trabalho para sobreviver. Essa relação de exploração e dominação é a fonte das contradições que movem a história e que geram as mudanças sociais. Na sociedade atual, a teoria do materialismo histórico dialético pode ser aplicada para entender a persistência das desigualdades sociais, que continuam a ser um dos principais desafios enfrentados pelas sociedades contemporâneas. A desigualdade econômica, por exemplo, é evidenciada pela concentração de riqueza nas mãos de uma minoria e pela falta de acesso a recursos básicos por grande parte da população. A teoria marxista ajuda a entender como essa desigualdade é mantida e como a luta de classes pode ser uma forma de superar essa situação.

Além disso, a teoria marxista também pode ser aplicada para entender as crises econômicas e políticas que afetam a sociedade contemporânea. Para Marx, a instabilidade econômica é uma característica inerente ao capitalismo, que é marcado pela busca constante de lucro e pela concorrência acirrada entre as empresas. Essa instabilidade pode levar a crises cíclicas que afetam a economia global e têm impactos negativos sobre a vida das pessoas. Por fim, a teoria do materialismo histórico dialético pode ser usada para entender as mudanças sociais e culturais que ocorrem na sociedade contemporânea. A globalização, por exemplo, é um fenômeno que tem impactos significativos sobre a economia, a cultura e a política em todo o mundo. Ao analisar essas mudanças sob a perspectiva marxista, é possível entender como elas estão relacionadas com as contradições e lutas de classe que movem a história que muitas vezes reforçam a ideologia dominante e contribuem para a manutenção das desigualdades sociais. A teoria também pode ser aplicada para entender a degradação ambiental, uma vez que a exploração desenfreada dos recursos naturais é resultado de um sistema econômico que privilegia o lucro em detrimento da sustentabilidade ambiental.

Em conclusão, o materialismo histórico dialético continua sendo uma teoria relevante na análise da sociedade atual, permitindo-nos compreender as complexas dinâmicas sociais, econômicas e culturais que moldam nosso mundo. A teoria marxista nos ajuda a entender as desigualdades sociais, as crises econômicas e políticas e as mudanças culturais que afetam a sociedade contemporânea.


Giulia Lotti Pupin

RA: 231224761

noturno-direito

primeiro semestre 




A consciência do homem: entre a Reificação e a distinção dos animais.

"A produção das ideias, das representações e da consciência está intimamente ligada à atividade material". Tal ponderação citada por Karl Marx, é congruente ao diferenciar os humanos dos animais, posto que  ao começarem a produzir seus meios de existência, produziram indiretamente  seus meios materiais e suas próprias consciências. No entanto, a partir do momento que surge o Capitalismo com as Revoluções Industriais, por conseguinte, aparece uma classe trabalhadora  que passa a ser subordinada, alienada, precificada e, principalmente, tratada como objeto- o que Marx conceituou como "Reificação do Homem". Por isso, questiona-se: o homem realmente adquiriu consciência a partir da atividade material ou isso é apenas uma utopia?

       Em "A Corrosão do Caráter" de Richard Sennett, Rico, um homem que vive num mundo-altamente caracterizado pela flexibilidade, relações de "curto prazo", instabilidade e desconfiança- é uma prova da quão inconsciente o ser humano pode ser (ou pode parecer), especialmente, quando não fala que foi demitido, mas que enfrentou uma crise e teve que tomar uma decisão. Ele, na verdade, assumiu uma responsabilidade como se fosse culpa dele, o que não é, já que isso faz parte da sociedade e do sistema econômico do qual ele vive-a objetificação e fácil eliminação daquele que não é mais útil. E, também, a culpabilização daquele que é a verdadeira vítima da história.

         No mesmo livro, é possível analisar Enrico, pai de Rico, que viveu em um mundo completamente contrário, pós Guerras Mundiais, pós Grande Depressão, com um Estado forte e centralizado, sindicatos bem organizados. Esse meio material influenciou a sua condição de existência, uma vida linear, engessada, fordista, rígida, disciplinada e, sobretudo, um pouco mais consciente sobre sua classe social, seu aspecto de oprimido. Isso o induziu a criar seu filho de forma sistemática, prezando para que ele pudesse ascender socialmente e um dia ser parte da classe dominante. O que o pai não imaginava era que ao seu filho ser parte dessa "nova classe", iria ter vergonha de suas origens e que, também sofreria, de outras formas (com demissões) em relação aos opressores.

