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segunda-feira, 1 de abril de 2024

Tribunal da internet: justiça virtual ou apedrejamento

 

O “Tribunal da internet” se trata da ação popular de pessoas nas redes  sociais que se juntam para “cancelar” (o termo será explicado no decorrer do  texto) alguém por sua conduta. Nesse contexto, essa manifestação de tribunal  na internet tem principalmente dois fatores responsáveis: a inversão de poder  existente entre pessoas de alta e baixa influência, e a segurança do anonimato  online provido pelas redes sociais. 

Primeiramente, o significado do termo “cancelar”, que se trata de quando  uma comunidade em redes sociais se une contra uma personalidade artística  influente para parar de seguir seu trabalho, pressionar marcas a cancelarem seu  patrocínio e coagir empresas a não fecharem contratos com ela. Tendo isso em  vista, é necessário se atentar a inversão de poder existente nessa ideia, a partir  do momento em que um indivíduo com pouca influência e relevância na internet  com a ajuda de outros como ele adquire a possibilidade de influenciar de forma  significativa a vida de uma personalidade artística altamente relevante; esse  poder é visto por muitos como a única possibilidade para ser importante e  exercer influência nas redes online. 

Além disso, os internautas em boa parte das vezes não se importam de serem grosseiros e desrespeitosos em seus julgamentos, como pode ser visto  por exemplo no caso da suposta traição da cantora Luísa Sonza em seu antigo  relacionamento, que chegou a ser ameaçada de morte em redes sociais e  forçada a sair do país por segurança. Tal fato, só é possível graças a segurança  do anonimato dada pela internet, que gera confiança e coragem para que cada  um diga o que quer sem medo de ser punido por isso.  

Desse modo, artistas e personalidades famosas são coagidas a agirem  de acordo com padrões para que não sofram uma retaliação pública que possa  culminar em seu cancelamento pelo tribunal da internet. O que segundo  Durkheim se configura como um fato social, devido a coação dessas figuras  pelos usuários das mídias sociais. 

terça-feira, 19 de março de 2024

 Atualmente, muito se discute sobre que mudanças a filosofia e a  sociologia podem realmente fazer em nosso cotidiano, e como as mesmas podem ser abordadas como ciências, o que faz esse questionamento tão  relevante são os constantes ataques a essas disciplinas por parte da extrema  direita brasileira.  

Na antiguidade, a filosofia era muito focada em “abstrações sobre a  natureza” como dito por Bacon, que são reflexões acerca do surgimento de tudo,  da menor partícula existente, e outras coisas das quais embora interessantes e  curiosas não se transformam futuramente em avanços concretos para a  sociedade. Tendo isso em vista, é aberto uma brecha para que a extrema direita  argumente que a filosofia hoje assim como em seu inicio de nada serve e nada  produz, como pôde ser evidenciado em 2019, quando o então governo Bolsonaro  resolveu reduzir os investimentos federais nos cursos de filosofia e sociologia,  para focar os recursos em cursos de exatas e da saúde, sobre o argumento de  que apenas esses cursos dariam um retorno a sociedade. O que é uma absoluta  mentira, considerando que Bacon enquanto criticava a filosofia tradicional com o  argumento de que essa não servia ao bem-estar do homem, produzia como um  filosofo um pensamento acerca da ciência que possibilitaria a criação de  métodos científicos, assim avançando a própria criação do saber cientifico  através da filosofia. 

Ademais, Descartes coloca a verdade como determinada por evidências  racionais, atrelando a produção do pensamento cientifico a necessidade da  busca por evidências. Considerando o que foi mencionado, é possível constatar  mais uma vez a evolução no pensamento cientifico proporcionada por um filosofo  em exercício de sua atribuição.