Total de visualizações de página (desde out/2009)

domingo, 19 de abril de 2015

A população brasileira precisa conhecer Descartes



A população brasileira precisa conhecer Descartes

Descartes há alguns séculos atrás discursou sobre a importância da valorização do saber científico,em um tempo onde a magia,a alquimia e a astrologia ainda eram prestigiadas socialmente.Se René Descartes conhecesse o Brasil contemporâneo encontraria os mesmos problemas vistos séculos atrás,talvez com as igrejas neopentecostais no lugar da magia e a autoajuda no lugar da alquimia.

Apesar do acesso a informação ter sido ampliado,o misticismo e a religiosidade atuam de preocupante na sociedade brasileira,como quando o vidente Jucelino Luz previu que um avião cairia sobre a Avenida Paulista,em São Paulo,fato que causou tanto alarde a ponto de a empresa aérea responsável pelo avião,a TAM,alterar seu número de voo.


O fato de que uma previsão,sem nenhum fundamento concreto,baseada apenas no “dom” de um vidente,ter alterado a rotina de várias pessoas é preocupante,mas a falta da valorização do saber científico,defendida por Descartes há quase 400 anos atrás,se torna ainda mais grave quando pessoas relacionadas a grupos religiosos ganham um grande poder político e começam a governar de acordo com ideias que não usam qualquer método para serem formuladas.

Informar a população sobre o método cartesiano com a consequente valorização do conhecimento científico,não apenas diminuiria a oportunidade de charlatões,mas também teria um grande impacto no governo,pois há diversas propostas progressistas que não são discutidas devido a imensa ignorância da população sobre o assunto,como os direitos dos homossexuais e aborto,por exemplo.Caso a população soubesse a importância do conhecimento científico para se atuar em qualquer área,mais pessoas poderiam ver o quão problemática é a afirmação de Eduardo Cunha,presidente da Câmara,na qual ele afirma que irá lutar para que os princípios da igreja evangélica sejam levantados e defendidos no Legislativo.

Eduardo J. Clementino 
1º ano - Direito Noturno

Descartes, de que cor é o vestido?

     René Descartes, no começo do século XVII, está determinado a expandir as fronteiras do conhecimento sobre o mundo e questionar tudo o quanto já foi estabelecido pela epistemologia até então. A necessidade da investigação veio pois acreditava que suas crenças precisavam ter solidez e resistência; Através de sua obra, O  Discurso do Método, o intelectual inaugura o compreender através da razão. Onde submete tudo aquilo em que acredita a um meticuloso processo de busca pela verdade. 
      Sua filosofia se torna atual ao percebemos a necessidade que ainda temos de questionar os nossos sentidos. Pois o que vemos através de nossos próprios olhos é sempre tomado como absoluta verdade, entretanto, muitas vezes, nos equivocamos. Nossos sentidos podem nos enganar, como já nos advertia René Descartes. O grande exemplo disso é o fenômeno chamado ilusão de ótica. O qual foi responsável por uma discussão viral na internet em fevereiro deste ano. O debate sobre a cor de um vestido em uma foto dividiu os internautas, pois alguns enxergavam branco e dourado enquanto outros preto e azul. A discussão chegou ao fim quando a emissora de televisão BBC por meio de um método científico de análise de imagens concluiu que a cor correta é azul e preto.
      Assim, se Descartes estivesse vivo e apresentássemos a ele esta questão, sua primeira atitude não seria de afirmar uma das combinações de cores, mas iria questionar o que seus olhos estavam vendo para não ser enganado pelo seu sentido de visão.
       
Gabriela Gandelman Torina
1° ano Direito Noturno
Introdução à Sociologia- Aula 2.