          Destarte, a consciência ainda é limitada, mesmo que Marx justifique que seja o fator que nos diferencie em relação aos animais. Isso porque há uma alienação na própria criação dos meios de existência e nos meios materiais, como acontece com Rico, quando se vê culpabilizando a si mesmo por ter sido demitido. E isso é muito relacionado com o próprio sistema financeiro, a curto-prazo, instável, reificado.

            Isabela Junqueira, 1° ano Direito (Matutino)

            RA: 231223315

Alienação social

 

A principio é fundamental entender a relação entre Richard Sennett e Karl Marx. O primeiro, é um sociólogo e historiador norte-americano que defende a tese de que o imperativo da flexibilidade é imposto por uma nova configuração econômica - o “novo capitalismo”, ou seja, uma sociedade em que as novas tecnologias escravizam mais pessoas do que nunca.  No entanto, para o segundo autor, existem fatores estruturais que se repetem em todas as sociedades: modo de produção material e a Luta de classes. Em todas as sociedades, também, o trabalho é visto como a base da vida social, capaz de moldar as relações humanas, trabalho como plataforma da história. Então, há uma relação entre o modo como as pessoas produzem sua substância – modo de produção material. E o modo como elas compreendem o sentido de suas vidas e constroem suas relações socias. Dessa forma, os dois autores dialogam ao argumentarem sobre o capitalismo e sua relação com o homem em sociedade.

Sob efeito do capitalismo tem-se a alienação causada pelo consumo em um sistema social e politico destrutivo a quem vive nele. Assim sendo, vale conceituar esse problema, alienação do trabalho: objeto do trabalho não pertence mais ao trabalhado, processo de trabalho perde o sentido e a vida social, aos poucos, torna-se também desprovida de sentido (fetiche da mercadoria ou consciência retificada). Logo, esse sistema produtivo é capaz de gerar alienação individual. Consequentemente, fenômenos como os fetichismos passam a ser comum. Diante disso, Sennett quem nos dá uma bela descrição desse tempo, centrando parte de sua análise justamente no significado do “fetichismo da mercadoria” para entender as bases culturais que originaram a sociedade do consumo, que uma perspectiva exclusiva da produção não permitiria apreender. Baseado em histórias da época, o autor vai revelar como, já nas últimas décadas, era possível ver como os donos das lojas de departamento “começaram a trabalhar mais o caráter de espetáculo de suas empresas, de maneira quase deliberada”. Esses proprietários descobriram que associar um vestido feito à máquina à foto de uma duquesa X lhe conferia um status que não tinha relação nenhuma com o próprio vestido, e do mesmo modo, ao pôr uma simples caçarola em uma réplica de um harém mourisco na vitrine de uma loja, dava a esse objeto um “inexplicável” poder de atração. Ante os expostos, é comum observar marcas como Nike e Adidas garantirem espaço do público, pelo fato de ser das marcas, não muito pelo produto em si. Posto isso, é fundamental frisar que o consumo leva á alienação e uma falsa sensação de existência.

 

Bianca Regina Pinheiro

1° ano Direito - Noturno

RA: 231220138

A consciência social

A principal diferença entre os animais e os seres humanos está na ausência e na presença de consciência, respectivamente. Mas de onde vem essa consciência? O que a define? 
Segundo Marx e Engels, ela depende das condições materiais de produção e coincide com o que e como a sociedade produz os bens materiais, ou seja, ela é um produto social, é definida pela vida. 
Quer dizer, diferentes nações, diferentes sociedades, diferentes consciências têm estágios de desenvolvimento das forças produtivas e das divisões de trabalho. 
Então, uma vez que a consciência que rege a sociedade é determinada pelos meios de produção, a classe que os domina também domina o "poder espiritual" através das ideias de dominação. Elas não são tão aparentes assim, muito pelo contrário, elas se apresentam de forma sutil como se fossem ideias naturais e universais que vão sendo naturalizadas e incorporadas pela classe dominada, até que se tornem as únicas ideias válidas na sociedade. 
Além de dominar os meios de produção, o mercado e as ideias, a classe dominante também detém o poder político, tendo assim, todos os setores da sociedade nas mãos. 
Com o passar do tempo, a classe dominante vai mudando conforme o mercado e os meios de produção também forem mudando. Para uma nova classe se estabelecer no poder, ela tem que conseguir uma base mais ampla do que a classe que dominava anteriormente tinha, negar as ideias que já existiam e ser mais radical e decisiva do que as de antes já foram. 
 Assim podemos concluir que a criação material é a base de todo o mundo sensível. 

