Total de visualizações de página (desde out/2009)

segunda-feira, 28 de março de 2022

A divisão cartesiana do conhecimento, de fato a melhor forma de construção da ciência?


A forma de se fazer ciência e de construção do conhecimento foi algo amplamente debatido ao longo da história humana. Dois dos mais ilustres métodos científicos propostos foram os de Rene Descartes e Francis Bacon, ambos tinham como preceito uma quebra com filosofia tradicional e a utilização do saber para fins práticos, o primeiro ignorando a participação dos sentidos, já o segundo acreditava que os sentidos auxiliariam no saber. Apesar de ambos métodos serem muito utilizados no mundo moderno são passiveis de críticas, uma delas é feita no filme Ponto de Mutação no qual é evidenciado os problemas da divisão e da mecanização extrema do conhecimento.

É evidente a importância da metodologia para o fazer científico, a partir de estudos que visavam uma transformação do ambiente natural foi possível o desenvolvimento de tecnologias que de fato melhoraram as condições de vida e permitiram um maior entendimento da natureza e sua manipulação em prol da humanidade. Sem os métodos científicos pautados na razão provavelmente não haveriam tantos avanços nas ciências já que antes de sua elaboração a construção de conhecimento era voltada apenas para a contemplação.

Entretanto, é ingenuidade acreditar que os avanços da ciência foram estritamente benéficos para a sociedade. Com a divisão extrema das áreas do saber perdeu-se a visão do todo e a falta de contemplação leva a humanidade para um caminho com consequências inexoráveis. Os indíviduos vislumbrados com o progresso tecnológico deixaram de olhar o planeta como um sistema integrado e esqueceram que os danos causados pela transformação intesa do meio ambiente serão sentidos pela humanidade talvez de maneira tão abrupta que o ritmo de transformação e consumo precise ser diminuído drasticamente.Desse modo, pode-se enxergar que essa divisão utilitarista do conhecimento voltada para o uso dos recursos naturais quando aplicada sem a presença de ideias da filosofia clássica voltados para a contemplação dos recursos utilizados não se concretiza como uma forma muito benéfica de construção científica, tendo em vista que leva a um consumo predatório o qual ameaça a perpetuação da espécie humana.


O sumiço da Sétima

     Em princípio, vamos esclarecer que este é um caderno de anotações referente à minha pesquisa pessoal de avaliação do sumiço da sétima mulher trabalhadora da fábrica no quarteirão de minha rua. Começaremos em um ponto mais primordial: sou escritor, um velho escritor acostumado com o funcionamento mecânico de meu cotidiano. Todos os dias, ao raiar do sol, sento em minha varanda com uma xícara de café e vigio o pequeno movimento em minha rua: as mesmas sete mulheres proletárias, com suas proles em uma mão e as marmitas na outra. Porém, certo dia, assistindo a essa travessia matinal, notei o desaparecimento de uma delas, a mais nova delas.

    Assim, chegamos a problemática dessa pesquisa: o sumiço da sétima. Com isso, trago aqui as considerações iniciais para o maior entendimento dessas anotações. Em primeiro ponto, decidi utilizar do método cartesiano pois pretendo chegar em uma única verdade absoluta e concreta, sem desvios de respostas ou espaços para mais dúvidas; mas também aderi ao modelo por possuir apenas um instrumento de pesquisa, aquilo que separa os homens dos demais animais: a razão universal. Em segundo ponto, essa análise leva em conta três diferentes ambientes aos quais chamaremos de universo: o universo expandido minha rua (i); o universo intermediário fábrica (ii); e o universo reduzido minha mente (iii).  A partir dessas considerações, seguiremos aos levantamentos obtidos.

    Segundo o método de Descartes, toda pesquisa inicia-se a partir da observação. Por mais que haja a crença de que os sentidos enganam nosso raciocínio e nos negam a descoberta da verdadeira razão, permito-me acreditar naquilo dito por meus olhos: a sétima mulher está ausente do primeiro universo (minha rua). Noto, também, que tal fato leva a ausência dela no segundo universo (a fábrica). Porém, ao observar o terceiro universo, o mais reduzido de todos (minha mente), constato sua presença em minhas memórias e questionamentos.

