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quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Carta aberta a Marx

         Caro Marx, 
por aqui tudo vai meio esquisito. Esse novo século trouxe consigo gradativas mudanças. Estamos no auge do Capitalismo e pensei o quanto você não iria querer ver isso. Me perdoe jogar essa notícia tão friamente e sem preparos prévios, mas creio que por aqui não há lugar para embromações. Aqui nesse século a vida anda muito dissimulada, corrida, disputada e egoísta. As pessoas cada vez mais se enfiam numa zona isolada em si mesmas, não conseguem sentir a dor do outro - na verdade acho que não querem. Isso é assunto pra outro dia. As últimas notícias que você tem acredito que seja da Inglaterra na Revolução Industrial, se eu te contasse como Capitalismo dominou o mundo é provável que você ficasse um pouco perplexo - não tanto, porque você já havia previsto. Estamos vivendo uma ditadura e antes que você se alegre...Não, não é a do proletariado. É a do Capitalismo. Temos uma nova ética para ser seguida - a burguesa. Vou te dar um exemplo acompanhado de um breve resumo. 
          Nós tivemos uma Guerra aqui, devastadora, chamada de Segunda Guerra (a primeira também foi, mas ela serviu mesmo pra desencadear a segunda). Após seu fim, duas potências se emergiram: os Estados Unidos e a URSS. O primeiro representava a ordem Capitalista e o segundo, a Socialista. Sim, o mundo ficou dividido entre dois blocos econômicos e o socialista era um deles. Mas não se alegre de novo...Não seguiram fielmente suas idéias...Não queria te contar, mas deturparam-nas. Na URSS eles diziam seguir seus ensinamentos, mas, como posso dizer? Lá todos eram iguais, mas uns eram mais iguais que outros. Em meio a ameaças, mísseis, iminência de guerras, corridas armamentistas e espaciais...O Capitalismo venceu. E desde então o despotismo do Capital tomou conta, os países que eram socialistas se converteram à nova ordem,já outros se esfacelaram...um caos. Mas ele sobreviveu. Entretanto, tivemos algumas resistências antes do fim dessa bipolaridade. Um belo exemplo disso chama-se Cuba. Uma ilhazinha ali na América Central que queria continuar tranquila com o sistema socialista, até que o Big Stick resolveu atacar por todos os lados e influenciar o máximo que desse - coisas que o capitalismo faz mesmo. Houve uma revolução e um mínimo de relações que foram construídas por Fulgêncio Batista se quebraram completamente, e Cuba se aliou definitivamente com a URSS. A crise dos mísseis acabou de vez com a relação Cuba-EUA. Ninguém imaginaria como o boicote da máxima expressão do capitalismo poderia devastar um país. Cuba foi engolida pela nova ordem, sem comércio, sem relações exteriores, sem pactos internacionais...Era como se Cuba não existisse. Estamos em 2017 mas posso dizer que eles ainda vivem em 1960. Há pena de extinção se não for adotado o modo de produção burguês atualmente. Toda essa história pra te contar que não tem como fugir, quer dizer, até tem, mas só se a gente não se importar em parar no tempo. O poder saiu do campo econômico e se fundiu ao campo político, tudo está entrelaçado e se voltar contra isso seria loucura. Então, por favor, entenda. Não estamos seguindo a ética capitalista porque ela é melhor ou isso ou aquilo - estamos o fazendo porque somos compilados a isso. A nossa liberdade se dá DENTRO DESSE SISTEMA, ou seja, somos livres desde que aderidos a ele. Se formos criar nossa propria liberdade e tentarmos ganhar a vida seguindo nossos ideais...Já podemos pegar nossas malas e passearmos de Chevy Bel Air pelas ruas cubanas.
           Triste, né? Mas você também havia previsto, se eu não me engano, que todo sistema tem um fim. Não foi dessa vez que o socialismo tomou conta ou que suas ideias tiverem perfeita aderência. Mas não fica assim não, tá? Eles mesmos deram o poder e as armas para que um dia isso tudo se craquelasse. Ainda vou te escrever outra carta, bem feliz, prometo, dizendo que estamos a um passo do comunismo, que o operariado finalmente acordou pra vida e cansou de ser explorado, que o mais-valia deixou de ser um carma, que todo mundo é dono dos meios de produção...vou até de falar que a gente tá tão civilizado que nem precisa mais de Estado enchendo nosso saco. Só espero que você tenha um tiquinho de paciência. 
            Espero respostas suas. 


