Caro Marx,
por aqui tudo vai meio esquisito. Esse novo século trouxe consigo gradativas mudanças. Estamos no auge do Capitalismo e pensei o quanto você não iria querer ver isso. Me perdoe jogar essa notícia tão friamente e sem preparos prévios, mas creio que por aqui não há lugar para embromações. Aqui nesse século a vida anda muito dissimulada, corrida, disputada e egoísta. As pessoas cada vez mais se enfiam numa zona isolada em si mesmas, não conseguem sentir a dor do outro - na verdade acho que não querem. Isso é assunto pra outro dia. As últimas notícias que você tem acredito que seja da Inglaterra na Revolução Industrial, se eu te contasse como Capitalismo dominou o mundo é provável que você ficasse um pouco perplexo - não tanto, porque você já havia previsto. Estamos vivendo uma ditadura e antes que você se alegre...Não, não é a do proletariado. É a do Capitalismo. Temos uma nova ética para ser seguida - a burguesa. Vou te dar um exemplo acompanhado de um breve resumo.
Nós tivemos uma Guerra aqui, devastadora, chamada de Segunda Guerra (a primeira também foi, mas ela serviu mesmo pra desencadear a segunda). Após seu fim, duas potências se emergiram: os Estados Unidos e a URSS. O primeiro representava a ordem Capitalista e o segundo, a Socialista. Sim, o mundo ficou dividido entre dois blocos econômicos e o socialista era um deles. Mas não se alegre de novo...Não seguiram fielmente suas idéias...Não queria te contar, mas deturparam-nas. Na URSS eles diziam seguir seus ensinamentos, mas, como posso dizer? Lá todos eram iguais, mas uns eram mais iguais que outros. Em meio a ameaças, mísseis, iminência de guerras, corridas armamentistas e espaciais...O Capitalismo venceu. E desde então o despotismo do Capital tomou conta, os países que eram socialistas se converteram à nova ordem,já outros se esfacelaram...um caos. Mas ele sobreviveu. Entretanto, tivemos algumas resistências antes do fim dessa bipolaridade. Um belo exemplo disso chama-se Cuba. Uma ilhazinha ali na América Central que queria continuar tranquila com o sistema socialista, até que o Big Stick resolveu atacar por todos os lados e influenciar o máximo que desse - coisas que o capitalismo faz mesmo. Houve uma revolução e um mínimo de relações que foram construídas por Fulgêncio Batista se quebraram completamente, e Cuba se aliou definitivamente com a URSS. A crise dos mísseis acabou de vez com a relação Cuba-EUA. Ninguém imaginaria como o boicote da máxima expressão do capitalismo poderia devastar um país. Cuba foi engolida pela nova ordem, sem comércio, sem relações exteriores, sem pactos internacionais...Era como se Cuba não existisse. Estamos em 2017 mas posso dizer que eles ainda vivem em 1960. Há pena de extinção se não for adotado o modo de produção burguês atualmente. Toda essa história pra te contar que não tem como fugir, quer dizer, até tem, mas só se a gente não se importar em parar no tempo. O poder saiu do campo econômico e se fundiu ao campo político, tudo está entrelaçado e se voltar contra isso seria loucura. Então, por favor, entenda. Não estamos seguindo a ética capitalista porque ela é melhor ou isso ou aquilo - estamos o fazendo porque somos compilados a isso. A nossa liberdade se dá DENTRO DESSE SISTEMA, ou seja, somos livres desde que aderidos a ele. Se formos criar nossa propria liberdade e tentarmos ganhar a vida seguindo nossos ideais...Já podemos pegar nossas malas e passearmos de Chevy Bel Air pelas ruas cubanas.