"Pai da ciência moderna"

    René Descartes viveu em uma época em que a sociedade era guiada pela crença na magia, na alquimia, na astrologia e, principalmente, na religião. E ainda assim revolucinou a filosofia propondo em sua obra, ''O Discurso do Método'',  uma nova perspectiva, segundo a qual o mundo pode ser explicado através do conhecimento baseado na razão.
    Considerado ''pai da ciência moderna', Descartes divergia da tradicional filosofia contemplativa, considerando-a estéril. Para ele, a razão deveria transformar, de modo que o conhecimento permitisse o domínio da natureza, colocando esta a serviço do homem. Sendo assim, a ciência passaria a ter um propósito prático e útil,  que vai além de somente observar e compreender o mundo.
       Contudo, para o autor, seria necessário utilizar o princípio da dúvida para verificação dos fatos,  buscando a razão para que esta leve à verdade. Dessa forma, ele rejeitava tudo aquilo em houvesse a menor dúvida, logo, considerava o conhecimento adquirido a partir do senso comum como suspeito. Podemos aqui fazer uma comparação com a realidade em que vivemos atualmente, uma vez que, muitos espalham pela internet, principalmente em redes sociais como facebook, diversas histórias, notícias,  textos, que muitas vezes não são fundamentados em fatos verdadeiros. Sendo assim, nos dias atuais, questiona-se menos a veracidade das histórias repassadas , deixando de lado o princípio da dúvida, utilizado por Descartes.
      René através de seus questionamentos é conduzido ao princípio da sua filosofia "'penso, logo existo''. Ele conclui que, devido ao fato de possuir a capacidade de pensar, nada poderia questionar sua existência no mundo, uma vez que estaria pronto a transformar o mundo ao seu redor.

Mariana Miler
1ºano - Direito|Noturno.

Meça sua razão


O racionalismo cartesiano teve grande importância na história da filosofia. Pois, rompeu com a busca tradicional do conhecimento ao defender que a razão seria capaz de transformar o mundo, controlando as forças da natureza e colocando-as a serviço do homem. Isto é, ela perde seu caráter meramente contemplativo.
Neste contexto, Descartes, em sua obra Discurdo do método(1637), elege uma regra metodológica que o orientará na busca de novas verdades.A qual possui os seguintes preceitos: a aceitação exclusiva do indubitável como verdadeiro, a divisão das dificuldades e a ordenação que presecreve o trânsito do simples para o complexo.Sendo assim, o melhor caminho para a compreensão de um objeto de estudo é a ordem e a clareza com que processamos nossas reflexões. Uma dificuldade sempre será mais bem compreendida se a dividirmos em uma série de pequenos problemas que serão analisados isoladamente do todo.
Essa visão, no entanto, se perpetuou pelo tempo e ainda se faz presente na sociedade contemporânea e, muitas vezes, é interpretada com algo prejudicial. Uma vez que, o racionalismo excessivo nos levou a acreditar que todos os fenômenos complexos podem ser compreendidos se reduzidos as suas partes constituintes. Em outras palavras, nossa capacidade de perceber o todo de maneira expandida no tempo e no espaço está comprometida.

Exemplo disso é a ineficácia do modo de pensar cartesiano nos casos em que organizações ficam imersas em problemas complexos, que são aqueles que envolvem muitas variáveis, alto dinamismo , relações intrincadas e diferentes interesses sobre a questão.Já que, foca nas partes, não no todo. Foca nos objetos isolados, não nas relações. Foca na visão linear, não na circularidade.Não é à toa que vemos crises de percepção também nas empresas.

Yasmin Commar Curia. Primeiro ano do Direito noturno.

O poder da dúvida


      A dúvida caracteriza-se como uma forma inteligível e eficaz de liberdade de expressão, mas também pode ser considerada um empasse às escolhas humanas. Ao utilizar-se do poder da dúvida de maneira inusitada, Renè Descartes elaborou seu método científico orientado pela razão – instrumento para a busca do conhecimento verdadeiro.
      Considerando o homem como único ser dotado da capacidade de pensar, o método cartesiano apresenta um viés antropocentrista. Nesse sentido, por acreditar que o conhecimento que adquirirmos para a vida deve ultrapassar as especulações e possuir um fim prático, sua ciência direcionou o domínio do homem sobre as forças da natureza.
       No contexto da revolução científica do século XVI, as obras de Descartes também contribuíram para
 a consolidação da burguesia no poder, visto que essa nova classe pode questionar, criar e transformar as relações sociais da época de forma racional.
      Em suma, a máxima do pensamento cartesiano está contida na frase “penso, logo existo” e toda sua produção de conhecimento se pauta no fundamento ultimo de que a razão é a perfeição daquele que a criou, ou seja, Deus.