Att., Carol.

Ana Carolina Santos Ribeiro - 1 ano direito diurno




Atuais até quando?

     Como bem destacaram Karl Marx e Friedrich Engels, a história da humanidade é caracterizada por um ciclo de acontecimentos. Embora os dois pensadores tenham chegado a tal conclusão analisando os eventos ocorridos até a segunda metade do século XIX, ela é, ainda, muito atual. Isto é, ao afirmarem que o modo de produção capitalista desencadeia picos de produção e venda seguidos por crises econômicas constantemente, até aquele momento, não tinham presenciado o grande crash da bolsa de valores de Nova Iorque em 1929, desencadeando a crise que durou até 1933 e atingiu todos os Estados capitalistas da época, nem a crise econômica que perdurou de 1997 a 2001, tampouco a iniciada em 2008; eles apenas estavam vivenciando a longa crise das economias industriais europeias que se iniciou em 1876 e durou até 1893. Todas estas crises decorreram de um aumento desenfreado das margens de lucros em detrimento da capacidade de comprar e consumir das sociedades.
     Dessa forma, para a dupla, com o intuito de se evitar que aconteçam mais crises capitalistas, as quais derrubam mais ainda a classe trabalhadora desfavorecida, ou seja, o proletariado, os pertencentes a este deveriam juntar-se e destronar o modo de produção vigente desde o final da Idade Média, instalando o socialismo e, sem seguida, o comunismo, que pretende promover o estabelecimento de uma sociedade igualitária, sem classes sociais e apátrida, baseada na propriedade comum dos meios de produção.
     De acordo com Marx e Engels, o capitalismo é injusto, pois uma pequena parte da população, a burguesia, detém a maior parte dos meios de produção, além de não dar espaço aos pequenos burgueses e os seus comércios. Para terem tanto poder, utilizam-se da mais-valia, a qual consiste na diferença entre o valor gerado pelo trabalho e o pago ao trabalhador pela sua realização. Atualmente, de acordo com pesquisas realizadas recentemente, foi comprovado que as marcas Nestlé, Carrefour, Zara, Hershey’s, Nike, Apple, Coca-Cola, Victoria’s Secret e Forever 21 submetem os seus trabalhadores a condições próximas à de escravidão com o fim de produzirem e venderem mais, tendo pouquíssimos gastos com a manutenção do operariado. Ao fazerem isso, conquistam o mercado de todo o globo terrestre, como afirmado por Engels em “O manifesto do partido comunista”: “Em lugar das antigas necessidades, satisfeitas pela produção do país, encontramos novas necessidades, exigindo, para satisfazê-las, produtos de terras e climas distantes. No lugar da antiga reclusão e autossuficiência local e nacional, temos conexões em todas as direções, uma interdependência universal.”.
     Eles propõem, assim, que acabem com o capitalismo para todos terem boas e iguais condições de vida. Além disso, Marx afirma que esse modo de produção aliena os indivíduos e que todas as instituições nele presentes o reforçam: o direito, diferentemente do que afirmava Hegel, media as relações apenas entre os iguais, e não entre todos; seria necessário que todos fossem iguais para que o direito garantisse a total igualdade entre os cidadãos. O ideal, portanto, seria que se extinguisse a exploração do homem pelo homem.

