Total de visualizações de página (desde out/2009)

domingo, 23 de março de 2014

Hipérbole

        O homem é um ser curioso que sempre procurou explicações para todas as coisas. Para isso, inicialmente, foi utilizado os mitos, os quais procuravam explicar os principais acontecimentos da vida, os fenômenos naturais, as origens do mundo e do Homem por meio de deuses, semideuses e heróis.
         No contexto da Idade Moderna, René Descartes transcendeu a linha mitológica do contexto Medieval e restabeleceu a razão como fonte de conhecimento. O racionalismo cartesiano teve como destaque a “dúvida metódica”. Para Descartes, o conhecimento verdadeiro seria obtido pela razão, já que ela é a única coisa que diferencia os homens dos animais. Simplificou isso com sua famosa frase: “Penso, logo existo”.  A análise de Descartes parte dele próprio, isto é, do indivíduo que quer compreender o mundo (individualismo). O Método Cartesiano é composto pela sequência: Evidência – Análise – Síntese – Verificação.
        Em sua obra “Discurso do método”, René propõe um instrumento que permita ao homem, por si próprio, desvendar os enigmas da vida. Esse instrumento é o método, o qual deve unificar a forma de pensar e de conhecimento. Além disso, permite que o homem não seja escravizado pelo mundo, mas sim, escravize o mundo. Ademais, o método faz aumentar de forma gradativa o conhecimento e eleva-lo ao mais alto nível. Nele é mais sábio inclinar-se para a desconfiança que para a certeza. A dúvida metódica (hiperbólica) de Descartes indica que nada pode ser evidente por si mesmo sem que antes seja questionado de forma racional.
       Além disso, na obra, ele propõe três máximas: manter-se na religião de infância, ser firme e decidido nas ações e procurar sempre vencer a si próprio primeiramente que o destino. Em relação à religião, a obra indica que ela ainda exerce grande influencia na vida das pessoas. O filósofo afirma, ainda, que Deus é um ser perfeito e tudo se origina dele.

      Portanto, indiscutivelmente, Descartes trouxe um grande legado para a época e para os dias atuais. O sistema cartesiano é utilizado até hoje no ensino básico. Ele eleva a ideia de que o melhor a se fazer é utilizar toda a existência em cultivar a razão e progredir ao máximo no conhecimento de acordo com um determinado método, incluindo nisso a dúvida. Além disso, apresenta a ideia de Deus ser o precursor de todas as coisas, algo bem evidente na atualidade.

Natalia Caetano - Noturno

O ser pensante.

Ao contrário do que pensam muitas pessoas, a ciência e a fé não precisam andar entre abismos. Observando minuciosamente o discurso do método de Descartes, percebe-se que fazer ciência é levar a fé às últimas consequências, de modo que se possa encontrar um firmamento diante do mundo, e assim conseguir domá-lo.
Portanto, ao desconsiderar a certeza da existência de tudo o que é concreto, temendo-se confundir com a ilusão abstrata, Descartes fez duas de suas maiores contribuições, tanto científicas como teológicas. A existência de um homem e de um ser supremo. Uma se torna dependente da outra, e o ateísmo científico é deposto. A prova da existência humana seria consequência de sua dependência ao ato de pensar. Porém, pelo fato do homem ser falho, seria necessário um ser pensante perfeito que conduzisse sua natureza.
É interessante que o comodismo intelectual nunca se tornou parte da natureza humana de Descartes. Ele sempre esteve em débito com a humanidade, querendo descobrir suas verdades mais profundas. Viajou, conviveu com pessoas diversas, conheceu tudo aquilo que concordava, e até aquilo que não lhe parecia correto. Procurou sempre ser crítico em relação ao que experimentava, e refleti-la de modo que desvendasse os enigmas existenciais. Ele não existiu apenas por que pensava, mas porque viveu sua vida de modo que encontrasse seu significado.

