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segunda-feira, 3 de abril de 2023

Positivismo no Brasil: entre a retomada e a refutação

     O positivismo trata-se de uma teoria política, moral e filosófica que surgiu no século XIX, idealizada por Auguste Comte. As ideias de tal teoria baseavam-se no princípio resumido em “Ordem e Progresso”, que propõe a superação do pensamento religioso, dando lugar a defesa da observação e análise da sociedade a fim de compreender a natureza e desenvolver métodos científicos que evitariam a subjetividade da pesquisa. A partir disso, é notável que existem vestígios da sociologia positiva no Brasil contemporâneo, como é visto na própria bandeira do país que contém, em seu centro, o princípio positivista.

    Primeiramente, vale ressaltar que o conceito da objetividade na pesquisa científica cai por terra quando citada a teoria do filósofo francês Michel Pêcheux, que afirma que um discurso é determinado ideologicamente em função da posição social do falante e de outros elementos que constituem as condições de produção do discurso. Assim, cada indivíduo possui valores e realidades individuais e discrepantes entre si e, consequentemente, existem inúmeras ideologias diferentes associadas aos respectivos discursos, mas que nenhum deles podem ser considerados neutros, tendo em vista que todo e qualquer ser social carrega uma bagagem moral e ideológica. Sendo assim, é impossível que a análise e a pesquisa científica -sendo pensadas por um homem social- sejam configuradas como sendo imparciais e livres de subjetividades.

Ademais, a ideia da ordem para Comte mostra-se avessa a qualquer tipo de violência para alcançar a transformação social. O filósofo francês propunha uma forma de organização da sociedade baseada em uma estratificação estamental, ou seja, uma hierarquia fixa da sociedade e de seus papéis, e tratava tal configuração como uma espécie de lei natural, cujo intuito seria preservar a harmonia e o bem-estar social. No entanto, é possível perceber a presença da ordem positivista na atualidade, já que tal princípio é utilizado para argumentar a favor da manutenção do ordenamento social vigente e suas mazelas, como a desigualdade socioeconômica vista na atualidade brasileira, defendida pela classe econômica dominante. Assim, percebe-se que a ordem defendida pelos positivistas trata-se de uma ordem que interessa apenas às elites, sendo justificada pela ideia de que somente assim seria possível alcançar o tão almejado progresso.


Em suma, é possível observar que o positivismo, ainda que nascido no século XIX, encontra-se presente na sociedade atual, embora sua influência seja cada vez mais questionada e contestada por ideologias mais recentes da sociedade contemporânea. Também, conclui-se que a subjetividade e a neutralidade de uma análise da sociedade não passam de uma falsa construção social, ao passo que toda e qualquer perspectiva representa uma ideologia. Bem como a noção de ordem, que agora é refutada por uma sociedade que enxerga através de lentes que entendem a relação intrínseca entre análise social e subjetividade, e que percebem o caráter elitista que a sustenta.


Larissa Libardi Jorge- 1 ano Direito (noturno)

RA: 231220189


Samba e Positivismo - Aula 03

"Se trazes no bolso a contravenção
Muambas, baganas e nem um tostão
A lei te vigia, bandido infeliz
Com seus olhos de raios X

Se vives nas sombras, frequentas porões
Se tramas assaltos ou revoluções
A lei te procura amanhã de manhã
Com seu faro de doberman"

O trecho acima citado pertence á canção "Hino de Duran" do cantor e compositor brasileiro Chico Buarque de Hollanda, esse, que é um samba de protesto contra a violenta repressão sofrida pelos opositores da Ditadura Civil-Militar de 1964, faz uma crítica á uma forma de pensar sociedade, em voga na época, que lembra em tudo as ideias Positivistas de Auguste Comte. Para a Sociologia Positiva, é sagrada a conservação da ordem e hierarquia vigentes a fim de se alcançar o constante progresso tecnológico. Nessa chave, o "Hino de Duran" é um aviso á todo e qualquer um que pense em subverter a coesão social própria do capitalismo, seja tramando assaltos ou revoluções, ou carregando nenhum tostão (não contribuindo para a circulação de capital).

