Plínio Salgado fundou o manifesto modernista denominado Movimento Verde-Amarelo, nome positivista por si mesmo, ao remeter à bandeira do Brasil, cujo lema é Ordem e Progresso - O Amor por princípio, a Ordem por base, e o Progresso por fim, COMTE, Auguste (século XIX). Entretanto as semelhanças e alusões à teoria comteana vão muito além disso.
Ao pensar que a principal característica da Primeira Geração Modernista estava relacionada com rupturas e inovações, tanto artísticas quanto no modo de pensar, é contraditório conceber a ideia de uma vertente interligada com o Positivismo de Comte, que prega a permanência e a não revolução, inclusive dos ditos "bons costumes".
Plínio Salgado, tanto quanto esse movimento, é considerado o maior fascista fora da Europa da época, e o manifesto é o grande precursor do que viria a ser a Ação Integralista Brasileira. A AIB também possuía um lema que se relacionava com Comte: Deus, Pátria e Família. Mas como compreender a relação paradoxal entre a ruptura modernista com a prevalência positivista à luz do facismo?
O Manifesto Verde-Amarelismo se configura como uma mudança ao passo que São Paulo se encontrava em um cenário turbulento, com a industrialização ocorrendo de maneira avançada e desorganizada, diversos movimentos políticos buscando ascensão e lutando entre si pelo poder (como o Tenentismo). Dessa forma, embora ao pensar na Filosofia Positiva, faça surgir na mente uma repulsa por revolução, nesse caso ela se caracteriza pela permanência da originalidade nacional (SALGADO, Plínio).
Ela se encontra justamente com a imposição fascista como forma de "concertar" o cenário político paulista confuso e "desorganizado". Um regime totalitário seria, aos moldes da AIB, a única solução para essas revoltas populares, colocando o Brasil de volta à Ordem e ao Progresso e permitindo assim, a criação de uma cultura nacionalista.
Portanto, embora pareça contraditório e uma invasão ao Modernismo, esse manifesto é capaz de se enquadrar no movimento e dialogar com o Positivismo e ao mesmo tempo, ainda que com inspiração europeia por meio do fascismo, se enquadrar como nacionalista (ideal modernista da década de 1920).
Ana Clara Cestari Diniz
Direito 1° ano (2026) - matutino
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