The Ugly Stepsister (2025), dirigido por Emilie Blichfeldt, é um longa-metragem que traz uma releitura gore do conto Cinderella, abordando o ponto de vista da meia-irmã (Elvira) da princesa Cinderella (Agnes). A obra traz pontos dignos de uma análise sob a ótica da sociologia compreensiva de Max Weber, uma vez que o filme leva o espectador a compreender o sentido subjetivo em que Elvira atribui à sua própria conduta.
Sua
história baseia-se em uma jovem, considerada feia por uma sociedade que aprecia
a beleza estética e a impõe. Assim como o clássico filme da Disney, o príncipe
do reino daria um baile para conseguir uma pretendente e, nesse sentido, selecionaria
suas convidadas a dedo baseando-se em uma academia de etiqueta para damas.
Elvira ingressa as aulas de etiqueta, mas é constantemente desprezada por sua
aparência, somando-se à comparação com sua linda meia-irmã Agnes. Com isso, a
mãe de Elvira a submete à brutais cirurgias plásticas e métodos de
emagrecimento maléficos, tudo para atrair a atenção do príncipe e ganhar
prestígio da alta sociedade.
Após
esse breve resumo, nota-se que o comportamento de Elvira tem sentido dentro do
sistema em que vive, um sistema obcecado por beleza, além da necessidade de
casar-se com o príncipe não só para obter riquezas para sua família, mas também
por amor, caracterizando-se como, respectivamente, uma ação racional e uma ação
afetiva. Além disso, configura-se o conceito de racionalidade instrumental, relacionada
ao conceito de ação racional, na qual faz-se presente uma ação guiada por uma
espécie de processo técnico e industrial: quebrar o nariz (em uma espécie de
rinoplastia), costurar cílios e utilizar ovos de Tênia.
Por
fim, torna-se importante ressaltar que grande parte dos personagens não
conseguem enxergar fora de uma lógica que supervalorize a beleza, de uma forma
em que se torna uma estrutura sistêmica opressora, semelhante a metáfora de uma
jaula de ferro, utilizada por Weber.
Em
síntese, The Ugly Stepsister deixa de ser um mero filme de terror gore
ao servir de estudo para a corrente da sociologia compreensiva de Max Weber,
uma vez que as condutas de Elvira deixam de ser vistas como irracionais ao
ganhar um sentido subjetivo influenciado por um meio opressor. Suas ações baseiam-se
na racionalidade instrumental e na ação afetiva, resultando no seu
aprisionamento. Portanto, a obra evidencia que a partir do momento em que a
beleza torna-se um meio de sobrevivência, a mutilação (cirurgias) passa a
significar uma escolha racional.

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