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segunda-feira, 5 de julho de 2021

Ponto de Mutação: análise da estrutura social e a perspectiva de mudança

 O filme “Ponto de Mutação” apresenta uma análise sobre o modo como os indivíduos possuem uma visão mecanicista e sistemática sobre a organização e o funcionamento da sociedade. Ao longos dos minutos, nós - os telespectadores -, somos conduzidos a repensar sobre o modelo de sociedade que criamos no passado e como ela reverbera no presente. Durante os diálogos apresentados, muitas questões pertinentes se dividem nos mais variados temas, convidando quem assiste a participar de um longo debate estabelecido entre os três personagens da trama: Sônia, uma cientista; Jack, um político e Thomás, um poeta.

A proposta na qual é possível pensar a discussão levantada no filme, se traduz da seguinte forma: embora o modelo cartesiano de Descartes tenha sido o ponto de partida das sociedades passadas, atualmente, esse modelo entra em questionamento quando surge a análise das ditas “sociedades modernas”. Entre as várias pautas presentes no filme, as discussões acerca da sustentabilidade, política e poesia conseguem se destacar pois permitem uma nova leitura sobre o funcionamento do mundo e das relações sociais estabelecidas.

O debate gerado pelos três personagens propõe uma visão que ultrapassa a ideia de um mundo capitalista e cria a oportunidade de interpretar a formação de uma sociedade que tenha em seu interesse integrar cada vez mais as diversas áreas da vida humana.

A discussão sustentada ao longo do filme  permite analisar pontos que se fazem presentes na contemporaneidade, pois questiona a funcionalidade de um modelo social que acredita na fragmentação para a compreensão de tudo o que acontece ao redor do indivíduo.

Entretanto, é possível compreender que esse modelo embora tenha sido o suficiente para entender a relação do mundo e das pessoas no passado, hoje, no presente, está em disputa com uma outra análise que propõe integrar e relacionar todas as conjunturas e estruturas existentes, explicitando que todas as áreas estão em constante conversação e, esse fato, não pode simplesmente ser ignorado. 

Uma das análises propostas pela personagem Sônia, discute como o sistema capitalista se fundamenta em contemplar a natureza com um olhar exploratório:

“É como se a natureza funcionasse feito relógio. Você a desmonta, a reduz a um monte de peças simples e fáceis de entender, analisa-as, e aí passa a entender o todo.”

Nesse sentido, pode-se entender o quão maléfica e prejudicial é a cultura capitalista por explorar o meio ambiente e individualizar o ser humano. Ao mesmo tempo, o filme discute perspectivas que podem elevar o pensamento a um outro modelo de sociedade que tenha como perspectiva integrar as ações humanas junto a um desenvolvimento que valorize o equilíbrio e o progresso de um ambiente que é familiar e intrínseco à todos os indivíduos: o mundo.


Aluno: Pedro Oliveira Silva Júnior 

Direito - Noturno - 1*Ano 



O conhecimento do fragmento ao todo

 Nos textos de Descartes e Bacon, vimos diferentes visões de um mesmo

assunto, o conhecimento. Enquanto Descartes a princípio nos apresenta

argumentos que sugerem a importância da dúvida e do questionamento á

assuntos e maneiras que nos são impostos a ser aceitos, como o sistema de

ensino e sua frequente padronização, que acaba nos moldando e

consequentemente tornando a população cada vez mais erudita, mas cada vez

mais frustrada. Ideia essa que não ignora todas as qualidades desse sistema

para a formação do ser humano, mas que evidencia seus defeitos. Em seguida

Descartes muda sua interpretação e nega o benefício da dúvida como forma de

autoconhecimento, usando uma tática negacionista, que torna falso tudo o que

possui a dúvida. Logo Descartes nos passa uma perspectiva fragmentada, que

tenta simplificar, e entender a si mesmo e aí sim analisar o todo.

Já Francis Bacon carrega fundamentos baseados no equilíbrio das forças do

homem e seu intelecto como forma de conhecimento e evolução. Propondo

ressaltar a importância de cada detalhe na conquista da grandeza, valorizando

cada pequena descoberta. Formando uma visão que fragmenta cada mínimo

avanço, mas que conecta cada pequena parte do todo. Mas ao mesmo tempo

criticando essa base feita por Descartes, pois na visão de Bacon, mesmo os

elementos muito claros na nossa interpretação sofrem com a interferência na

teoria dos ídolos, criticando ao mesmo tempo a linha de pensamento baseada

em princípios não sólidos como por exemplo a reflexão.