Giovanna de Moraes Pereira- 1º ano noturno
RA: 231223706

Tempo: Um deus? Um fenômeno? Uma forma de controle?

     Tempo, substantivo comum que à priori se refere à mudança de números, seja em um relógio, em um celular, em um computador, que nos mostra uma mudança, mas o que significa exatamente? Há somente um significado? O que seria e o que representa essa mudança que pode ser vista em segundos, minutos, horas, etc? O que é o tempo realmente?

    Esse substantivo, por mais simples que pareça, é o tema de muitos pensamentos e ideias, afinal o que seria esse substantivo? Na música de Caetano Veloso, “Oração ao Tempo” percebe-se o tempo visto não somente como um fenômeno natural, mas um deus: “Por seres tão inventivo/ E pareceres contínuo/ Tempo, tempo, tempo, tempo/ És um dos deuses mais lindos/ Tempo, tempo, tempo, tempo”. O tempo também já foi e continua sendo uma grande reflexão filosófica quando nos lembramos, por exemplo, da obra de Santo Agostinho, Confissões, livro 11, que aborda sobre o quão difícil se torna a busca por um conceito, por uma definição de tempo. Também temos de um lado, Platão defendendo o passado como forma ilimitada do tempo, enquanto de outro lado vemos filósofos medievais defendendo a ideia de que é finito e portanto todas as coisas possuem início e fim. No entanto, essa questão não fica somente no ramo da filosofia, passando também à física, afinal como estudar o tempo? É possível voltar no tempo? O tempo é uma unidade de medida criada e usada somente por humanos? Temos um exemplo disso na série alemã, Dark, que trata do assunto de viagem no tempo, tratando-o não como um mero fenômeno, um mero acaso, mas um deus que traça e muda a vida das pessoas, sendo essa, uma produção que nos traz muitos questionamentos sobre esse tema tão complicado com frases do célebre físico Albert Einstein como “ A diferença entre passado, presente e futuro é somente uma persistente ilusão”, além de conceitos físicos como o Paradoxo de Bootstrap, a Teoria da Relatividade Geral, a Ponte de Einstein-Rosen (e como isso se liga com possíveis buracos de minhoca provenientes de buracos negros). Entretanto, afinal, se existem tantas discussões sobre o tempo em tantas áreas, seria possível o tempo ser enxergado de maneira social? Poderia ser o tempo uma ferramenta de controle social?

