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segunda-feira, 9 de março de 2020

Sob a égide dos hodiernos Gigantes e os reflexos dos mesmos diante da ciência moderna

O ápice da viagem de Vasco da Gama, narrada em “Os Lusíadas” de Camões, configura-se na superação do Cabo das Tormentas, alegorizado pela derrota do mito e do Gigante Adamastor pelos portugueses. Tal qual os lusitanos nas Grandes Navegações, o progresso das civilizações evidenciou-se na égide do conhecimento, como mostra a base da teoria moderna baconiana e cartesiana. Entretanto, no hodierno auge do desenvolvimento tecnológico, tem-se a observância de um dualismo perigoso – ciência versus crenças – cercada de velhos “gigantes”.
O avanço científico convivendo com o retorno de misticismos exige uma análise do papel da ciência no mundo contemporâneo, um vez que quatrocentos anos atrás Francis Bacon já edificara métodos para estruturar o conhecimento experimentalmente em sua obra Novum Organum. Seu principal objetivo era evitar, assim, distorções da realidade e falsas percepções da mesma, a qual ele denominou de ídolos, mas que facilmente poderiam ser identificados como mais um dos Gigantes Adamastores de seu tempo.
A existência de gigantes e ídolos remasterizados, de início, é reflexo de uma sociedade a qual, mesmo envolta de tecnologia, ainda não reconheceu os devidos valores da ciência e por isso a condena a lá Inquisição em pleno século XXI, como mostram as tendências conservadoras do atual governo brasileiro. Em suas publicações, Bacon e Descartes constatam o poderio da sapiência racional e empírica: a libertação das crenças e a mudança de perspectivas humanas, o que explica o fato de grupos sociais cientificamente carentes estarem mais fadados a manipulação de líderes – os novos mitos – ou ideias, devido à incapacidade fazerem julgamentos morais críticos (contraste ao cogito ergo sum) já fundamentados nos métodos racionais desses pensadores do século XVII.
Ademais, o exemplo anterior  destoa, antagonicamente, da filosofia de René Descartes – que tem como um dos pressupostos na busca pela verdade a não aceitação de algo como verdadeiro antes de claramente o conhecer como tal – haja vista, a onda de fakes news que marcaram o cenário das últimas eleições presidenciais e que, claramente, demonstram o retorno de antigos ídolos. Ele ainda afirma que a epistemologia da substância humana é o pensar, por isso a arkhè cartesiana “penso logo, existo”, pois ao pensar em duvidar era certo de que se existia, derrubando achismos e falsas noções sem evidências. Consequentemente, nota-se agora o desuso dessas premissas devido a quase ausência de questionamento das informações e a elevação das opiniões como critérios científicos pela maioria da população, fragilizando a evolução do pensamento.
Torna-se evidente, portanto, a constatação que a ciência se encontra em uma posição subjugada no mundo contemporâneo, apesar desta ser a principal responsável pelas conquistas humanas até o globalizado contexto inserido. Dessa maneira, é essencial o resgate de filosofias tais quais a de Bacon e Descartes, que elevam a razão e a experiência como guia de conhecimento através de seus processos descritos, a fim de evitar novos Cabos das Tormentas rodeados de Gigantes Adamastores a serem enfrentados na plenitude do meio técnico científico informacional.

Luana Lima Estevanatto – 1°ano - Direito Matutino 

"Eu penso que penso, logo, deve existir."


No começo, nada existia
Era o que eu pensava
Mas eu pensava
Logo, existia.

No começo, eu pisava sobre a rocha da verdade
Que se desfez como uma tempestade de incerteza
Em cuja a dúvida era parte essencial de sua natureza
E tendo a razão como minha guia
Livrei-me dos dogmas e da vaidade.

Então eu entendi
Que meus olhos não sabiam enxergar
Que com os ouvidos eu não aprendi a ouvir
E com as mãos, eu definitivamente não conseguia sentir
E logo me despi da minha sensibilidade, que fazia o mundo tão mais belo
Tão mais fácil de entender.

O meu passado irracional
Pesado, bruto, apesar de superficial
Abandonei em uma pilha de Descartes.

Anos depois, sabendo o que sei
Que existo, e nada mais
Vejo homens voltando para trás
Medindo o mundo com suas réguas comuns
Construindo um conhecimento tão plano
Quanto a Terra em que vivem.

Aqueles que se valem da razão entoam:
“Isso não existe! Como pode haver tanta certeza
em um mundo onde a ciência tudo põe a prova?”
Pois lhes digo que existe
Já que os homens que andam de costas também pensam
Pensam que pensam.




