Este é um espaço para as discussões da disciplina de Sociologia Geral e Jurídica do curso de Direito da UNESP/Franca. É um espaço dedicado à iniciação à "ciência da sociedade". Os textos e visões de mundo aqui presentes não representam a opinião do professor da disciplina e coordenador do blog. Refletem, com efeito, a diversidade de opiniões que devem caracterizar o "fazer científico" e a Universidade. (Coordenação: Prof. Dr. Agnaldo de Sousa Barbosa)
Total de visualizações de página (desde out/2009)
segunda-feira, 27 de julho de 2020
O Cupim e a Aranha
O vitimismo que abala a ordem social
A homossexualidade é historicamente vista como
algo que a humanidade deveria erradicar, e as maneiras para de justificar essa
erradicação variam desde motivos bíblicos interpretados de diversas maneiras,
cientificas mostrando que não é algo natural e que as pessoas não podem nascer
com atração sexual por pessoas de mesmo sexo, e social onde os não
possibilitariam a proliferação da raça humana, ou mesmo como defendido por
Olavo de Carvalho, onde o gay é nada mais que um egoísta que se deixa levar por
seus desejos carnais e perde total seu compromisso com a raça humana e sociedade.
Parte deste preconceito vem por não se entender de onde vem e porque existe a homossexualidade, mesmo com estudos provando que ela é uma condição natural e não uma doença, mesma que foi retirada da parte de doenças da OMS em 1990, muitos fazem questão de enxerga-la como um ato individualista onde a pessoa faz as escolhas pensando no próprio bem. Um fato de deixa explícita toda esta situação é que, de acordo divulgado no site G1, o governo da Malásia divulgou uma lista dos “sintomas” de homossexualidade para os pais identificarem em seus filhos, o que mostra a maneira discriminatória que ainda é tratada a problemática LGBTQI+ não só no brasil mas como no mundo.
No Brasil, temos o caso temos o famoso caso quando reacenderam a discussão sobre a autorização de um tratamento para reversão sexual, novamente tratando a homossexualidade como doença, e fazendo velhas discussões retornarem. Como a normalidade e a necessidade de sempre ocorrer adequação para o adequado, para o positivo, onde o ser humano cumpre sua função que é reproduzir, e não apenas sanar seus desejos que é como tem-se a visão dos gays onde seu bem-estar está em negar sua naturalidade.
Desarmonia positivista
Durante um contexto político social de muita agitação, entre 1830 e 1848, em que diversas revoluções eclodiram em função de regimes governamentais autocráticos, de crises econômicas e da falta de representação política das classes, Augusto Comte pensou não apenas em um estudo da sociedade, mas uma organização desta. O Positivismo não procura buscar a essência dos acontecimentos, mas apenas a vinculação dos fenômenos, de forma a observar a sociedade por fatos concretos e de forma racional, reivindicando padrões de conduta que torne os indivíduos aptos a manter a ordem social e buscar progresso.
E por ordem social, entende-se que o progresso da sociedade não está ligado a contemplação de uma sociedade necessariamente igualitária para todos, uma vez que as baixas condições de vida aplicadas a vivência de determinadas minorias são justificadas como algo natural e inerente a humanidade, com governos proporcionando paras essas o mínimo para que se mantenham sem organizar movimentações por seus reais direitos e exercendo suas funções sociais de modo satisfatório, a fim de a engrenagem social continuar funcionando.
Entretanto, engana-se quem pensa que tal corrente filosófica ficou contida no passado. Esta doutrina perpassou a história e esteve presente em diversos acontecimentos marcantes, como inúmeros momentos de independência de nações, o estabelecimento de uma República no Brasil, chegando até a contemporaneidade. Nesse último momento, autores, como Olavo de Carvalho em seu livro O Imbecil Coletivo, tentam afirmar a existência de “ditaduras gayzistas” e inferiorizar a homossexualidade (no livro, chamada de “homossexualismo”, utilizando, propositalmente, o sufixo “ismo” para referir-se a essa orientação sexual como uma doença) ao assegurar que essa nada mais seria do que a manutenção de um desejo, mas que o correto frente à humanidade está na heterossexualidade, uma vez que esta é responsável pela reprodução humana e, consequentemente, pela funcionalidade social.
Além disso, atualmente, em 2020, em meio a uma pandemia, não é incomum escutarmos que “a vida tem que continuar” ou que a “economia não pode parar”, frases utilizadas em defesa à reabertura de comércios e a continuidade da chamada “vida normal” em um contexto de consciência que isto resultará na possível morte de milhares de pessoas. Essa aceitação é a manutenção da ideia de que existem pessoas que são “morríveis” e que estas devem se sacrificar pela harmonia e um bem estar social, que na verdade será restrito a aqueles que detêm posições de privilégio dentro da sociedade.