Bruna Benzi Bertolletti - 1º ano direito diurno

O MUNDO É INÓSPITO À EDUCAÇÃO

            É do conhecimento do senso comum que a educação é um problema latente no Brasil, contudo pouco se fala de como algumas Universidades com fins lucrativos alienam seus alunos com a simples finalidade de acúmulo de capital.
            Em 2014, a empresa que mais recebeu dinheiro do governo foi a Kroton Educacional S.A., maior empresa de ensino privado do mundo, com cerca de 1 milhão de alunos distribuídos entre a Anhanguera, LFG, Unic, Unime, Uniderp. O crescimento dessa Instituição deu-se principalmente pela exploração da falta de controle do FIES: “Em 2016, a receita liquida somou R$ 5,24 bilhões”- (Valor Econômico, 22 de Março de 2017), o que representa quase 1 bilhão a mais do que a somatória de todos os  gastos de água, energia e segurança das Universidades Federais do Brasil em 2017, como mostra notícia da Gazeta do povo em 13 de agosto de 2017.Por essa análise, a grande questão é que tal cenário objetiva somente o lucro e, portanto, cria mecanismos de barateamento da graduação para a Instituição, como disciplinas à distância, enquanto os alunos não tem acesso à qualidade de ensino merecida.   
            Tendo em vista tal problemática, tomamos a visão de Marx sobre o Materialismo Histórico como base para discutir como esse tipo de ensino é um meio alienador e intensificador das desigualdades.
            Em primeiro lugar, é fundamental entender como conceito de “classes sociais” aqueles indivíduos que possuem mesma situação econômica e o mesmo acesso aos meios de produção, sendo estes relacionados às formas de criação dos bens de consumo que existem em uma sociedade. Pensando nisso, a importância dada por Marx a esse quesito justifica-se, segundo a sua teoria, pelo impacto que a situação econômica de um sujeito tem em sua trajetória de formação. Pois, é inegável que aqueles que possuem maior condição econômica também possuem maior número de oportunidades de manter-se em melhor condição material. Já aqueles desprovidos das mesmas oportunidades enfrentam dificuldades superiores de ascensão na escala social.
Marx refere-se a essa condição do mundo social humano como “concepção materialista da história”, uma perspectiva que atribui grande peso à condição material do indivíduo nos processos que determinam os aspectos da sua vida. Isso quer dizer que tal concepção materialista da história atribui fenômenos sociais à condição material do sujeito, que se desdobram em várias camadas diferentes do nosso mundo social.  
      Segundo o site da revista Exame, em 18 de Janeiro de 2017, de 2010 à 2015 o lucro da Kroton cresceu 22.130%. Sendo assim, paralelo visão de Marx, Universidades que enxergam seus alunos como clientes e não retornam o ensino adequado para sua inserção e ascendência socioeconômica não exercem sua função de minimizar as desigualdades, promovendo uma eterna luta de classes e institucionalizando a “violência”.
            Acrescenta-se, por fim, que para os materialistas, está nesse cenário a função das cotas socioeconômicas, a fim de garantir educação de qualidade de forma gratuita para que funcione, na prática, o princípio da Isonomia. Isso porque, há um desnivelamento real entre a rede de ensino publica e privada, não proporcionando as mesmas bases para uma concorrência justa. Diante disso, segundo Marx, não seriam os valores ou as ideias que motivariam as mudanças sociais de nosso mundo, mas sim a situação das classes dessa sociedade, criando-se assim mecanismos que supram a desigualdade e proporcionem o acesso a um Ensino Superior que lhes permitam crescer, sem ser preciso estar à mercê da exploração e alienação, apenas como fator de enriquecimento de uma minoria.

Giovanna Menato Pasquini, 1º Direito, Matutino. 

Geração coxinha

Fruto da geração Coca-Cola
Renato Russo apostou em mim para a mudança da nação
Todavia, desde sempre, impuseram-me padrões,
“Aceite as condições e se põe em seu lugar”
Desde então, tentei me rebelar e sonhar
Fui reprimida e atropelada
Descobri que quem detém mais vai comandar
Mas, mesmo assim, não tiraram de mim o direito de pensar
Vejo uma sociedade burguesa, feroz, quando se trata do capital
E desumana quando se trata do próximo
Que mente, engana, corrompe-se
Manipula, pro proletário não contestar,
Assim, somos ensinados simplesmente a aceitar
Sinto-me mecanizada, adestrada, um robô de carne e osso
O desemprego instaura-se, famílias são desmanteladas,
E ouço “Não fale em crise, trabalhe”
A educação pública segue afundando-se,
O governo está conseguindo formar seres não pensantes,
A sociedade segue em ordem e regresso
A lei não garante igualdade, pune aqueles que não tem propriedades
Como acreditar num futuro melhor diante de tanta desigualdade?
O conformismo instaurou-se,
Geração coxinha inaugurou-se
Questiono-me, como transformar a realidade?
Desilusão diante de tantas disparidades