Ademais, a norma legal aparece personificada na letra do samba (''a Lei tem ouvidos pra te delatar", "a Lei te vigia, bandido infeliz", ''A lei vai te abraçar, infrator"), assim, pode notar-se o papel central que ela possui no Positivismo, sendo a maior ferramenta de controle contra aquele que não se encaixa na sociedade positiva, pensemos nos casos da violenta opressão contra os protestos pacíficos anti-governo do Brasil de Novembro de 2021 sob a justificativa de manutenção da ordem legal.

Nesse sentido, é notável que o positivismo não é assunto do século passado, a máxima: "o amor por princípio, a ordem por base e o progresso por fim", forjada pelos militares proclamadores de nossa república, em 1889, se transforma em "Deus, Pátria e Família" no século XX e ganha a nova roupagem "Brasil acima de tudo, e Deus acima de todos" na atualidade. No fim, o imperativo se torna o encaixe e a contribuição para o progresso, ou o fim é o mesmo do Hino de Duran: 

"E se definitivamente a sociedade
Só te tem desprezo e horror
E mesmo nas galeras és nocivo
És um estorvo, és um tumor
A lei fecha o livro, te pregam na cruz

Depois chamam os urubus"  

Maisa Martins Alves - Primeiro Ano (noturno)

RA: 231222599


  

O novo positivismo brasileiro.

Iniciada na França, no século XIX, a corrente filosófica de Augusto Comte, levava em conta a superioridade da ciência diante outros métodos de obtenção de conhecimento, tal como a capacidade desta de solucionar as questões humanas de maneira que houvesse menos interferência da teologia e da metafísica; tinha como lema: “O amor por princípio e a ordem por base. O progresso por fim”, qual teve muita influência na formação do Brasil republicano.

A Proclamação da República no Brasil, em 1889, ocorreu com um grande adepto aos ideais comtianos, Benjamin Constant. Nessa época, o positivismo teve uma forte presença no ambiente militar brasileiro, de forma que foram refletidos na bandeira brasileira e no próprio governo. Mas será que ainda está presente nos governos atuais?

Christian Lynch, professor do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP-UERJ) afirma que: "O positivismo é conservador e progressista ao mesmo tempo". Panorama esse que foi observado como lema em um dos últimos governos brasileiros, que perdurou até 2022, onde uma massa foi movida e influenciada por um presidente que dizia visar o avanço do país e da economia, conservando o conceito de “família tradicional brasileira” e o de Religião. Todavia, tal progresso nunca existiu fora da bolha desse grupo extremista. E a tão importante ciência defendida por Comte, também foi negligenciada, deixando um rastro de setecentos mil mortos para trás. O progresso foi colocado acima da saúde da população. 

Portanto, os valores fundamentais dessa corrente filosófica, que incluem a observação científica e a solidariedade social voltada para o bem público, foram corrompidos e sua essência acabou sendo perdida. De tal maneira que, o novo positivismo representa uma ameaça, visto que essa comunidade conservadora é repressiva e o preconceituosa, trazendo consigo o alvoroço da população.

Julia Bueno Pinheiro - 1° Ano Direito (Noturno)

RA: 231223137 

 


 Existe positivismo hoje?

O positivismo classifica-se como física social, tem como objeto de estudo os fenômenos sociais, com fundamento nas "leis lógicas" dos fenômenos, a estática, como elemento de aptidão para ação e a dinâmica, como ação em si. Para Comte, a sociologia tem como obrigação resolver a constituição revolucionária das sociedades modernas, buscando um equilíbrio entre conservação e melhoramento, o que seria possível através do amor aos princípios, ordem como base e progresso como objetivo. Isso seria possível por meio da aceitação dos "lugares sociais" e aceitação da ideia de harmonia social baseada nesse princípio, que manteria o bem público. 

Dessa maneira, é notável que o positivismo estende-se à realidade social moderna, já que as manifestações sociais que ameaçam gerar grandes mudanças estruturais são silenciadas. Ademais, existe um avanço crescente da direita conservadora no mundo, que engloba discursos neofascistas e de crescente marginalização de determinados grupos sociais e políticos, que seguem sem espaço de expressão de suas individualidades em meio social, o que é extremamente negativo para um corpo social, que só teria ganhos com uma participação expressiva de mais membros, que não são efetivamente incluídos na dinâmica social de forma igualitária. Isso acontece pois, a preservação da soberania de determinados grupos faz parte da preservação da estrutura social vigente e mantém a "harmonia social" descrita por Comte.