Entre o racional e o sensível


Acordou três vezes aquela noite. Não sabia se estivera sonhando ou não, pois o real e o imaginário se confundiam em sua mente e dificultavam a ordenação de suas ideias. Pensava na filosofia, na matemática, na poesia e na teologia e pedia a Deus que afastasse do seu sono tais perturbações, ao mesmo tempo em que sua alma as alimentava.
Ele buscava em seus devaneios a Verdade indubitável, imutável, perpétua. Uma verdade filosófica que nada se assemelhava àquelas que serviam como vaidade aos filósofos, ou àquelas sem aplicação prática como a matemática. Uma Verdade metafísica, que pudesse explicar e sanar os erros e as contradições nas ciências e se adequar à realidade humana, despida dos exageros e extremismos do espírito. A Verdade que possibilitaria a elevação e o progresso do conhecimento real.
Fechado em quatro paredes, deitado na sua cama durante a madrugada silenciosa, distante da imposição ideológica e moral daquela Igreja corrompida e autoritária, daquela sociedade ignorante e obediente e mesmo dos autores ultrapassados nos quais durante anos se apoiara para formar seu caráter, era fácil criticar o conhecimento pré-concebido que acreditava estar vivendo. Secretamente, ele duvidada de tudo, questionava o que lhe fora ensinado pela sua era, pelas antigas cabeças. Afinal, havia estudado as letras, seus olhos percorreram as páginas dos mais célebres livros e, no fim, encontrara somente a própria ignorância.
Fazer parte da classe dos eruditos já não era suficiente ao jovem. Ele buscava autonomia, a libertação disso que sufocava seu corpo e sua alma. Já sonolento, pensava em uma revolução. Iniciaria com uma revolução teórica. A razão deveria ser superior, autônoma! Mas não podia publicar tal heresia... Quem sabe se o explicasse em francês, de forma acessível ao povo? Quem sabe se esclarecesse que Deus persistiria e ainda reinaria nessa nova realidade?

Seus olhos já ameaçavam se fechar novamente, mas sua mente resistia. Precisava dese método para que ele próprio e também seus leitores pudessem seguir contentes e sem desvios no caminho para um conhecimento verdadeiro e ascendente, no caminho para a liberdade. Neste ponto, ele mesmo já não entendia os próprios pensamentos, começou a duvidar da razão e, por fim, da própria existência. Perdido em um estado entre sonho e loucura, lhe ocorreu que o pensar em si, o fato de raciocinar justificava o ser. Anotou a epifania num bloquinho que guardava no criado-mudo e adormeceu se questionando como poderia discursar sobre o método e a correta condução da razão na busca da verdade dentro das ciências. Talvez esse seja o título do seu próximo trabalho...

Sofia Andrade - Noturno

Descartes e o Ser Perfeito

      
      O surgimento de dúvidas em relação ao mundo que nos cerca é inerente à condição humana. Desde o início dos tempos, incontáveis pensadores se ocuparam em tentar achar respostas para os mais variados questionamentos, implicando em uma profunda transformação do pensar e da racionalidade dos homens ao longo da história.
      Dentre toda essa gama de perguntas, talvez a que mais tenha despertado o interesse e a angústia da humanidade seja a possível existência de um ser superior, aquele responsável pelo surgimento de todos os outros, denominado Deus. Milhares de anos de filosofia, debates e estudos não foram suficientes para que se chegasse a uma conclusão aceita, porém foram essenciais para o surgimento de argumentos fantásticos, tanto em defesa como em crítica à essa possível existência superior.
      René Descartes, filósofo francês do século XVII, possui uma interessante análise sobre essa questão. Em alguns capítulos do seu livro ‘’ O Discurso do Método’’, o pensador inova ao tentar usar a razão para chegar à certeza da existência do ser divino. De acordo com seu raciocínio, Descartes nota que apesar de não ser perfeito possui uma ideia do que seria a perfeição.  Dessa forma, a simples noção do que seria perfeito é suficiente para fazê-lo acreditar que esse ser superior deva existir, afinal, como poderia ele ter a ideia de perfeição se é um ser imperfeito? Poderia suas qualidades e imperfeições terem surgido espontaneamente?  Poderia o menos perfeito ser a causa do mais perfeito?  Pois, se assim o fosse, poderia também surgir em si todas as qualidades que lhe faltam, tornando-o o próprio ser Deus.
      Apesar de a simplicidade desses argumentos os tornarem de certa forma brilhantes, há alguns pontos que podem gerar contradições dentro do próprio pensamento cartesiano.  Um deles, em minha opinião, é a noção dada por Descartes sobre a existência do Gênio Maligno. Para o filósofo, esse suposto gênio seria o responsável por nos fornecer falsas certezas, até mesmo as mais evidentes, nos levando a fugir do caminho da verdade e a criarmos uma realidade não comprovada. Como Descartes pode então ter a certeza da existência do ser perfeito e que não se trata de simples ilusão causada por seu Gênio Maligno? Talvez não fosse mais coerente com seu pensamento acreditar na possibilidade da existência de Deus, e não na certeza de tal?
      Retomando o argumento inicial de Descartes sobre Deus, quando diz que apenas noção da perfeição é garantia da existência de um ser que a possua, não estaria o filósofo ignorando suas principais convicções em relação a duvidar de tudo o que parece óbvio? Por que necessariamente a ideia de perfeição deve levar a conclusão da existência do ser perfeito? De fato, posso ter a ideia de uma pessoa totalmente bondosa, afinal conheço o conceito de bondade (ou talvez penso conhecer), porém nada me garante que tal pessoa exista. Penso que a existência de Deus possa ser tão incerta como a existência do ser humano bondoso em sua totalidade.
      Tal assunto é capaz de gerar incontáveis parágrafos e dissertações com as mais variadas opiniões, porém, é claro, não podemos ignorar a relevância histórica do pensamento cartesiano, tão importante no rompimento de dogmas e na inovação do modo de raciocinar do homem moderno. E quanto ao ser perfeito, talvez um dia cheguemos a uma solução.