Bruna Maria Modesto Ribeiro 1º Direito Diurno

O REDUCIONISMO MARXISTA: CONDUTOR DE UTOPIAS E AUTORITARISMOS

     Generalizadamente, a esquerda adota um discurso variável conforme as circunstâncias conjunturais e históricas vividas: a sua subida ao poder é historicamente justificada segundo os meios distintos que se apresentam em cada experiência daquilo que ela mesma chama de “socialismo real”. De fato, por mais díspares que se apresentem seus discursos, o grupo autodenominado como a esquerda de sua época arroga para si- ressalte-se: generalizadamente-, o título de advogado do marxismo como se apresentara na época de seu surgimento. Ora, é certo que a metodologia marxista tem-se aplicado de modos distintos nos grupos distintos que a defendem, porém a mesma guarda essências fundantes de sua existência que se ramifica para os mais variados saberes amalgamando-se àqueles de natureza filosófica, sociológica, antropológica, histórica, jurídica e outras mais. As essencialidades do pensamento marxista devem ser, pois, objeto de apreciação enquanto tais, despidas das interpretações que escolas marxistas quiseram delas fazer especificamente em seus contextos históricos. Com isso, decerto tem-se maior concretude daquilo que seria o pensamento marxista de per si, viabilizando sua interpretação no momento presente. Não se discute aqui a inépcia econômica do socialismo, mas cruamente uma analogia entre a realidade sociológica e as ideias que Friedrich Engels e Karl Marx apresentaram em sua época.
     Inicialmente, parta-se do estudo comparativo efetuado por Engels entre o que ele chama socialismo utópico e socialismo científico. O autor critica os mentores do socialismo após a Revolução Francesa chegando a falar que suas ideias se degeneravam em “puras fantasias”. Engels critica um pensamento metafísico que seria a base dos socialistas utópicos surgindo classificações do autor como “reino da utopia”, “fantasias que hoje parecem provocar risos” e “cúmulo de disparates”. Decerto, pelo que logicamente se conclui, a metodologia marxista estaria, portanto, assentada na objetividade, no realismo e na cientificidade de seu saber, longe de quaisquer utopias. Trata-se de um reducionismo deveras estranho quando se compara a suposta objetividade e realismo com as aplicações feitas dessa sistemática cognominada por si como científica. Não é preciso recorrer às atrocidades genocidas dos soviéticos, dos chineses, vietcongues, cambojanos ou de quaisquer outros países socialistas para constatá-lo. Os governos que antecederam por 13 anos o atual subiram ao poder com promessas, dentre as quais estava a erradicação da pobreza no Brasil. Entretanto, não parece que mergulhar o país em um estado de recessão econômica e desemprego seja das mais científicas e realistas consequências que poderiam ser previstas pelo autor.
       Ademais, não só acerca das utopias criticadas por Engels o marxismo toma para si a bandeira em prol do materialismo. Este tende a se aplicar metodologicamente em tudo quanto seria possível, não sem razão as relações econômicas sejam tão importantes para os autores do marxismo. Isto, acrescente-se, também é genericamente presente nas distintas obras em que o marxismo se expõe enquanto tal. As ideias sobre o sistema de produção capitalista estão presentes desde as análises críticas do Direito em Hegel até o Manifesto do Partido Comunista. Questiona-se: que realismo há em defender o materialismo como única fonte de análise da realidade? O próprio Marx repisa a ideia de que as situações vividas socialmente são fruto da ideologia vigente em sua época. É de se corroborar, assim, a ideia de que Marx estaria tendo suas ideias a partir do sistema vigorante, dado ser assaz fantasioso crê-lo como único desvinculado do sistema em que vivia. E, por óbvio, havia influência das ideologias da época, verifica-se que desde o fim da Idade Média, a humanidade tem tendido filosoficamente para um maior grau de dessacralização do saber, no sentido de que apenas a matéria e a ciência são aceitáveis para a apreciação da realidade. O marxismo tende a se apresentar como ápice desse processo histórico, não acabado, sem dúvida, o nacional-socialismo também mais a frente defenderia a ciência como justificativa para sua existência. Mas o método implícito nas obras de Marx e Engels que se apresenta como uma reafirmação da dialética hegeliana, mas arrogando para si o status de materialista, tende a confluir num exclusivismo nada saudável para se analisar a sociedade e o meio em geral.
