No dia 23 de Junho de 2021, o operador de telemarketing Gabriel Carvalho Garcia estava sentado em uma barbearia em Embu das Artes quando um homem encapuzado invadiu o salão e acionou três tiros em sua nuca, o jovem morreu na hora, todos da sua família acreditam que o crime foi motivado pela homofobia, já que Gabriel era abertamente homossexual. Um homicídio de motivo torpe instigado pela intolerância da orientação sexual realizado no mês do orgulho da comunidade LGBTQIA+.
Gabriel Carvalho Garcia era apenas um jovem de 22 anos, que, assim como todo ser humano, deveria gozar de respeito e compaixão. Ele perdeu sua vida humana e se tornou um número de uma - infelizmente grande - estatística, da violência da população LGBTQIA+. Segundo a pesquisa já feita à 6 anos de Wallace Góes Mendes & Cosme Marcelo Furtado Passos da Silva (https://doi.org/10.1590/1413-81232020255.33672019): O crescimento do número de homicídios contra LGBT no país aumentou, partindo de 158 casos no período de 2002 a 2006 para 558 casos no período de 2012 a 2016, o que representa um crescimento de 253%. O número de homicídios no país de 2002 a 2006 foi 245.835 casos e aumentou para 292.103 casos no período de 2012 a 2016, um crescimento de 18,82%, ou seja, o número de homicídios de LGBT cresceu 13 vezes mais se comparado aos casos da população geral no mesmo período[...].
Esse número coexiste com a estatística de homicídios no Brasil, também presente nesta pesquisa, onde é denunciado pelo Wolrd Statics 2019 que o Brasil possui 12,8% do total mundial de homicídios, coroando nossa nação com a sétima maior taxa de homicídio do continente americano. Com esses dados, não deveríamos considerar a prioridade nacional criar políticas públicas para a prevenção da violência? Até onde se deve chegar para admitirmos que estamos em uma crise na saúde pública? A questão da violência no Brasil passa de um fenômeno casual para estrutural.
A Imaginação Sociológica, cunhada pelo sociólogo Wright Mills, nos permite analisar como a experiência individual se torna a realidade econômica, social e cultural da população, nos elucidando sobre o efeito do preconceito social formado pelo senso comum e formular críticas da nossa sociedade. A violência tornou-se parte do corpo social brasileiro, e podemos ver como indivíduos propagam e zelam pela estrutura dessa infeliz realidade. Oferecendo um exemplo prático disso: (Processo Digital nº: 1004111-57.2022.8.26.0319), dois pastores utilizaram de suas influências como figuras religiosas para promover passeatas e eventos contrários a existência de homossexuais e transsexuais, citando um dos réus do processo: “militantes LGBT serão esmagados na ira do Senhor”.
Vendo o caso sobre as lentes do senso comum da maioria brasileira - e até mesmo dos acusados - tais expressões públicas não cooperam com a violência física, sendo meramente uma faceta polêmica da liberdade de expressão individual, até mesmo justificada pelo contexto religioso. Entretanto, quando analisamos levando em consiração o conceito de Wright Mills, entendemos que cada experiência individual contribui para a construção social das massas, e portanto, a liberdade religiosa (assim como a liberdade de expressão) deve possuir amarras e limites, a fim de mantermos sã as comunidades vulneráveis. É dever de cada cidadão labutar contra a violência concebida pelo preconceito, que ainda insiste em ceifar vidas.
Giovana Martins Aguiar - 1º semestre matutino
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