Triste, né? Mas você também havia previsto, se eu não me engano, que todo sistema tem um fim. Não foi dessa vez que o socialismo tomou conta ou que suas ideias tiverem perfeita aderência. Mas não fica assim não, tá? Eles mesmos deram o poder e as armas para que um dia isso tudo se craquelasse. Ainda vou te escrever outra carta, bem feliz, prometo, dizendo que estamos a um passo do comunismo, que o operariado finalmente acordou pra vida e cansou de ser explorado, que o mais-valia deixou de ser um carma, que todo mundo é dono dos meios de produção...vou até de falar que a gente tá tão civilizado que nem precisa mais de Estado enchendo nosso saco. Só espero que você tenha um tiquinho de paciência.
Espero respostas suas.
Att., Carol.
Ana Carolina Santos Ribeiro - 1 ano direito diurno
Este é um espaço para as discussões da disciplina de Sociologia Geral e Jurídica do curso de Direito da UNESP/Franca. É um espaço dedicado à iniciação à "ciência da sociedade". Os textos e visões de mundo aqui presentes não representam a opinião do professor da disciplina e coordenador do blog. Refletem, com efeito, a diversidade de opiniões que devem caracterizar o "fazer científico" e a Universidade. (Coordenação: Prof. Dr. Agnaldo de Sousa Barbosa)
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quinta-feira, 31 de agosto de 2017
Atuais até quando?
Como bem destacaram Karl Marx e Friedrich Engels, a história
da humanidade é caracterizada por um ciclo de acontecimentos. Embora os dois
pensadores tenham chegado a tal conclusão analisando os eventos ocorridos até a
segunda metade do século XIX, ela é, ainda, muito atual. Isto é, ao afirmarem
que o modo de produção capitalista desencadeia picos de produção e venda
seguidos por crises econômicas constantemente, até aquele momento, não tinham
presenciado o grande crash da bolsa de valores de Nova Iorque em 1929,
desencadeando a crise que durou até 1933 e atingiu todos os Estados
capitalistas da época, nem a crise econômica que perdurou de 1997 a 2001,
tampouco a iniciada em 2008; eles apenas estavam vivenciando a longa crise das
economias industriais europeias que se iniciou em 1876 e durou até 1893. Todas
estas crises decorreram de um aumento desenfreado das margens de lucros em
detrimento da capacidade de comprar e consumir das sociedades.
Dessa forma, para a
dupla, com o intuito de se evitar que aconteçam mais crises capitalistas, as
quais derrubam mais ainda a classe trabalhadora desfavorecida, ou seja, o proletariado,
os pertencentes a este deveriam juntar-se e destronar o modo de produção
vigente desde o final da Idade Média, instalando o socialismo e, sem seguida, o
comunismo, que pretende promover o estabelecimento de uma sociedade
igualitária, sem classes sociais e apátrida, baseada na propriedade comum dos
meios de produção.
De acordo com Marx e Engels, o capitalismo é injusto, pois
uma pequena parte da população, a burguesia, detém a maior parte dos meios de
produção, além de não dar espaço aos pequenos burgueses e os seus comércios.
Para terem tanto poder, utilizam-se da mais-valia, a qual consiste na diferença
entre o valor gerado pelo trabalho e o pago ao trabalhador pela sua realização.
Atualmente, de acordo com pesquisas realizadas recentemente, foi comprovado que
as marcas Nestlé, Carrefour, Zara, Hershey’s, Nike, Apple, Coca-Cola, Victoria’s
Secret e Forever 21 submetem os seus trabalhadores a condições próximas à de
escravidão com o fim de produzirem e venderem mais, tendo pouquíssimos gastos
com a manutenção do operariado. Ao fazerem isso, conquistam o mercado de todo o
globo terrestre, como afirmado por Engels em “O manifesto do partido comunista”:
“Em lugar das antigas necessidades, satisfeitas pela produção do país,
encontramos novas necessidades, exigindo, para satisfazê-las, produtos de
terras e climas distantes. No lugar da antiga reclusão e autossuficiência local
e nacional, temos conexões em todas as direções, uma interdependência universal.”.