No livro, “A corrosão do caráter”, capítulo “a deriva”, o sociólogo estadunidense Richard Sennett traz ao leitor a história de Enrico, um imigrante italiano em busca de condições sociais melhores, e seu filho Rico quando já adulto. O capítulo começa contando um pouco sobre a vida do italiano em terras estadunidenses, sobre seu trabalho (de faxineiro) que não lhe permite uma ascensão grande ao ponto de sair de uma posição de emprego que se encontra numa categoria de prestígio baixa. Podemos entender a luta de Enrico para melhorar de vida, e que embora passe a maior parte de seu tempo trabalhando, logra algumas conquistas como comprar uma casa para mudar para um bairro considerado melhor, juntar economias, seu filho consegue ir à universidade e se formar. Passando um pouco o capítulo, Sennett nos descreve o encontro que teve com o filho de Enrico, Rico, anos depois e que no primeiro olhar, já conseguiu notar uma postura proveniente de Rico que tenta passar uma ideia de ter vindo de uma classe social mais alta desde seu nascimento, o que Sennett sabe que não é verdade. Mais para frente, entramos no diálogo entre o sociólogo e o filho de Enrico, mas uma coisa que chama muita atenção é a forma com que o tempo é tratado nesse diálogo e na vida atual de Rico. Se antes, seu pai, por mais que tivesse de trabalhar incessantemente para alcançar o famoso termo American Dream, mantinha laços com seus colegas de trabalho, passava tempo ensinando e passando coisas para seu filho, além de usar uma parte de seu tempo para ser presente para a família, nos remetendo à uma frase utilizada no começo do livro que diz que o tempo é o único recurso grátis para o que se encontram no fundo da sociedade. Quando olhamos para Rico, vemos que o tempo, o mesmo fenômeno presente na vida de seu pai, possui agora, outro significado, afinal Rico não possui tempo suficiente para passar com seus filhos, sua vida é um emaranhado de inseguranças sobre como será o trabalho no dia de amanhã, se ele e sua família terão de mudar de cidade, de estado, resultando em: tempo para compartilhar com amigos? Não há. Tempo para criar laços com pessoas, com lembranças? A vida está corrida demais para isso. Tempo para simplesmente fazer nada? Não existe, afinal o tempo representa o que mais vale numa sociedade movida pelo capitalismo, o dinheiro.

    Analisando brevemente essa relação de Enrico e Rico com o tempo, surge a questão… Seria o tempo uma forma de se controlar as pessoas? Afinal, como não posso decidir, nem que por um dia, o que fazer com os números de segundos, minutos, horas que representam minha vida? A jaula de ferro, conceito criado por Max Weber, traz à tona a estrutura burocrática que torna possível a racionalização do acúmulo de tempo, como se o tempo fosse algo palpável que podemos guardar na gaveta de casa. Enquanto pessoas acordam uma semana em cada lugar, sem a preocupação de manter sua subsistência básica, podendo usar seu tempo da maneira que sua racionalidade, seus pensamentos decidam, vemos a maior parte das pessoas utilizando seu tempo em um emprego por muitas vezes repetitivo, que não há ganho intelectual, além de horas no transporte público, para conseguir o mínimo para a existência, a sobrevivência no lugar da vivência, a falta de tempo para os filhos, para os amigos, para aquele livro que tem páginas demais, para que ao final sequer possam comprar um molho de tomate mais saudável no supermercado e acabem optando de maneira não livre a levar um molho industrializado, prejudicial a saúde, porém mais barato. Como pode o tempo ser ao mesmo tempo uma coisa que não para, uma coisa que nos deixa presos? Como pode o tempo, um deus, um fenômeno natural, uma abstração, ser utilizado para um aprisionamento normalizado? Para que eu passe mais tempo dentro de um ônibus que ensinando meu filho a ler, que cultivando memórias pelas pessoas e situações pelas quais tenho afeto? Como pode o ser humano buscar relações duradouras,  buscar narrativas de identidade se tudo parece uma série composta de episódios curtos para se ver no intervalo de almoço, de stories do tiktok que duram trinta segundos, de fragmentos? Quando o tempo vai ser utilizado para que sejamos livres e esse sentimento finalmente nos pertença? Nem toda prisão precisa ter grade.


Maria Eduarda S. Lago - Noturno
231221037

terça-feira, 2 de maio de 2023

A atualidade inerente ao materialismo histórico-dialético

Tanto Karl Marx como Friedrich Engels foram essenciais na formação da filosofia materialista na Alemanha, e posteriormente influenciaram o pensamento filosófico do Ocidente. O materialismo histórico-dialético propõe uma concepção de realidade que se baseia no fluxo histórico e como os fatores materiais da sociedade se alteraram com o tempo. Tal ideia, por trazer a reflexão para o mundo empírico afasta-se de Hegel, o qual tinha como regra o idealismo.  

Entretanto, para além do método que percorreu suas obras e pesquisas, propuseram também algumas questões ainda relevantes na atualidade,como a maneira pela qual os métodos de produção afetam as relações dos indivíduos em seus âmbitos mais particulares, ao ponto de se crer que certos comportamentos são apenas reflexos do tempo em que se vive, e não há,muitas vezes, a correlação formada entre como o momento presente é construído através das relações de produção. A exemplo, têm-se o fenômeno da uberização do mercado de trabalho, no qual a perda das garantias e seguridades sociais, que antigamente eram mais presentes na vida do proletariado,fez com que a sensação de insegurança se tornasse o comum, de modo que o trabalhador com a falsa perspectiva de autonomia acaba vivendo com o constante medo de não arrecadar o valor mínimo para sua subsistência. 