Juliana Previato Teixeira- 1º ano direito noturno.


As certezas da polarização

       Quando, em 1637, René Descartes publicou o Discurso do Método, não só foi de encontro aos paradigmas da época — demonstrando uma maneira muito mais racional de se pensar —, como também criou as bases para a Filosofia Moderna, influenciando diversas gerações de pensadores. Na dita obra, Descartes desqualifica todas as certezas que não sejam baseadas na razão: Convicções pessoais, conhecimentos transmitidos pelo hábito e evidências geradas pelos sentidos ou pela imaginação. Para Descartes, a razão é o único caminho para a verdade. A dúvida, sua única certeza, é o sustentáculo de seu pensamento.
          É notável na atualidade, em contraponto ao método que fez Descartes tão famoso, a facilidade da sociedade brasileira em se ater ao senso comum, à afirmações sem embasamento sólido, que acabam se tornando verdades irrefutáveis pela simples repetição realizada pelos meios midiáticos. Na atual polarização tucano-petista, pululam afirmações como “Dilma e Lula sabiam de tudo” e “o PT quer transformar o Brasil em Cuba”, as quais muitas vezes as pessoas aceitam como certezas sem ao menos questioná-las. Pior: Ao considerá-las duvidosas, você corre o risco de ser escorraçado, chamado de “petralha” e ainda receber um pouco afetuoso convite para “voltar para Cuba”.
         Talvez a prova mais contundente da falência do método racional no atual panorama político brasileiro seja a entrevista concedida por uma jovem durante uma passeata contra o Governo: Indagada pelo repórter sobre seu posicionamento político, não hesitou em afirmar sua identificação com a Direita. Todavia, quando perguntada sobre o porquê de tal posicionamento, não soube responder e teve que apelar para sua mãe. Esse caso, infelizmente, não é uma exceção na sociedade brasileira, onde o pensamento de massa — pré-concebido pela mídia e apenas deglutido pela população — é considerado normal, enquanto que o questionamento de tais ideias e o pensar crítico são vistos sempre pejorativamente. Em tempos de tantas convicções geradas pela polarização tucano-petista, é curioso — e preocupante — que não haja espaço para a dúvida, a única certeza no mundo.


Paulo Cereda
1º ano - Direito (diurno)
Introdução à Sociologia - Aula 02

O método e herança cartesiana

O Renascimento foi um período de transição da Idade Média para um mundo totalmente novo. A ascensão das artes, ignoradas na Idade das Trevas. A redinamização das atividades comerciais. O crescimento de uma burguesia. O  fortalecimento das monarquias nacionais. Tais acontecimentos marcaram uma grande ruptura com o poderio da Igreja, que se  enfraqueceu. Nesse sentido, pela primeira vez após tanto tempo, o homem pôde pensar sobre as ideias que o cercavam.

Vivendo em uma época de grande ceticismo que marcou o Renascimento, René Descartes inaugura em sua obra,  Discurso do Método, um método para obtenção da verdade. Sua tese baseava-se no uso incessante da razão, utilizando-a como operária do conhecer. Para ele, se ainda existem dificuldades para se encontrar verdades claras e distintas aos olhos de todos, é porque ainda não se usa adequadamente a razão. Assim, o filósofo inaugura uma nova linha de pensamento.

Além do intenso racionalismo, a crítica a filosofia clássica é uma constante em sua obra. Para ele, essa filosofia era "inútil" pois baseava-se no conhecimento pelo hábito e  sentidos. Assim, sua única função era contemplar o mundo e não para ser utilizada na melhoria da vida humana, como prezava Descartes.

Introduzindo seu pensamento, Descartes afirmava que o homem deveria se basear na dúvida constante. Até então, muitas "verdades" que eram propostas não podiam ser questionadas e assim, não se abriam oportunidades para o conhecimento.Tudo poderia ser duvidado, exceto o pensamento. Se existe a dúvida, logo, existe o pensamento. Assim, "duvidar de tudo" era o primeiro passo para reconstruir e adquirir o conhecimento. Depois disso, dividir as dificuldades, estudando-as nível por nível e revisando-as com cautela e moderação, era possível chegar a verdade. Por fim, o seu objetivo de "transformação do mundo" seria alcançado. Para o filósofo, o homem deveria ser capaz de dominar a natureza para colocá-la a seu serviço.