A partir da interpretação dos textos de ambos, cheguei à conclusão de que

existem muitos tentando definir o conhecimento e a maneira como devemos

lidar com o mesmo e poucos tentando resolver os problemas sobre a

desigualdade na distribuição do conhecimento básico, e o reconhecimento das

diferentes formas de sabedoria, ou seja, os problemas gerais que nos afetam.

Seja na falta de qualidade no ensino das escolas públicas periféricas, ou seja,

na padronização já criticada antes por Descartes nos sistemas de ensino, mas

que não de hoje padronizam o conhecimento culto e erudito que por

consequência excluí as minorias e suas formas de conhecimento que são

frequentemente negadas por não serem o padrão. Não que esse debate sobre

conhecimento não tenha importância, mas justamente pelo fato de sabermos

sua importância, não precisamos deixar os problemas que estão relacionados a

ele de lado.

Portanto, não deveríamos deixar essas visões mais fragmentadas de lado,

visto que foram tão importantes para nossa compreensão de conhecimento em

meio a sociedade, mas deveríamos aplicar uma visão mais ampla em relação a

solução de diferentes problemas, acabando com essa concepção rigorosa na

relação entre a sociedade e seus padrões de comportamento.


Vinícius Barboza Felix dos Santos – 1° Ano de Direito – Matutino

A onda conservadora que vem para afogar a ciência

 É inegável que o Brasil está passando por uma grande onda conservadora nos últimos anos. Esse conservadorismo consiste para nós num retrocesso em diversos setores, sejam eles sociais ou científicos.


É interessante observar que um dos indicadores dessa onda é o crescimento do apoio popular a partidos de direita e extrema direita. A relação dos dois é dada devido a ideia de uma ordem estagnada e constante, tão presente na política de direita, ser uma das bases do conservadorismo.


Ademais, em Revisão do Pensamento Conservador: ideias e política no Brasil, de Gabriela Nunes Ferreira e André Botelho, é possível concluir que ambos partilham também de um grande apego a organizações tradicionais de hierarquia. Como exemplo dessas organizações podem ser citadas as instituições da família e da religião cristã. Essas instituições visam manter os critérios tradicionais (em alguns sentidos até arcaico) de organização da sociedade. Entretanto, diversos desses critérios sequer têm fundamento científico e são baseados exclusivamente na repetição e no senso comum. Portanto, o apoio cego a essas ideais estreita o avanço de uma sociedade igualitária e exclui aqueles que não fazem parte do modelo tradicional dessas instituições.


Além disso, ao usar as palavras de Guilherme Gomes Ferreira. Doutorando em Serviço Social pela PUC-RS:


Esses projetos conservadores não teriam força se não refletissem o pensamento comum, aquele que é buscado para explicar, de forma mais imediata e rudimentar possível, as situações complexas que não são facilmente compreendidas


Fica evidente como a adoção do conservadorismo contribui com o retrocesso científico, afinal, a concepção da ideologia conservadora é completamente oposta às bases epistemológicas da ciência moderna, em que Descartes diz que para chegar à “verdade científica” é necessário vencer as próprias convicções. Ou seja, para se fazer ciência de forma eficiente, é necessário abandonar o senso comum.


Enquanto isso, o conservadorismo possibilita que o consenso comum seja estipulado como o correto e não seja necessário ter senso crítico com si mesmo ou com o meio. Na lógica conservadora o certo é certo simplesmente por ter sido a condição em que o mundo esteve por diversos anos.


Todavia, é importante ressaltar que nem a filosofia de Descartes, nem a Bacon, era vazia de família ou de Deus, mas sim, capaz de conciliá-los a um método científico. Ambos os contribuintes das bases epistemológicas da ciência moderna concordavam na existência do divino, porém reconheciam a necessidade de desenvolver um método científico o menos falho possível e uma ciência voltada para o bem do homem.


Nesse viés, a maneira mais eficiente de enfrentar essa onda conservadora é compreender por que e como ela teve um impacto tão intenso na população e as táticas usadas pelos partidos de direita que apoiam a lógica do conservadorismo. Uma das táticas mais evidentes é citada pela socióloga Angela Alonso em entrevista para o jornal El País, que diz: “Todo mundo fala que a vitória do Bolsonaro e do Trump se deu graças à maneira eficiente como eles utilizaram novas tecnologias de comunicação. Mas não se trata só do WhatsApp, e sim uma nova maneira de falar com as pessoas. Eles entenderam que agora se fala muito por imagem e falas curtas, não longos discursos explicativos. A lógica é rápida.”


