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domingo, 3 de julho de 2022

Roteiro Didático de Ideias: o Compreensivismo de Max Weber

 

    Nasce em Weber a ideia de uma Ciência Social propriamente dita, capaz de compreender e interpretar o quesito causa et consequentia das chamadas ações sociais, sendo estas motivadas por valores que divergem em diferentes sociedades. Portanto, para de fato entender as ações sociais, é necessária a compreensão desses valores em relação ao agente da ação social: um chinês não conseguiria entender um costume estadunidense sem antes compreender os valores norte-americanos que constituem aquele costume.

    É a partir do compreensivismo, então, que o indivíduo volta a ser o objeto central de estudo sociológico, relegando o coletivo para o segundo plano, pois é o homem enquanto elemento singular, o agente responsável pelas ações sociais. Desse modo, os entes coletivos como o Estado, são consequências das ações individuais de diferentes elementos da sociedade, diferentes representações do coletivo existem de forma dualista: possuem um caráter físico e real, mas também possuem um caráter expresso na consciência dos homens, sendo que, este último pode ser traduzido nos valores que orientam as ações humanas em sociedade.

    Ademais, a ideia de relação social está diretamente ligada ao fenômeno da ação, sendo que aquele nada mais é do que o conjunto deste, isto é, uma relação entre duas partes é social quando há ação social originando-se de ambas. Para entender cada ação é necessária também a noção de que há um contexto histórico presente no fenômeno, normalmente encontrado na ideia de cultura¸ pois esta é representação imediata de valores exprimidos em determinada sociedade. A questão é: o indivíduo que é agente responsável de uma ação social específica, pode ponderar e escolher os valores que estão de acordo com o seu próprio modo de pensar para reiterar sua ação. Em tom de exemplo, na luta feminista, muitos daqueles que se posicionaram contra os direitos adquiridos pelas mulheres, acabaram por utilizar de valores cristãos para defenderem sua ação social de conservação dos moldes patriarcais da sociedade. Outro fenômeno explicado por Weber é que em muitos casos, a ideia de não-ação não deixa de ser um posicionamento a favor ou contra determinados valores.

    Quanto à metodologia pura da sociologia compreensiva de Weber, é apresentada a chave do “tipo ideal”, que difere da ideia de “dever ser” trabalhada por Durkheim, por se tratar de um conceito puramente utópico de diferentes configurações sociais, tendo como consequência fenômenos extremamente puros, sem quaisquer interferências ou vícios. É a racionalização radical de possibilidades reais.

    Paralelamente, Max também define o conceito de poder para a sociologia: é a capacidade de impor a própria vontade dentro de uma relação social, agindo unilateralmente e independentemente de quaisquer resistências, em busca de uma relação de dominação. A dominação, portanto, se dá no exercício do poder sobre as ações sociais do dominado. No entanto, justamente por não depender das resistências, dependendo da intensidade destas, a dominação pode se tornar uma relação instável, pois nem sempre o indivíduo dominado aceita um modo de condução de sua vida vindo de uma fonte externa. Para isto, existe o conceito de legitimidade na dominação weberiana, muitas vezes associado à matéria do Direito, uma fonte que pode ser considerada legítima como ferramenta de orientação da ação social. Afinal, o Direito positivado, principalmente o penal, apresenta diversos “tipos ideais” em sua redação.


Pedro Henrique Falaguasta Nishimura - 1º Direito Matutino

Tipos de ação social segundo Max Weber

Max Weber, em sua linha de pensamento, define a ação social do ser, que seria uma ação que o indivíduo faz, que tenha como base a sociedade, desse modo colocando a primazia no indivíduo. Assim, ele acaba divergindo de Durkheim, que acreditava que os fatos sociais se sobrepõem sobre os indivíduos.

Weber definia a ação social em tipos: o tipo afetivo, o tipo tradicional e o tipo racional.

O tipo afetivo é aquela ação que o sujeito faz por afeto ao outro, como por exemplo fazer alguma coisa relacionada a casa para a sua mãe, você não quer fazer, mas faz porque gosta dela. Já o tipo tradicional é aquela que é feita com base em costumes, está ligada ao hábito, como por exemplo, tomar banho todos os dias, você faz isso porque sempre fez e já está acostumado.

O tipo racional é dividido em duas partes, o por fins e o por valores. A ação racional por fins é aquela que envolve ganhos, quando o indivíduo só pratica uma atividade se ele for lucrar em alguma coisa, como por exemplo, trabalhar. Já a por valores é aquela que envolve crença, por acreditar em algo, por exemplo, seguir uma prática tradicional de alguma religião.


Portanto, para Weber, a propensão do indivíduo ao realizar algo, está sempre sendo orientada pelo seu meio social.














Maria Eduarda Gusmão de Jesus
1º Direito - Matutino.


A importância de Max Weber para a análise da sociedade brasileira contemporânea

            Max Weber, um dos principais sociólogos conhecidos, não atuou somente no cenário do seu tempo (1864-1920), mas também continua exercendo influência na contemporaneidade. Tal fato não se deve a qualquer razão, mas ao reconhecimento do vigor de sua análise, ao aperfeiçoamento das técnicas de pesquisa e à decisão de utilizar a sociologia como instrumento para compreender o Brasil. Dessa forma, a construção teórica weberiana do indivíduo como ser importante nas averiguações sociais, a importância dada à razão e aos valores particulares de cada um contribuiu com o estudo dos fenômenos de mudança social no país.

            Nesse sentido, grande parte da produção sociológica brasileira estabelece um diálogo com a obra de Weber; diálogo acerca da aplicabilidade de suas categorias analíticas, de suas teorias e, principalmente, do conceito de tipos ideais, ou seja, desse conceito teórico abstrato basilar para comparação entre aquilo que é observado e sua abstração teórica, ao capitalismo periférico atual. Desse modo, a burocracia, com todas suas nuances hierárquicas, rotineiras e fixas, pode ser analisada através do mecanismo de tipo-ideal citado, o poder, pelos tipos de estratificação social existentes no Brasil atual e a evolução do sistema capitalista ocidental pelo pressuposto da racionalidade.