       A fixação pela análise da realidade como uma constante dicotomia materialista- a ideia de luta de classes o explicita- faz do método marxista reducionista e autoritário, pois sua aplicação social sempre cairá, de alguma forma, na ideia de grupos que devem ser retirados para se instaurar a ditadura do proletariado. Não é estranho o discurso autocontraditório- pois prega uma situação de união social, mas ressaltando a incompatibilidade entre os entes sociais- constantemente feito pela oposição brasileira de que o país está sendo entregue às “elites”, ao “grande capital”, aos “imperialistas”, aos “fascistas”, aos “poderosos” ou quaisquer outros adjetivos que se possa discricionariamente criar em nome da divisão social. O caso do Direito é emblemático: mesmo Hegel tendo dito que o paradigma do saber jurídico é a liberdade, o marxismo reiterará a ideia de uma dualidade entre uns dominantes e outros dominados, esvaziando, com isso, todo um desenvolver histórico pelo qual o Direito passou e calcou suas bases. E em tudo aquilo em que se tenta assentar o marxismo, os princípios basilares de oposição e materialismo estarão sempre presentes, por mais diverso e prolixo que se demonstre o discurso, como no caso do próprio Direito em que se tenta criticar o caráter especulativo dessa ciência, em outros termos, o seu caráter não materialista.
       É conclusivo salientar: o pensamento metodológico marxista é eminentemente reducionista, exclusivista e fechado. A despeito do discurso que muitos de seus defensores têm de uma suposta abertura ao mundo dos marginalizados, na verdade, seu pensamento é puramente materialista e, portanto, inumano. A crítica marxista à religião classificando-a como “ópio do povo” recrudesce a ojeriza ao pensamento metafísico e o próprio Marx diz “É com razão, pois, que o partido político prático na Alemanha exige a negação da filosofia.”. A conclusão patente será a de que o marxismo reduz a história, o direito, a filosofia e todos os saberes humanos à sua constante dual materialista. Ao dizer-se concreto o socialismo científico tão somente conduz à utopia, em vista de seu reducionismo metodológico que conflui em inaplicabilidade prática. Por fim, vale ressaltar este ponto: a busca pelo socialismo científico, de fato, nunca conduziu ao mesmo sem contrariar fatores da própria natureza humana que devem ser levados em consideração, desde sua espiritualidade à sua objetividade física. A exclusão desse pragmatismo nas análises marxistas é um percalço a se encarar, pois conduz ao autoritarismo, maneira única de se alçar à utopia que o marxismo demonstrara, já que sua análise histórica errou e não conduziu ao comunismo como predizia. Com isso, a única saída para o marxismo seria a retração da ordem nas instituições alcançando seu escopo na força, daí poder concluir-se o descarte dessa forma de pensamento para fins práticos.
      Enfim, vê-se, pois, que nem se elencou aqui as variantes desenvolvidas historicamente- social-democracia, socialismo fabiano, menchevismo, Escola de Frankfurt, Gramsci-, mas tão somente a essência que é intrínseca ao marxismo. A história e o presente são demonstrativos daquilo a que conduz o marxismo: a busca da utopia contra a própria realidade que só se modificaria, então, pelo uso da força. Assim, como se vê, não sem razão os partidos da oposição sentem-se tão atraídos e tão vislumbrados na defesa de regimes ditatoriais.