    A partir disso, vamos ao próximo passo da construção do método científico: a formulação de hipóteses através do uso da razão. Quais acontecimentos levariam uma jovem mulher a abandonar sua rotina e seu sustento? Estaria ela doente ou apenas conseguiu condições melhores de trabalho em outro lugar? Como explicar o sumiço em apenas duas instâncias de observação (o universo expandido e o intermediário), mas sua forte presença no meio reduzido (minha mente)? Transformemos essas ideias em algo mais concreto e passível de uma análise: caso ela esteja doente ou impossibilitada de trabalhar, voltará em breve e continuará presente em todas as instâncias; caso ela tenha se mudado, se ausentará instantaneamente  de dois universos (minha rua e a fábrica) enquanto sumirá aos poucos do terceiro (minha mente).

    Após quatro meses do desaparecimento da sétima, trago aqui minhas constatações sobre a continuidade do funcionamento de cada universo. Por apenas o tempo poder trazer respostas às minhas duas hipóteses, procurei validar a terceira etapa do método científico a partir da averiguação dos meios de estudos - os três perderam um elemento em comum.  A minha rua continuou por funcionar normalmente, as demais mulheres com seus filhos e marmitas cumpriam o mesmo trajeto todas as manhãs sem demostrar nenhuma falta da sétima. A fábrica também prosseguia suas atividades, notada pela emissão de poluentes da chaminé e pelo entra e sai dos funcionários, a retirada de um membro parece não ter alterado produtividade. Já minha mente obteve um grande empecilho em sua habitual programação. Não observar pela manhã as sete mulheres juntas gera um aparente atrapalho do funcionamento por fazer emergir uma série de questionamentos e dúvidas: a razão inerente ao homem.

    A paz de minha mente veio após 6 meses do sumiço da sétima com o total antagônico da situação: a retomada da presença das sete mulheres com a prole e as marmitas. Porém, em distinção das demais ocasiões, a sétima andava agora com uma pequena criança em seus braços. Assim, não noto apenas a validação de minha primeira hipótese como registro uma alteração no segundo campo de estudos (a fábrica). Concluo, por fim, encerrando minha pesquisa, que a utilização do método científico acaba por me obrigar a tratar situações extremamente humanas e cotidianas em algo robotizado para obter uma análise; retirando toda a subjetividade presente nas relações interpessoais inerente ao homem. Em uma consideração final, como um velho membro da literatura, exijo-me concordar com os versos de Jorge de Lima:

"Mulher proletária — única fábrica

que o operário tem, (fabrica filhos)

tu

na tua superprodução de máquina humana

forneces anjos para o Senhor Jesus,

forneces braços para o senhor burguês."

O Faisão Azul

Diário falado de pesquisa do Dr. Prof. José Batista Batista; Dia 19 da Comissão Organizada de Pesquisa Amazônica (COPA) edição XXIII; Gravação 1ª: 


‘Me encontro mais um dia adentrado nessa floresta densa e sem fim. Meus companheiros de pesquisa já não os vejo. Acho que me perdi deles a uma ou duas horas atrás, meu relógio está quebrado. Mais e mais espécies de folhagens e árvores típicas da Floresta Amazônica compõem o cenário desta descoberta: uma espécie de faisão ainda não catalogada. A ave tem em torno de 50 centímetros de comprimento e certamente não possui adaptação ao voo. Suas pernas e pescoço compridos, o fato de estar neste momento se alimentando de uma fruta suculenta que caiu de uma árvore e não ter alçado voo desde o momento que a encontrei confirmam minha teoria’. 


Diário falado de pesquisa do Prof. Batista; Dia 19 da COPA XXIII; Gravação 2ª: 


‘Minha teoria estava equivocada. O Faisão Azul, como estou o chamando nesta aventura de pesquisa, bateu as asas e voou em minha direção, quase que me leva um dos olhos. Meus sentidos e observação me enganaram, acho que tenho de ser mais perspicaz quando reencontrá-lo, já que o perdi de vista na mata’. 


Diário falado de pesquisa do Prof. Batista; Dia 19 da COPA XXIII; Gravação 3ª: 


‘Reencontrei o Faisão Azul, e para minha alegre surpresa ele não estava desacompanhado. Nosso encantador animal está neste momento no meio de um ritual de acasalamento, pelo que me parece. Em cima do galho de uma árvore está a fêmea parada observando o macho. Ele pula de galho em galho ao redor dela, com suas penas azul-turquesa reluzindo à luz do sol. Ele emite sons agudos e altos, e aparenta ser uma das mais leves aves que já vi, porque age com destreza ao se movimentar entre as plantas enquanto encanta a fêmea’. 