A análise de Marx e Engels, portanto, ainda dialoga de maneira muito pertinente com o contexto contemporâneo, haja visto que, como exposto por Sennet em seu livro ``A corrosão do caráter: consequências pessoais do trabalho no novo capitalismo´´, a forma pela qual o sistema capitalista molda Enrico(pai) e Rico(filho),de modo com que eles possam servir às demandas que o mercado de trabalho exige em cada período histórico, reflete não só nas suas percepções individuais- e distintas- de progresso e felicidade, como também nas relações com seus filhos em cada geração. 


Guilherme Ferreira Ghiraldelli-1° ano Direito(matutino)

A dominação de classes por meio das relações de trabalho

  No livro “A Ideologia Alemã”, Karl Marx e Friedrich Engels defendem o conceito de materialismo histórico, ideia que tenta explicar as mudanças, principalmente sociais, durante a história humana. Aludindo-se à epistemologia grega, a pintura Escola de Atenas de Rafael, artista renascentista, ilustra um conflito entre o racionalismo de Platão, que aparece na imagem apontando para cima, em referência ao plano das ideias, e o empirismo de Aristóteles, que gesticula em referência ao chão ou ao plano material. Analogamente a isso, Marx defende em sua obra que a história se explica por meio das relações sociais e de produção e que a partir disso os ideais surgem, enquanto critica a visão idealista de autores como Friedrich Hegel, que defende que o principal "motor" da história são ideias e ações individuais e que as relações materiais são influenciadas por essas posteriormente. Então, de forma semelhante aos grandes filósofos gregos, o livro de Marx e Engels explicita um confronto em relação à origem material ou racional dos fatos ou verdades.

   Dessa forma, a obra “A Corrosão do Caráter” do sociólogo Richard Sennett apresenta uma situação real que vivenciou onde o materialismo de Marx foi exemplificado de forma concreta. No capítulo Deriva, Sennett descreve o encontro que teve com Rico, filho de seu amigo de longa data Enrico, e conta como a sua personalidade e as suas relações sociais foram profundamente influenciadas pela sua ética de trabalho, marcada pela instabilidade e pela flexibilização, o que acaba afetando negativamente sua vida pessoal, já que certas relações exigem compromissos duradouros e estabilidade, como a família. Além disso, a influência das relações de produção do capitalismo moderno e do fato de exercer um trabalho de caráter intelectual também são evidenciadas pelo desprezo que Rico sente pelo estilo do pai, que exercia um trabalho de caráter material e exprimia um ideal conformista, que ia contra o ideal de independência do filho.

   Com isso, entende-se que as relações de produção e as divisões do trabalho são, para Marx e Engels, aquilo que move primordialmente as “engrenagens” da história, assim como influenciam no pensamento do indivíduo. Por Isso, assim como para Sennett existe uma divisão na classe dominante entre aqueles que participam da elaboração dos valores que cercam sua própria classe e aqueles que aceitam passivamente esses valores, para Marx a classe dominante possui o poder controlar os princípios das classes dominadas, já que essa controla os meios de produção.  

Pedro Paulo Sachetti - primeiro ano de direito (matutino)

RA: 231224672

Autoculpabilização e o materialismo histórico dialético: um horizonte de superação

Em sua obra "A corrosão do caráter", Richard Sennet, no primeiro capítulo, "À deriva", centraliza a discussão na análise, de forma comparativa, de duas gerações de indivíduos: Enrico e Rico, pai e filho, respectivamente. O cerne da questão abordada pelo autor é a mudança substancial da forma de vida que a dinâmica social-econômica impôs a cada um deles, enquanto Enrico estava posto em uma lógica de emprego formal, estável e previsível, Rico, por sua vez, enfrentava o aceleramento das relações sociais, a imprevisibilidade e o “assumir riscos” como máxima empregatícia.