Ambos os políticos citados na fala de Alonso são conhecidos por defenderem ideais conservadores, e ao fazer uso do senso comum junto a uma comunicação fácil e comum na internet, foram bem sucedidos em fazer campanhas eficazes que alcançassem uma enorme porcentagem de suas populações.


Isto posto, a única maneira de combater a onda conservadora brasileira e preservar a ciência e o progresso é mobilizando-se, modernizando a maneira com que se discute a ciência, tornando acessível a todos, instigando que a população se questione e vença as próprias concepções, para, assim como Descartes afirma, chegar a uma “verdade científica".


Vitoria Talarico de Aguiar, diurno 

                             Empirismo, Racionalismo e os novos paradigmas expressos no filme                                                                “O Ponto de Mutação”


Prólogo



As visões Racionalista de René Descartes e Empirista do britânico Francis Bacon duelaram na ciência por quase um século, até que Immanuel Kant as unificou, sintetizando ambas como complementares. Mesmo assim, o conhecimento é dinâmico a as visões sobre a ciência e a verdade vão evoluindo, se recriando e apresentando novos paradigmas como é proposto no filme “O ponto de Mutação”.

O racionalismo cartesiano e o empirismo inglês desembocaram no Iluminismo do século XVIII. A razão e a experiência de que resulta o conhecimento científico do mundo e da sociedade bem como a possibilidade de transformá-los são instâncias em nome das quais se passou a criticar todos os valores do mundo medieval. A nova interpretação dada à teoria do conhecimento pelo filósofo alemão Immanuel Kant, ao desenvolver seu idealismo crítico, representou uma tentativa de superar a controvérsia entre as propostas racionalistas e empiristas extremas. 


Filme: O Ponto de Mutação


O filme se passa na França, em uma cidade com características arquitetônicas medievais e vida simples, foi escrito pela mulher do físico Fritjof Capra, autor do livro de mesmo nome, onde ela busca de forma didática, passar as idéias do livro, em uma conversa com três personagens. Os três são pessoas com vidas e interesses diferentes. e falam da vida, da política, da natureza, do homem, falam de Descartes e citam Francis Bacon,física quântica, ecologia e os novos paradigmas.

Reflete a interação de argumentos entre esses três personagens e suas visões da vida, do mundo e da ciência, sendo uma cientista, um político e um poeta. Suscita neste nosso mundo contemporâneo, questões parecidas com a dissonância entre racionalistas e empiristas do início da idade moderna e resgata, em alguns momentos o debate entre razão x sensação; método indutivo x método dedutivo. 

Expressa sobre a diferença da visão mecanicista e a visão sistêmica, onde confronta ambas. Defende que o mundo não  pode ser visto de forma fragmentada dividido em partes, que as futuras gerações pagarão um preço alto pelo nossa irresponsabilidade. O mundo é um todo, os problemas que existem no mundo hoje tem relação com essa visão mecanicista. Problemas como câncer , crime, poluicao, a energia nuclear, falta de água e falta de energia, conflitos ideológicos, guerras, fome, desigualdade. não dá pra cuidar resolvendo um problema aqui e outro acolá. Você tem que resolver o todo ou ao resolver um problema só vai criar outros.

A cientista e física (Sônia), com uma visão deprimida do mundo e de relacionamentos, abandonou o emprego por não concordar com os fins nocivos para os quais suas pesquisas eram utilizadas, defende a criação de uma nova ordem mundial e vê o planeta e seus fenômenos como totalidades organizadas, indivisíveis, articuladas, isto é, como configurações, ou seja,  sistemas inter relacionados que devem ser compreendidos do todo para a parte e integrado entre todos os seres sencientes e considera o planeta também como um ser senciente, ao que ela define a necessidade de uma visão holística e chama  de  “Teoria dos Sistemas”. Esse paradigma muda o nome, mas não é nada tão novo, pois é muito parecido ou idêntico a proposta da “Teoria da Gestalt” criada no começo do século passado por Max Wertheimer, Koffka e Köller - a corrente alemã da psicologia - através de estudos psicofísicos que relacionaram as formas e a percepção, -  e se tornou uma linha teórica da psicologia mundial, quando no pós II guerra,  em 1951, foi publicada como gestalt-terapia nos Estados Unidos, entre seus pressupostos defendia que a soma das partes não compõe o todo, mas o todo é o que influenciava e definia as funções, características e até às especificidades das partes, ou seja, é importante primeiro entender o todo para depois entender as partes.