Diário falado de pesquisa do Prof. Batista; Dia 19 da COPA XXIII; Gravação 4ª: 


Me envergonha admitir que mais uma vez me encontro enganado sobre minhas percepções. Completamente enganado. O nosso caro Faisão Azul do primeiro encontro, que quase me deixou cego, depois de muito tempo cortejando e dançando para conquistar a outra ave, desceu com ela das árvores em direção ao solo. Ao pousarem no chão, o barulho feito com suas pernas e garras foi tão alto que fez com que minha teoria de serem aves com peso leve caísse por terra. Ainda por cima o “macho” da espécie, que estava a cortejar a outra ave, na verdade era a fêmea. Percebi tal fato quando os animais começaram a cópula à sombra de uma grande folha que bloqueava a luminosidade solar. É aí que entra a pior parte. Era a primeira vez que eu os observava fora da luz do sol. E nossa cara e recém descoberta espécie de Faisão Azul Amazônico, não era azul. A luz que batia em suas penas fazia com que reluzissem, revelando a coloração azulada, porém os animais eram bege, um marrom bem comum, o que me entristeceu e intrigou ao mesmo tempo’. 


Diário falado de pesquisa do Prof. Batista; Dia 20 da COPA XXIII; Gravação 1ª: 


‘Depois do episódio de ontem, consegui localizar meus companheiros de pesquisa e retornamos à nossa base de catalogação. Hoje me encontro registrando a espécie que certamente teve o prazer de me enganar. Ao redigir minha pesquisa, as descrições quase me tiraram uma gargalhada: uma ave que aparenta não voar e ser relativamente leve, mas que voa e possui grande força, apesar de ser tão ágil quanto um animal de porte bem reduzido; possui coloração azul até encontrar uma sombra, onde o sol já não reluz em suas penas e se torna bege; além disso, quem corteja na dança de acasalamento é a fêmea da espécie, o que me fez descontruir alguns pensamentos errados não somente sobre o reino animal mas também sobre o ser humano. Termino este diário de pesquisa contando-lhes o nome que concebi a este curioso animal: Phasianus Franciscus Bacon, latim para Faisão Francis Bacon’. 


Henrique de Carvalho - 1º ano de Direito

É mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo?

Os trabalhos de René Descartes marcam uma transição na História da ciência e do pensamento humano, inaugurando uma visão mecanicista da realidade com seu método. Seu pensamento analítico está impregnado em tudo que se seguiu, resultando em uma visão que categoriza e divide a realidade/natureza em partes que contém o todo. A visão racionalista e dualista cartesiana foi responsável pela divisão entre mente e corpo, possuindo implicações seminais na transformação gradual do imaginário moderno.  

Outro construtor da modernidade é Francis Bacon, com sua visão empirista de apreender a realidade, cuja perspectiva de domínio da técnica e controle da natureza, conferiu a “licença” necessária para a manipulação da natureza e sua exploração. Ambas contribuições se provaram extremamente úteis no desenvolvimento e domínio de técnicas basilares para a expansão capitalista, assim como serviram de arcabouço teórico para a ascensão de uma nova classe, a burguesia. 

Essa expansão do mundo da técnica e da utilidade culminou, em última instância, no modo de vida e produção que temos hoje. Em que cada aspecto da vida humana é metrificado, dividido, algoritmizado, em que buscamos utilidade e função em tudo, sendo sua expressão paroxística o neoliberalismo.  

O Filme “Ponto de mutação” de Fritjof Capra discute uma alternativa, apresentando uma visão sistêmica e interdependente de apreensão dos fenômenos naturais e sociais. O autor postula que todo o mal-estar da civilização atual é referente a uma crise de percepção causada pelo modo mecanicista de lidar com a realidade.  

Em face dos argumentos apresentados pelo autor, é notório que vivemos em uma crise do sistema de produção capitalista. Em que a questão ambiental e de produção é vista como um enfeite retórico no discurso político, e não como uma questão que verdadeiramente ameaça nossa existência no planeta. Chegamos ao “ponto de mutação” em que, ou pensamos seriamente em uma sucessão a esse sistema ou sucumbiremos com ele. 

