“Ordem e Progresso”, lema escrito na bandeira brasileira, caracteriza o caráter político e ideológico nacional após a Proclamação da República. Sob essa perspectiva, essa máxima, oriunda da sociologia positivista de Auguste Comte, define como prioridade o racionalismo e o cientificismo acima de tudo - até mesmo em detrimento do coletivo. Nesse sentido, essa ótica, descrita como neutra e objetiva, na maioria das vezes acaba subjugando grupos minoritários, afetados pelas condições desiguais da sociedade brasileira.
A respeito do supracitado, cabe citar a Revolta da Vacina como exemplo do autoritarismo positivista, em que a tecnocracia estabelece uma postura violenta perante aqueles considerados “ignorantes” por estarem alheios aos avanços científicos. Durante o período, os cidadãos - com medo do desconhecido - foram tratados de forma invasiva, sem diálogo, por serem considerados incapazes de compreender a importância da vacina. Desse modo, evidencia-se que o positivismo tem como marca a valorização da ciência em detrimento da população, tratada por essa ideologia como uma massa de ignorantes.
À luz do exposto, torna-se nítido que a lógica positivista, ao priorizar a ordem e a racionalidade técnica como fundamentos absolutos da organização social, mostra-se limitada e, na maioria das vezes, excludente. Ao desconsiderar as desigualdades estruturais e a multiplicidade de experiências individuais que compõem a sociedade brasileira. Dessa forma, essa perspectiva contribui para a marginalização de grupos já vulnerabilizados, reforçando relações de poder desiguais sob a justificativa do progresso. Assim, urge uma ciência mais plural e acolhedora, na qual o progresso não seja valorizado acima de tudo, de forma a excluir partes da população.
João Enrico Bottini
Direito - 1° ano (Noturno)
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