Já outro personagem, o político (Jack), com uma visão mais mecanicista e fragmentada da realidade. Apesar de racional, é bem indutivo, entende que no mundo - fazendo analogia com um relógio -  consertar tudo de uma vez é impraticável, sendo somente possível consertar uma peça de cada vez, ou seja, vê a solução pelo método indutivo e a realidade partindo da parte para o todo. Ele quer uma plataforma para defender e tentar se eleger.

 O poeta (Tom) diferente dos dois é empírico e vê a vida como algo a ser experimentado e sentido, Isso é muito claro no filme, como quando para para curtir e observar a praia, se detém para ver as cores do céu e das árvores e, depois,  no final do filme pisa na água e grita “água”, após criticar a visão racionalizada de seus parceiros sobre sistemas, fenômenos e teorias diversas.





Sobre Racionalismo e Empirismo


A necessidade de procurar explicar o mundo dando-lhe um sentido e descobrindo-lhe as leis é tão antiga como o próprio homem, que tem recorrido a isso quer ao auxílio da magia, do mito e da religião, quer, mais recentemente, à contribuição da ciência e da tecnologia que além de tentar compreendê-lo, também, operam mudanças no mesmo. Nessa busca incessante por compreender a si mesmo e o mundo à sua volta, muitos pensadores sentiram que era necessário entender primeiro sua própria capacidade de entender, antes de confiar plenamente na percepção e compreensão que alcançaram das coisas.

Primordialmente na era moderna, a partir do século XVII em diante - como resultado do trabalho de Descartes (1596-1650) e Locke (1632-1704) em associação com a emergência da ciência moderna a questão do conhecimento vem caminhando para uma sistematização uniforme. O que é, afinal, conhecer? Na concepção de grande parte dos filósofos conhecer é representar cuidadosamente o que é exterior à mente. É a interpretação de que o conhecimento é representação, isto é, uma “imagem” ou “reprodução” mental da coisa ou objeto conhecido. Outra noção importante é a de que, no processo de conhecimento, sempre existiria a relação entre dois elementos básicos:

  • um sujeito conhecedor (nossa consciência, nossa mente) e

  • um objeto conhecido (a realidade, o mundo, os inúmeros fenômenos).

Só haveria conhecimento se o sujeito conseguisse apreender, a partir do uso de suas faculdades (percepção sensorial, razão, imaginação etc.), o objeto, isto é, conseguisse representá-lo mentalmente. 


A Teoria Racionalista


O racionalismo é uma concepção filosófica que afirma a razão como única faculdade de propiciar o conhecimento adequado da realidade e crítica toda a obra de Aristóteles.. A razão, tem a  capacidade de apreender ou de ver as coisas em suas articulações ou interdependência em que se encontram umas com as outras. Ao partir do pressuposto de que o pensamento coincide com o ser e estabele concordância entre a estrutura da razão e a estrutura análoga do real, pois, caso houvesse total desacordo entre a razão e a realidade, o real seria incognoscível. 

Entendido como posição filosófica que sustenta a racionalidade do mundo natural e do mundo humano, o racionalismo corresponde a uma exigência fundamental da ciência: discursos lógicos, verificáveis, que pretendem apreender e enunciar a racionalidade ou inteligibilidade do real. Ao postular a identidade do pensamento e do ser, o racionalismo sustenta que a razão é a unidade não só do pensamento consigo mesmo, mas a unidade do mundo e do espírito, o fundamento substancial tanto da consciência quanto do exterior e da natureza, pressuposto que assegura a possibilidade do conhecimento e da ação humana coerente. Para além de seus possíveis elementos dogmáticos, a filosofia racionalista, ao ressaltar o problema da fundamentação do conhecimento, marcou os rumos do pensamento ocidental. 

Declarar que o mundo real tem esta ou aquela estrutura implica em admitir, por parte da razão, enquanto faculdade cognitiva do ser humano, a capacidade de apreender o real e de revelar a sua estrutura. O conhecimento, ao se distinguir da produção e da criação de objetos, implica a possibilidade de reproduzir o real no pensamento, sem alterá-lo ou modificá-lo. 

René Descartes é considerado o “pai” da filosofia e da ciência moderna, criou o método cartesiano (variante de cartesius, que é seu sobrenome Descartes traduzido para o latim).


Seu pensamento crítico em relação à autoridade favoreceu estudos matemáticos abstratos abarcando o universo integralmente, como se este fosse uma máquina constituída de mecanismos articulados passíveis de compreensão. 