Luiza David F. Neves - 1º ano Direito – Matutino – Turma: 39 

domingo, 27 de março de 2022

"XLI"

 É notório que, nos últimos anos, com a facilidade para compartilhar informações, as fake news foram massivamente inseridas no nosso cotidiano. Dessa forma, contribuindo para o avanço da desinformação e alienação social, as notícias falsas fazem com que o mundo se vê necessitado a superar o que foi denominado por Francis Bacon de “ídolos da tribo”.  

Segundo esse conceito, os sentidos podem trazer uma falsa asserção sobre a realidade, ao basear a verdade nas medidas humanas. Nesse viés, decretar algo como verdadeiro de acordo com a experiência de um ou outro é o que permite a expansão das fake news nos dias atuais. Assim, não apenas em relação a educação, mas todos os setores sociais são prejudicados, sendo, principalmente, a da saúde.  

Isso se deve, pois, em meio a pandemia da Covid-19, as notícias falsas sobre a vacinação colocaram medo naqueles que, por falta de meios, ou por escolha, basearam-se nas vertentes do senso comum. Os ídolos da tribo, do filósofo Bacon, aqui se encaixam em razão dessas informações equivocadas terem fonte da realidade limitada de cada um. Ilustra-se esse quadro por meio da afirmação de que as vacinas contra a Covid-19 não têm eficácia porque “uma pessoa foi vacinada e mesmo assim pegou o vírus”.  

Dessa forma, ao dizer, no século XVII que “O intelecto humano é semelhante a um espelho que reflete desigualmente os raios das coisas e, dessa forma, as distorce e corrompe”, Francis Bacon justifica os problemas da desinformação, em pleno século XXI. 

sábado, 26 de março de 2022

Pensar e existir: entre sair da caverna e ser enganado

            Final do século XX: começam a surgir indícios de um período que mudará para sempre a forma com que a humanidade se relaciona com informações e conhecimento. Eis que se tem início a Terceira Revolução Industrial, também chamada de Revolução Técnico-Científica e Informacional. Vejamos seus desdobramentos já no século XXI: quantidades exorbitantes de informações são despejadas diariamente sobre os usuários da internet, os quais não conseguem filtrá-las. Surge então uma das maiores complicações advindas com o surgimento de tantas facilidades tecnológicas: as fake news. Ora, se tal complicação surge de algo tão benéfico para sociedade, isto é, a facilidade de acesso à informação, há uma salvação para não ser enganado enquanto se desfruta de tantas ferramentas? Tal questionamento é análogo a outros na busca de conhecimento ao longo da história.

                França, século XVII: um homem está diante de uma angústia contraditória. Analogamente ao processo paradoxal de desinformação por conta do acesso massivo à informação, René Descartes notou que sua ignorância se tornava cada vez mais nítida após tantos estudos durante a juventude. Entretanto, em sua obra “Discurso do Método”, surge uma saída para a crise do conhecimento: a dúvida. Após constatar que “deveria rejeitar como totalmente falso tudo aquilo em que pudesse supor a menor dúvida, com o intuito de ver se, depois disso, não restaria algo em meu crédito que fosse completamente incontestável.”, Descartes chega em sua famosa máxima “eu penso, logo existo”. Há, portanto, uma negação dos sentidos humanos como ferramenta para alcançar o conhecimento, visto que a racionalidade seria a ferramenta necessária para tanto. Assim sendo, trazendo tal pensamento para nossa questão contemporânea, poderíamos concluir que sem a clareza da racionalidade e sob influência de noções adulteradas por sensações enganosas, as mentiras encontrariam espaço para sua livre circulação ao não serem questionadas.

                Passemos agora para o território inglês também do século XVII. Nele, o filósofo Francis Bacon também busca uma base para a ciência. Em sua obra intitulada “Novo Organum” – já nomeada com o intuito de ir contra os preceitos postulados pela obra “Organon”, de Aristóteles- o pensador moderno demonstra seu desejo por uma nova forma de se chegar ao conhecimento. Indo contra princípios medievais e da antiguidade, o filósofo objetiva uma praticidade da ciência a partir do desprezo pelas questões metafísicas. Com o chamado método empírico-indutivo, Bacon busca valorizar as experiências para se chegar à verdade, dado que são necessárias para direcionar nossa mente ao conhecimento, distanciando-nos dos ídolos, definidos pelo autor como bloqueadores da mente humana. Paralelamente com a atualidade, Bacon poderia afirmar que a manipulação humana por notícias falsas seria de responsabilidade dos ídolos da caverna, considerando que são erros relacionados a leitura e a interpretação do mundo.