Até hoje, a obra de Descartes continua extremamente atual. Como herança positiva, temos um maior detalhamento nas ciências, contribuindo para uma maior especialização em determinadas áreas de estudo, causado pela eficácia de seu método cientifico. E também, seu pensamento influenciou diversos outros importantes filósofos como  Espinoza e Hobbes. Podemos observar também que o estudo sobre Descartes e sua luta contra o senso comum seria importantíssimo em um país como o Brasil, recheado de preconceitos, ignorância, opiniões embasadas no  "achismo" e o costume de aceitar tudo o que a mídia sensacionalista  sugere, sem antes, refletir sobre o assunto. Quantos fundamentos precipitados seriam reparados se duvidássemos e refletíssemos mais? Quantos erros não teriam acontecidos na história política brasileira? É isso que Discurso do Método sugere.


Como negativo, a racionalização e um tratamento "matemático" de diversos temas que não devem ser tratados apenas nesse âmbito (casamento, filhos...).Um reflexo do capitalismo extremo que vivemos, onde o capital vem sempre em primeiro lugar. Além disso, podemos observar a exploração da natureza, a escassez de seus recursos, a poluição desenfreada. São consequências da tentativa de dominar a natureza para serviço da humanidade.

Fernando Risso
1º ano - Direito diurno
Aula 2

Descartes e o pensamento econômico contemporâneo

As reflexões presentes nos prólogos de alguns dos livros de Descartes, essas compiladas no seu livro “O Discurso Sobre o Método”, ajudaram a moldar todo o pensamento científico e filosófico posterior, inclusive servindo de inspiração para o método científico de Galileu. Pode-se considerar que esse método explicitado por Descartes, tal qual levava a dúvida permanente e metódica sobre tudo que abrange determinado conhecimento, sempre veio a tocar o pensamento econômico de forma mais pertinente, já que tal área do conhecimento não se define nem como ciência humana, nem como ciência exata.
Por se tratar justamente dessa convergência entre ciências, falta no decorrer da história do pensamento econômico uma espécie de racionalismo científico, uma indagação sistemática sobre as “verdades” e dogmas, ficando esse pensamento muito fadado a interpretações manchadas pelo pensamento ideológico vigente. Tais manchas são explicitadas quando se considera o pensamento científico por trás do chamado Neoliberalismo, que começou a se espalhar na década de 80 sob o pretexto da “falência” dos estados de bem-estar social.
Por se tornar aceito como um senso comum indiscutível no contexto internacional, o Neoliberalismo, ou mesmo “Reaganomics”, passou a ditar todo o pensamento econômico na virada do século. O fato de pertencer a uma teoria de cunho anacrônico e sem muito embasamento científico, levou à uma equivocada desregulamentação do mercado, resultando na segunda maior crise econômica da história em 2008, a qual ainda muitos países lutam para superar. Se as equipes econômicas de Reagan e Tatcher tivessem seguido um modelo estritamente científico e cartesiano, e menos manchado pelo contexto ideológico de fins da guerra fria, talvez tal crise não tivesse ocorrido, ou talvez tivesse sido mais branda.
Túlio Tito Borges – 1o Ano de Direito Diurno

Busca da verdade por meio da fuga do senso comum



Ana Flávia Rocha Ribeiro - 1º ano Direito Diurno, aula 2

Questionamento sobre o método e sua relevância

Revolucionário do desenvolvimento científico e responsável pelo racionalismo expandido da Idade Média até a contemporaneidade, René Descartes desenvolve em o Discurso do Método um sistema que permite conduzir a razão - capacidade de "discernir entre o verdadeiro e o falso", segundo o autor - na busca pela verdade.

Duvidar de tudo. Esta importante máxima cartesiana defendida em sua obra é ferramenta primordial em sua busca pelo conhecimento, o que desclassifica as ideias de Descartes como mero ceticismo. O autor não duvida por duvidar: sua desconfiança é metódica, e contribui para a formação de uma percepção segura sobre os fatos.