Para Descartes, razão era sinônimo de bom senso e todos os homens a possuem, sendo as diferenças de opinião sobre isto ou aquilo apenas fruto de uma não condução metódica da razão pelo homem. 

Nesse sentido, procurou apresentar as regras, os procedimentos necessários à boa condução da razão. Seu princípio primeiro ficou conhecido como dúvida metódica: Os homens deveriam exercitar o pensamento duvidando das coisas com o intuito de atingir algo que não pudesse ser colocado em dúvida. Se o homem chegasse a isso, poderia ter um conhecimento seguro. 

Dois elementos marcariam o desenvolvimento da filosofia racionalista clássica no século XVII. De um lado, a confiança na capacidade do pensamento matemático, símbolo da autonomia da razão, para interpretar adequadamente o mundo; de outro, a necessidade de conferir ao conhecimento racional uma fundamentação metafísica que garantisse sua certeza. Ambas as questões conformaram a ideia basilar do Discurso sobre o método (1637) de Descartes, texto central do racionalismo tanto metafísico quanto epistemológico. 

Para Descartes, a realidade física coincide com o pensamento e pode ser traduzida por fórmulas e equações matemáticas. Descartes estava convicto também de que todo conhecimento procede de ideias inatas - postas na mente por Deus - que correspondem aos fundamentos racionais da realidade. A razão cartesiana, por julgar-se capaz de apreender a totalidade do real mediante "longas cadeias de razões", é a razão lógico-matemática e não a razão vital e, muito menos, a razão histórica e dialética. 

O racionalismo clássico ou metafísico, no entanto, cujos paradigmas seriam o citado Descartes, Espinoza e Leibniz, não se limitava a assinalar a primazia da razão como instrumento do saber, mas entendia a totalidade do real como estrutura racional criada por Deus, o qual era concebido como "grande geômetra do mundo". Principais racionalistas modernos: Descartes, Leibniz, Pascal e Espinoza.


Empirismo


Se a postura racionalista foi dominante no pensamento europeu continental, o mesmo não podemos dizer sobre a Grã-Bretanha. Desde o final da Idade Média, com Nicholas Bacon (pai de Francis Bacon), havia uma predisposição à experimentação empírica como meio para se chegar ao conhecimento. Na Época Moderna, essa tendência foi reforçada com Francis Bacon (1561-1626), Thomas Hobbes (1588-1679), John Locke (1632-1704), Isaac Newton (1642-1727), George Berkeley (1685-1753) e David Hume (1711-1776), entre outros. 

Em linhas gerais, os empiristas consideram a experiência como fonte e critério para o conhecimento verdadeiro. A experiência fundamenta a produção do conhecimento, que depende dos órgãos dos sentidos, pois estes são capazes de captar, no empírico, informações que tornam possível a construção do saber. 

A conclusão lógica deste raciocínio é que o homem nasce sem saber, sua mente é uma tábula rasa, não há ideias inatas na mente do homem,  o que existe é um papel em branco, aos poucos preenchido com as experiências do mundo sensível. A sensibilidade é supervalorizada, pois é por meio da percepção sensorial que os objetos ocupam espaço na mente humana, o conhecimento deve vir de uma “sensação”, cabendo a razão somente organizar os dados dos sentidos.

As principais características do empirismo são:

  • não há ideias inatas, nem conceitos abstratos; 

  • o conhecimento se reduz a impressões sensíveis e a ideias definidas como cópias enfraquecidas das impressões sensoriais;

  • as qualidades sensíveis são subjetivas;

  • as relações entre as ideias reduzem-se a associações; 

  • os primeiros princípios, e em particular o da causalidade, reduzem-se a associações de ideias convertidas e generalizadas sob forma de associações habituais; 

  • o conhecimento é limitado aos fenômenos e toda a metafísica, conceituada em seus termos convencionais, é impossível. 


Principais filósofos empiristas: Francis Bacon, John Locke, Thomas Hobbes, George Berkeley e David Hume.

Francis Bacon, filho de Nicholas Bacon e Ann Cooke Bacon, nasceu em Londres em 22 de janeiro de 1561 no seio de uma família de nobres. Foi um dos mais importantes pensadores da filosofia moderna, criando um método de investigação filosófica. Por esse motivo é considerado o "Pai do Método Experimental". Faleceu em 9 de abril de 1626  no Reino Unido, vítima de bronquite.



Empirismo 


Para Bacon, Aristóteles acertou em reconhecer na vivência prática e empírica a fonte primeira do conhecimento, seu erro, estava no método: o método aristotélico era suficiente para a compreensão lógica da linguagem, mas não para trazer um novo conhecimento que agregasse com a segurança de que a ciência necessita.