Eles propõem, assim, que acabem com o capitalismo para todos
terem boas e iguais condições de vida. Além disso, Marx afirma que esse modo de
produção aliena os indivíduos e que todas as instituições nele presentes o
reforçam: o direito, diferentemente do que afirmava Hegel, media as relações
apenas entre os iguais, e não entre todos; seria necessário que todos fossem
iguais para que o direito garantisse a total igualdade entre os cidadãos. O
ideal, portanto, seria que se extinguisse a exploração do homem pelo homem.
Bruna Benzi Bertolletti - 1º ano direito diurno
O MUNDO É INÓSPITO À EDUCAÇÃO
É do conhecimento do senso comum que
a educação é um problema latente no Brasil, contudo pouco se fala de como
algumas Universidades com fins lucrativos alienam seus alunos com a simples
finalidade de acúmulo de capital.
Em 2014, a empresa que mais recebeu
dinheiro do governo foi a Kroton Educacional S.A., maior empresa de ensino
privado do mundo, com cerca de 1 milhão de alunos distribuídos entre a
Anhanguera, LFG, Unic, Unime, Uniderp. O crescimento dessa Instituição deu-se
principalmente pela exploração da falta de controle do FIES: “Em 2016, a
receita liquida somou R$ 5,24 bilhões”- (Valor Econômico, 22 de Março de 2017),
o que representa quase 1 bilhão a mais do que a somatória de todos os gastos de água, energia e segurança das
Universidades Federais do Brasil em 2017, como mostra notícia da Gazeta do povo
em 13 de agosto de 2017.Por essa análise, a grande questão é que tal cenário
objetiva somente o lucro e, portanto, cria mecanismos de barateamento da
graduação para a Instituição, como disciplinas à distância, enquanto os alunos
não tem acesso à qualidade de ensino merecida.
Tendo em vista tal problemática,
tomamos a visão de Marx sobre o Materialismo Histórico como base para discutir
como esse tipo de ensino é um meio alienador e intensificador das
desigualdades.
Em primeiro lugar, é fundamental
entender como conceito de “classes sociais” aqueles
indivíduos que possuem mesma situação econômica e o mesmo acesso aos meios de produção,
sendo estes relacionados às formas de criação dos bens de consumo que existem
em uma sociedade. Pensando nisso, a importância dada por Marx a esse quesito
justifica-se, segundo a sua teoria, pelo impacto que a situação econômica de um
sujeito tem em sua trajetória de formação. Pois, é inegável que aqueles que
possuem maior condição econômica também possuem maior número de oportunidades
de manter-se em melhor condição material. Já aqueles desprovidos das mesmas
oportunidades enfrentam dificuldades superiores de ascensão na escala social.
Marx refere-se a essa condição do mundo social
humano como “concepção materialista da história”, uma perspectiva que atribui grande
peso à condição material do indivíduo nos processos que determinam os aspectos
da sua vida. Isso quer dizer que tal concepção materialista da história atribui
fenômenos sociais à condição material do sujeito, que se desdobram em várias
camadas diferentes do nosso mundo social.
Segundo
o site da revista Exame, em 18 de Janeiro de 2017, de 2010 à 2015 o lucro da Kroton
cresceu 22.130%. Sendo assim, paralelo visão de Marx, Universidades que
enxergam seus alunos como clientes e não retornam o ensino adequado para sua
inserção e ascendência socioeconômica não exercem sua função de minimizar as
desigualdades, promovendo uma eterna luta de classes e institucionalizando a “violência”.
Acrescenta-se, por fim, que para os
materialistas, está nesse cenário a função das cotas socioeconômicas, a fim de
garantir educação de qualidade de forma gratuita para que funcione, na prática,
o princípio da Isonomia. Isso porque, há um desnivelamento real entre a rede de
ensino publica e privada, não proporcionando as mesmas bases para uma concorrência
justa. Diante disso, segundo Marx, não seriam os valores ou as ideias que
motivariam as mudanças sociais de nosso mundo, mas sim a situação das classes
dessa sociedade, criando-se assim mecanismos que supram a desigualdade e proporcionem
o acesso a um Ensino Superior que lhes permitam crescer, sem ser preciso estar
à mercê da exploração e alienação, apenas como fator de enriquecimento de uma
minoria.