Lumen Fidei*


Lumen Fidei*



Para Descartes, o bom senso é inerente ao homem e distribuído a todos de uma forma uniforme. Ou seja, se os julgamentos se diferem, são pelas considerações próprias de cada indivíduo e pelos caminhos distintos em que constroem seu raciocínio. Assim, deixando de lado quaisquer presunções – sejam estas manifestas na forma de dogmas ou na certeza de ele próprio ter escolhido um método infalível -, o método cartesiano é pouco a pouco delineado não como uma estrada propriamente dita, mas como uma trilha tênue na qual cada indivíduo pode ao menos encontrar uma referência na construção de suas próprias convicções.

René não desdenha a teologia ou a filosofia, buscando destoar seu raciocínio destes, mas antes, entende que ambas escolas de pensamento não são as mais adequadas para se construir um princípio ou método. A primeira, por pressupor a fé como fundamento. A segunda, por gerar tantas verdades quantas mentes se empenham em sua lapidação. Deste modo, busca um certo distanciamento na confecção de seu método, afim de que este não seja refém das proposições de outras áreas cujos fundamentos não podem ser devidamente amparadas pela razão.
De fato, partindo não do ceticismo – o qual ele próprio condena -, mas de uma dose de desconfiança saudável, seu caminho busca a comprovação indubitável de fatos e princípios que possam ser admitidos. Na famosa máxima, inclusive, o “Cogito Ergo Sum”, percebemos que a essência do homem é o pensamento. Tudo que daí surge é passível de especulação e deve ser examinado com a maior temperança possível e sem extremismos – como o próprio Descartes avalia - afim de que se evite sair muito do caminho em caso de erro.
Aliás, apartado de erros e imperfeições somente Deus - como o próprio autor sugere -, em cuja perfeição toda nossa existência se deita. Deita-se de fato, encostado à sombra de um ser perfeito, sem contudo compreendê-lo. Não porque d’Ele não somos dignos, mas porque seu entendimento pleno está nos sentidos e não na razão. Afinal, “Deus Caritas Est” – “Deus é amor”, como diz João – o evangelista. Acolhamos então em nosso íntimo – se assim quisermos – as razões de Deus. Para a vida quotidiana e seus planejamentos, no entanto, passemos a buscar uma lógica mais prática, afim de que não fiquemos perdidos nos vazios da mente. Até porque, como dizem os sábios, o amor tem razões que a própria razão desconhece.

* Termo latino que significa "À luz da Fé" em tradução livre. Ainda, é o título da primeira Carta Encíclica do Papa Francisco. Escolhi-o para representar um certo respeito à fé religiosa, respeito tal evidente no discurso de Descartes.

Adolfo Raphael Silva Mariano de Oliveira  - XXXI Direito Noturno - UNESP

O Erro do Método

        O homem sempre teve o desejo de entender o mundo a sua volta. A necessidade de explicação sobre os fenômenos naturais, sobre a origem humana, entre outras coisas levou ao desenvolvimento de vertentes – sejam elas filosóficas, teológicas ou astrológicas – que possam esclarecer tais dúvidas.
        Foi no contexto da Idade Moderna que surgiu René Descartes com sua obra “Discurso do Método”. Nela, o filósofo apresenta sua metodologia criada para conduzir o pensamento a fim de se chegar a uma verdade incontestável. Para tanto, o recurso principal é o questionamento, ou seja, é preciso duvidar de todas as concepções acerca de qualquer assunto. Além disso, destaca-se também na obra a valorização do racional. Dessa forma, Descartes desconsidera as teorias baseadas no imaginário, a exemplo da astrologia.
       Em suma, Descartes tenta sistematizar a vida e entender completamente o mundo ao seu redor. É dessa característica que surge o adjetivo “cartesiano”, a partir da tentativa que equacionar as relações humanas. Nas palavras do filósofo: “tomei um dia a decisão de estudar também a mim próprio e de empregar todas as forças de meu espírito na escolha dos caminhos que iria seguir.”
       Contudo, é preciso destacar que os seres humanos, bem como as relações entre eles, não são regidas por qualquer lógica ou sistema que possam unificá-los. Não há uma verdade universal ou uma explicação que não possa ser contestada. Como disse o pintor Pablo Picasso: “Se houvesse apenas uma única verdade, não poderiam pintar-se cem telas sobre um mesmo tema.”
        A teoria de Descartes é importante na medida em que organiza o pensamento, mas talvez falhe quando busca a verdade, uma vez que essa não é única, ou seja, não é, necessariamente, a mesma para todos.