            De maneira expansiva, Enrico e Rico são representações simbólicas de uma mudança de dinâmica não restrita à família deles, mas a grande maioria da população posta no sistema político-econômico capitalista. Nesse sentido, a análise da problemática exposta por Sennet deve passar por um método científico que leve em consideração todas essas contradições concretas da sociedade, isto é, o conflito interno de Rico, em relação a sua dinâmica familiar e profissional, não deve ser entendido como inerente a ele.

            Por essa lógica, o materialismo histórico-dialético, proposto por Karl Marx e Friedrich Engels, e desenvolvido na obra “Ideologia Alemã”, assume importante papel na desconstrução da autoculpabilização comum ao sujeito contemporâneo, condição expressa nas falas de Rico à Sennet. O entendimento de que o indivíduo está inserido em uma sociedade, e que esta, o condiciona, permite a elaboração da noção de que os conflitos individuais pouco possuem individualidade, uma vez que as condições materiais da sociedade permeiam o sujeito incessantemente.

            Em suma, o conflito existente em Rico, e todos nós, pouco poderia ser explicado a partir de métodos indutivos, dedutivos etc. Nesse sentido, para ciências humanas, o método histórico-dialético assume condição importantíssima na elaboração científica e sistemática para explicação aprofundada de determinadas questões, como a de Rico, exposta por Sennet. É na materialidade, que para Marx acontecem os conflitos e também é nela em que ocorre a superação deles de maneira coletiva. 


Solidificando o sistema, liquefazendo indivíduos

Os homens da classe dominante, diante da visão marxista, tendem a definir as relações materiais e isso estabelece a realidade e os pensamentos vigentes. De uma forma quase invisível e imperceptível, o sistema capitalista define, não apenas as relações materiais, mas também todas as particularidades e os comportamentos dos indivíduos. Por isso, como Marx disse “Não é a consciência que determina a vida, mas sim a vida que determina a consciência”, logo, a vida, já estabelecida dentro do regime capitalista, direciona totalmente a consciências dos seres.

Relacionando com o capítulo “Deriva” do sociólogo Richard Sennett, o filho Rico encontra-se totalmente confuso, apesar de bem-sucedido dentro do sistema capitalista – o que, certamente, confortava ele em diversos momentos, tornando-o passivo quanto ao mecanismo que a sociedade se estabeleceu. Justamente ele é reprimido e sufocado pelo sistema – que precisa controlar tudo – e isso torna o caráter dele enfraquecido. Nesse sentido, como se fosse um looping, o sistema define o ser e sua consciência e isso impacta em como ele enxerga e sente o mundo, aceitando a conjuntura vigente.

Os limites entre produção e seres não existe para o capitalismo, visto que ele depende que tudo se misture para estabelecer um mecanismo tão forte que tenha capacidade de se manter vivo por muito tempo. Nesse sentido, Sennett expõe a corrosão do caráter dos indivíduos dentro do capitalismo e usa a história de Rico para elucidar como isso é capaz de chegar até no âmbito familiar. Analisando toda a questão familiar que começava com o pai Enrico e reflete até os filhos de Rico, evidencia-se como as relações se enfraqueceram, já que, hoje, ainda mais, o “curto prazo” é a regra, desmanchando as virtudes de lealdade e confiança.

Toda a conjuntura exposta por Sennett é capaz de elucidar defesas de Marx. Nesse viés, o sistema capitalista compõe a realidade atual e a define em todos seus âmbitos, invadindo os seres no meio mais profundo – a consciência. Dessa maneira, ter controle sobre a consciência permite que o meio mais privado e íntimo já tenha sido invadido, facilitando o controle sobre o restante. Todo o mecanismo é pensado de forma que solidifique o sistema, mesmo enquanto ele liquefaz todos os indivíduos e as relações.