Giovanna Menato Pasquini, 1º Direito, Matutino.
Geração coxinha
Fruto da geração Coca-Cola
Renato Russo apostou em mim para a mudança da nação
Todavia, desde sempre, impuseram-me padrões,
“Aceite as condições e se põe em seu lugar”
Desde então, tentei me rebelar e sonhar
Fui reprimida e atropelada
Descobri que quem detém mais vai comandar
Mas, mesmo assim, não tiraram de mim o direito de pensar
Vejo uma sociedade burguesa, feroz, quando se trata do
capital
E desumana quando se trata do próximo
Que mente, engana, corrompe-se
Manipula, pro proletário não contestar,
Assim, somos ensinados simplesmente a aceitar
Sinto-me mecanizada, adestrada, um robô de carne e osso
O desemprego instaura-se, famílias são desmanteladas,
E ouço “Não fale em crise, trabalhe”
A educação pública segue afundando-se,
O governo está conseguindo formar seres não pensantes,
A sociedade segue em ordem e regresso
A lei não garante igualdade, pune aqueles que não tem
propriedades
Como acreditar num futuro melhor diante de tanta
desigualdade?
O conformismo instaurou-se,
Geração coxinha inaugurou-se
Questiono-me, como transformar a realidade?
Desilusão diante de tantas disparidades
Bruna Maria Modesto Ribeiro 1º Direito Diurno
O REDUCIONISMO MARXISTA: CONDUTOR DE UTOPIAS E AUTORITARISMOS
Generalizadamente, a esquerda adota um
discurso variável conforme as circunstâncias conjunturais e históricas vividas:
a sua subida ao poder é historicamente justificada segundo os meios distintos
que se apresentam em cada experiência daquilo que ela mesma chama de “socialismo
real”. De fato, por mais díspares que se apresentem seus discursos, o grupo
autodenominado como a esquerda de sua época arroga para si- ressalte-se:
generalizadamente-, o título de advogado do marxismo como se apresentara na
época de seu surgimento. Ora, é certo que a metodologia marxista tem-se
aplicado de modos distintos nos grupos distintos que a defendem, porém a mesma
guarda essências fundantes de sua existência que se ramifica para os mais
variados saberes amalgamando-se àqueles de natureza filosófica, sociológica,
antropológica, histórica, jurídica e outras mais. As essencialidades do
pensamento marxista devem ser, pois, objeto de apreciação enquanto tais,
despidas das interpretações que escolas marxistas quiseram delas fazer
especificamente em seus contextos históricos. Com isso, decerto tem-se maior
concretude daquilo que seria o pensamento marxista de per si, viabilizando sua
interpretação no momento presente. Não se discute aqui a inépcia econômica do
socialismo, mas cruamente uma analogia entre a realidade sociológica e as
ideias que Friedrich Engels e Karl Marx apresentaram em sua época.
Inicialmente, parta-se do estudo
comparativo efetuado por Engels entre o que ele chama socialismo utópico e
socialismo científico. O autor critica os mentores do socialismo após a
Revolução Francesa chegando a falar que suas ideias se degeneravam em “puras
fantasias”. Engels critica um pensamento metafísico que seria a base dos socialistas utópicos surgindo classificações do autor
como “reino da utopia”, “fantasias que hoje parecem provocar risos” e “cúmulo
de disparates”. Decerto, pelo que logicamente se conclui, a metodologia
marxista estaria, portanto, assentada na objetividade, no realismo e na
cientificidade de seu saber, longe de quaisquer utopias. Trata-se de um
reducionismo deveras estranho quando se compara a suposta objetividade e
realismo com as aplicações feitas dessa sistemática cognominada por si como
científica. Não é preciso recorrer às atrocidades genocidas dos soviéticos, dos
chineses, vietcongues, cambojanos ou de quaisquer outros países socialistas para constatá-lo.