Podemos dizer que Bacon é o grande fundador do empirismo na Modernidade. Além de um grande empirista, ele fundamentou as principais bases da ciência moderna com a proposição de um método científico capaz de suportar teoricamente o conhecimento que se pretende científico e universal.

O método empirista de Bacon, diferente de outros empiristas, está baseado na crítica do que chamou de ídolos - elementos da vivência cotidiana empírica que atrapalham a aquisição de conhecimento verdadeiro. Sua “Teoria dos Ídolos”, estava baseada em falsas noções e hábitos mentais incutidos. Assim, a crença nos ídolos prejudicava o avanço da ciência e da racionalidade humana.

A ciência e o conhecimento científico, para Bacon, são ferramentas de que o ser humano dispõe para dominar a natureza, por isso, elas devem dar ao ser humano a posição de domínio. Nesse sentido, a ciência antiga embasada nas teorias aristotélicas deve ser substituída por algo que garanta tal domínio humano.  Os ídolos que ele dividiu em quatro gêneros na sua obra “Novum Organum'' (Novo Instrumento), eram o entrave para isso.

Ídolos da tribo: são ídolos naturais da “tribo” humana, pois estão em nossa natureza. Eles dizem respeito à procura de ordens fenomênicas que nos colocam falsas relações de causalidade. Se o Sol aparece todas as manhãs desde que eu nasci, eu digo que o Sol sempre nascerá.

Ídolos da caverna: são ainda mais naturais, mas não estão relacionados à humanidade em geral e sim ao indivíduo. São ídolos que nos impedem de perceber a realidade por conta de nossa própria individualidade e do aprisionamento que os sentidos podem provocar-nos devido à influência dos costumes em nosso corpo. Há aqui uma referência a Platão em sua alegoria da caverna.

Ídolos do fórum: são ídolos que atrapalham o conhecimento verdadeiro por meio da vida pública. Na vida pública, há o predomínio da linguagem que amarra qualquer possibilidade de investigação do espírito, mantendo ele preso às regras do jogo público.

Ídolos do teatro: referem-se ao grande teatro humano das tradições, dos costumes, do respeito à autoridade etc. Ele coloca a autoridade como alguém que necessariamente possui um conhecimento verdadeiro, o que não se sustenta.


Método Indutivo Eliminativo de Investigação


Tratamos até agora de mostrar como Bacon criticou a filosofia aristotélica e tentou sustentar novos pilares para o maior desenvolvimento da ciência na modernidade. O que Bacon criticava em Aristóteles era, sobretudo, a sua maneira de conhecer o mundo (que beira o empirismo e o método indutivo, mas corre de maneira mais solta e menos metódica).

Bacon propôs, para concluir sua tarefa com êxito, um novo método indutivo, que recorre ao conhecimento empírico e se utiliza da crítica aos ídolos, tendo nestes a percepção do que não se deve fazer. O método baconiano está assentado em quatro passos que acompanham o trabalho daquele que quer conhecer a natureza com maior certeza e veracidade:

A) observar o meio de maneira ordenada e coletar dados da experiência de observação;

B) organizar os resultados observados;

C) formular hipóteses a partir dos dados obtidos;

D) realizar experimentos que comprovem ou descartem as hipóteses.

Vejam que esse método está presente em grande parte do trabalho de pesquisa nas ciências naturais. Os cientistas buscam proceder por meio desse método para induzir uma resposta (daí o nome indutivo), pois ele parte de um recorte de observação (observa-se parte do todo) para formular uma teoria que se pretenda geral (que abarca o todo).



Rubens Chioratto Junior

1º período - Noturno

 rubens.chioratto@unesp.br


Enquanto a população padece, Brasília preocupa-se apenas com 2022.

 É inegável que o Brasil passa, na atualidade, por um processo de profunda crise política e econômica. A pandemia do novo coronavírus apenas aumentou de forma gritante as desigualdades já existente no país. As estatísticas indicam um alto número de desempregados e pessoas em situação de rua, ao passo que há uma minoria irrisória com condições de vida luxuosas capazes de contornar o atual cenário. 

Em uma realidade em que o voto é a maior ferramenta de participação popular na política, nossos governantes utilizam-se de discursos utópicos para promover a alienação do povo - um exemplo prático da consolidação de um ídolo do teatro, um dos quatro tipos de Ídolos da Mente descritos por Francis Bacon em sua obra Novum Organum.