 

Laís Tozzi Muraro - 1° ano Direito (matutino)

RA: 231221304

 

A permanência de problemas sociais na sociedade capitalista

 

Os sociólogos Marx e Engels foram responsáveis por realizar uma análise crítica do sistema social, econômico e político vigente no século XIX. Nesse sentido, apesar de fazerem referência ao “capitalismo industrial”, nota-se que as críticas apontadas pelos sociólogos também se aplicam ao chamado “capitalismo informacional” característico da atualidade, como a busca incessante pelo lucro que aumenta a acumulação de capital pelos donos dos meios de produção através da exploração do trabalhador e, consequentemente, aumenta a desigualdade entre as diferentes classes sociais. Assim, percebe-se que o método utilizado por eles, pautado nas condições materiais de existência dos indivíduos, permitiu um amplo levantamento das questões problemáticas intrínsecas ao sistema vigente em todas as suas fases.

   A partir do livro “A ideologia alemã”, escrito pelos sociólogos, entende-se que a consciência dos indivíduos não é determinada de modo autônomo, mas de acordo com a posição ocupada por eles na sociedade que delimita suas relações políticas e sociais. Ou seja, tal consciência é um produto social incorporado pelos indivíduos em suas ações mais básicas do cotidiano, fazendo com que a ordem do sistema capitalista seja naturalmente reproduzida. Um exemplo disso pode ser constatado nos relatos do livro “A corrosão do caráter” de Richard Sennett, no qual Rico não questiona as influências negativas do capitalismo em sua vida profissional e familiar e as adere de modo pacífico, como a aceitação do constante medo de perder seu emprego, o controle do tempo e a educação dos filhos, o que seria decorrente, segundo o autor, do lema “Não há longo prazo” inerente ao sistema econômico atual associado ao desenvolvimento de novas tecnologias. Desse modo, essa nova configuração do capitalismo relacionada ao “encurtamento dos prazos” faz com que aumente o número de empregos temporários e a flexibilização das organizações empresariais, estabelecendo uma realidade instável e disfuncional que, ainda assim, é incorporada naturalmente pelos indivíduos devido à falta de autonomia em relação à sua própria consciência.

   Em resumo, fica evidente que a análise crítica realizada por Marx e Engels ainda pode ser aplicada na sociedade atual, caracterizada, devido ao capitalismo, pela desigualdade social, pela precarização das relações de trabalho e pela padronização de uma consciência indiretamente imposta pelo sistema econômico. Ademais, Sennet ajuda a compreender como tais problemas estão presentes no contexto contemporâneo associados às novas tecnologias. Portanto, a imposição da consciência como um fator externo aos indivíduos faz com que as consequências do sistema capitalista, como a perda do “longo prazo”, permaneçam na sociedade. 


Lara Guerreiro - primeiro ano de direito (matutino)
RA: 231223196

O capitalismo e suas desigualdades



            Richard Sennet, em sua obra " A corrosão do caráter", retrata como o hodierno capitalismo deturpa Rico, filho de Enrico, em suas respectivas relações sociais. Nesse viés, tal modo de vida, oriundo das esteiras de produção do modelo Fordista, impôs aos indivíduos à necessidade de agilidade e rapidez, o que à priori mostrava-se apenas na produção de mercadorias, impactou a sociedade como um todo.

           Seguindo a mesma esteira de raciocínio, as relações sociais também sofreram o impacto do capitalismo, haja vista analisarmos a obra de Sennet, no sentido que Rico uma pessoa que sempre esteve trabalhando em uma economia instável e volátil, se mudou diversas vezes sua moradia, e sempre suas relações com o ambiente eram supérfluas, não conseguia se estabilizar. Isso se exemplifica no texto pelo lema da época: " Não há longo prazo". Sendo assim, Rico nunca adquiriu confiança e lealdade perante as outras pessoas e tudo ficou superficial. Além disso, ele também não conseguia trabalhar em grupo, tudo era individual e competitivo, o que estreitou ainda mais seus laços sociais.

        Por fim, Karl Marx em sua obra "A ideologia alemã", critica o capitalismo justamente por ele obrigar os trabalhadores a vender sua mão de obra, em um trabalho alienante, a fim de receber um salário injusto. Essas condições de trabalho não oferecem nenhuma estabilidade e conforto na vida dos empregados. Assim ambos autores concordam que existem varias negativas sobre o capitalismo. 