Giovana Novaski Ducia - 1 ano noturno 

RA: 231222645

O positivismo na contemporaneidade

O positivismo juntou vários ideais de muitos pensadores até ser criado definitivamente, até hoje é muito usado, mas claro, com certas mudança. Augusto Comte foi um pensador francês do século XIX fundador do positivismo. Era um filósofo crítico a várias coisas da sociedade, como a religião e a e a metafísica.   

Para o Comte, as ciências da natureza é possível ser transformada diretamente, já as ciências humanas nós a criamos. Para ele essas ciências estão ligadas a uma ordem natural. Foi uns dos primeiros pensadores a identificar que a sociedade deve ser um objeto de estudo, criando assim a sociologia, que é estudada através de um método cientifico. A regra básica para o estudo sociológico positivista, é entender que a natureza se sobrepõe as ações humanas  dizendo assim que por mais que tenhamos ações durante a vida, as coisas são naturais, que existe uma ordem natural para se estudar e entender as sociedades.

 A frase “ordem e progresso” da bandeira brasileira é positivista, já que foi determinado por um militar. Para Comte, a humanidade passou por processos até chegar ao positivismo, é a chamada lei dos três estados: estado teológico, estado metafísico e finalmente o estado positivo.

 Essa corrente filosófica se espalhou pela Europa durante a segunda metade do século XIX. Já no Brasil, ela chegará apenas no Século XX, quando as ideias de Comte, que foi propagada pelos pensadores:  Miguel Lemos (1854-1917),Teixeira Mendes (1855-1927) Benjamin Constant (1836-1891) e entre outros pensadores importantes da época.

O positivismo hoje.


É possível notar diversas semelhanças entre os ideais positivistas discorridos por August Comte e atitudes cometidas na contemporaneidade.Por exemplo, na fala do ex-ministro da economia Paulo Guedes, exímio símbolo do bolsonarismo, criticando efetivamente o FIES e a possibilidade de um filho de porteiro adquirir bolsas estudantis, nota-se uma proximidade com o discurso de Comte em sua obra "Discurso sobre o espírito positivo", em que é construído a ideia de "lugares sociais" e seus papéis definidos, a qual Guedes, utilizando-se de todo seu elitismo político, adota uma perspectiva positivista e tece de certa forma uma crítica a possibilidade do mais pobre ter acesso ao estudo por meio de bolsas de estudo, deixando implícito em sua fala que as camadas preteridas devem continuar subalternizadas.Ademais, o enfraquecimento de valores morais religiosos ditando o padrão de vida na atualidade pode ser visto como um ideal positivista , na medida em que hoje , por exemplo , os católicos não mais são duramente fiéis aos dogmas da igreja, tal como não ter relações sexuais antes do casamento , não comer carne de porco e entre outros , fato esse que mostra que a centralidade da moral não está mais na religião ,corroborando algo que Comte discorre também na obra “Discurso sobre espírito positivo”, que a assistência teológica não é indispensável à moral, e que os preceitos morais foram cada vez mais levados a uma consagração puramente racional.Isso posto, nota-se como valores positivistas estão ainda muito presentes no hodierno, seja  nos mais variados âmbitos ,tais como o político e o religioso demonstrado no texto.

Nome:Francisco Félix do Nascimento Filho
R.A:231222785
1 Ano Direito(Matutino)

Positivismo no Brasil: ordem e progresso.

 

 TEMA: EXISTE POSITIVISMO HOJE?

            O positivismo foi uma corrente filosófica que surgiu no século XIX e criada pelo filósofo Auguste Comte, essa linha de pensamento sociológica propunha a valorização do conhecimento científico como o único saber puro e verdadeiro. O positivismo tinha como principais fundamentos a ascensão e progresso no corpo social, visando uma sociedade baseada nos valores positivistas em prol do desenvolvimento social.