Por fim, é necessário dizer que esta doutrina, apesar do uso do natural para justificar toda essa face de desigualdade, apenas serve para perpetuar a ideia de inferioridade de uma parcela da comunidade, as reprimir e instaurar uma violência contra minorias a partir de discursos de ódio, muitas vezes, mascarados.
A polarização da ciênca
Segundo Comte, idealizador do Positivismo, o conhecimento verdadeiro baseia-se nos ideais de "Ordem e Progresso", "[...] renuncia a procurar a origem e o destino do universo, a conhecer a causa mais íntima dos fenômenos, para preocupar-se unicamente em descobrir, graças ao uso bem combinado do raciocínio e da observação, suas leis efetivas, a saber, suas relações invariáveis de sucessão e similitude".
Mesmo que o filósofo tenha estabelecido tais conceitos no decorrer do século XIX, é possível relacioná-los com a pós- Modernidade, na medida em que, para muitos indivíduos, inclusive para detentores do Poder Político brasileiro, busca-se a verdade científica de forma superficial e não revolucionária, de modo a, além de confirmar teses anteriormente propostas, basear-se somente nos interesses e benefícios de seus respectivos grupos, em detrimento de uma visão ampla e diversificada da sociedade.
Um exemplo que pode ser citado é o de Damares Alves, titular do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, envolvida em diversas polêmicas envolvendo sexualidade e gênero. Uma dessas polêmicas teve início ao afirmar que "menino veste azul e menina veste rosa". Com tal metáfora, a ministra deixa clara sua aversão à ideologia de gênero, o que cria abertura à discriminação de diversos grupos e uma polarização nos conceitos relacionados à sexualidade.
Da mesma forma, uma relação pode ser estabelecida entre tal afirmação e "Mentiras Gays", de Olavo de Carvalho. Ao afirmar que a homossexualidade é apenas um desejo e que as relações humanas devem ser pautadas somente no que concerne à reprodução e perpetuação da espécie, ele, como Damares, discrimina toda a diversidade sexual e de gênero, e dá credibilidade a uma visão científica e social ultrapassada.
Assim, fica claro como é importante uma visão não polarizada e crítica dos fenômenos sociais e das várias esferas da vida humana (biológica, social, cultural, emocional, entre outras), que deva gerar alteridade, e que possa, verdadeiramente, proporcionar avanços na ciência e na racionalidade, de modo a abandonar ideais ultrapassados e que não sejam um retrato real do mundo hodierno, proporcionando, assim, maior liberdade, respeito, diversidade e engajamento na sociedade como um todo.
Maria Paula Castro Gonzaga
1 Ano- Matutino
As Nocividades das Militâncias
Portanto, a busca desenfreada dos grupos minoritários de alcançarem direitos extras são graves para o devido funcionamento da sociedade que precisa da ordem para manter o progresso.
Militares positivistas: https://olavodecarvalho.org/positivismo-inconsciente/
P.S.: Esse texto é apenas um ensaio proposto para a continuidade da matéria com os mais variados pontos de vista e, em nenhuma hipótese, condiz com o real pensamento e ideologia do autor.
Caso sofra qualquer tipo de preconceito, denuncie! Termos ultrapassados, também usados neste texto, não devem ser tolerados.
A engrenagem do bem comum
A pedra no caminho do progresso e o positivismo como solução
"Mentiras Gays" de Olavo de Carvalho e o Positivismo como determinantes do Progresso
[i] COMTE, Augusto. “O espírito positivo é mais apto que o espírito teológico-metafísico para organizar a sociedade e sistematizar a moral” In: Discurso sobre o Espírito Positivo (1844). São Paulo: Abril Cultural, 1978 (Os Pensadores).
[ii] CARVALHO, Olavo. “Mentiras gays”. In: O Imbecil Coletivo: Atualidades Inculturais Brasileiras. Rio de Janeiro: Faculdade de Cidade Editora, 1999.
[iii] "Olavo de Carvalho - Ideologia de gênero e dissonância cognitiva". Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=vrV60VK6aPQ (2018).
Um protagonismo positivista
O Positivismo Segundo as Más Línguas
As diversas manifestações do ideal positivista na atual sociedade brasileira
Veto de bolsonaro ao uso obrigatório de máscaras em locais públicos: https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2020/07/03/bolsonaro-veta-uso-obrigatorio-de-mascara-no-comercio-em-escolas-e-em-igrejas
Estudo referente à ineficácia da cloroquina: https://www.bbc.com/portuguese/geral-53522399
Gustavo de Oliveira Battistini Pestana - 1 ano - Diurno