            Um exemplo de estudo da sociedade brasileira através de Weber se mostra em uma das resenhas de Alberto Guerreiro Ramos, que assinala a chegada da edição mexicana do livro “Economia e sociedade” do sociólogo tratado. Neste artigo, o escritor busca incitar os estudiosos brasileiros de administração acerca da importância das categorias analíticas colocadas no livro como ferramentas para examinar os problemas administrativos do país. A resenha chega no âmago das adversidades pela extensa exposição compreensiva da teoria de Weber e dedica espaço exclusivo aos tipos-ideais de dominação.

            O artigo, após alguns anos, foi utilizado por outros autores para analisar as classes sociais no Brasil através da burocratização como subprocesso que compõe a passagem do padrão de estratificação antigo para o atual, caracterizado pela diversificação; passagem, esta, que advém da secularização e da urbanização. Além disso, alguns autores utilizaram até a estrutura de poder dos indígenas brasileiros sob o ângulo dos tipos weberianos, o que mostra a grande contribuição dessa teoria até os dias de hoje.

            Portanto, é notável que a teoria weberiana, que classifica as organizações como sistemas burocráticos vistos como ponto de partida para cientistas políticos e outros sociólogos iniciarem seus estudos, ainda vigora e influencia o pensamento de diversos atores no exame da sociedade brasileira atual. Partindo da premissa da ação social, do tipo-ideal, da razão e dos valores individuais tal obra torna-se fundamental para o entendimento das relações internas e externas de que participam as sociedades de capitalismo dependente, como a brasileira, o que deveria ser valorizado pelos estudiosos desse século.


Núbia Quaiato Bezerra- Direito noturno

sexta-feira, 1 de julho de 2022

O direito positivado e os valores morais


Recentemente, a população brasileira se chocou com um caso judicial, que chegou a conhecimento do público, a questão de uma menina de onze anos que teve negada pela justiça catarinense o direito de aborto, sendo comprovado que havia passado por um estupro. As cenas, veiculadas por meios de comunicação da audiência ocorrida, são chocantes, a juíza em questão nega o pedido, e ainda diz para a menina que ela “deveria aguentar um pouquinho mais” e levar a gravidez a termo, para que a criança que nascesse, fosse entregue à adoção. A população sensibilizada com a situação da menina se indigna com o ato negligente e cruel praticado pela juíza, e demanda que o procedimento abortivo seja realizado, fazendo com que a lei seja cumprida.  

Considerando que a decisão tomada pela magistrada foi pautada, não no direito positivado, mas na moralidade, isso exemplifica, o que foi denominado por Weber de ação social, tendo por base a corrente sociológica compreensiva, e o dever do sociólogo de analisar ações e não as submeter à juízo de valor, mesmo quando estas são claramente absurdas, a sociologia proposta por Weber buscar entender qual o conjunto de valores que levaram a prática do ato. 

A referida juíza, está enquadrada no tipo-ideal de magistrados que se afastaram da realidade social, e que possuem um forte credo religioso o qual sempre está presente, mesmo que como plano de fundo em suas sentenças. Sua ação social, já não tem como força motriz o ordenamento jurídico brasileiro, se esse fosse o caso, o pedido para que o aborto fosse realizado seria concedido por ela, tem como base seus valores morais, religiosos, e esses empregam um discurso falacioso de proteção à vida, defendem com afinco a vida intrauterina, no entanto sempre negligenciam a vida que já nasceu. A saúde física e mental da menina não importa, se aquela gravidez for custar a vida dela por ser uma criança e não possuir estrutura corpórea capaz de vivenciar um parto, ou se o trauma da violência já vivida por ela for se intensificar causando um quadro de grave depressão por exemplo, isso pouca importa, desde que ela aguente mais um pouco e não realize o procedimento. A ação da juíza, mostra exatamente como a tomada de decisão por parte dos indivíduos é pautada nos valores morais e no comentado caso específico em valores religiosos, evidenciando como esses servem como propulsores para a ação social. 

Marina Cassaro 

"Tipo Ideal" weberiano

    Diferentemente de Émile Durkheim, o qual concede maior preponderância para o estudo da sociedade como um todo - frente ao indivíduo -, Max Weber coloca como posição central de suas análises o indivíduo - denotando um viés individualista para tal sociólogo. 

    Posto isso, Weber observa os valores e os sentidos (motivos) que impelem uma ação por determinado indivíduo. No entanto, tal análise é atrapalhada pela dificuldade de interpretar valores exteriores - a compreensão torna-se difícil quando valores divergem. 

    Outrossim, sintetiza o chamado “tipo ideal”, conceito que se baseia numa construção subjetiva realizada por meio da seleção de elementos da realidade a fim de construir um tipo - ou seja, é uma variação das possibilidades do real. Com isso, cria tipos que, por suas vezes, são comparados com fatos reais até que se chegue, por fim, na verdade científica (esse é o método weberiano).

    Ademais, explica os significados de “poder” e “dominação” - baseiam-se, sobretudo, na imposição da própria vontade em uma relação e na obediência e aceitação de algo “vindo de fora”, respectivamente (o último precisa de legitimidade). Nesse viés, finaliza declarando que o Direito é a racionalização entre poder e dominação, representando o “tipo ideal” de condutas humanas desejadas.

A sociologia compreensiva e os discursos de Bolsonaro

 Max Weber é reconhecido como o fundador da sociologia compreensiva, que busca uma compreensão interpretativa das ações sociais da realidade baseada na ideia de um tipo ideal - um padrão estipulado para a correção das ações sociais. Em um dos pontos de sua teoria, o sociólogo desenvolve a ideia acerca da racionalidade do trabalho e das relações sociais, que promoveu, no sistema capitalista, uma burocratização exarcebada da vida cotidiana e dos espaços coletivos. Tal condição gerou a ideia de “desencantamento do mundo” defendida por Weber, que afirma existir uma perda de espaço dos fatos religiosos e místicos em função da racionalização. 