Ana Julia Pozzi Arruda, 1° ano direito diurno.
 Sobre Descartes e a ruptura com o "saber" tradicional
            As pessoas mais interessantes que conheci são parecidas com René Descartes: são humildes, viajam pelo mundo, conhecem outras culturas e são sempre cheias de dúvidas. Humildes, pois não acham que suas ideias são sempre corretas e as melhores. Viajam pelo mundo e conseguem respeitar tudo que é diferente ou estranho a elas. E por último, a maioria delas mantém-se mais para o lado da desconfiança do que para o da presunção.
            Muitas dessas pessoas que citei não têm estudos básicos, muito menos estudos acadêmicos, essas acabam por crer que a vida e o mundo são melhores escolas. Ora, tal fato ocorre porque tais pessoas, assim como Descartes, creem que as instituições de ensino tradicionais estão corrompidas e são ineficazes, servem apenas para “inflar o ego” de seus membros.
         Descartes prega então uma tentativa de se libertar de tais ciências, propõe um método que emanciparia o homem, dentre outras coisas, das "más doutrinas", tais como: Astrologia, alquimia e magia. Negando essas doutrinas, negamos o sobrenatural, e quando fazemos isso, tornamo-nos senhores do nosso próprio tempo.            
            Assim, Descartes e seu método tentam provar que podemos nos libertar de antigos conceitos e sempre preza que o que nos torna verdadeiramente humanos é a nossa razão, a capacidade de julgar de forma correta e discernir o bem do mal.

Felipe Antonio Ferreira Domingues da Silva - 1º ano Direito Noturno

Da dúvida ao conhecimento

O texto “Discurso do Método” nos explica como buscar a verdade por meio da razão. Descartes, por meio das dúvidas, tenta alcançar as verdades do universo, sendo que estava insatisfeito com as formas de pensamento da época.
O filósofo nos propõe “passos” para se analisar informações, são eles: verificar a veracidade das informações; analisa-las; sintetiza-las (partindo do simples para se chegar ao mais complexo); e por fim enumerar e revisar as conclusões. O método acima objetivava eliminar todo conhecimento adquirido por bases não sólidas.
O autor confronta seu próprio raciocínio, e conclui que não podemos duvidar do pensamento, e com isso provamos nossa existência (“penso, logo existo”). Descartes acredita também na existência de um ser que de coerência a razão, esse ser é Deus.

Descartes busca por meio desse método a universalização do modo de se fazer ciência. Seu método foi de grande contribuição e importância para humanidade por ser base de muitos conceitos científicos que vieram a ser desenvolvidos, a exemplo do sistema de coordenadas cartesiano e a geometria analítica. A grande contribuição de Descartes esta na descaracterização de um mundo qualitativo a um mundo puramente quantitativo.

Bruna Ianela Corrêa - 1° Semestre- Direito Noturno

A curiosidade humana : das cavernas até Descartes.


                                         A curiosidade humana : das cavernas até Descartes.

                 Desde o seu aparecimento no planeta terra, os seres humanos tendem a representar e conhecer o ambiente a sua volta. As pinturas rupestres , as mais diversas mitologias e a filosofia são provas incontestáveis da curiosidade humana e da procura do homem por conhecimento.  A curiosidade e a necessidade  do homem sempre o guiou rumo à expansão das  fronteiras de seu conhecimento. Tal fato fez com que a humanidade vivenciasse toda uma evolução tecnológica e de conhecimento através de seus milhares de anos de existência. Porém a procura do conhecimento nem sempre possuiu uma metodologia a ser seguida. Tal rigor científico e metodológico surgiu na mente do grande filósofo , cientista e matemático René Descartes .
                A Grécia antiga foi o berço da civilização ocidental.  A filosofia e a mitologia são marcas inconfundíveis da sociedade grega. A mitologia buscava explicar  os fenômenos naturais e o comportamento humano  através das ações e das vontades dos deuses. Já a filosofia se baseava em princípios criados pelos próprios filósofos para interpretar e procurar conhecer o mundo. Não havia assim, até as ideias de René Descartes, a busca de um rigor metodológico racional como ponto de partida para a busca do conhecimento.
                Descartes, em seu livro “ Discurso do Método”, procura sistematizar a geração de conhecimento através da criação de uma metodologia que prima pela autoridade da razão e o questionamento de conhecimentos pré formulados. Ao preconizar a razão humana, Descartes deixa implícita sua percepção de que o homem é  capaz de interpretar o mundo a sua volta. Tal pensamento fez com que suas ideias fossem interpretadas como anti-religiosas , o que se mostrou um erro uma vez que Descartes acreditava que o uso da razão não era a negação de Deus mas a aproximação do homem à  razão superior divina. Por fim, através do questionamento e da fragmentação do objeto a ser estudado e a revisão do conhecimento sempre a procura da  razão, René Descartes foi o pai da ciência moderna e importante contribuidor para a evolução humana em busca do conhecimento.