                Entretanto, vale ressaltar também uma ruptura com uma visão chamada “mecanicista” do mundo. No filme “O Ponto de Mutação”, dirigido por Bernt Capra, a cientista Sonia Hoffman caracteriza como “crise de percepção” o fenômeno de enxergar o mundo e seus eventos sociais e políticos como uma mera máquina. Para ela, há uma interdependência entre os acontecimentos cotidianos que tendem a gerar os problemas sociais. Por exemplo, à luz desse pensamento, poderíamos dissecar a problemática da disseminação de falsidades como uma crise da educação, visto que, por conta da falta de escolaridade e acesso à meios confiáveis de informações, grande parte da população tende a acreditar e compartilhar fatos enganosos, de modo que um problema esteja diretamente ligado ao outro.

               Observa-se, portanto, a atemporalidade dos pensamentos citados. Surgidos com o intuito de compreender o mundo de suas respectivas épocas e melhorar a forma de se obter conhecimento, tais filosofias podem hoje ser observadas como indicadoras das causas e consequências de mazelas, sob o exemplo das fake news citadas. Seja por falta da racionalidade cartesiana, por enganações dos ídolos de Bacon ou, de acordo com Hoffman, por uma cegueira em relação a correlação de problemáticas, as fake news são um obstáculo para sairmos da caverna de Platão e atingirmos, por conseguinte, a maioridade kantiana.

Ainda que o ser humano seja Racional

 

          

Ainda quando escrevia livros num site de fanfiction, uma colega minha costumava sempre investir na ideia de que tudo devia ser analisado através de um todo, não somente por uma pequena parte. Dizia que analisava isso na própria medicina que, por ensino das faculdades, ensinavam apenas o foco físico, nunca o mental.Foi nessas que conheceu um cadeirante ainda fazendo engenharia. A história da escolha do curso era muito simples. Os pais queriam um filho engenheiro. Fim. Ele nada pôde fazer senão aceitar esse destino que se tornaria cruel.

 

Descartes diria que a razão diferencia os seres, que os humanos a têm, mas que os animais não nasceram com a mesma habilidade. Me custo a acreditar que um humano, que projeta no outro seus sonhos tenha algum tipo de racionalidade. Na minha opinião, é o mesmo que acreditar em astrologia, projetar num astro todo o fracasso de sua vida.

 

Enfim, voltando à medicina e à engenharia, o rapaz tornou-se cadeirante na terceira semana do curso, após questionar se poderia largar as exatas e investir em qualquer coisa que o agradasse. Não podia. E sem explicação alguma, deu entrada num hospital: estava impossibilitado de andar. Os médicos o analisaram parte por parte, como se ele fosse algo que tivesse alguma peça danificada e não um corpo todo.

 

Todos devemos questionar, até mesmo a dúvida que subitamente nos cerca. É por isso que o rapaz se questionava tanto daquele caminho que seguia, e na ausência dessas dúvidas os médicos não sabiam qual o problema. Quando chegou a formatura, e ele enfim pode ficar livre de toda aquela angústia, o rapaz milagrosamente voltou a caminhar, tal qual antes andava.

 

Nenhum médico compreendeu aquilo, talvez eles tivessem entendido e descoberto o problema se tivesse analisado o rapaz de uniformemente, se tivesse na faculdade ensinado que a psicológico influencia, e que o fato dele odiar aquela vida impediu consequentemente o corpo físico.


Angela Ramos - Direito Noturno (turma 39)

 

Penso logo existo e por isso uma nova visão da sociedade posso ter.

 

O filme “O ponto de Mutação”, baseado no livro de Fritjof Capra, junto a análise de O discurso do método (1637) e Novum Organum, ou verdadeiras indicações acerca da interpretação da natureza (1620), evidencia o embate entre a física moderna e o misticismo oriental, dando enfoque ao abandono do pensamento coletivo para o individualismo. Colocando em discussão e contestação o método cartesiano de René Descartes. Método este que consiste em quatro regras: evidência, análise, ordem e revisões, ordenados para buscar conhecimentos pela razão e não pela experiência. 