Entretanto, ainda que haja em verdade uma racionalização sobre a organização de sistemas como o educacional, de saúde, alimentício, etc., esses valores religiosos ainda são muito presentes na sociedade, até mesmo em discursos políticos que buscam apoio na parcela religiosa da população. Nos slogans de campanha do então presidente Jair Bolsonaro - “Sem pandemia, sem corrupção e com Deus no coração, ninguém segura esse novo Brasil” ou “Brasil acima de tudo. Deus acima de todos” - percebe-se a sobreposição dos fatos religiosos sobre a racionalidade, em função de uma estratégia para obter o apoio daqueles que criticam essa burocratização da vida cotidiana, em detrimento da mistificação.

Assim, ainda que Weber defenda esse “desencantamento do mundo”, é preciso reconhecer que há um movimento contrário cada vez mais crescente na sociedade em relação a esse conceito. Esse fato, porém, dialoga com a noção de que, para a sociologia compreensiva, a cultura é o principal fator que condiciona as instituições e práticas sociais e, na contemporaneidade, os grupos religiosos tem obtido mais espaço no meio político e mais influência nas decisões públicas - como observado com a existência do PDC. Dessa alegação, retira-se o motivo da persistência de Bolsonaro em realizar discursos conservadores a fim de alcançar maior número de apoiadores e assegurar seu poder.


Mariana Medeiros Polizelli 

1° semestre - Direito Matutino

quinta-feira, 30 de junho de 2022

Ação social no contexto atual

 

Weber atribui o sentido de ação social como um tipo de conduta individual, que possui sentido tanto para o autor quanto para as pessoas afetadas por essa ação.

Dessa forma, Weber propõe um método mais individualista de análise social, ele parte do pressuposto que o indivíduo, com suas ideias próprias e moldadas pela cultura e pelo seu contexto histórico, modela a sociedade.

Quando nos deparamos com conversas realizadas pelo atual presidente da república, conseguimos ter maior entendimento do fenômeno entendido como ação social e qual sua finalidade numa sociedade, tomarei com exemplo uma conversa de Jair Bolsonaro com seus apoiadores no ano passado, em que o presidente diz: “O agro realmente não parou. Tem uns idiotas aí, o 'fique em casa'. Tem alguns idiotas que até hoje ficam em casa. Se o campo tivesse ficado em casa, esse cara tinha morrido de fome, esse idiota tinha morrido de fome. Daí, ficam reclamando de tudo”. O que podemos retirar como análise dessa ação, que foi a de proclamar deboche com as pessoas que foram contra os atos governamentais e ficaram isoladas em casa, é um apelo do presidente para que outros indivíduos que possuam os mesmos valores, aceitem esse discurso e formem o que é ditado por Weber por relação social. Essa classe de discurso, que busca ridicularizar os opositores, é muito comum em datas perto de eleições, visto que, reforçando seus valores culturais e ridicularizando adversário, as relações sociais ficam mais calorosas.

Grupos de pressão são parte fundamental para que essa categoria de relação seja feita, todo individuo realiza um ato considerando que outro grupo de pessoas irá aceitar e tomar como normal, dessa forma, o que possui por trás de um discurso degradante como esse, é todo um coletivo de apoiadores que recebem esse tipo de declaração como normal. Também, é imperioso notar o contexto cultural que cada ação carrega, faz muito sentido esse modelo de discurso no Brasil atualmente, pois é considerado um país majoritariamente conservador e capitalista, contudo, se trocarmos o contexto ou apenas colocarmos o mesmo discurso em outra época de um mesmo país, tal ação pode e provavelmente possuirá valor diferente.



Vinicius Alves do Nascimento - Direito Matutino 


a sociologia compreensiva de Max Weber

 
      Max Weber, um dos pais da sociologia, escreveu suas ideias sobre a compreensão da sociedade ao longo do século XIX com influências de Marx, Platão, Maquiavel, Kant, Nietzsche, entre outros. O intelectual, jurista e economista alemão entendia a sociologia como uma ciência da realidade que permitia se obter uma visão crítica em torno do mundo do indivíduo. Para ele, a sociologia é responsável por interpretar a ação social para, assim, poder explicar o comportamento dos indivíduos daquela sociedade. Por esse tipo de análise que sua teoria recebe o nome de sociologia compreensiva.

Com isso, a compreensão sociológica na realidade é uma interpretação hipotética que visa criar um caráter semelhante nas ciências humanas do que seriam as ciências nomológicas para o campo das ciências naturais, isto é, como não podemos realizar o mesmo tipo de entendimento científico que um biólogo realiza sobre um ser vivo (estudando-o a partir de regras que caracterizam o organismo), então, segundo Weber, um sociólogo deveria compreender o indivíduo com as interpretações hipotéticas de suas ações.

Para Weber, a interpretação do indivíduo dá-se pelo conjunto dos valores - carregados pelo mesmo que o levaram a realizar tal ação - e o sentido - motivo e lógica para a realização da ação. Ambas ações combinadas criam um caráter metodológico para as ciências sociais, validando-a como uma interpretação científica da sociedade. Com isso, depreende-se que a análise weberiana tem caráter individualista com enfoque central no indivíduo, sendo possível a criação do que seria descrito como tipos ideais - pessoas que apresentam valores e sentidos semelhantes na realização da ação social, como, por exemplo, o conjunto de características que definem um bolsonarista além do apoio político.

Vale-se ressaltar, por fim, que, a partir das informações supracitadas, a cultura compreende-se como um conjunto das ações sociais, ou seja, a similaridade de comportamentos e interações sociais de um grupo de indivíduos de determinada região em um determinado período histórico fazem o entendimento de uma cultura. Weber também compreende a cultura como uma maneira de dominação tal qual o direito, pois ambos são determinadores de condutas sociais ideais, perpetuando a mentalidade daquela sociedade.


quarta-feira, 29 de junho de 2022

A abordagem da ação social por Weber

 

Uma das características mais marcantes do pensamento do alemão Max Weber é a sua abordagem do fato social, a que Weber atribuiu o nome de ação social. Ao contrário de Durkheim, ele defendia que o sujeito que analisa o fato social não procure distanciar-se dele, porque isso seria impossível, dada a carga de interesse que ele possui no fato – todos nós, por sermos membros da sociedade, por estarmos com ela envolvidos, somos, para Weber, incapazes de estudarmos os fatos sociais de forma distanciada. O método de análise que Weber defende é fundamentado no uso do que ele chama de tipos ideais, conjunto de ideais a respeito de um dado objeto estabelecidas de modo anterior a sua análise, ideias que se sabe não necessariamente corresponderem à realidade, mas que são extremamente úteis para chegar-se a ela.