              João Pedro El Faro Lucchesi, 1º ano Direito Matutino , turma XXXI

Razão acima de tudo

Descartes, para o espanto de seus contemporâneos, mostrou-se descrente com o ensino tradicional e a filosofia escolástica de sua época. Para ele, tais conhecimentos não podiam ser aplicados à vida real e, portanto, pouco valiam. Dessa forma, o filósofo nos convida a questionar certos costumes e usar a razão como base de uma nova forma de obter o conhecimento.
A partir do uso da razão nasce no homem a necessidade de duvidar do que já existe, podendo, assim, identificar as crenças errôneas e buscar substituí-las por verdadeiras. Descartes afirma que esse método de questionamento deve ocorrer em todo e qualquer tipo de ciência, pois apenas dessa forma poderemos conhecer e compreender o mundo para, enfim, transformá-lo e beneficiar o ser humano. Portanto, o novo método de atingir o conhecimento, segundo Descartes, deve ser baseado na razão pura e certa.

Laísa Charleaux - 1º ano Direito Noturno 

O Discurso da Dúvida


Em seu "Discurso do Método", Descartes desenvolve um método científico baseado na dúvida criteriosa para se chegar, de fato, às verdades do universo, visto que estava insatisfeito com a filosofia e as outras formas de pensamento de sua época. Foi a elaboração deste método o responsável pela introdução do racionalismo na Idade Moderna, o que consagrou Descartes como "pai do racionalismo”.
Seu método tinha como objetivo eliminar todo conhecimento fundado sobre bases não sólidas. Desse modo, todo o saber deveria ser desconstruído para, após o exame de todos os postulados por meio da dúvida metódica, eliminar-se aqueles que não podiam ter sua veracidade confirmada e, assim, reconstruir todo o pensamento apenas com ideias comprovadas cientificamente por ele. Consistia o método em quatro etapas: a primeira pregava a confirmação da veridicidade do objeto estudado; a segunda, no desmembramento do objeto em partes menores seguido do estudo dessas partes; a terceira, reagrupar as partes analisadas em um todo verdadeiro: e, por último, a quarta postulava a enumeração dos resultados obtidos.
O método científico cartesiano seria uma forma de obter um caminho único, a partir da unificação do pensamento, de investigar as leis que correspondem ao engendramento de todas as coisas e, desse modo, desvendar os enigmas divinos. Descartes, após a revisão de todo seu conhecimento, concluiu que a única máxima que se pode ter certeza da veracidade é a seguinte: “Penso, logo existo”. Pois, se pensamos, significa que existimos de alguma maneira, visto que a o pensamento não prescinde da existência.

A contribuição de Descartes para a ciência moderna e seu desenvolvimento foi imensa. Não só pela elaboração de um método com base na dúvida metódica e hiperbólica, mas também no desenvolvimento da matemática e na divisão das áreas do conhecimento.

Sobre Decartes e o método.


       O método criado por Decartes e discutido em sua obra "Discurso do Método" se baseia na descrença nos conhecimentos consolidados e na dúvida adquirido  através de anos de estudos e no contato com a diversidade humana.
       Segundo o autor, muitas de nossas convicções ofuscam a nossa razão e nos torna menos capazes de ouvi-la, a dúvida deveria preponderar antes da consolidação de qualquer forma de conhecimento. Essa obra auxiliou na consolidação do sistema chamado de cartesiano.
     Esse método visava universalizar um modo de fazer ciência e alcançar a verdade, sendo a razão sua principal temática e base do livro, rompendo assim com o conceito até então vigente baseado no modelo eclesiástico. Entretanto, apesar de romper com paradigmas das formas de pensar relacionado aos métodos eclesiásticos, Decartes não rompeu integralmente com a religiosidade inerente ao homem do século XVII, ao citar em sua obra a existência de Deus e sua relação com a razão.
    Além da dúvida sobre as certezas pré estabelecidas, também deveriam ser questionados os sentidos. No método, a razão (pensar) está intimamente ligada ao "ser" (existir), e dessa forma se estabelece a máxima " Penso, logo existo" no qual a base das idéias da obra estão relacionadas.