        

      Aluno: Diogo Zamperlini Cochito  - 1º ano Direito Noturno                                                    RA: 231223382


                            

sábado, 29 de abril de 2023

A inconstância do capitalismo

 

            Na atual sociedade, é evidente que os cidadãos, em sua maioria, passam suas vidas em busca da tão sonhada “estabilidade”, seja ela financeira, familiar, habitacional, etc. Esse equilíbrio é o que garante que as pessoas possam viver dignamente. No entanto, nos moldes do sistema capitalista, percebe-se que a busca da referida e tão desejada estabilidade se torna dificultosa, e, em muitos casos, inalcançável.

            Analisando a sociedade como um todo, é notável que, cada vez mais, as pessoas buscam por melhores condições de vida, por solidez e segurança. É perceptível, ainda, que essa incessante procura pela estabilidade se dá pela falta dessa no sistema capitalista – isto é, como o capitalismo não proporciona à sociedade nenhuma constância, as pessoas se desdobram em busca dessa, sendo que, em muitos casos, nunca a alcançam.

            Na obra “a corrosão do caráter”, Richard Sennett demonstra o quanto a instabilidade e as incertezas passaram a ser inerentes à vida das pessoas, devido aos modos de produção que operam na atual sociedade. Nota-se, ainda, que esse mesmo sistema produtivo não se prolonga apenas às relações de produção e trabalho – pelo contrário, são intrínsecos a cada parte da vida de cada pessoa, em todas as suas relações, de modo que as referidas inconstâncias se estendem, também, às demais conjunturas da vida dos cidadãos. Na obra “A ideologia alemã’, o escritor Karl Marx também tece críticas ao capitalismo, enfatizando o quanto o sistema aliena e sufoca a classe trabalhadora, e, ainda assim não oferece garantias de estabilidade ou segurança aos cidadãos, viabilizando, então, a instabilidade e a insegurança.

            Nesse sentido, compreende-se que o sistema capitalista, em seus modos de operação, dificilmente proporcionará aos trabalhadores a constância que eles tanto almejam, ainda que esses passem suas vidas trabalhando arduamente em busca da utópica estabilidade.

 

Beatriz Fernandes

1° ano Direito - matutino

O modo de produção alienante e a sociedade capitalista

 Na obra "A corrosão do caráter", de Richard Sennett, o trecho "Se eu fosse explicar mais amplamente o dilema de Rico, diria que o capitalismo de curto prazo corrói o caráter dele, sobretudo aquelas qualidades de caráter que ligam os seres humanos uns aos outros, e dão a cada um deles um senso de identidade sustentável.” exemplifica a crítica ao capitalismo e suas consequências na vida dos indivíduos. Nesse sentido, o enredo pode ser relacionado às ideias de Karl Marx, uma vez que argumenta que o modelo de trabalho adotado pelo capitalismo, baseado em contratos temporários e na busca constante por eficiência e produtividade, tem um efeito corrosivo sobre a identidade e a moralidade das pessoas. 

 Sennett desenvolve seu livro na perspectiva de que a forma de trabalho na sociedade capitalista fragmenta a vida dos indivíduos em esferas separadas, impede a formação de relações duradouras e impede que as pessoas desenvolvam um senso de propósito e significado em suas atividades. A partir disso, os personagens são descritos e reforçam o parecer de Marx acerca de que o modo de produção coincide com a essência do homem e quem ele é. Dessa forma, surge o conceito de alienação, o qual consiste em um processo pelo qual as pessoas perdem o controle sobre suas próprias vidas e são dominadas pelas forças impessoais do capitalismo.

 Ainda, Marx argumenta que o trabalho no capitalismo é alienante porque os trabalhadores são obrigados a vender sua força de trabalho em troca de um salário, perdendo o controle sobre o processo de produção e sendo submetidos a condições de trabalho que são determinadas pelos interesses dos empregadores. Essa exploração gera uma desigualdade social cada vez maior, na qual uma minoria de proprietários dos meios de produção acumula riqueza e poder, enquanto a maioria da população vive na pobreza e na precariedade. Logo, ambos os autores concordam que o capitalismo tem efeitos negativos na vida dos cidadãos.


Rayssa de Oliveira Dantas - 1° ano de Direito (matutino).

RA: 231223161