É muito bem-vinda na atualidade essa concepção weberiana. Afinal, o tempo todo encontramos pessoas fazendo ou tentando fazer análises de toda sorte de acontecimentos. Tragicamente, elas parecem crer que suas análises são objetivas, distanciadas do objeto analisado, o que não poderia estar mais distante da realidade: cada vez mais, as alegações que fazemos são influenciadas e, pior, distorcidas por ideologias. A tendência é cada vez mais adotar a postura oposta à de Weber: utiliza-se preconceitos não para se chegar uma análise, mas para eles próprios serem a análise, e coloca-se sobre eles uma roupagem de análise objetiva e racional.

Além disso, Weber lembra que o indivíduo ocupa lugar central na análise, concepção que também permite um entendimento muito mais completo da realidade, qualquer que seja o fato social analisado, pois, afinal de contas, toda ação humana é levada a cabo por indivíduos. Certamente, o indivíduo pode ser influenciado em enorme grau pelas tendências de um grupo, mas este não existe por si só – ele nada mais é que um conjunto de indivíduos, de modo que, se uma parcela significativa deles opta por uma ação B em vez de uma ação A, a tendência do grupo que eles formam não é a mesma que seria caso optassem por A.

Evidentemente,  é de se lamentar que o pensador rejeite a pretensão de questionar com o intuito de modificar a realidade que se constata. “Uma ciência empírica não pode ensinar a ninguém o que deve fazer”. Ainda assim, as contribuições de Max Weber para todo o pensamento das Ciências Humanas são muito significativas – se é que tais palavras expressam de maneira satisfatória o tamanho de seu impacto – e por isso dignas de serem conhecidas e, uma vez conhecidas, questionadas, como devem ser todas as coisas.

Capitalismo e vontade individual para Weber

   Max Weber possui uma visão interessante a respeito da vontade do indivíduo. Diferente de Marx que acredita que o indivíduo é fruto do meio, Weber acredita que o indivíduo decide com base na sua racionalidade e seus princípios o que deverá seguir e defender. Com base nisso, surge o que ele chama de ação social, a qual é sempre determinada por uma mobilização de valores coletivos que seguem certos valores. Já que o indivíduo é capaz de construir sua própria mente, é inevitável que haja conflitos entre os grupos sociais, sendo assim necessário para ele o uso da legitimidade, que é a aceitação da dominação com bases racionais. Essa dominação pode vir das em algumas formas, sendo exemplos: dominação legal que se dá através dos meios legais, a dominação tradicional que se justifica pela tradição e a dominação carismática, que é exercida através de líderes carismáticos.
   Ademais, é importante ressaltar o papel do capitalismo para Weber. Novamente, diferentemente de Marx, esse pensador vê o capitalismo como uma coisa boa, sendo o modelo ideal para a geração de riqueza, da racionalização do trabalho e do progresso. Por fim, não é de se estranhar que Max apoiava-se na ética Protestante como base para seus estudos, principalmente o calvinismo. Segundo esta corrente, o homem de valor era aquele que trabalhava muito e não se entregava aos prazeres da vida, acumulando cada vez mais dinheiro, o que se diferencia da ética Católica que valoriza mais os bens da alma do que os bens materiais, inclusive valorizando a pobreza.

João Pedro Menon
1º Direito Matutino

Ação social e tipo ideal: a sociologia pouco compreendida de Weber

    A Sociologia para Max Weber, filósofo alemão, deveria ser uma ciência empírica, criticando o materialismo histórico, o qual afirmava, por sua vez, que a Sociologia deveria determinar as coisas, porém, para Weber, aquela deveria, apenas, explicá-las. Para tal, a ciência deveria entender o motivo de cada comportamento, formulando-se uma Sociologia "compreensiva", na qual o cientista deve compreender as situações a fim de explicá-las. Dessa forma, a Sociologia tem o real atributo de interpretar, de fato, as situações; e, quando essa interpretação é difícil, costuma-se julgar as ocorrências, ou seja, se alguém do ocidente for interpretar algum costume do oriente, provavelmente, aparecerá um momento de preconceito. 
    Consequentemente, para Weber, a Sociologia deveria interpretar o indivíduo sem juízo de valores. No entanto, por mais que se deve pensar a ação social do indivíduo - explicando o sentido dessa ação e o que faz com que a pessoa aja de tal forma - Weber não propõe uma ciência individualista. Dito isso, a ação social feita por cada indivíduo tem sempre efeito no outro, e, ao juntar mais de uma ação, forma-se a relação social. Ainda nesse assunto, a ação social é motivada historicamente e pode ser analisada pelo "tipo ideal", o qual é, no que lhe diz respeito, algo que não existe na realidade e não é o "dever ser", mas, sim, a racionalização de todas as possibilidades do real. Desse modo, pensa-se em um tipo ideal visando decifrar a ação social do indivíduo em determinado contexto.
    Por fim, pode-se afirmar que a Sociologia de Weber abrange, dentre seus pensamentos, a noção de ser "compreensiva" e de analisar a "ação social" do indivíduo por meio do "tipo ideal". Dessa maneira, Weber, muitas vezes, é pouco compreendido porque foge do padrão da época, inclusive, ao contrariar o materialismo histórico de Marx e Engels e ao afirmar que, além de que o capitalismo baseia-se na realidade, o poder vem de todos os lados, não só das classes sociais. Esta é uma parte da sociologia de Weber.