Os governos que antecederam por 13 anos o atual subiram ao poder com promessas,
dentre as quais estava a erradicação da pobreza no Brasil. Entretanto, não
parece que mergulhar o país em um estado de recessão econômica e desemprego
seja das mais científicas e realistas consequências que poderiam ser previstas pelo autor.
Ademais, não só acerca das utopias
criticadas por Engels o marxismo toma para si a bandeira em prol do
materialismo. Este tende a se aplicar metodologicamente em tudo quanto seria
possível, não sem razão as relações econômicas sejam tão importantes para os
autores do marxismo. Isto, acrescente-se, também é genericamente presente nas
distintas obras em que o marxismo se expõe enquanto tal. As ideias sobre o
sistema de produção capitalista estão presentes desde as análises críticas do
Direito em Hegel até o Manifesto do Partido Comunista. Questiona-se: que
realismo há em defender o materialismo como única fonte de análise da
realidade? O próprio Marx repisa a ideia de que as situações vividas
socialmente são fruto da ideologia vigente em sua época. É de se corroborar,
assim, a ideia de que Marx estaria tendo suas ideias a partir do sistema
vigorante, dado ser assaz fantasioso crê-lo como único desvinculado do sistema
em que vivia. E, por óbvio, havia influência das ideologias da época,
verifica-se que desde o fim da Idade Média, a humanidade tem tendido
filosoficamente para um maior grau de dessacralização do saber, no sentido de
que apenas a matéria e a ciência são aceitáveis para a apreciação da realidade.
O marxismo tende a se apresentar como ápice desse processo histórico, não
acabado, sem dúvida, o nacional-socialismo também mais a frente defenderia a
ciência como justificativa para sua existência. Mas o método implícito nas
obras de Marx e Engels que se apresenta como uma reafirmação da dialética
hegeliana, mas arrogando para si o status
de materialista, tende a confluir num exclusivismo nada saudável para se
analisar a sociedade e o meio em geral.
A fixação pela análise da realidade como
uma constante dicotomia materialista- a ideia de luta de classes o explicita-
faz do método marxista reducionista e autoritário, pois sua aplicação social
sempre cairá, de alguma forma, na ideia de grupos que devem ser retirados para
se instaurar a ditadura do proletariado. Não é estranho o discurso
autocontraditório- pois prega uma situação de união social, mas ressaltando a
incompatibilidade entre os entes sociais- constantemente feito pela oposição
brasileira de que o país está sendo entregue às “elites”, ao “grande capital”,
aos “imperialistas”, aos “fascistas”, aos “poderosos” ou quaisquer outros
adjetivos que se possa discricionariamente criar em nome da divisão social. O
caso do Direito é emblemático: mesmo Hegel tendo dito que o paradigma do saber
jurídico é a liberdade, o marxismo reiterará a ideia de uma dualidade entre uns
dominantes e outros dominados, esvaziando, com isso, todo um desenvolver
histórico pelo qual o Direito passou e calcou suas bases. E em tudo aquilo em
que se tenta assentar o marxismo, os princípios basilares de oposição e
materialismo estarão sempre presentes, por mais diverso e prolixo que se
demonstre o discurso, como no caso do próprio Direito em que se tenta criticar
o caráter especulativo dessa ciência, em outros termos, o seu caráter não
materialista.