Matheus Ferrete - 1ºAno de Direito - Noturno

Filosofia na prática




 Atualmente, a filosofia vem sendo contestada sobre a necessidade de ser obrigatória durante o ensino médio. Através disso, cabe dizer que a sociedade está esquecendo sobre a importância de estuda-la, visto que essa matéria é fundamental para desenvolver um senso crítico, quanto para compreender o mundo. Portanto, nesse artigo pretendo demonstrar como essa ciência social está inserida nos dias de hoje.
  Ao que turge o campo da epistemologia(estudo sobre o conhecimento verdadeiro) dois filósofos se destacam, entre eles René Descartes e Francis Bacon. Seus métodos sobre como chegar ao conhecimento seguro podem ser vista todos os dias ,desde ações mais simples como fazer um trabalho escolar de sociologia , até ações mais complexas como planejamento e medidas do governo. No primeiro caso, um trabalho bem feito geralmente precisa de uma referência na área, no caso poderia se escolher Max Weber, pois suas teorias empíricas são reconhecidas até hoje. Além disso seria necessário um método para organizar essas informações como por exemplo o método cartesiano. Já no segundo caso, as medidas as quais um governo toma, devem ser feitas tendo em vista a se essa ação funcionou em outros países. Ademais, a forma de executá-la também necessita de um planejamento , pois é necessário o apoio de outros políticos . Um exemplo que mostra o oposto do que foi dito é a tentativa do presidente Jair Bolsonaro de aumentar o fundo partidário, esse tipo de medida demonstra um encarecimento inútil dos gastos públicos que deveria ser evitado, além do projeto ter sido barrado pela falta de apoio.
  Outro assunto pertinente a epistemologia é a formulação de teorias econômicas, as quais são utilizadas até hoje. Por mais que essas não sejam percebidas muito facilmente, elas envolvem tanto a análise de dados(conhecimento empírico),quanto o raciocínio lógico para entender o funcionamento do mercado. Nesse sentido, as teorias econômicas que são utilizadas para a gestão da sociedade devem ser criadas baseado em um conhecimento verdadeiro, o qual é estudado pela epistemologia.
  Dessa forma, as ideias e formulações de ambos os autores está ainda muito presente atualmente e caso se exclua a filosofia do ensino médio, uma parte fundamental para compreender como a sociedade funciona será perdida.


Rafael Enzo Yamada-1ano matutino

Ciência Moderna VS Senso comum

  Por muito tempo, particularmente depois do iluminismo, a busca pela verdade foi o ponto principal das bases da ciência moderna. Grandes filósofos como ,Renè Descartes e Francis Bacon, criaram até mesmo métodos para assegurar que houvesse uma verificação da veracidade sobre o que é apresentado para o homem. Porém, apesar do esforços desses pensadores na era atual, dita pós-modernidade, o obscurantismo de ideias de senso comum vem ganhando um grande espaço no pensamento humano, que prefere ignorar o que é racional e o que já foi demonstrado por meio de muitos experimentos pela ciência. Diante desse contexto, a prevalência do senso comum ,sobre a ciência moderna, na mente de algumas pessoas decorre principalmente de 2 motivos: a negação de aceitar que suas próprias convicções e as falsas percepções do mundo.
   Ao citar convicções deve-se perceber que é muito difícil mudar a opinião de uma pessoa que acredita piamente em algo, mesmo que este seja um princípio absurdo. Muitas dessas convicções são baseadas na irracionalidade, que ignora os fatos, dados, estudos e etc. O presidente do Brasil é um dos exemplos mais claros que existe neste atual cenário, proferindo falas como: “As minorias têm que se curvar às maiorias” e “Os presídios do Brasil estão uma maravilha”, que afrontam a realidade vivida no Brasil, na qual as minorias sofrem para terem uma vida digna na sociedade e os presídios se encontram superlotados e não reabilitam os presos. Dessa forma, o método de verificação de verdade de Descartes fica de lado para esse homem e outras pessoas que preferem manter suas convicções ao invés de acreditar na verdade racional.
  Sobre as falsas percepções do mundo elas podem ser chamadas de ídolos, como dito por Bacon. São esses : ídolos da tribo, que são as interferências das paixões e enganos do sentido; ídolos da caverna, ou seja, a formação do homem, sua educação e cultura, sendo sua própria “caverna” análoga ao mito criado por platão; ídolos do foro, o relacionamento com as outras pessoas; e por último os do teatro, que são como os sistemas de filosofia, astrologia e magia influenciam o indivíduo. Todas essas “falsas percepções” corroboram para que o indivíduo se aproxime de um pensamento de senso comum, pois ao formar opiniões que não condizem com a realidade, mas com o que ele crê que seja real no mundo, acaba-se deixando o que é realmente verdade em segundo plano. O fanatismo religioso é a grande prova de que esses “ídolos” influenciam na ação e pensamentos das pessoas, que preferem, muitas vezes acreditar na teoria criacionista ao invés do evolucionismo, havendo uma negação da ciência em prol de falsas percepções de mundo.
   Havendo dito as razões do senso comum, pode-se afirmar que no ano de 2020 existe uma grande tendência ao senso comum, sendo esse tipo de pensamento disseminado até mesmo pelo atual presidente brasileiro. Com o crescimento do senso comum e o desprestígio que a ciência vem sofrendo é fato que é cada vez mais difícil desenvolver pesquisas ou provar algo que seja aceito pela grande maioria da população. Dessa forma, para que haja avanço nas ciências, de forma geral, a educação terá que trabalhar da melhor forma no mundo inteiro, senão é provável que a atual geração e as próximas gerações de jovens saiam com uma mentalidade igual ou até pior de quem está em alguma organização de poder hoje.