Laura Picazio - turma XXXIX de Direito - matutino

Relações legítimas entre dominador e dominado

       Para o sociólogo Max Weber, a dominação é resultado de uma relação social de poder desigual, em que há o lado que domina e o lado que é dominado. A relação de dominação ocorre quando indivíduos obedecem uma ordem vinda de parte da sociedade, seja de uma ou de mais pessoas. Em outras palavras, encontra-se a relação de dominação quando há indivíduos subordinados ao poder de outros. Diferentemente das relações de poder, as relações de dominação têm uma tendência de se estabilizarem, evitando conflitos. Na sociedade, essas relações buscam caminhos para se legitimarem, isto é, para serem reconhecidas e, assim, manterem a ordem social. Essas formas de dominação legítimas são três: a dominação racional/ legal, a dominação tradicional e a dominação carismática. Inicialmente, discute-se a dominação racional/ legal como uma relação burocrática - a própria burocracia estatal é representante dessa relação. Em segundo lugar, a dominação legítima tradicional, a qual é traduzida pela justificativa oral popular de "foi sempre assim"; em outras palavras, a dominação tradicional é aquela vinda de antepassados, de tradições. Por fim, a dominação carismática, muito relacionada a um magnetismo pessoal e a líderes populares, ela trás consigo a sensação heroica do dominador.

Mirella Bernardi Vechiato, 1º ano direito matutino

terça-feira, 28 de junho de 2022

ação social?

  Weber elabora uma teoria que consiste na sistematização de ações sociais, que seriam a "condução da vida". Desse modo, é preciso ressaltar que essa análise leva em consideração o impacto dos outros e das condições na nossa vida, não é possível analisar a realidade sem levar em conta o seu entorno.  Ademais, cabe citar que a observação do meio em que se está não deve ser limitada à hodiernidade, sendo preciso analisar o contexto histórico que determinou essa realidade, como os seus aspectos culturais. Logo, infere-se que as ações tomadas pelas pessoas são altamente influenciadas pelo seus valores, os quais foram modulados pela sociedade e suas realidades. 

segunda-feira, 27 de junho de 2022

Weber e a análise social

   Quando se pensa na sociologia de Max Weber, considerado um dos pais fundadoras da teoria sociológica, vêm à mente o conceito de ação social, um dos pontos chave do desenvolvimento da sua teoria. A teoria de Weber é considerada compreensiva, pois estabelece a compreensão da realidade, os motivos das ações para conseguir estabelecer também os seus cursos e efeitos.  

  As ações sociais foram as relações dentro da sociedade, com o indivíduo sendo forma de participação ativa no âmbito geral. As ações, portanto, são o modo de condução da vida, é o que atribui sentido para atingir uma finalidade e possui dois tipos:  

  • -O tipo ideal: corresponde a algo que "deve ser", mas que não existe dentro da realidade. É a tentativa de organização do caos e da complexidade do real.  

  • -Verdade científica: advém da comparação entre os fatos e o tipo ideal.  

     Outros conceitos desenvolvidos por Weber são o de poder e dominação. O poder se desenvolve no âmbito da competição de vontades, na possibilidade de se impor a própria em uma relação social. A dominação, então, é a possibilidade de se decidir sobre a ação do outro, é a "probabilidade de encontrar obediência a uma ordem de determinado conteúdo", e não se encontra somente na perspectiva de classe. Ser dominado implica na aceitação de um modo de condução de vida e se encontra pelo fio fino da legitimidade. 
   Finalmente, se percebe o papel do Direito como expressão da racionalização do poder e da dominação, que fornece condições para o capitalismo de se desenvolver. A racionalização da ciência e da técnica visando a produtividade, e o do Direito na previsibilidade da vida econômica. A forma do Direito na contemporaneidade representa o "tipo ideal" das condutas desejadas, é um contrato que prevê a ação no contexto das relações sociais, assume o papel de condutas expectáveis na realidade social.



Helena Motta

1 semestre Direito Noturno

Atuação do indivíduo civil inserido no capitalismo na ótica de Max Weber

  Na visão de Weber, a racionalidade se deriva da sociologia, e o significado de sociologia para o mesmo é, “uma ciência que pretende compreender interpretativamente a ação social e assim explicá-la casualmente em seu curso e em seus efeitos”. Se faz necessário ressaltar que as ações sociais na ótica do pensador consiste na compreensão dos valores, os quais movem as comportamento dos indivíduos.

      Desenvolvendo melhor acerca da atuação do sujeito civil, Weber acredita que as ações sociais são uma interação entre indivíduos e o reflexo de seus próprios valores, os quais são expressados externamente a partir de determinada ação de outros, considerando e destacando o contexto histórico, social e cultural no qual se foi cometido a ação em questão.

       Ao contrário do que Marx defende, para Weber o poder emana de forma geral e de todos os lados, o capitalismo para ele é uma forma racionalização do trabalho para a geração de dinheiro e prosperidade, seu pensamento é fortemente influenciado pelo calvinismo, que seguia o raciocínio de quanto mais o sujeito trabalhar for afortunado por isso, este é um ser abençoado. 



Maria Eduarda da Cruz Cardoso 1º Direito - Matutino

RA: 221225609


domingo, 26 de junho de 2022

"A Concepção Weberiana de Economia e Sociedade"

    Segundo Max Weber, a função da sociologia é a de ser uma ciência de cunho interpretativo que, para ele, deve buscar compreender as chamadas ações sociais e buscar explicá-las, afirmando, ainda, que a sociedade seria o resultado das formas de relação entre os indivíduos que constituem essa sociedade, e, justamente, o indivíduo, logo, ocupa um lugar fundamental de destaque na perspectiva de Weber, mesmo em se falando do coletivo, o enfoque deve ser sempre no individual. 

    O conceito de "ação social", criado por Weber, significa um tipo de conduta do indivíduo que tem um sentido, tanto para ele próprio quanto para os outros que também são afetados. Esse conceito, também, pode ser definido como as manifestações de interação entre indivíduos, já que uma ação acontece somente quando indivíduos entram em contato uns com os outros. Considerando as particularidades de cada indivíduo, que é algo em que Weber acreditava, é possível afirmar que as ações sociais são, em sua visão, também, a ocorrência de interferências externas sobre como cada pessoa vive. Por essa complexidade no tecido de interações sociais, mostra ser de bom tom destacar que Weber deu um enfoque multicausal à análise dos fenômenos sociais, destacando fatores culturais e materiais presentes no surgimento das instituições da modernidade, além de analisar o processo de racionalização e desencantamento decorrentes do mundo que acompanham tais instituições, de modo a compreender a sociedade de uma forma mais abstrata e integrada às condições históricas, culturais e sociais. 