Os ídolos do teatro são, como descreve Bacon, noções equivocadas da realidade que se encontram enraizadas na mente do ser humano, advindas de discursos de intelectuais e filósofos, e tidas como verdadeiras. O mesmo se aplica, aqui, ao que ocorre com políticos, que aproveitam-se da idolatria do povo a seus ideais ilusórios para mantê-lo alienado.

Dessa forma, o cidadão brasileiro não é capaz de se ver representado pelos políticos que, em teoria, escolheu. Tais políticos representam, na realidade, seus próprios ideais, aproveitando-se do poder que lhes é cedido para distorcer as leis a seu favor. 

Comparada erroneamente a um mau relativismo, e considerando que não existem verdades puras e absolutas: nossos critérios éticos, políticos e estéticos são falíveis e vão mudando, adaptando-se em função de nossas experiências e intercâmbios com os outros

Nesse contexto, é ilusório crer que, a curto prazo, seja possível tirar do papel os direitos que nos são garantidos por lei. Apenas com a superação de tais ídolos, tal como Bacon almejava, é que a emancipação do povo brasileiro e a conquista dos seus direitos seria garantida.


Pedro Henrique Barreiros Hivizi - 1° ano - Noturno 

Reflexôes sobre Ciência e Negacionismo

 Conforme explica-nos Mário Ferreira, em Dicionário de filosofia e ciências naturais, a

palavra “ciência” vêm do latim scire, que ao pé da letra significa “saber”. Observa-se que

“ciência” e o “conhecimento das coisas” são pleonasmos que caminham de mãos dadas

desde a alvorada de nossa civilização.

Porém, no contexto do Renascimento e da Modernidade, a ciência (o saber verdadeiro) foi

se encapando cada vez mais de um viés sobre o qual a busca pelo conhecimento deveria

ser limitada a partir de elementos da natureza física-material da realidade, se afastando da

filosofia (metafísica), mediante um ordenamento metodológico.

Sem sombras de dúvidas, a metodologia científica foi uma das maiores invenções da

humanidade - ficando atrás somente de elementos como a agropecuária, música e moeda -,

uma vez que pôde-se realçar sua relevância e compromisso para com o bem comum a

partir de pesquisas capazes de aprimorar as ferramentas e relações humanas, otimizando

nossa vida em sociedade.

À medida que observamos a importância da ciência mediante pesquisas expressa, por

exemplo, no aprimoramento da produção de alimentos, na melhora da expectativa de vida,

no lazer, mais compreendemos a crítica feita por Bacon aos gregos: de que sua produção

de conhecimento se limitava ao saber, não se expandido à realização de obras para

melhorar a condição de sua sociedade. O fazer conhecimento é uma importante ferramenta

para o progresso civilizacional, e sua ausência necessariamente significaria algo deletério

aos nossos construtos.

No entanto, apesar de tais construções sobre a ciência ao longo dos séculos, de todos os

lados, vê-se movimentos de massas que tem como epíteto a negação constante das

pesquisas científicas voltadas para o bem das comunidades. Observa-se o negacionismo

das massas como sendo gerado a partir de falsas construções acerca do mundo motivadas

não unicamente pelas relações sociais (exemplo, redes sociais), como também motivadas

pelas passividades da interferência das paixões e dos objetivos humanos - a saber, as

ideologias. Tem-se, portanto, a ideologia como ídolo de principal vetor para a negação de

pesquisas científicas, certo de que por ser o veneno da alma, ofusca a capacidade do

homem de buscar a verdade, tendo como objetivo somente a satisfação de sua respectiva


narrativa ideológica. Ademias, a formação do senso comum – contrário ao senso científico-

se relaciona, e muito, com a ideologia, dado por a ideologia atingir a região apetitiva da


alma, ao invés da racional; e conforme observava Emmanuel Kant, o senso comum se dá

pela faculdade individual ou coletiva de formar juízos que são atrelados aos objetivos de

seu sentimentalismo em geral.

Apesar do fardo acerca da tétrica ideologia e seu senso comum como motivadores ao

negacionismo, nos mergulhamos em questionamentos sobre onde e quando poderia ser

viável a negação das ciências. Creio eu, que seria onde a Ética começa. Se a ciência

unanimemente assentisse que devemos retornar com a escravidão no Brasil a fim de

erradicar de uma vez por todas as guerras, fomes e enfermidades no mundo, salvando

incontáveis vidas pelas gerações, você a negaria? Os utilitaristas diriam que não, todavia

adeptos de outras éticas diriam que sim. Observa-se que a ciência é sim passiva de um

racional negacionismo.