O conhecimento científico na visão de Descartes

O conhecimento possibilitou ao homem modificar a natureza, a sociedade, as relações sociais, econômicas, políticas e culturais que estabeleceu durante toda a história. Até meados do século XVII, esse conhecimento desenvolvido pelo homem estava agrupado de modo a não se diferenciar as áreas do conhecimento. Nesse contexto surge René Descartes, anunciando seu método científico no qual se buscava compartimentar o conhecimento adquirido até o momento, e procurar a especialização em cada área. Além disso, o método de Descartes anunciava máximas adotadas pelo mesmo para conduzir a razão rumo ao conhecimento. A razão, por sua vez, também é um ponto importante dentro da obra de Descartes. Para ele, a razão consiste na capacidade de julgar corretamente e saber decidir o que é verdadeiro ou falso; e se bem conduzida pode aumentar de forma gradativa o conhecimento.
A preocupação em desenvolver o conhecimento e a cima de tudo como aplica-lo na prática é uma constante no pensamento de Descartes, por isso adota a ideia de que é preciso sempre duvidar de tudo e não se pode ter certeza sobre as coisas, sendo porém, a única certeza é que o homem é um ser pensante. Também propôs a experiência proveniente das relações com pessoas e opiniões de outras culturas como forma de acrescentar conhecimento, além de servir como base para o questionamento dos seus próprios pensamentos e opiniões para que posteriormente estabelece-se concepções mais corretas.
Como defendia uma ciência que seja mais exata, Descartes passou a desconfiar de outras linhas de conhecimento mais subjetivas como a Astrologia e a Alquimia. Dentro desse pensamento de desconfiar de todo o tipo de conhecimento, Descartes modificou completamente o modo de produzir, organizar e aplicar o conhecimento científico produzido pelo homem. 

Júnior Henrique de Campos - 1º Direito noturno.

A emancipação do pensamento

Quiçá a curiosidade humana acerca dos mistérios da vida tenha sido o combustível para o desenvolvimento da Filosofia e da Ciência. Porém, por muitos anos a forma de conhecimento mais propagada estava ligada a explicações mitológicas e religiosas, nas quais o homem cumpria apenas o papel de espectador. Todavia,
o Renascimento Cultural e Científico rompeu com os paradigmas do pensamento Medieval à medida que se aproximou da retomada de valores clássicos e antropocêntricos. Foi nesse contexto que o pensador iluminista René Descartes desenvolveu um novo método de pensar descrito em sua obra “O Discurso do Método”.

Tal metodologia do pensamento consiste em uma ideia de universalizar e sistematizar o conhecimento, afastando-se das formas pré-concebidas do saber, tais quais as formas sobrenaturais e as certezas inquestionáveis. (“Nada de sólido se pode construir sobre alicerces tão pouco firmes”).  Assim, ele coloca a dúvida como um importante instrumento para obtenção das verdades, sendo necessário um questionamento racional – dúvida metódica - sobre os assuntos para, dessa forma, melhor compreendê-los e explicá-los.

Além disso, o método cartesiano aponta para uma emancipação do pensamento moderno, uma vez que o homem deixa de ser o objeto para tornar-se, enfim, o sujeito das suas próprias descobertas, desvendando os mistérios do mundo por si só.  Ademais, Descartes segue a linha racionalista de pensamento ao apontar que a razão é uma capacidade inerente de cada homem e que, assim, o ser existe por ser, em primeiro lugar, um ser pensante, da máxima cartesiana “Penso, logo existo”.

Logo, inegavelmente Descartes deixou como legado um método que foi um dos mais importantes marcos para a organização e reprodução das ideias científicas – como um “divisor de águas” para o conhecimento - sendo, inclusive, aplicado na educação até os dias atuais.

Luiza Fernandes Peracine - 1º ano Direito Noturno 

A Dúvida pela Libertação de Dogmas



Descrente e frustrado com o método científico de sua época, René Descartes, não tomando este como seu propósito, cria um novo método de condução do conhecimento científico, desta vez baseado na dúvida. Seus escritos criticam duramente aqueles que, segundo ele, dizem saber mais do que realmente sabem e são engolidos por suas próprias vaidades pessoais. Mesmo quando se refere a si mesmo, o autor desconfia. Prefere não confiar nas próprias presunções a fim de que não ocorra com ele o mesmo que tanto critica em outros “pensadores”.
O filósofo frisa a necessidade de conhecimento empírico nas ciências e por tal motivo, enxerga de maneira diminuta a filosofia clássica e os conhecimentos preternaturais como a alquimia, a magia e a astrologia. A filosofia é, segundo o autor, demasiadamente aberta à discussão e acaba por usar de probabilidade para se chegar à uma conclusão. Descartes trabalha também com a ideia da necessidade de se agir com virtude, não simplesmente tê-las e proclamá-las em seu espírito.
O pensamento de Descartes revolucionou o conhecimento científico desde então, pois esse passou a enxergar todo o conhecimento por uma visão crítica, baseada numa desconfiança que clama por provas, para que o conhecimento possa ser levado a diante. A libertação do homem dos dogmas da tradição e mesmo os religiosos foi peça-chave para a progressão do pensamento científico nos tempos subsequentes ao filósofo.

