A definição sobre o que é “Direito” em si, data de séculos atrás, sem nenhuma resposta satisfatória. Porém, imagina-se, de forma simplificada, que ele seja um instrumento de organização social que define normas e que fornece aos indivíduos algumas garantias, responsáveis por manter a coesão social e o bom funcionamento das instituições.
Porém, essa própria interpretação levanta um questionamento:
visto que a sociedade continua em constante transformação, o Direito deve almejar
maior protagonismo no combate às problemáticas modernas ou simplesmente reproduzir
consensos passados?
Para responder essa incógnita, a princípio, é fundamental revisitar
o contexto em que o Direito se consolida na sociedade ocidental: O Renascentismo.
Graças à volta de documentos jurídicos da antiguidade e a alta demanda
comercial, tornou-se necessário o retorno de uma forma de sistematizar
condutas, punir transgressões e oferecer direitos, tudo complementando uma maior
segurança social (e agora jurídica) à mais nova classe: a burguesia.
Devido ao contexto de rompimento com a religião que a
sociedade enfrentava naquele momento, o direito assumiu um posicionamento mais
racionalista, doutrina cientifica de René Descartes, que utiliza uma visão desvencilhada
do pensamento teológico que predominava até então. Portanto, sabe-se que o
Direito tem em suas raízes a racionalidade. De que forma isso indica como ele
deve prosseguir na modernidade? Charles Wright Mills tem a resposta.
Para o sociólogo americano, na conjuntura atual das
sociedades pós industriais, o indivíduo só pode assumir um papel de total
compreensão da realidade, se considerar os contextos em que se insere,
principalmente aqueles que diretamente influenciam sua vida cotidiana. Essa concepção
é chamada de “Imaginação sociológica” e define, por consequência, de que forma
o Direito deve seguir na atualidade: Considerando o meio social de cada indivíduo,
desde seus privilégios até suas privações.
Logo, torna-se evidente que o Direito deve encaminhar-se, de maneira racional e sociologicamente crítica, a uma visão mais equitativa da sociedade, combatendo desigualdades de forma sistêmica.
Nenhum comentário:
Postar um comentário