               Essa corrente tinha como uns dos principais lemas a frase: "O Amor por princípio, a Ordem por base, e o Progresso por fim". Nesse contexto, o positivismo esteve presente na composição do País, estando estampado na bandeira com a frase “Ordem e Progresso”, expressando como a ideologia positivista influenciou na construção do Brasil. Sob esse viés, a busca desenfreada pelo desenvolvimento social é maléfica para a sociedade, pois podem ultrapassar todos os limites e ferir os direitos humanos em busca obsessiva pela ordem, tal acontecimento temos presente no histórico do Brasil, a Ditadura Militar no ano de 1964,

               Em suma, o positivismo ainda está vivo atualmente, mas o pensamento positivista diverge com as culturas, tradições e costumes instaurados nos tempos atuais, sendo assim, essa tese perdeu sua força comparado com o passado. Contudo, a proposta alienada para progresso civil ainda tem forte impacto na sociedade atual, sobretudo alimentada pelo antigo governo.

Rayla Pereira da Silva, - 1° ano, Direito noturno.

Ordem e Progresso para quem?

O Positivismo, uma corrente teórica fundada por Auguste Comte no séc. XIX, tinha a ciência como norteadora do progresso social e única fonte legítima de conhecimento. Para os positivistas, apenas o conhecimento legítimo vem a partir de uma comprovação feita pelo método científico. Aqui no Brasil, esta corrente ganhou vários adeptos como os militares e os republicanos. 

Para que houvesse a consolidação da República, por meio de um golpe militar no ano de 1889, a principal ideia  do Positivismo, “ordem e progresso”, foi estampada em nossa bandeira. Entretanto, o lema que nossa bandeira carrega, não floresceu como a sociedade esperava e gostaria. Antes mesmo que a Primeira República chegasse ao fim, a política brasileira já vinha sofrendo diversos ataques à democracia, como a implantação do voto de cabresto. 

Ainda nos dias atuais temos a presença do pensamento Positivista na nossa sociedade atual, em que muitas vezes conservadores utilizam do lema “ordem e progresso” para defender ideais que ferem o mesmo, fazendo com que em vez da sociedade progrida, retroaja. Como tivemos em anos pandemicos, em que a eficácia das vacinas contra covid foi questionada por muitos, causando uma "desordem" e acarretando em uma incerteza sobre a ciência, enquanto a mesma em vez de progredir nos estudos sobre as vacinas, teve que se desgastar produzindo materiais que continuasse de fato comprovando a eficácia das mesmas.


Lohane Rodrigues de Abreu


RA: 231223251


Direito - Matutino

 Um por todos e todos por um

Esses dias, ao olhar as notificações do meu celular, percebi que recebi uma mensagem de um membro da minha família. Era um texto enorme de alguém contando sua história com acidente doméstico, mas que resumidamente falava que aplicar farinha em uma queimadura recém sofrida ajudava no processo de cura. 

Depois de algumas horas, a pessoa que compartilhou o texto comigo se corrigiu após descobrir que aplicar farinha na queimadura era uma fake news. 

O que me levou a refletir sobre o assunto  no contexto do Positivismo de Comte. Para ele, a solidariedade é a "ligação de cada um a todos”. Que, basicamente, sempre agimos para buscar a harmonia social. 

Então mesmo que à primeira vista a ação pareça ser individualista, no fundo ela vem a procura de um “bem maior”, por assim dizer. 

Aplicando o contexto ao caso que citei acima, espalhar uma mentira seria uma forma de se beneficiar levando vantagem sobre alguém, sendo uma ação individualista. Porém, nesse caso, alguém viu a notícia e achou que ajudaria outras pessoas no caso de algum acidente e acabou espalhando a mentira, ou seja, a pessoa espalhou uma mentira na intenção de promover um “bem maior”. 

Claro que há casos em que a pessoa tem consciência da fake news e mesmo assim a compartilha. No entanto, são esses casos cotidianos que nos permitem associar teoria à prática, são eles que nos permitem aprender e também nos ensinam como é a sociedade em que vivemos, aplica na nossa própria realidade a ciência da sociologia. 


Olivia Coelho Tamburini, 1° ano Direito matutino

Laura Bittencourt Padilha, 1° ano de direito noturno

RA: 231223421

O conceito positivista, sua presença no brasil do passado e no brasil atual.