Guilherme Paccola Silva- 1°ano- Noturno

A desvalorização da verdade

O saber concreto sempre foi desejo de domínio da humanidade. Desde a Grécia Antiga, quando deixamos de buscar justificativas mitológicas, o homem exercita a sua razão para compreender os fenômenos naturais e se desenvolver. Todavia, observa-se no mundo contemporâneo uma onda de rejeição ao pensamento técnico e uma oposição à produção de conhecimento científico -em especial o universitário.
Outrora, o embate entre Sócrates e os sofistas na Grécia Antiga já indicava que a busca pelo conhecimento verossímil não ficaria restrito ao campo da eloquência e do raciocínio ativo, mas que era necessário aplicar métodos que tornassem possível o acesso ao saber não apenas indubitável, mas alicerçado em argumentos científicos tão sólidos que fosse irrefutável. Para tal, a dialética socrática, método de Sócrates para obter a verdade, demonstrou que o saber pleno é um produto do questionamento. 
Ademais, com o desenvolver dos tempos, outras mentes significativas explanaram seus pensamentos acerca da distinção do que é deveras real ou ilusório, como Descartes e seu livro "O Discurso do Método". O filósofo propõe que a nossa razão tem competência de distinguir o que é ou não real, pois ela não pode ser manipulada. Descartes, em suma, sugere que os produtos de nossos sentidos -conforme o empirismo- devem ser analisados racionalmente para, posteriormente, serem julgados como verídicos ou não, originando o racionalismo. 
Paralelamente, o filme Matrix, de 1999, por exemplo, ilustra o pensamento cartesiano ao propor que vivemos em uma realidade manipulada pelos nossos sentidos de acordo com interesses de terceiros -as máquinas revolucionárias. Mas, embora o enredo pareça utópico, é importante considerar que há diversos exemplos históricos de quando grupos sociais agiram sem considerar a validade científica de argumentos, como: para convencer nos debates,  os sofistas se deleitavam com a oratória e não com a verdade; o nazifascismo e o "fardo do homem branco" tentaram extinguir outros povos sem argumentos concretos; religiões e crenças torturavam e queimavam pessoas vivas na Europa medieval baseados apenas em hipóteses e mitologia.
Por outro lado, após tantos eventos históricos marcantes demonstrarem a necessidade de comprovar a veracidade de uma informação antes de creditar a confiança nela, a sociedade pós moderna demonstra um comportamento divergente ao desacreditar do que é cientificamente comprovado para crer em teorias  conspiratórias divulgadas pelas inovadoras fake news, como a terraplanista. Este cenário cético e rebelde cria embaraços para o progresso científico, visto que a produção de conhecimento se concentra em especial nas universidades públicas, as quais, por serem dependentes do Estado, estão perdendo recursos. 
Visto isto, é preocupante observar que o conhecimento, tão perseguido anteriormente, hoje não é valorizado. O conhecimento traz poder, mas a ignorância social pode mantê-lo. 

