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segunda-feira, 15 de abril de 2024

Como a falha das instituições sociais cria indivíduos doentes

 O funcionalismo de Durkheim é pautado na coerção e equilíbrio do corpo social, onde os mesmos são fundamentais para evitar a anomia. O equilíbrio do corpo social é dado pela unificação das instituições sociais como economia, família, justiça e educação. Para Émile, os movimentos sociais são importantes pivôs para o distanciamento da anomia social, um exemplo são os movimentos pelos direitos civis da população negra americana, que lutava contra a segregação racial, onde caso esses movimentos não vigorassem, possivelmente a sociedade entraria em anomia. 

Desse modo, Byung-Chul Han, em seu livro Sociedade do cansaço, pontua a mudança de uma sociedade disciplinar para a sociedade de desempenho, em que a população possui a necessidade de “dar seu máximo”, sendo razão primordial das doenças psicológicas, como a síndrome de burnout, hiperatividade, déficit de atenção, depressão e ansiedade. Em suma, a mensagem do livro é que vivemos em uma época em que o discurso, normalmente positivo, e a realidade não coincidem, o que leva ao cansaço psicológico. 

Cabe ressaltar a intersecção entre a sociedade de cansaço e a tendência à anomia, visto que a falha nas instituições sociais cria uma sociedade doente, que, segundo Byung-Chul, segue um pensamento extremamente positivo, acarretando nas síndromes psicológicas. Sendo assim, o funcionalismo de Durkheim na sociedade atual é aplicado principalmente pela iminência de anomia, visto as práticas sociais contemporâneas, que levam o indivíduo ao cansaço.


segunda-feira, 18 de março de 2024

O positivismo e o racismo estrutural presente no Brasil

O positivismo foi uma corrente sociológica do século XIX, influenciada pelo iluminismo, onde Auguste Comte apostava no progresso moral da sociedade por meio do desenvolvimento das ciências e da ordem social. No Brasil, o positivismo influenciou fortemente a política na república da espada, onde Marechal Deodoro da Fonseca implantou uma política baseada no positivismo, visando a ordem social para se chegar ao progresso. Atualmente, o positivismo é utilizado como organizador da vida social contemporânea, que em seus preceitos, formam sociedades conservadoras, que mantêm a ordem e o progresso em uma visão arcaica e religiosa. 

O racismo estrutural presente no Brasil vem de um processo histórico, associado ao colonialismo e à exploração dos nativos e africanos. Entretanto, não se conserva apenas a esse momento, visto que com a abolição da escravatura, por meio da Lei Áurea em 1888, os negros e indígenas, antes escravizados, não tiveram direito a políticas públicas para a inserção social dessa comunidade, sem acesso à terra, a trabalho remunerado e geralmente analfabetos, essa população ficou sujeita a qualquer tipo de preconceito. 

Desse modo, na contemporaneidade do tecido social brasileiro, o positivismo ainda influencia diretamente no modo de agir da população, associado ao pensamento de quem pode utilizar de cada lugar social e da hierarquização da fala, que se reflete nos questionamentos da escritora Grada Kilomba, que diz: “O sujeito branco é assegurado de seu lugar de poder e autoridade sobre um grupo que ele está classificando como ‘menos inteligente’ “ [Kilomba, p. 55], sua fala demonstra que, mesmo na sociedade atual, “inconscientemente”, o indivíduo branco é tratado com privilégios. Nesse sentido, o pensamento positivista aplicado politicamente na sociedade brasileira não passa de uma falácia, visto que é apenas aplicado a aqueles que atendem a demanda de ser branco, religioso e conservador, excluindo as demais minorias e alavancando cada dia mais o racismo estrutural na sociedade brasileira.