Gustavo de Oliveira- 1º ano noturno

O operário em construção

Era ele que erguia casas 
Onde antes só havia chão. 
Como um pássaro sem asas 
Ele subia com as casas 
Que lhe brotavam da mão. 
Mas tudo desconhecia 
De sua grande missão: 
Não sabia, por exemplo 
Que a casa de um homem é um templo 
Um templo sem religião 
Como tampouco sabia 
Que a casa que ele fazia 
Sendo a sua liberdade 
Era a sua escravidão. 

De fato, como podia 
Um operário em construção 
Compreender por que um tijolo 
Valia mais do que um pão? 
Tijolos ele empilhava 
Com pá, cimento e esquadria 
Quanto ao pão, ele o comia... 
Mas fosse comer tijolo! 
E assim o operário ia 
Com suor e com cimento 
Erguendo uma casa aqui 
Adiante um apartamento 
Além uma igreja, à frente 
Um quartel e uma prisão: 
Prisão de que sofreria 
Não fosse, eventualmente 
Um operário em construção. 

Mas ele desconhecia 
Esse fato extraordinário: 
Que o operário faz a coisa 
E a coisa faz o operário. 
De forma que, certo dia 
À mesa, ao cortar o pão 
O operário foi tomado 
De uma súbita emoção 
Ao constatar assombrado 
Que tudo naquela mesa 
- Garrafa, prato, facão - 
Era ele quem os fazia 
Ele, um humilde operário, 
Um operário em construção. 
Olhou em torno: gamela 
Banco, enxerga, caldeirão 
Vidro, parede, janela 
Casa, cidade, nação! 
Tudo, tudo o que existia 
Era ele quem o fazia 
Ele, um humilde operário 
Um operário que sabia 
Exercer a profissão. 

Ah, homens de pensamento 
Não sabereis nunca o quanto 
Aquele humilde operário 
Soube naquele momento! 
Naquela casa vazia 
Que ele mesmo levantara 
Um mundo novo nascia 
De que sequer suspeitava. 
O operário emocionado 
Olhou sua própria mão 
Sua rude mão de operário 
De operário em construção 
E olhando bem para ela 
Teve um segundo a impressão 
De que não havia no mundo 
Coisa que fosse mais bela. 

Foi dentro da compreensão 
Desse instante solitário 
Que, tal sua construção 
Cresceu também o operário. 
Cresceu em alto e profundo 
Em largo e no coração 
E como tudo que cresce 
Ele não cresceu em vão 
Pois além do que sabia 
- Exercer a profissão - 
O operário adquiriu 
Uma nova dimensão: 
A dimensão da poesia. 

E um fato novo se viu 
Que a todos admirava: 
O que o operário dizia 
Outro operário escutava. 

E foi assim que o operário 
Do edifício em construção 
Que sempre dizia sim 
Começou a dizer não. 
E aprendeu a notar coisas 
A que não dava atenção: 

Notou que sua marmita 
Era o prato do patrão 
Que sua cerveja preta 
Era o uísque do patrão 
Que seu macacão de zuarte 
Era o terno do patrão 
Que o casebre onde morava 
Era a mansão do patrão 
Que seus dois pés andarilhos 
Eram as rodas do patrão 
Que a dureza do seu dia 
Era a noite do patrão 
Que sua imensa fadiga 
Era amiga do patrão. 

E o operário disse: Não! 
E o operário fez-se forte 
Na sua resolução. 

Como era de se esperar 
As bocas da delação 
Começaram a dizer coisas 
Aos ouvidos do patrão. 
Mas o patrão não queria 
Nenhuma preocupação 
- "Convençam-no" do contrário - 
Disse ele sobre o operário 
E ao dizer isso sorria. 

Dia seguinte, o operário 
Ao sair da construção 
Viu-se súbito cercado 
Dos homens da delação 
E sofreu, por destinado 
Sua primeira agressão. 
Teve seu rosto cuspido 
Teve seu braço quebrado 
Mas quando foi perguntado 
O operário disse: Não! 

Em vão sofrera o operário 
Sua primeira agressão 
Muitas outras se seguiram 
Muitas outras seguirão. 
Porém, por imprescindível 
Ao edifício em construção 
Seu trabalho prosseguia 
E todo o seu sofrimento 
Misturava-se ao cimento 
Da construção que crescia. 

Sentindo que a violência 
Não dobraria o operário 
Um dia tentou o patrão 
Dobrá-lo de modo vário. 
De sorte que o foi levando 
Ao alto da construção 
E num momento de tempo 
Mostrou-lhe toda a região 
E apontando-a ao operário 
Fez-lhe esta declaração: 
- Dar-te-ei todo esse poder 
E a sua satisfação 
Porque a mim me foi entregue 
E dou-o a quem bem quiser. 
Dou-te tempo de lazer 
Dou-te tempo de mulher. 
Portanto, tudo o que vês 
Será teu se me adorares 
E, ainda mais, se abandonares 
O que te faz dizer não. 

Disse, e fitou o operário 
Que olhava e que refletia 
Mas o que via o operário 
O patrão nunca veria. 
O operário via as casas 
E dentro das estruturas 
Via coisas, objetos 
Produtos, manufaturas. 
Via tudo o que fazia 
O lucro do seu patrão 
E em cada coisa que via 
Misteriosamente havia 
A marca de sua mão. 
E o operário disse: Não! 

- Loucura! - gritou o patrão 
Não vês o que te dou eu? 
- Mentira! - disse o operário 
Não podes dar-me o que é meu. 