O obscurantismo e a necessidade da ciência no século XXI

    René Descartes e Francis Bacon publicaram suas obras "Discurso sobre o Método" e  "Novum Organum", respectivamente, no século XVII, era da Revolução Científica que mais tarde se transforma no Iluminismo. Apesar de focarem tradições contrárias, Bacon era empirista, enquanto Descartes focava na razão.  Ambos discorrem sobre um novo tipo de desenvolvimento de pensamento, de criação científica em seus livros.
    Apesar de já se terem passado quatro séculos desde a publicação de suas obras, elas continuam extremamente atuais. No nosso século XXI conseguimos ver claramente os chamados "ídolos" - que nada mais são do que preconceitos - que Bacon menciona, influenciando a ciência e as informações atuais. Seja no crescimento global do movimento antivacina, que começou com o boato de que elas causariam autismo, mas que foi desmentido por diversos estudos médicos ao redor do mundo, no discurso recorrente sobre a fé e o divino pertencerem ou não à política ou no combate contra uma ameaça comunista inexistente, conseguimos perceber que uma grande parte da população prefere seguir seus ídolos do que usar da racionalidade para compreender tais tópicos.
    Além disso, com a rápida disseminação de informações através das redes sociais, as fake news  tomam proporções gigantescas, seja para difundir os tópicos anteriores ou eleger líderes ignorantes, o que acaba alastrando o obscurantismo que toma conta do mundo no momento. Ademais, com essa rapidez de informações, é improvável que se utilize o método de Descartes para julgar os argumentos, analisando-os, já que exercitar o pensamento crítico é mais difícil do que aceitar aquilo que te alimentam.
    Bacon acreditava que a ciência poderia antecipar o futuro, mas, no momento, parece que a crescente "anticiência" está nos levando de volta ao passado, é preciso então, resgatar as ideias de tais filósofos para que possamos entender que para fazer ciência não é necessário somente mero achismo, e sim, métodos concretos, sejam eles baseados nas experiências ou no pensamento racional. Ainda, é preciso espalhar a verdade e credibilizar a ciência, para que possamos acabar as mentiras propagadas e extinguir o obscurantismo atual.

Mariana Marcelino - 1º Direito Noturno

A desvalorização da verdade.

O saber concreto sempre foi desejo de domínio da humanidade. Desde a Grécia Antiga, quando deixamos de buscar justificativas mitológicas, o homem exercita a sua razão para compreender os fenômenos naturais e se desenvolver. Todavia, observa-se no mundo contemporâneo uma onda de rejeição ao pensamento técnico e uma oposição à produção de conhecimento científico -em especial o universitário.
Outrora, o embate entre Sócrates e os sofistas na Grécia Antiga já indicava que a busca pelo conhecimento verossímil não ficaria restrito ao campo da eloquência e do raciocínio ativo, mas que era necessário aplicar métodos que tornassem possível o acesso ao saber não apenas indubitável, mas alicerçado em argumentos científicos tão sólidos que fosse irrefutável. Para tal, a dialética socrática, método de Sócrates para obter a verdade, demonstrou que o saber pleno é um produto do questionamento. 
Ademais, com o desenvolver dos tempos, outras mentes significativas explanaram seus pensamentos acerca da distinção do que é deveras real ou ilusório, como Descartes e seu livro "O Discurso do Método". O filósofo propõe que a nossa razão tem competência de distinguir o que é ou não real, pois ela não pode ser manipulada. Descartes, em suma, sugere que os produtos de nossos sentidos -conforme o empirismo- devem ser analisados racionalmente para, posteriormente, serem julgados como verídicos ou não, originando o racionalismo. 
Paralelamente, o filme Matrix, de 1999, por exemplo, ilustra o pensamento cartesiano ao propor que vivemos em uma realidade manipulada pelos nossos sentidos de acordo com interesses de terceiros -as máquinas revolucionárias. Mas, embora o enredo pareça utópico, é importante considerar que há diversos exemplos históricos de quando grupos sociais agiram sem considerar a validade científica de argumentos, como: para convencer nos debates,  os sofistas se deleitavam com a oratória e não com a verdade; o nazifascismo e o "fardo do homem branco" tentaram extinguir outros povos sem argumentos concretos; religiões e crenças torturavam e queimavam pessoas vivas na Europa medieval baseados apenas em hipóteses e mitologia.
Por outro lado, após tantos eventos históricos marcantes demonstrarem a necessidade de comprovar a veracidade de uma informação antes de creditar a confiança nela, a sociedade pós moderna demonstra um comportamento divergente ao desacreditar do que é cientificamente comprovado para crer em teorias  conspiratórias divulgadas pelas inovadoras fake news, como a terraplanista. Este cenário cético e rebelde cria embaraços para o progresso científico, visto que a produção de conhecimento se concentra em especial nas universidades públicas, as quais, por serem dependentes do Estado, estão perdendo recursos. 
Visto isto, é preocupante observar que o conhecimento, tão perseguido anteriormente, hoje não é valorizado. O conhecimento traz poder, mas a ignorância social pode mantê-lo. 