    O capitalismo, na visão weberiana, é um sistema que promove uma espécie de racionalização do trabalho e do dinheiro, sendo sustentado por uma prosperidade e por uma grande e crescente capacidade de se gerar dinheiro neste sistema, tal pensamento teve uma enorme influência do pensamento calvinista (pelo qual Max Weber sofreu forte influência) por conta principalmente da ideia de que a pessoa próspera e trabalhadora era uma pessoa abençoada, e quanto maior o seu sucesso financeiro/material, mais agraciado por Deus você será, e, na visão dos calvinistas o pecado era o ócio e a futilidade. Além da influência do calvinismo, Kant e o seu idealismo kantiano são, também, parte da influência que Weber teve em suas ideias e conceitos, especialmente na sua conceção de o que é o capitalismo, e, sob essa lupa kantiana na concepção de Weber, o sistema capitalista é enxergado como um ideal, com um espírito, e a partir disso, esse sistema seria construído de fato, na prática. 

    Com base em tudo que foi dito sobre Max Weber, suas influências e suas ideias, é possível afirmar, também, que a vida política e social na visão weberiana, tende a se balizar nas garantias oferecidas pela legitimidade legal, por meio do Direito, que seria uma ferramenta de consolidação da dominação do status quo, podendo ser visto, também, como uma forma de racionalização e confirmação do poder desse status quo dentro de um sistema capitalista legal e normatizado. Munido de todos esses conceitos que produziu, Weber produziu importantes obras sobre economia (como "A ética protestante e o espírito do capitalismo" e "Economia e sociedade", por exemplo), além de ter analisado a trajetória e o desenvolvimento de diversas economias de vários países do mundo. 


Otávio Aughusto de Andrade Oliveira - 1°Ano de Direito; Matutino

O Breve, mas essencial reconhecimento de Weber sobre a Moral

 Eric Voegelin, jurista europeu que trabalho diretamente com um dos maiores nomes do positivismo jurídico, Hans Kelsen, foi um grande filósofo que abalou muitos fundamentos da filosofia e das ciências sociais, especialmente da modernidade. 

Em sua obra A Nova Ciência da Política, de 1952, Voegelin aborda diversos aspectos do estudo político e dos desdobramentos dele na sociedade de sua época. Em uma de suas análises, o autor discorre sobre um dos grandes problemas que refletiram na decadência da ciência política, a formação da filosofia positivista e suas reverberações. Dentre um dos afetados, foram seus posteriores, como Max Weber. 

Grande defensor de uma ciência isenta de quaisquer valores que fossem, Weber teorizava acerca da influência dos citados para o saber científico e quão poder de ordem eles tinham sobre a política, no chamado demonismo da política ¹, em que os valores tinham significativa importância nas decisões dos políticos, determinando os resultados, este pensamento sendo denominado como sociologia compreensiva. Nesse sentido, Weber, embora estivesse ainda, de certa forma, alinhado a Comte, foi de encontro frontal à ideia positivista de desconsideração total do plano metafísico ou moral da pesquisa científica, contrariamente ao primeiro ideólogo, do qual afirmou a metafísica não possuir mais a força lógica necessária para mudar algo²

Enquanto se assemelha a algo ultrapassado, a saber a mínima atenção sobre a essencialidade do sistema moral para a vida de um meio social, o ponto tão aclamado pela autora deste artigo acerca da individualidade do ser prevalece como um degrau subido. A volta do crédito à parte valorativa do homem pela perspectiva weberiana levou a uma nova cosmovisão da alma do homem: aquela que tem poder de resistir a qualquer proposta quando há bons valores firmados no caráter - no caso, dos políticos- e que a moral possui sim um vigor que move toda a população rumo a um ideal. 

Em suma, esta breve análise de Max Weber pôde colaborar com a exaltação da unicidade de cada um, apesar do autor ter seguido mais pela linha do Positivismo que esta visão especial sobre os animais políticos, levando estes a um patamar de protagonista que só o homem pode experimentar dentre todos os seres vivos, sendo ele o de fazer suas escolhas, nem que elas sejam a de resistir a tudo que contraria o bom, belo e verdadeiro.Logo, se todos os cidadãos seguirem por esta receita e transformarem como enxergam a si mesmos- não como manipuláveis, mas como grandes responsáveis por si mesmos-, de fato a humanidade irá tender ao progresso, conforme Augusto Comte afirmou. 



¹ Voegelin, Eric. 1952. Pág 25
² Comte, Augusto.1844. Pág 66

Poder e Dominação

 Para Karl Marx, o poder vinha das classes sociais. Já para o intelectual Max Webber, o poder vinha de todos os lados. Mas então, o que é o poder?

Essa questão pode ser respondida como: é uma atividade de dominação. Ou até a "competição entre as vontades". E se ele está em tudo, como essa grande quantidade de poder não entra em conflito?

Webber dizia que essa atividade de dominação não é total, e sim uma probabilidade. Em outras palavras, o poder pode ser entendido como a chance de impor a própria vontade em uma relação social, mesmo com resistências. Dessa forma, ele está suspenso no fio da legitimidade, ou seja, na aceitação dessa dominação. 

Logo, confrontar o poder é não aceitar sua legitimidade, e isso pode ser feito quando essa dominação resulta da apropriação diferenciada de recursos escassos, gerando uma assimetria e instabilidade social. Assim, entende-se que nenhum poder é total, pois é uma probabilidade, e não uma efetividade permanente. 



Giovana Pevarello Parizzi
1° Direito - Matutino

Para toda ação, há uma intenção, com valores intrinsecamente impostos por instituições.

