O estudo das matérias que são classificadas como “humanidades”, tal qual a sociologia, tardou até ser considerado científico, passando para a denominação “ciências humanas”. Como pioneiro desse processo, nota-se o sociólogo Augusto Comte, que a partir do que ele acreditava estar na “Ordem Natural e Justa” das coisas, ou “Física Social”, elabora a corrente positivista. Associando-a ao estudo biológico no contexto do pensamento evolucionista, o sociólogo trouxe uma série de estruturas humanas que seriam, para ele, intrínsecas ao processo de preservação da ordem e do progresso. Sua análise segue os parâmetros europeus, civilização na época compreendida como "evoluída" em relação às demais. O positivismo, entretanto, pensado nos moldes da sociedade do século XIX, tornara-se obsoleto para o mundo contemporâneo.
Dentre os defensores dessa ideologia na atualidade estão
aqueles que acreditam na conservação da Ordem Social de Comte, a qual presume
papéis estruturais fixos dentro da sociedade, tais quais trabalhistas, de
gênero e de poder. Porém, no século XXI, onde a mobilidade social, a liberdade
sexual e a universalização da educação são temáticas de maior aprovação pelas
gerações atuais e pautas de destaque na política mundial, o positivismo perde
sua máscara para muitos grupos da suposta “Harmonia Social” e passa a compreender
uma expressão de censura e silenciamento da população.
Finalmente, visto que expressões como a “solidariedade” dentro do
pensamento positivista têm como objetivo a exclusão e desencorajamento de discursos externos
aos padrões sociais de Comte, essa escola do pensamento busca diminuir a
conquista por Direitos de populações fadadas durante décadas a estarem na base da
sociedade ou povos de culturas que não seguem o padrão europeu. Logo, nos dias atuais, para a consolidação ideológica e prática dos
Direitos Humanos e a sequencial luta por legislações que compreendam necessidades específicas de diferentes porções
sociais, não cabe a aplicação do positivismo, sendo seus apoiadores os mesmos seguidores
dos dogmas geracionais que defendem a estagnação da sociedade nos moldes da Europa do século
XIX.
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