Victor Luiz Pereira de Andrade - 1º ano - Direito Matutino 

A contemporaneidade do pensamento duvidoso

Ao se encontrar descrente perante o ensino da filosofia tradicional, já que acreditava que essa não transmitia um aprendizado que tivesse utilidade na vida prática, Descartes propôs um método de obtenção de conhecimento que se guiava pela razão, na obra conhecida como O Discurso do Método. O filósofo não trouxe grandes novidades em relação ao conhecimento, mas sua maior inovação foi a criação de um método que guiasse a obtenção daquele. Defendia que a razão é intrínseca ao homem, e que as diversidades de pensamento surgem por dirigi-lo de diferentes maneiras e pela consideração ou não de determinados fatos. Na época, inclusive o direito sofre certas modificações para que passasse a mudar mais intensamente a realidade. O direito canônico é substituído, em partes, pelo direito civil.
O método criado por Descartes tinha como guia a dúvida, ou seja, toda ideia que não possuísse comprovação científica concreta deveria ser posto em dúvida, e não se aceitar os fatos sem questionamento.  E ao analisar o passado, vê-se claramente que todas as comprovações adquiridas ao longo da história foram obtidas por se duvidar de algo não comprovado. Como exemplo, pode ser citado a teoria da geração espontânea, que ao gerar dúvidas, levou a diversos estudos.
Defendia também que a matemática, devido a certeza de suas razões, seria sempre algo incontestável, sendo o método cartesiano talvez a contribuição mais conhecida do filósofo na área. A filosofia, ao contrário, sempre teria algo sobre o que se discutir.
Para seguir o método mais fielmente, Descartes estabelece uma moral a ser seguida, e um de seus princípios tem como base a sobreposição do mundo sobre os interesses individuais. Assim, defende que deve-se sempre acreditar que nada está ao nosso alcance, salvo os pensamentos, para que assim não se tenha uma felicidade dependente do que não se tem. Essa concepção, contemporaneamente, vai contra os princípios capitalistas, que difundem, através da propaganda, a ideia de necessidade vinculada à felicidade.
Seu método, ao negar a existência de tudo que pudesse ser duvidado, cria uma única máxima da qual não se poderia duvidar: ‘’ penso, logo existo’’. Conclui-se com essa que a existência do ser humano está vinculada ao pensamento, não dependendo assim do local ou material em que existe. Com essa máxima, estipulou que tudo que se vê com clareza e distinção é verdadeiro, porém a dificuldade residiria em conseguir distingui-las, já que os sentidos são enganosos. E vai além, diz que todos os homens são dotados de paixão e razão. A paixão é o que faz o indivíduo ter ideias idealizadas, e a razão, ideias empíricas. Entretanto, todos tendem a se inclinar mais para a paixão, tornando ainda mais difícil a distinção do real. Defende ainda que os sonhos não devem ser descartados, mas devem, assim como os sentidos, ser apurados pela razão.
Por se inserir em uma realidade em que ir contra os dogmas da igreja trazia sérias consequências, em momento algum duvidou da existência de um ‘’ ser superior’’. E embora defendesse firmemente o uso da razão, para seu objetivo de estudo, que era criar conhecimentos aplicáveis cotidianamente, não necessitava romper com a instituição.

Descartes para além de seu momento

Sentindo-se descontente com a própria carga de conhecimento, Descartes lançou um novo olhar à realidade que lhe era mostrada: ponderou sobre questões existenciais e filosoficas , em busca de um conhecimento verdadeiro que só poderia ser alcançado após deixar de lado as convicções pessoais.
A transformacao social decorrente desse pensamento é imensuravel: a libertação dos homens perante os dogmas religiosos, em em alguns casos, até mesmo o desligamento crítico da crença na existência de divindades, o surgimento do ateísmo, do agnosticismo estão vinculados de forma intrínseca ao questionamento sobre o mundo que nos cerca, apesar de Descartes ter partido do princípio de qur Deus existe quando formulou seu pensamento.
Postulando que o homem tende à inclinar-se à paixão devido à sua sociabilidade, Rene Descartes procurou construir um método racional para a busca do conhecimento, segundo o qual essa caracteristica humana e os possíveis erros advindos dela seriam amenizados.
Para o desenvolvimento tecnológico, isso representou a possibilidade, por exemplo, dos estudos com células tronco , a realização de transplantes de sangue , de órgãos , pesquisas e manipulacao sobre o surgimento da vida, com fertilização, aborto e eutanásia como exemplos ainda amplamente discutidos , mas que outrora sequer seria possível pensar a respeito.
Descartes nos mostrou que nada é indubitável, e que a dúvida não representa ameaça às nossas convicções, pois se essas forem falsas, esse método de revisar nosso conhecimento nos libertará de idéias errôneas e irreais.