Em meio a busca de compreender a realidade, Weber, não exclui o que Marx até então havia interpretado, mas perpassa a ideia de observar o social apenas pelo meio econômico, haja vista que a ciência de Weber deveria ser capaz de "compreender interpretativamente a ação social e assim explicá-la casualmente em seu curso e em seus efeitos", ou seja, entender os valores sociais, culturais e tradicionais que respondessem a ação dos indivíduos, em que o cientista social, estudioso dessa realidade, não deveria fazer juízo de valor diante das interpretações, mas sim compreender sem pressupostos o porquê da ação, principalmente, o significado daquilo que é motivo da aspiração, resultando, assim, em uma sociologia compreensiva. Diante dessa ideia o método por si não possui significado relevante quando dissociado da ação do indivíduo e de suas motivações que regem essa ação, tendo em vista que o indivíduo é a expressão social com suas complexidades e perspectivas distintas que mudam de acordo com o contexto social, em que perpetua e ratifica a ideia de que toda conduta é dotada de significados.

A busca pela compreensão está associada com as condutas expectáveis, uma vez que não se pode entender, de fato, o comportamento dos organismos vivos proposto por Durkheim, uma vez que é possível apenas explicá-los de acordo com regras causais, ou seja, aquilo que é entendido a partir da lógica dos sentidos e da consciência que tem para o agente o motivador da ação. O indivíduo dentro desse contexto possui um papel central, mesmo quando o coletivo já está formado, uma vez que é dotado de ações que já existem e buscam vigência, ou seja, se encontram na mente de pessoas reais. 

Nesse sentido, a ação sempre se orienta pela ação do outro, carregada de significados dentro de um contexto de relação social como em um almoço de família, aulas na faculdade e, também, no comportamento dentro de um local religioso. Logo, o real significado da ação advém de um processo histórico, ou seja, ganha intangibilidade no contexto de determinadas referências, principalmente, a cultural, a qual consegue moldar as ações dos indivíduos conforme seus preceitos. Segundo Max Weber, o conceito de cultura é um conceito de valor, uma vez que se manifesta e abrange componentes significativos da realidade os quais fazem sentido na consciência e na cosmovisão pessoal de cada indivíduo. Essa ideia está intrinsecamente ligada com a individualidade do indivíduo e o significado das conexões causais desempenhadas pela cultura, tendo em vista que as relações estabelecidas entre ambos possuem o valor que manifesta na realidade, haja vista que toda ação possui significados.

Outrossim, ainda é viável destacar a ideia de "tipo ideal" proposta por Weber, em que expõe pressupostos de como desenrolar uma ação humana baseada estritamente na realidade, a qual necessita suspender o juízo de valor, influenciado por erros e afetos, e conseguir organizar o caos e a complexidade do real. Diante dessas prerrogativas, transpondo para a contemporaneidade, casos de abuso como a da criança de 11 anos, em que a ação imediata de diversos indivíduos foi contradizer o aborto, é preciso ser analisado sem o juízo de valor, ou seja, entender os valores culturais, morais, econômicos e tradicionais que movem os indivíduos a julgarem tal caso, em outras palavras, Weber não está preocupado com o caso em si, mas sim com a ação do indivíduo que problematiza o caso, em seu comportamento e, também, em como esses valores e ideais da ação estão vinculados a determinadas instituições, que estabelecem, mesmo que indiretamente, uma hierarquia valorativa para a manutenção de ideias conservadoras, como no caso da religião e, essencialmente, um enquadramento da ação.

Ademais, o próprio mercado capitalismo e o Estado moderno centralizado, cria os indivíduos como eles são, ou seja, ideias e valores são perpetuados sem que o próprio indivíduo tenha ideia, o qual encontra uma obediência e uma ordem de determinado conteúdo. A dominação, entendida como um modo de condução da vida "vinda de fora", resulta em ações racionais direcionadas a fins e valores, e ações subjetivas afetivas e tradicionais, a qual consegue ser legitimada quando entendida como válida pelo indivíduo. O capitalismo, modelo de sistema vigente, não teria condições materiais de desenvolvimento se essa racionalização da ação fosse inexistente, tendo em vista que os moldes criados por ele estão sendo maximizados para a sua manutenção.

Fica claro, portanto, que o método de ciência proposto por Weber é de extrema relevância para a compreensão da atualidade, principalmente, mediante as inúmeras ações valorativas dos indivíduos, em que são carregadas por instituições que visam manter sua estrutura e, para isso, é preciso que haja dominação. Assim, a ideia proposta por Marx mostra-se relevante, entretanto, as ideias implementadas por Weber trazem à luz as reais motivações, não apenas materialistas, da ação individual. 


Natália Lima da Silva  

1º semestre Direito matutino 

Turma XXXIX

sábado, 25 de junho de 2022

Capitalismo Weberiano

 

Weber, ao contrário de Marx, encara o capitalismo de modo positivo, enquanto Marx via o capitalismo como um modelo de exploração do proletariado pela burguesia, Weber o vê como modelo ideal. Para este, o capitalismo provia a racionalização do trabalho e do dinheiro, garantindo a prosperidade, e capacidade de gerar cada vez mais dinheiro

Weber teve bastante influência do pensamento kantiano, que sustentava o idealismo. Kant acredita que o plano das ideias seria o mais puro e a priori. Baseado neste pensamento, Weber acreditava que o capitalismo era como um ideal, um espírito, e a partir disto esse sistema seria construído na prática.

Weber também utiliza o Protestantismo como base para seus estudos, principalmente o calvinismo. Segundo esta corrente, o homem de valor era aquele que trabalhava muito e não se entregava aos prazeres da vida, acumulando cada vez mais dinheiro. Logo, baseado neste pensamento, Weber analisa o desenvolvimento econômico das diferentes nações, e percebe que as protestantes se tornaram as maiores potências.


Bruno Issamu Ishioka

1° ano Direito - Matutino 

sexta-feira, 24 de junho de 2022

Os movimentos sociais em uma perspectiva weberiana.

 Nas obras do poeta Allen Ginsberg, sobretudo durante os anos 60 nos Estados Unidos, bem como nas músicas de Bob Dylan e outros expoentes da época, é possível observar uma mudança de paradigma que marcou esses anos. 