Mas como podemos observar esses “negacionismos” no dia de hoje? Será que devemos

violar sob agressão o Direito Natural a liberdade e propriedade, a Ética da Liberdade, em

nome da ciência durante a pandemia (liberdade em sobre a segurança, desobediência civil,

etc)? E enquanto às mulheres transsexuais em esportes femininos? Devemos negar a


ciência da anatomia humana em nome de uma ética sobre gêneros na sociedade?

Observa-se que quando se trata de sociedade e ciência, inevitavelmente a filosofia

intervém. Para tanto, faz-se necessária a formação do reconhecimento coletivo de uma

ética absoluta a qual todos invariavelmente se sujeitariam (o que, embora sendo a solução,

é impossível devido ao problema da ideologia). Assim, contanto que a ciência esteja em

conformidade com a ética assumida, não haveria necessidade de negá-la.

Concluindo, observa-se a relevância do uso da razão aplicada limitadamente à realidade

material a partir da Idade Moderna como um importante avanço para nossa civilização, pois

o acúmulo do conhecimento sob pesquisas aprimora nossa vida em sociedade, pois é

atividade pública. Vê-se a existência do negacionismo como sendo causada pelas

enfermidades das ideologias e seus ídolos, além da observação de que sua aplicabilidade

deve ser limitada.



Fernando Carvalho da Silva - Noturno 

Criticismo e os ídolos do senso comum

       O homem, condenado a uma busca incessante por interpretar sua existência e o mundo, parte de diferentes formas de representação da realidade para tal, as quais chamamos de conhecimento. José Carlos Köche define dois tipos de conhecimento como principais: o de senso comum ou empírico, a primeira forma como geramos saber a partir das sensações e experiencias pessoais e individuais; e o científico, que surge da necessidade de sair do papel passivo de expectador da natureza para agente de transformação do mundo, utilizando de meio mais seguros para decifrar e entender a própria realidade. Nessa linha, René Descartes e Francis Bacon são de fundamental importância no estudo da ciência moderna, tendo contribuído para a formação dos alicerces que a compõe e, através de suas obras e influencias, nos deixam um legado da importância do pensamento crítico no desenvolvimento também de uma visão de mundo. 

    A virada para a década de 2020, marcada pela pandemia da COVID-19 e a crise política vivida no Brasil, evidenciou ainda mais como bases já tão consolidadas se encontram em parte da sociedade de hoje, séculos mais tarde, ameaçadas por crenças e achismos que sobrepõem a razão. Bacon, em sua obra “Novum Organum”, traz a ideia de como podemos acabar usando de Ídolos, falsas percepções de mundo, para interpretar nossa realidade pela facilidade e familiaridade em estabelecer conexões com essas ideias. Pastores, ditos emissários do divino, vendendo curas milagrosas para aqueles que se agarram ao conforto e confiança da religião em momentos de crise ou incitando o uso de remédios sem comprovação cientifica ou recusa de tratamentos comprovados, são um exemplo atual de como o abandono do senso crítico pela crença naquilo que é de mais fácil compreensão ou aceitação, pode ser danoso a toda uma população.  

O agravamento da crise sanitária hoje vivida no país é reflexo não apenas de fatores de crença, sejam elas religiosas ou até mesmo políticas, mas também de um ensino fundamental e médio falho em instigar a curiosidade. O método cartesiano traz como sua premissa a dúvida, como Bacon, visa não só a busca por conhecimento teórico, mas acima de tudo sua aplicação em prol do homem, a ciência aqui deve ter papel de transformar a condição humana. Na contramão do que Descartes e Bacon inspiram, a educação brasileira se mantém a décadas na mesma conformidade, pesada em conteúdo, mas sem desenvolver a criticidade e o pensamento científico desde o ensino básico. O resultado pode ser visto na briga severa que parte dos brasileiros trava contra a ciência, em um contexto pandêmico se prefere ouvir o político favorito ou o grupo de leigos do “zap” sobre as medidas contra o Coronavírus, não as indicações das autoridades competentes de saúde e suas vacinas “comunista”. 

Esse é o triste retrato da vivência no Brasil de 2021. O homem, condenado a uma incessante busca por interpretar sua realidade, dispensa os óculos da razão, ressuscita fantasmas e desconhece ou ignora o saber crítico, preferindo a segurança e a comodidade de suas crenças e razões próprias.    

Jordana Queiroz Dias, 1° período de Direito, Matutino, Turma XXXVIII.