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domingo, 5 de abril de 2026

O positivismo como perpetuador do racismo estrutural

 É incontestável a influência do Positivismo de Augusto Comte na formação do Estado brasileiro como o conhecemos hoje, consequentemente, herdamos diversos conceitos dessa corrente, muitos dos quais nem sequer percebemos. Uma dessas ideias centrais é a concepção de uma hierarquia social rígida baseada na ordem e no progresso, que estabelece uma distinção entre aqueles aptos a governar — a elite intelectual e técnica — e o restante da população. Tal princípio, ao priorizar a estabilidade social sobre a inclusão democrática, serviu de respaldo para a manutenção de privilégios e para a perpetuação de uma estrutura desigual nas várias facetas que compõem a sociedade do século XXI.


Nesse sentido, a escritora Grada Kilomba, em seu livro "Memórias da Plantação", discorre sobre como o racismo evidente nas práticas colonialistas se adaptou para permanecer na contemporaneidade por meio de práticas que se camuflam, a um primeiro olhar, de seu cunho discriminatório. Esse processo aconteceu com a ação de um Estado omisso que, com o intuito de manter a ordem e não provocar rupturas sociais, nada fez para integrar a população negra ao restante da sociedade após a promulgação da Lei Áurea. Assim, o povo brasileiro não aprendeu a conviver com as diferenças, apenas escondeu sua aversão àqueles que as representam.


Portanto, enquanto a população se prender a suas "memórias da plantação", o Brasil seguirá estagnado no conservadorismo positivista, tentando avançar pelo século XXI enquanto carrega o peso de ideias predominantes em uma sociedade de quase duzentos anos atrás.


Joaquim Rodrigues Viana Neto - 1 ano Direito Matutino

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