Descartes divide o mundo como um relógio, uma máquina, tendo uma visão mecanicista: de modo que une os problemas do mundo em um todo. Contudo tal modo não tem a percepção de que o mundo não se pode ser divido, sendo a vida e as interações parte de um único sistema, uma teia inseparável de relações; não se pode mudar apenas um fragmento para concertar o todo. De mesma maneira Bacon também divide o mundo, com a diferença de crer na regulamentação da mente por mecanismos de experiência

A diferença entre a visão mecanicista com a visão sistêmica, chega à conclusão de que não há como compreender o mundo o dividindo em partes, tampouco resolver os problemas existentes de tal maneira. Portanto se faz necessário ter uma “Nova visão da sociedade”.

De tal modo, tal ideia também se aplica ao empirismo de Bacon, visto que não se deve esperar que males aconteçam para que possamos os corrigir, como se acontece na atual política em que não se há o encorajamento a prevenção, somente a intervenção.

 


Curso: Direito

Período: Matutino

Aluno: Clara Letícia Zamparo 

 

 

 

Quem busca sempre alcança?

        A busca pelo conhecimento, pela verdade, pela felicidade, por respostas em geral é o que move e sempre moveu o desenvolvimento da sociedade. O questionar, o querer saber é a engrenagem do mundo, o que nos faz sair em busca pelo novo.  

         Com o advento de diversos dos maiores pensadores que a humanidade já viu, vieram algumas respostas juntamente com outras questões. A busca pelo verdadeiro com Descartes e Bacon vêm com uma certeza: a razão. A racionalidade tem papel central no que difere o homem do animal, o pensamento é o que os torna animais políticos e sociais.  

        A ruptura com os autores clássicos tem fundamento no desenvolvimento da ciência não pela especulação e observação somente, mas pela transformação da realidade em busca do "bem estar do homem", sendo isso possível somente com o instrumento da produção de conhecimento.  

        Em relação à isso, René Descartes coloca a dúvida, o ceticismo como ponto central pela busca do conhecimento. "Penso, logo existo" é uma de suas célebres frases, mas não tira de perspectiva o outro, externo ao indivíduo. Não ter a certeza de que o outro existe ou que qualquer coisa além da própria mente e Deus fazem parte da realidade verdadeira é ponto de partida pela busca da verdade. A própria existência é um ato de dúvida, e duvidar é necessidade inexorável a humanidade. 

        Francis Bacon, por outro lado, expõe que as antecipações da mente são base para o senso comum, o familiar leva o humano a parar de racionalizar e deixar as coisas serem datadas por verdade. Os ídolos tem papel fundamental nas falsas percepções do mundo, sendo eles por exemplo, a própria condição humana (mente produzindo interferências), a própria formação como indivíduo, as relações sociais, os sentimentos e as superstições são fontes do falso, artifícios para a enganação. Dessa forma, é perceptível que mesmo a razão tem patologias, e por vezes não é fonte de verdade.  

        Dessa forma, a busca pelo real, pelo verdadeiro, pela fonte da razão ainda está em desenvolvimento. O progresso têm diferentes dimensões em diferentes realidades, e nem sempre o moderno se faz certeiro.  

        O que nos leva a pensar até que ponto o desenvolvimento da ciência melhorou a vida humana nesse últimos 300 anos, com o advento da indústria, de tecnologias antes impensáveis, ao mesmo tempo em que trouxe pandemias e epidemias, desastres globais e naturais, a destruição da natureza em larga escala e com a perda de biomas e ecossistemas por vezes inteiros. Qual o objetivo desse desenvolvimento e onde o mesmo vai ter fim é o que faz continuarmos questionando. Ou seja, a humanidade se encontra bem longe do fim da linha, tem muito a que se perguntar e trabalhar em prol do bem comum. 


Helena Motta

Direito noturno- turma XXXIX 

sexta-feira, 25 de março de 2022

Que racionalidade é essa?

 

O método é racionalizar!
Racionaliza e tornar padrão.
Padrão até que se torne absoluto.
Absoluto até que só exista um direção.

O mundo buscou pela rapidez,
E rapidamente estávamos manipulando
A natureza, a sociedade, o homem, o pensamento.
E então tornamo-nos doentes.

Nos alimentamos de produtos racionalizados,
Consumimos até adoecer.
E então buscamos a cura para o corpo, afinal esse não pode parar.

E logo já estamos novamente consumindo.
Não há prevenção! Somos racionais,
Mas consumidos ingredientes para produzir uma bomba.
 
Juliana Cristina Barbosa Silveira  - Direito Noturno