Segundo Descartes, tudo o que está sujeito, pelo bom senso, a incertezas, deve ser descartada como verdade absoluta. O método desenvolvido, que foge de qualquer dogma estabelecido pela sociedade, revolucionou globalmente a metodologia da pesquisa científica. A razão, da qual, para o filósofo, todos são dotados, deve  ser usada pelos homens na busca pela verdade e deve sempre vir de nossos próprios pensamentos, os quais seriam as únicas coisas que estão completamente em nosso poder.

Entretanto, a análise da obra pode nos permitir encontrar ideias que, a primeira vista, se contradizem, a partir das reflexões de Descartes em relação à trajetória na busca pela verdade. No Discurso do Método, o filósofo afirma que buscava caminhar em linha reta na busca pela veracidade dos fatos, assim como um viajante perdido na floresta, ao seguir uma linha reta, sempre chegará em algum lugar. Como seria possível seguir esse método sem desviar o caminho ao duvidar das coisas incertas? Ao trilhar o caminho reto, não seria possível chegar a uma falsa conclusão, assim como o viajante chegaria a um lugar indesejado?

Dúvidas podem ser levantadas a partir da obra - afinal, o questionamento é um dos principais métodos defendidos pelo próprio Descartes - mas não há hesitação em afirmar que esta teve contribuição colossal na busca pelo conhecimento e no desenvolvimento da ciência. Até mesmo nos contextos político e religioso, se a racionalidade cartesiana fosse utilizada por todos, certamente a humanidade caminharia para um futuro sem a exploração que há seculos presenciamos. Para buscar a verdade e a justiça, deve-se duvidar de tudo, até do método de Descartes

Alexandre Bastos
1º ano - Direito Diurno
Introdução à Sociologia - Aula 02
Progressão continuada no ensino fundamental: grande vilã na educação brasileira?

Como alertava Descartes, o método científico precisa ser orientado pela razão e observar a realidade como ela é, distanciando-se do conhecimento originado apenas do hábito, do senso comum, desprovido de uma análise mais profunda de determinado objeto. Um exemplo, vindo da área de educação, de como uma manipulação rápida da razão pode levar a conclusões enganosas, é a relação entre políticas de não-repetência e a qualidade da educação dentro do ensino público.

Em pesquisa recente (2014) do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), verifica-se que a larga maioria dos professores, pais e mesmo alunos, é contra o modelo de progressão continuada no ensino fundamental, adotado pelo Estado paulista. O principal argumento contra esse modelo é a percepção de que os estudantes passam de ano sem aprender as matérias. Outras razões são a perda de autoridade dos professores sobre a classe e a falta de esforço dos alunos.

Entretanto, estudos realizados por diversas instituições (Todos pela Educação, UFMG, Educação para Todos e outros) demonstram, por meio de pesquisas estatísticas, que não há uma melhora do ensino ao se comparar o sistema seriado, em que há retenção do aluno, e o sistema de ciclos, com progressão automática. Na verdade, verifica-se que a dificuldade de aprendizado do aluno reprovado aumenta ao longo do tempo e que a evasão escolar é uma consequência frequente. Um dos estudos também aponta que a proficiência dos alunos repetentes é menor quando eles estudam em colégios que também têm desempenho ruim.

Uma pesquisa da Unesco sobre o índice de reprovação na 8ª série (dados até 2005) mostra que o Brasil é um dos países que mais reprovam no mundo, muito mais do que a média da América Latina, ou de países com menor poder econômico, como o Haiti. Alguns países como Austrália, Coreia, Japão, Suécia, e outros, adotam o sistema de progressão continuada em todas as séries do ensino fundamental, indicando que o modelo não é necessariamente ruim. No Chile, por exemplo, só é possível reprovar a partir da 5ª série e em Cingapura, a partir da 6º série.

A despeito dessas constatações, cabe observar que, em Novembro de 2013, o Governo do Estado de São Paulo anunciou um plano de reforma da educação da rede estadual que, dentre outras medidas, aumenta a possibilidade de reprovação do atual sistema. As reprovações que podiam ocorrem apenas nos 5º e 9º anos do ensino fundamental, agora serão possíveis nos 3º, 6º e 9º anos. No ensino médio continua o modelo de reprovação em todos os anos.   