Gabriela Passos Ramos Alves - Diurno

Um novo método a considerar

René Descartes, ao propor um novo método, possibilita avanços no campo das pesquisas não só pelo embasamento nas ciências exatas como na valorização da dúvida. E à luz dessa nova perspectiva, alguns pontos de tal método são usados até os dias de hoje. Por exemplo, no estudo da História, dificilmente aceitamos algo como totalmente verdadeiro, ainda que existam teorias mais aceitas. Ou nas pesquisas de mestrado e doutorado onde as dificuldades são repartidas e estudadas para um melhor entendimento. No livro ''Discurso sobre o Método'' Descartes ainda menciona o fato das pessoas pensarem por caminhos diferentes e com julgamentos diferentes. Isso explica as diversas decisões dos juízes, que possuem conceitos variados de ''bom senso''. Mas essa mesma ideia muda com o tempo à medida que os costumes e valores vão mudando, tornando impossível uma definição única e perfeita da justiça, da ética, da moral ou da razão.

Antônio Carlos Müller - 1º Ano - Direito Noturno 

A importância do questionamento

   Com seus pensamentos René Descartes faz uma ruptura com o modo de pensar convencional, ao apresentar um descontentamento com os modelos de estudo que ele recebera, por serem formas de conhecimento reveladas e pelo fato das outras ciências serem especulativas e possuírem como princípios a filosofia, na qual segundo ele há uma falta de clareza.
   Primeiramente ele passou a duvidar e questionar tudo aquilo que lhe fora ensinado até então, e essa inquietação com a forma de pensar predominante o levou a elaborar um método para interpretar e investigar a infinidade de enigmas, para aumentar gradativamente seu conhecimento.
    Por adição, ao elevar sua sabedoria, o homem deixa de ser escravo do mundo, totalmente submetido ao destino, às forças da natureza, para se tornar capaz de escravizá-lo, ao dominar diversas áreas, como da saúde, dinâmica, inércia, entre outras, se torna capaz de proporcionar melhor qualidade de vida, maior segurança para enfrentar adversidades e ir além de suas condições naturais.
   Descartes foi um pensador revolucionário, que não se contentava com aquilo que lhe diziam ser verdade, seu método inclui a valorização da razão humana (essa racionalidade não foi um rompimento com suas crenças religiosas, para ele, fazer ciência era levar a fé às suas consequências últimas), o questionamento e o estudo de forma fragmentada para facilitar a chegada ao conhecimento e a resolução dos mistérios. Mostrando que onde há muita certeza, também há muita dúvida, pois sempre é possível conhecer o que nos cerca mais à fundo.


Karen Yumi Saito
1° ano - Direito noturno

O ceticismo como forma de conhecimento

René Descartes, nascido no final do século XVI e considerado como o pai da filosofia moderna rompe com a filosofia vigente do período medieval expondo seu racionalismo clássico no qual influencia inúmeros célebres filósofos como Isaac Newton, Blaise Pascal, John Locke dentre outros. 


Em seu “Discurso do método”, escrito em 1637, procura a busca da verdade através das ciências e a condução da própria razão através da dúvida como principal alicerce do conhecimento humano. O questionamento e a análise criteriosa de tudo o que constitui a realidade tem por base fundamental a garantia da plena certeza. Entretanto, a única verdade destituída de dúvidas era a de que o ato de pensar por si só comprovava a existência humana, logo, Descartes conclui esta linha de pensamento inerente ao sujeito pensante: Penso, logo existo.


Descartes através de seu ceticismo clássico é a expressão máxima de que a dúvida é algo intrínseco à condição humana em toda a sua existência sendo este um valor positivo, à medida que, a humanidade utiliza de suas imprecisões para aprimorar conhecimentos necessários à evolução do homem como ser pensante. Não por questões de vaidade em fazer do homem um detentor de conhecimentos eruditos, mas pela necessidade de torná-lo dono de opiniões próprias e formador de seus juízos. 

Adriane de Souza Oliveira - 1ºano Direito noturno