O movimento positivista foi uma corrente de pensamento que predominou culturalmente na Europa da metade do século XIX até o começo da Primeira Guerra Mundial. O termo derivou de uma onda otimista que vingou durante o período devido a novas tecnologia e o avanço da ciência, que desenvolveu certo entusiasmo com a ideia de progresso social e sua suposta tendência de evoluir constante e gradualmente.

Influenciado pelo Iluminismo e a ascensão do cientificismo, o positivismo tem uma crença estritamente racional, que alega que devemos ser sempre racionais e confiar na ciência. Esta corrente de pensamento alega que o conhecimento científico é o conhecimento verdadeiro.

O positivismo teve grande influência nos militares brasileiros e políticos ligados ao governo do primeiro presidente da república pós império - Marechal Deodoro da Fonseca - que visou implantar uma política com bases no positivismo com a manutenção da ordem para se alcançar o progresso. O lema positivista - amor por princípio, ordem por base e progresso por fim - estampados na bandeira brasileira perpetuaram os ideais dessa corrente de pensamento. A ordem corresponde à manutenção do que é belo e certo e o progresso corresponde ao aperfeiçoamento da ordem e ao processo evolutivo das sociedades.

Nota-se a presença de tais características positivistas na onda de conservadorismo que veio se consolidando no mundo e no contemporâneo. Para o teórico político americano Russell Kirk “O conservador pensa na política como um meio de preservar a ordem, a justiça e a liberdade”. O ideal de “preservar a ordem” mantém a relação entre a corrente de pensamento positivista e o conservadorismo que defende a manutenção das instituições sociais tradicionais, como: a família, a religião, os costumes e tradições. A “defesa da família tradicional brasileira” e “manutenção dos bons costumes” foram termos utilizados comumente para justificar atitudes preconceituosas que visavam manter, em teoria, a “ordem social”.

 Mesmo com certas características positivistas presentes na atualidade e no movimento conservador, pontua-se também uma divergência com a corrente de pensamento de Comte, que considera apenas verdadeiras as teorias que foram validadas cientificamente. Assim, desconsidera teorias baseadas em “achismos” ou no senso comum. Isto entra em contraste com a onda das fake News, a qual cresceu em paralelo com o conservadorismo. Ideias sem fundamentos científicos foram amplamente difundidas nos últimos quatro anos. A exemplo disso, temos a crença de “ameaças comunistas”, que nunca foram comprovadas como possíveis por historiadores, a divulgação do uso da cloroquina como medicamento para a covid-19 ou propagandas contra a vacinação baseadas puramente em achismos.

Portanto, estabelece aqui uma relação de presença de ideais positivistas na atualidade no conservadorismo brasileiro e sua intenção de “manter a ordem social” e, também, um contraste dentro desse mesmo movimento quando se pensa na propagação de notícias, pensamentos e crenças irracionais que entram em conflito com o que a ciência defende efetivamente e comprova.

Existe positivismo nos dias de hoje?

 

O filósofo francês Auguste Comte, nascido no final do século XVIII, foi um importante filósofo que contribuiu para o desenvolvimento de uma nova ciência que na atualidade é conhecida como sociologia. Em sua época, as grandes ciências eram em grande maioria da área de exatas (matemática, física, astronomia), mas segundo Comte, a existência de uma ciência que tivesse como objeto de estudo a sociedade era tão necessária quanto a existência das ciências já existentes na época. Dessa forma, o autor francês desenvolve sua teoria em que existiria uma “física social” responsável por compreender a sociedade e suas relações.

Por ter vivido em um contexto histórico em que as ideias iluministas estavam em decadência e o cientificismo ganhando destaque, Comte, influenciado pelo cientificismo, acreditava que o conhecimento científico seria a única forma de conhecimento real. Assim, ele desenvolveu sua principal teoria, juntamente com outros filósofos que ajudaram a aperfeiçoá-la, o positivismo. Seu lema era “o amor por principio, ordem por meio e progresso por fim” e tinha como metodologia a observação dos fenômenos. Outra ideia importante da teoria comtiana é a “Lei dos Três Estados”, Teológico (estado no qual as pessoas acreditam em seres sobrenaturais), Metafísico (estado no qual o senso comum explicaria os fenômenos) e Positivo (estado no qual a ciência é vista como verdade absoluta).