medo irracional da sociedade pelo desconhecido

descarte e bacon foram grandes contribuidores para que a humanidade conseguisse prosperar atualmente no campo das ciencias. sendo assim ao combinar a razão e a experimentação alcaçamos inumeras descobertas com o passar do tempo.
porem para a sociedade o medo irracional do desconhecido acabou

Introdução Histórica à Modernização da Produção Científica


Com o princípio da urbanização nos burgos e consequente aumento da concentração populacional a ordem social até então vigente na Europa entrava em cheque. Com isso, as formas de produção e de organização da sociedade necessitariam de mudanças que acompanhassem as demandas desse novo momento.
            Pensando nisso, René Descartes e Francis Bacon versaram sobre uma nova forma de produzir conhecimento que possibilitasse essas transformações de forma prática e racional.
            René Descartes, em sua filosofia, propôs um conhecimento embasado na razão humana em contrapartida aos conhecimentos gerados de forma supersticiosa ou religiosa fundamentados em verdades reveladas inquestionáveis. A partir disso, se tornaria possível entender a realidade tal como ela é, livre de suposições ilógicas e com conceitos sempre questionáveis, podendo, dessa forma, substituir hipóteses, teses e teorias a partir de novas evidências de forma metodológica.
            Francis Bacon, em seus escritos, contribuiu para esse processo com a proposição da experiência como método de comprovar uma hipótese. A partir disso, seria possível gerar um conhecimento e colocá-lo em prática, podendo assim verificar a veracidade e a utilidade de novas teses.
            A partir das ideias deixadas por esses dois pensadores, o domínio da natureza tornou-se uma realidade a partir do desenvolvimento de tecnologias e as novas formas de organização social tonaram se possíveis. Dessa forma, no seio dos burgos europeus se consolidou uma sociedade em modernização buscando desenvolver as relações sociais, laborais e produtivas a partir da ciência

domingo, 8 de março de 2020

O domínio da natureza em cheque


O filósofo inglês Francis Bacon (1561- 1626), conhecido também como “Pai do método experimental”, foi um grande defensor do empirismo nos estudos científicos. Em busca de criar um “verdadeiro e extraordinário progresso do saber” e reformar o conhecimento humano escreveu o “Novum Organum”, onde expõe seu método. Devido sua forma de construir o pensamento, era extremamente contra os filósofos clássicos, classificando a filosofia aristotélica como estéril quanto a resultados práticos para vida do homem.
Assim, o verdadeiro filósofo natural, para Bacon, deveria acumular sistematicamente o conhecimento, sendo este ativo e prático. Bem diferente do antigo conhecimento filosófico que baseava-se na observação obediente da natureza. Essa forma baconiana de pensar deve-se ao fato de o filósofo ter vivido em um período pré revolução industrial, onde ideias inovadoras e tecnológicas circulavam pela Inglaterra, incentivando maior participação ativa na natureza. Portanto, a euforia industrial do momento reflete-se em uma de suas teorias mais conhecidas, “Saber é poder”, sendo o saber a melhor forma de conquistar a natureza, assim deixa de ser apenas um objeto de contemplação e começa a servir o homem. Essa ideia foi usada durante décadas, porém começa a trazer consequências ambientais na contemporaneidade.
Um exemplo brasileiro acerca do assunto é a expansão da fronteira agrícola e pecuária para floresta amazônica. Esse processo se intensificou em 2019 com intensas queimadas na região, onde apesar de prejudicial a terra, a técnica é frequentemente utilizada para limpar áreas desmatadas e torná-las agricultáveis. Ainda que usual, o método traz diversos problemas ambientais, como diminuição da biodiversidade e destruição da reserva de carbono. Esse comportamento irracional é resultado da falta de questionamento sobre as possíveis consequências práticas do uso inadequado da natureza, sendo a aplicação rigorosa do método de Descartes, como a dúvida e revisão entre as relações metódicas, uma maneira de corrigir essa situação.
Portanto, o avanço humano sem o devido planejamento da utilização dos recursos naturais provoca danos irreparáveis ao meio ambiente, causando grandes problemas às futuras gerações. Assim sendo, a icônica frase “Saber é poder” e a antiga euforia industrial devem dar lugar ao racionalismo ambiental do século XXI, revelando que o verdadeiro saber não se baseia pela conquista da natureza e sim pela colaboração harmoniosa entre o Homem e o meio natural.



Beatriz Adas Olacyr - 1º de Direito - Matutino