Descartes ensinava que era preciso repartir as dificuldades em quantas parcelas fossem possíveis e necessárias a fim de melhor solucioná-las. Nesse sentido, no caso concreto, é necessária uma análise mais detida das parcelas que compõem o comprovado problema da baixa qualidade do ensino no Brasil. Os fatos indicam que o modelo de ciclos com progressão automática não é o fator preponderante nessa questão, sendo necessário observar também aspectos salariais, de infraestrutura das escolas, de compromisso dos pais com o aprendizado de seus filhos, dentre outros. 

Fernando - 1º ano Direito noturno

Pouco menos de senso comum, pouco mais de racionalidade

  A busca de Descartes por verdades absolutas o levou a criar um método que o auxiliaria na mesma. Esse método deveria ter como base fundamental o uso da razão, deixando de lado conhecimentos passionais ou mágicos, tais como os conhecimentos sobrenaturais (religiosos), o senso comum e as superstições. Uma das principais ferramentas também utilizada em busca da verdade seria a dúvida, que ajudaria a trazer para superfície erros existentes em determinadas afirmações.

  Ainda hoje observamos a utilização dos princípios desse método pelos mais diversos cientistas, com devidas mudanças em razão do tempo em que vivemos, mas permanecendo o uso da razão e certo desprezo pelos outros conhecimentos citados anteriormente. Todavia enquanto a maioria das ciências de hoje que buscam a verdade tendem a negar a existência de um ser superior, Descartes que queria chegar ao mesmo fim, acreditava que Deus existia, sendo Ele um ser perfeito o qual nos forneceu tudo o que temos, assim como toda a verdade.  

  Atualmente vemos que, pelo menos no Brasil, a racionalidade que Descartes tanto defendia sofre diversos golpes em razão da grande influencia existente dos dogmas religiosos que se infiltram na política, ciência e na cultura, querendo ditar o que é certo e o errado e justificam essas escolhas como as de Deus, mesmo quando não fazem sentido ou ferem os direitos de outros. Isso sendo totalmente contrário à crença que Descartes tinha de Deus, que por ele era visto como um ser racional.


  Assim o senso comum se mostra cada vez mais forte e vemos uma consciência coletiva acontecendo. Quanto a isso Descartes estava certo ao falar que nem sempre as noções tidas pelo senso comum estavam corretas. Talvez tudo o que precisamos nessa situação que o Brasil está vivendo seja um pouco da racionalidade tanto defendia pelo principal pensador da ciência moderna. 


Paula Santiago Soares
1º ano Direito diurno

Tudo é incerto, exceto a minha existência e a de Deus

    René Descartes escreveu “Discurso do Método” na época da Revolução Científica, contexto que contribuiu para a exposição de suas ideias. Essa obra possui caráter puramente investigativo por ter como objetivo principal a apresentação um método que oriente o uso da razão. Descartes se mostrava descontente com a filosofia baseada na tradição clássica, na qual se fundava o ensino de sua época, por ela possuir uma natureza meramente contemplativa. Ele a caracterizava como “fútil e inútil” e procurou criar seu método de forma que apresentasse ao menos um fim prático, um empreendimento.
     O filósofo francês também se incomodava com as más doutrinas, aquelas que não utilizavam a razão para se chegar a um fim, eram elas a alquimia, a astrologia e a mágica. Para ele, essas doutrinas produziam um conhecimento estéril e especulativo, assim como o empirismo e o conhecimento formado pelo hábito.
    Descartes tinha grande preocupação em diferenciar o verdadeiro do falso. Em sua obra, afirma que, para se atingir a verdade, era preciso duvidar de tudo, encarar todo conhecimento que apresentasse alguma dúvida como completamente falso (dúvida hiperbólica). Dessa forma, acabou por colocar em cheque até mesmo a sua própria existência. Contudo, essa incerteza foi derrubada pela ideia de que se ele pensa, ao menos seus pensamentos existem, e se existem significa que há um ser pensante, ele. Isto é, se ele pensa, ele existe (“cogito ergo sum”). Essa teoria poderia ser refutada pelo fato de não ser possível assegurar a existência de nada além do pensamento, ou seja, não ser possível afirmar que há realmente um ser pensante.
    Para Descartes, a razão pertencia ao ser humano, porém provinha de algo superior, isto é, de Deus. Assim, tentou provar a existência de um Deus utilizando alguns argumentos como: se temos a ideia de perfeição, mas sabemos que não somos perfeitos, somente “aquele que nos coloca a razão” poderia sê-lo; ou se nós não demos a existência a nós mesmos, alguém há de ter feito isso. O filósofo argumentou, ainda, que aqueles que duvidam da existência de Deus deveriam ter ainda menos certeza de que astros celestes existem, ou mesmo de que possuem um corpo.
    As ideias de Descartes continuam sendo aplicáveis aos dias de hoje, todavia, com algumas ressalvas. Para ele, a razão era o único meio de se atingir a verdade e os sentidos enganavam. Immanuel Kant, filósofo que o sucedeu, argumentou que a razão possui limites, o que parece mais aceitável para os tempos modernos, pois os sentidos também são importantes para se atingir a verdade, assim como as emoções.