O positivismo, que ganha influencia mundial, acaba chegando ao Brasil e influenciando até mesmo na formação da bandeira nacional, com parte de seu lema “ordem e progresso”. Posteriormente, mas com menos intensidade, o positivismo continua influenciando na política brasileira, como nos tempos da Primeira República, visto que o primeiro presidente do Brasil tinha fortes influencias positivistas. Ainda no século XXI, é possível reconhecer traços remanescentes do engajamento positivista original presentes na sociedade atual. Como na pandemia de COVID 19, em 2020, com a fala do próprio ex-presidente, afirmando que uma gripezinha não poderia impedir o país de continuar movimentando sua economia plenamente, como se não houvesse pessoas adoecendo, assim fica explícito que a “ordem e o progresso” estariam acima do bem estar da população.

Com isso, fica evidente a forma como o positivismo se faz presente na atualidade, valorizando somente a “ordem e progresso” desvalorizando o “amor “ por princípio, pontuado por Comte, contribuindo, assim, para a manutenção do poder de forma hierárquica e movimentos extremistas.

O positivismo no século XXI

        O positivismo como física social e corrente filosófica surge na França, ao longo do século XIX, em um contexto social, econômico e político conturbados devido ao avanço da burguesia pela sociedade e à organização da classe operária. Elaborado por Auguste Comte, filósofo francês, o positivismo consiste no desenvolvimento do indivíduo a partir de três estágios, os quais se denominam teológico, metafísico e filosofia positiva, sendo esse último estágio aquele que indica o amadurecimento do ser e que resulta no estudo da sociedade, ou seja, a sociologia.
Paralelo a isso, o positivismo traz os ideais de ordem e progresso como condições essenciais para a existência da civilização moderna, além de objetivar, na sociedade, a formação de uma moral ativa e universal, que impõe regras e normas de comportamento coerentes com a harmonia social. Refletindo sobre isso nos dias de hoje, é possível constatar que a corrente positivista segue permeando o corpo social que integramos, já que constantemente vemos certos grupos de pessoas (classe dominante) tentando impor a outros (classe dominada) a maneira correta de falar, fazer ou comportar-se, a exemplo de situações diárias de homofobia, racismo, machismo, xenofobia, etc.
Dessa forma, observa-se que mesmo após dois séculos de tempo transcorridos, a organização social dos indivíduos transformou-se insuficientemente para o necessário de construir uma sociedade mais justa e igualitária, além da propagação da existência de uma conduta correta e mais adequada a ser seguida, que nada mais é do que uma imposição dos grupos dominantes a fim de manter a falsa impressão de harmonia social.


Bárbara Vitória Gomes Bugiga

1º ano Direito - Noturno

RA: 231222203


Positivismo e Moral

 

A Física Social, segundo Auguste Comte, trataria do estudo das superações das sociedades pelas próprias sociedades, cada uma ligada a anterior e a seguinte. Cada superação seria resultado de uma crise social e o progresso deveria ser constante. A fim de otimizar o progresso social, a ordem positivista, baseada na ciência, deveria organizar a sociedade.

          Nos dias atuais, o positivismo ainda se faz presente, porém distorcido. Grupos de extrema direita, sobretudo no Brasil, utilizam dos conceitos de Comte para justificar que uma sociedade norteada por seus ideais morais seria melhor e progrediria. Ironicamente, o estado teológico, visto como já superado no século XIX por Comte, é resgatado por esses mesmos grupos com o intuito de reestabelecer a ordem e finalmente cessar a crise moral, essa responsável por todos os problemas sociais.

          Na realidade, o que acontece é uma nostálgica tentativa de regredir a um tempo que não existiu. O passado não era melhor por ser mais moralmente “controlado”, simplesmente porque não se pode qualificar a Moral. Diferentes culturas e diferentes tempos tratarão da Moral de diferentes formas, pois suas concepções morais são fruto da realidade em que vivem. 