E um grande silêncio fez-se 
Dentro do seu coração 
Um silêncio de martírios 
Um silêncio de prisão. 
Um silêncio povoado 
De pedidos de perdão 
Um silêncio apavorado 
Com o medo em solidão. 

Um silêncio de torturas 
E gritos de maldição 
Um silêncio de fraturas 
A se arrastarem no chão. 
E o operário ouviu a voz 
De todos os seus irmãos 
Os seus irmãos que morreram 
Por outros que viverão. 
Uma esperança sincera 
Cresceu no seu coração 
E dentro da tarde mansa 
Agigantou-se a razão 
De um homem pobre e esquecido 
Razão porém que fizera 
Em operário construído 
O operário em construção.  

-Vinicius de Moraes 

Maria Theresa 1 Diurno

Fracasso socialista: As liberdades econômicas e civis

O fracasso socialista ao decorrer das décadas remonta às suas bases presentes no socialismo utópico e científico. Enquanto o primeiro defendia uma mudança lenta e gradual, o outro criticava esse pelo caráter burguês, pois estava baseado na transformação da consciência da burguesia. O mais conhecido é o científico, defendido por Karl Marx e Friedrich Engels, e que viam a revolução proletária como meio de se atingir uma sociedade igualitária e com melhores condições de trabalho para o proletariado, esse será o foco do presente texto.
Um dos motivos para o fracasso dessa ideologia seria a busca pela igualdade entre todos, porém essa não levou em consideração as particularidades de cada indivíduo, especialmente as econômicas. O modelo de centralização econômica defendido pela ideologia socialista impediria as relações econômicas naturais entre os seres humanos e a espontaneidade dessas, caso houvesse a implantação desse modelo culminaria na supressão das liberdades civis, como alerta Friedrich Hayek:

“Há um forte risco de que planejamentos econômicos nos levem a autoritarismos”

Além disso, o controle de preços seria algo prejudicial para toda sociedade, essa deixaria de ter a real noção do mercado, desorientando as suas ações e comprometendo o progresso econômico. Tais fatores são observados em países que tentaram implementar o socialismo, apesar de alguns dizerem que não eram ou não são socialismo reais, até quando teremos que ver refugiados políticos e o racionamento de comida desses para que o tal socialismo ideal seja atingido? É de conhecimento de todos a atual crise econômica e social da Venezuela, que durante o período de Hugo Chaves sofreu com planejamentos econômicos, e agora sofre com o autoritarismo de seu sucessor. Não muito distante, há Cuba que sofre do controle de alimentos por parte do governo, além da população sofrer restrições por conta do autoritarismo daquele, vide o caso da jornalista Yoani Sánchez.
Por fim, outro ponto a ser criticado é a teoria da mais-valia:

“Descoberta que veio revelar que o regime capitalista de produção e a exploração do operário, que dele se deriva, tinham por forma fundamental a apropriação de trabalho não pago; que o capitalista, mesmo quando compra a força de trabalho de seu operário por todo o seu valor, por todo o valor que representa como mercadoria no mercado, dela retira sempre mais valor do que lhe custa e que essa mais-valia é, em última análise, a soma de valor de onde provém a massa cada vez maior do capital acumulado em mãos das classes possuidoras.” (Trecho retirado de: Do socialismo utópico ao socialismo científico - Friedrich Engels)

Essa se esqueceu de diversos fatores essenciais. O primeiro é o acúmulo de capital do empresário, que junta dinheiro ao longo de anos, deixa de lucrar com esse, com o objetivo de abrir um futuro negócio que pode dar errado, ressalta-se ainda o dinheiro gasto com máquinas, a necessidade do capital de giro, e a compra da propriedade para a realização de tal empreendimento. Dessa forma, faz parte da lógica que parte do lucro vá para o empreendedor, até porque esse assumiu o risco de perder tudo e de lucrar ao longo de anos, resultado de um investimento a longo prazo. Se não houvesse o desejo de lucrar, o negócio não seria aberto e empregos não seriam gerados.

“Democracia e o Socialismo não têm nada em comum além de uma palavra: igualde; Mas note a diferença: enquanto a democracia procura a igualdade na liberdade, o socialismo procura igualdade na restrição e servidão.”
Alexis de Tocqueville

Nome: Marco Antonio Cid Monteiro da Silva
DIREITO - NOTURNO