É conclusivo salientar: o pensamento
metodológico marxista é eminentemente reducionista, exclusivista e fechado. A despeito
do discurso que muitos de seus defensores têm de uma suposta abertura ao mundo
dos marginalizados, na verdade, seu pensamento é puramente materialista e,
portanto, inumano. A crítica marxista à religião classificando-a como “ópio do
povo” recrudesce a ojeriza ao pensamento metafísico e o próprio Marx diz “É com
razão, pois, que o partido político prático na Alemanha exige a negação da
filosofia.”. A conclusão patente será a de que o marxismo reduz a história, o
direito, a filosofia e todos os saberes humanos à sua constante dual
materialista. Ao dizer-se concreto o socialismo científico tão somente conduz à
utopia, em vista de seu reducionismo metodológico que conflui em
inaplicabilidade prática. Por fim, vale ressaltar este ponto: a busca pelo socialismo
científico, de fato, nunca conduziu ao mesmo sem contrariar fatores da própria
natureza humana que devem ser levados em consideração, desde sua espiritualidade
à sua objetividade física. A exclusão desse pragmatismo nas análises marxistas
é um percalço a se encarar, pois conduz ao autoritarismo, maneira única de se
alçar à utopia que o marxismo demonstrara, já que sua análise histórica errou e
não conduziu ao comunismo como predizia. Com isso, a única saída para o
marxismo seria a retração da ordem nas instituições alcançando seu escopo na
força, daí poder concluir-se o descarte dessa forma de pensamento para fins
práticos.
Enfim, vê-se, pois, que nem se elencou
aqui as variantes desenvolvidas historicamente- social-democracia, socialismo fabiano,
menchevismo, Escola de Frankfurt, Gramsci-, mas tão somente a essência que é
intrínseca ao marxismo. A história e o presente são demonstrativos daquilo a
que conduz o marxismo: a busca da utopia contra a própria realidade que só se
modificaria, então, pelo uso da força. Assim, como se vê, não sem razão os
partidos da oposição sentem-se tão atraídos e tão vislumbrados na defesa de regimes
ditatoriais.
Gustavo
de Oliveira- 1º ano noturno
O operário em construção
Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.
De fato, como podia
Um operário em construção
Compreender por que um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia...
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse, eventualmente
Um operário em construção.
Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
- Garrafa, prato, facão -
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem o fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.
Ah, homens de pensamento
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento!
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua própria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.
Foi dentro da compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário.
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele não cresceu em vão
Pois além do que sabia
- Exercer a profissão -
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.
E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.
E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia sim
Começou a dizer não.
E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:
Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.
E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução.
Como era de se esperar
As bocas da delação
Começaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão.
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação
- "Convençam-no" do contrário -
Disse ele sobre o operário
E ao dizer isso sorria.
Dia seguinte, o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu, por destinado
Sua primeira agressão.
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!
Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras se seguiram
Muitas outras seguirão.
Porém, por imprescindível
Ao edifício em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.
Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo vário.
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
- Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem bem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher.
Portanto, tudo o que vês
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.
Disse, e fitou o operário
Que olhava e que refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria.
O operário via as casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!
- Loucura! - gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
- Mentira! - disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.
E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martírios
Um silêncio de prisão.
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Com o medo em solidão.
Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão.
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão.
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construído
O operário em construção.
-Vinicius de Moraes
Maria Theresa 1 Diurno
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.
De fato, como podia
Um operário em construção
Compreender por que um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia...
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse, eventualmente
Um operário em construção.
Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
- Garrafa, prato, facão -
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem o fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.
Ah, homens de pensamento
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento!
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua própria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.
Foi dentro da compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário.
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele não cresceu em vão
Pois além do que sabia
- Exercer a profissão -
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.
E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.
E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia sim
Começou a dizer não.
E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:
Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.
E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução.
Como era de se esperar
As bocas da delação
Começaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão.
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação
- "Convençam-no" do contrário -
Disse ele sobre o operário
E ao dizer isso sorria.
Dia seguinte, o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu, por destinado
Sua primeira agressão.
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!
Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras se seguiram
Muitas outras seguirão.
Porém, por imprescindível
Ao edifício em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.
Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo vário.
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
- Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem bem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher.
Portanto, tudo o que vês
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.