                                                                     Beatriz Mellin Campos Azevedo
                                                                             1º ano Direito diurno
                                                                                         Introdução à Sociologia - Aula 2

                Seu Manuel e a reflexão cartesiana sobre o fim de sua importância social
      

     Sentado em sua cadeira de balanço, encarando uma cumbuca com algo que lembrava um mingau de aveia, seu Manuel reflete sobre como a realidade de um velho viúvo habitante de um asilo em São Paulo é deprimente e sem importância. No alto de seus oitenta e cinco anos, seu Manuel se sente ultrapassado, inútil, desvalorizado: sua experiência de nada mais serve.
      Hoje em dia esse é um cenário muito comum. Vivemos em uma sociedade em que o conhecimento é atualizado diariamente e o conhecimento prévio perde rapidamente seu valor e acaba descartado. O que acontece com os idosos parece ilustrar essa maneira de pensar: eles perdem sua importância como transmissores de conhecimento e passam a ser considerados um fardo para a família, alguém cuja opinião não tem mais relevância. Por isso, tantas vezes, acabam impiedosamente esquecidos em asilos, onde têm todo tempo para sofrer com a perda de suas funções dentro de uma sociedade tão frenética com relação à evolução do saber.
      Pode-se remeter à origem dessa característica pós-moderna ao pensamento Cartesiano e sua incessante busca pela verdade. Em suas especulações, Descartes defende o uso imperial da razão para se chegar à verdade, lançando ao mundo uma prerrogativa que perdura até os dias de hoje: "nunca aceitar algo como verdadeiro que eu não conhecesse claramente como tal; ou seja, de evitar cuidadosamente a pressa e a prevenção, e de nada fazer constar de meus juízos que não se apresentasse tão clara e distintamente a meu espírito que eu não tivesse motivo algum de duvidar dele". (Descartes, O Discurso do Método, p.49). Tal prerrogativa é vastamente utilizada pela ciência moderna, em que a única forma de se demonstrar a validade de um conhecimento é através da razão. 
      Diante disso, qualquer experiência empírica corroborada predominantemente pelos sentidos, deve ser descartada, já que é muito provavelmente enganosa: "a nossa imaginação ou nossos sentidos jamais poderiam garantir-nos coisa alguma, se o nosso juízo não intervisse" (Descartes, op.cit., p.22). É neste contexto que entendemos que as experiências vividas pelos mais velhos acabam perdendo seu valor, já que elas são fundamentalmente baseadas em acontecimentos e emoções vividos por eles; são, segundo o pensamento cartesiano, enganosas, não confiáveis e, portanto, facilmente atualizáveis e esquecíveis.
      Desiludido por saber que já não tem mais o tempo necessário para demonstrar suas opiniões e o quanto a forma de conduzir sua vida e sua razão podem ser válidas, a única coisa que resta a seu Manuel é se lamentar e tomar seu suposto mingau de aveia.
         

                                                  Tiago de Oliveira Macedo, 1º ano - Direito diurno - aula 2