Anteriormente, nos anos 50, a cultura era pautada por valores sobremaneira conservadores e tradicionais, como se vê no início da banda The Beatles, a qual originou-se com roupas sóbrias e clássicas, como ternos pretos, e, posteriormente, nos anos 60 e 70, começou a utilizar figurinos mais coloridos e repletos de elementos psicodélicos. 


O historiador Hugo von Hofmannsthal dizia: "Nada está na realidade política de um país se não estiver primeiro na sua literatura". Pode-se substituir, sem prejuízo do sentido que o autor quis transmitir, a palavra "literatura" por "cultura". Nesse sentido, em uma perspectiva de Max Weber, que apresenta a realidade social e ação social em uma maneira objetivamente científica, é possível perceber que os movimentos sociais que se tornaram efervescentes, principalmente na experiência estadunidense, durante os anos 60 e 70, se derivaram de um longo período de instauração cultural baseada em valores novos, contrários ao conservadorismo. Na época, essa tomada cultural foi chamada de "contracultura", justamente por ir contra a cultura vigente. 


Portanto, Max Weber revela que a ciência sociológica consegue transcorrer as experiências com um aparato científico e metodológico, como ele também mostrou em sua análise da economia americana em relação ao protestantismo. 


Cauan Eduardo Elias Schettini - Turma XXXIX - Direito matutino


Visão weberiana

 

Para Weber a sociologia é “Uma ciência que pretende compreender interpretativamente a ação social e assim explicá-la em seu curso e seus efeitos”, bem como a compreensão dos valores movem a ação dos indivíduos. Desse modo o indivíduo ocupa lugar central na análise weberiana, em que a compreensão da sociologia deve levar em conta, que mesmo quando se trata de analisar entes coletivos o foco se mantém na ação dos indivíduos. Desse modo se difere de Durkheim, ao considerar que são às ações individuais que devem ser estudadas e não os fatos sociais reincidentes. Contudo a multiplicidade de conexões se funde resultando na cultura.

A ação social ou “condução da vida” deve ser sempre orientada em relação ao outro, desse modo a ação social relacionada ao outro faz com que se dê a relação social. A ação social é determinada por uma mobilização de valores, o que implica no fato de o “indivíduo decidir com sua própria consciência e cosmovisão pessoal”. Sendo assim a ação social representa a incidência de estímulos externos sobre o modo de conduzir a vida, surgindo assim um cenário de instabilidade permanente em que se faz importante a legitimidade que se caracteriza como a aceitação diante da dominação; a dominação pode se apresentar de modos distintos a exemplo da dominação legal que se dá através dos meios legais, a dominação tradicional que se justifica pela tradição e a dominação carismática que é exercida através de indivíduos carismáticos.

 Weber vê o capitalismo como ideal o qual promove a racionalização do trabalho e do dinheiro, sustentado pela prosperidade e capacidade de gerar dinheiro. A vida política e social tende a se equilibrar nas garantias oferecidas pela legitimidade, considerando que todos procuram despertar e cultivar a crença em sua legitimidade. Nesse sentido o direito é visto como expressão da racionalização do poder e da dominação.


Clara Letícia Zamparo 

Direito 1° ano - Matutino 

terça-feira, 21 de junho de 2022

Marx e Engels e as noções da Sociedade Civil

 Os jovens comunistas se reuniram  em Paris em 1844, Marx e Engels perceberam as conclusões teóricas que haviam  chegado com base na experiência da investigação filosófica e científica. Eles estavam determinados a agir como críticos dos jovens Hegelianos. Tal projeto, que revelaria um novo conceito de materialismo.

  Na obra de Marx e Engels o destaque é o método pelo qual as coisas são analisadas, somente com a compreensão adequada da realidade seria possível transformá-la, por isso os sociólogos discordam daquele idealismo dos Hegelianos.Desse modo, segundo Hegel a sociedade estaria em constante evolução ocasionadas pelas “leis históricas” que são determinadas pela cultura de cada povo, assim o direito serviria como uma forma de suprir as demandas de tal desenvolvimento, representando a superação das dificuldades, logo a lei variava em detrimento das vontades particulares.

  A sociedade civil era a representação da corrupção e da miséria, portanto cabia ao Estado ser a força que organizaria a desordem, constituindo o interesse coletivo universal, mas levando em consideração que o Estado também é produto das dinâmica histórica.Vale também ressaltar que nesse ponto há algumas discordâncias entre os sociólogos, enquanto que para Engels a sociedade civil é aquela burguesa que o Estado representa o centro de tal dinâmica, para Marx a sociedade civil a expressão de todas as classes, com o povo no centro, principalmente proletariado, no centro do dinamismo histórico.

 A Teoria Materialista de Marx está relacionada à matéria social,ou seja, os estados de produção e reprodução da vida social, na qual  o trabalho representa o exercício daquilo que faz a mediação entre os homens e a natureza na produção dos bens materiais, necessários à existência da vida em comunidade. Desse modo, não é possível sem a inter-relação do homem com a natureza. Tal trabalho, sendo explorado ou assalariado, segundo Marx, sempre será a relação do homem com a natureza para produzir os meios de produção e de sobrevivência. Para ele, até a sociedade comunista, que seria a mais evoluída em seu pensamento, teria como base o trabalho associado, livre, coletivo e destinado a atender às causas sociais, mas com o trabalho e os processos de produção ao comando dos próprios produtores.

  No decorrer da história, a sociedade passou por diversas estruturas socioeconômicas, cada uma delas possuía diferentes formas de produção do trabalho. É através de tais alterações  socioeconômicas, ao longo do tempo, que construíram a base sobre a qual se formou outras formas de consciência social, como a arte, filosofia, ciência, direito e as instituições jurídico-políticas (Estado).A formação social é a conexão dos  modos de produção, onde apenas um é dominante.

  Por fim, Marx e Engels dedicaram a vida, seus projetos, contra a exploração social sem conformismos ou adaptações.Enquanto o capitalismo estiver de pé, enquanto houver exploração, miséria, fome e desemprego, a obra de Marx e Engels será atual e somente a partir da assimilação de suas idéias e da experiência do proletariado é possível se pensar na luta conseqüente por uma nova sociedade.