 

Nathan Batista de Araujo - 231220103 

primeiro ano de direito noturno

O positivismo na sociedade contemporânea brasileira

    A primeira corrente sociológica da história, o positivismo, apresentava como maneira de pensar a sociedade as leis naturais, ou seja, inspirava-se nas ciências naturais. Auguste Comte, o fundador dessa corrente, trazia em sua teoria a ideia de leis invariáveis da sociedade, cujas valeriam para qualquer época e qualquer sociedade, sendo uma forma fixa de analisar através da sociologia proposta.

    Mas, para compreender a teoria positivista e ser capaz de trazê-la para a contemporaneidade, o contexto histórico é de suma importância. Isso, porque o autor dizia que a sociologia (ou física social) era a ciência da crise que era vivida na época, de tal modo que seria capaz de, ao analisar a sociedade, propor maneiras de leva-la do caos (ou estado de desorganização) para a reorganização.

    Cabe aqui questionar, portanto, o que ou quem define o estado de organização? E, como forma de resposta indireta, é válido citar Grada Kilomba, mulher, escritora e pesquisadora preta, esta diz 

“Qualquer forma de saber que não se enquadre na ordem eurocêntrica de conhecimento tem sido continuamente rejeitada, sob o argumento de não constituir ciência credível”

Em resumo, a ordem que Comte traz é a ordem sob a ótica europeia da sociedade, sob a ótica do capitalismo – pois, inclusive, toda a crise da época possuía relações intrínsecas com o fantasma que rondava a Europa, o fantasma do comunismo -, de modo que as instituições deveriam se manter constantemente as mesmas, gerando como característica da corrente, a aversão a mudança.

    Após tal contexto e explicações feitos, a questão que surge é: essa corrente do século XIX ainda possui efeitos na atualidade?

    O positivismo é uma ciência considerada útil, tendo em vista sua necessidade de, para além de analisar a sociedade, propor maneiras de reorganizá-la a fim da manutenção de determinadas instituições que constituem a “normalidade”. Além disso, uma preocupação que não existia nessa teoria é a de buscar a raiz dos problemas sociológicos.

    Por essa razão, um exemplo palpável do positivismo na atualidade seria os argumentos contrários ao sistema de cotas raciais, são eles: “a cota gera mais preconceito”, “os próprios negros escravizavam outros negros”, “não existe racismo estrutural”. Tais argumentos são análises do porquê as cotas deveriam ou não existir a partir de uma ótica rasa, de uma análise fugaz, a fim de não alterar o curso da sociedade, não dar voz a aqueles que nunca tiveram – e que, portanto, não devem ter. Cabe novamente citar Grada Kilomba, que diz: 

“É impossível a subalterna falar ou recuperar sua voz e, mesmo que ela tivesse tentado com toda sua força e violência, sua voz ainda não seria escutada ou compreendida pelos que estão no poder”.

    Outro exemplo de análises positivistas na sociedade contemporânea é a questão da miscigenação. Na contemporaneidade, a miscigenação ainda é vista e tratada como algo romantizado, "bonito", que deu origem aos brasileiros para além de indígenas, africanos e europeus, porém a história é contada da ótica da “organização”, por quem tem poder de contar a história. Sabe-se que a história não é essa, mas de maneira útil faz-se essa análise a fim de não gerar mudanças e não discutir a pauta de maneira aprofundada.

    E, acerca dessa temática, Grada Kilomba diz: 

“ela (a subalterna) está sempre confinada à posição de marginalidade e silêncio que o pós-colonialismo prescreve”

Isso, porque essa marginalidade e silêncio são herdados do achamento e ocupação do Brasil por europeus, o qual foi definido por estupros e violências para com mulheres indígenas, pretas – e, portanto, subalternas.

    Por fim, pode-se concluir dizendo que o positivismo está presente na sociedade de maneira vívida e muito mais frequente do que deveria, considerando que se trata de uma ideologia de dois séculos atrás. Porém, como apresentado ao longo do texto, se faz tão atual nas “pequenas” análises do dia a dia, que se torna corriqueiro e faz com que a sociedade esqueça de se aprofundar e compreender determinadas temáticas, tendo em vista a posição de poder que tais pessoas se encontram: a zona de conforto de ser parte inerente da "organização".


Isadora Mendonça Brasil – 1º ano – Direito/noturno

RA: 231220715