Disse, e fitou o operário
Que olhava e que refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria.
O operário via as casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!
- Loucura! - gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
- Mentira! - disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.
E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martírios
Um silêncio de prisão.
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Com o medo em solidão.
Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão.
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão.
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construído
O operário em construção.
-Vinicius de Moraes
Maria Theresa 1 Diurno
Fracasso socialista: As liberdades econômicas e civis
O fracasso socialista ao decorrer das décadas remonta às suas bases presentes no socialismo utópico e científico. Enquanto o primeiro defendia uma mudança lenta e gradual, o outro criticava esse pelo caráter burguês, pois estava baseado na transformação da consciência da burguesia. O mais conhecido é o científico, defendido por Karl Marx e Friedrich Engels, e que viam a revolução proletária como meio de se atingir uma sociedade igualitária e com melhores condições de trabalho para o proletariado, esse será o foco do presente texto.
Um dos motivos para o fracasso dessa ideologia seria a busca pela igualdade entre todos, porém essa não levou em consideração as particularidades de cada indivíduo, especialmente as econômicas. O modelo de centralização econômica defendido pela ideologia socialista impediria as relações econômicas naturais entre os seres humanos e a espontaneidade dessas, caso houvesse a implantação desse modelo culminaria na supressão das liberdades civis, como alerta Friedrich Hayek:
“Há um forte risco de que planejamentos econômicos nos levem a autoritarismos”
Além disso, o controle de preços seria algo prejudicial para toda sociedade, essa deixaria de ter a real noção do mercado, desorientando as suas ações e comprometendo o progresso econômico. Tais fatores são observados em países que tentaram implementar o socialismo, apesar de alguns dizerem que não eram ou não são socialismo reais, até quando teremos que ver refugiados políticos e o racionamento de comida desses para que o tal socialismo ideal seja atingido? É de conhecimento de todos a atual crise econômica e social da Venezuela, que durante o período de Hugo Chaves sofreu com planejamentos econômicos, e agora sofre com o autoritarismo de seu sucessor. Não muito distante, há Cuba que sofre do controle de alimentos por parte do governo, além da população sofrer restrições por conta do autoritarismo daquele, vide o caso da jornalista Yoani Sánchez.
Por fim, outro ponto a ser criticado é a teoria da mais-valia:
“Descoberta que veio revelar que o regime capitalista de produção e a exploração do operário, que dele se deriva, tinham por forma fundamental a apropriação de trabalho não pago; que o capitalista, mesmo quando compra a força de trabalho de seu operário por todo o seu valor, por todo o valor que representa como mercadoria no mercado, dela retira sempre mais valor do que lhe custa e que essa mais-valia é, em última análise, a soma de valor de onde provém a massa cada vez maior do capital acumulado em mãos das classes possuidoras.” (Trecho retirado de: Do socialismo utópico ao socialismo científico - Friedrich Engels)
Essa se esqueceu de diversos fatores essenciais. O primeiro é o acúmulo de capital do empresário, que junta dinheiro ao longo de anos, deixa de lucrar com esse, com o objetivo de abrir um futuro negócio que pode dar errado, ressalta-se ainda o dinheiro gasto com máquinas, a necessidade do capital de giro, e a compra da propriedade para a realização de tal empreendimento. Dessa forma, faz parte da lógica que parte do lucro vá para o empreendedor, até porque esse assumiu o risco de perder tudo e de lucrar ao longo de anos, resultado de um investimento a longo prazo. Se não houvesse o desejo de lucrar, o negócio não seria aberto e empregos não seriam gerados.
“Democracia e o Socialismo não têm nada em comum além de uma palavra: igualde; Mas note a diferença: enquanto a democracia procura a igualdade na liberdade, o socialismo procura igualdade na restrição e servidão.”
Alexis de Tocqueville
Nome: Marco Antonio Cid Monteiro da Silva
DIREITO - NOTURNO
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