Muito recentemente, os debates envolvendo a credibilidade das instituições públicas têm ganhado força nas redes e mídias digitais. Nesse sentido, um ponto de destaque surge quando nós, cidadãos de uma democracia recém-constituída (em comparação com outros Estados portadores de constituições muito mais antigas), precisamos refletir em qual exato momento uma crítica à determinada conduta ética ou procedimento institucional é separada da descredibilidade que podemos conferir a essas instituições, como o caso envolvendo Ministros do Supremo Tribunal Federal com o banqueiro Daniel Vorcaro.
Em primeira análise, é vital conferir a formação distinta de inúmeros brasileiros e como ela impacta na opinião pública sobre o papel do Estado em suas vidas privadas. Sob essa ótica, enquanto estudantes de Direito, entendemos a necessidade da tripartição do poder e porque para Montesquieu isso fez sentido. Entretanto, essa não é a realidade da maioria dos trabalhadores que, ao carregarem sua rotina com trabalhos exaustivos pela necessidade pessoal, não têm tempo suficiente para a dedicação aos estudos com o objetivo de garantir uma fundamentação sólida acerca do papel do Supremo Tribunal Federal, por exemplo, e da Procuradoria Geral da República. Ou seja, o único contato de muitos brasileiros com essas criações do Estado é, muitas vezes, feito por um reels, no Instagram, ou um vídeo do TikTok, os quais, de forma implícita, obrigam o usuário a formar uma opinião em quinze segundos sobre um assunto que, há quinze anos, é discutido. E, dessa maneira, faz conexão com “A imaginação Sociológica”, de C. Wright Miils, já que conecta as experiências pessoais (consumo do conteúdo digital) com estruturas amplas (as instituições).
Desse modo, duas coisas são fundamentais: o Estado precisa estar preparado para essa onda de desinformação e, ao mesmo tempo, garantir que ela seja combatida. Diante disso, é fato que o cidadão, dentro de suas garantias constitucionais, pode tecer uma crítica a conduta pessoal de um político ou juiz, já que a observação é ligada à natureza humana. Todavia, é fundamental separar a instituição de seu representante, em razão de, assim como todo indivíduo, esse não é imune às contradições e à desconfiança humana. Logo, é preciso que, independentemente de quem ocupe a cadeira no plenário, a população entenda a sua importância e trabalhe para que, seja quem quer que a preencha, ela não ceda ao medo e ao caos generalizado.
Antonio Gabriel Costa Quaglio - Matutino
Nenhum comentário:
Postar um comentário