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domingo, 26 de abril de 2026

Direito: Ferramenta de Coerção ou de Resistência?

 

Segundo o funcionalismo de Durkheim, uma sociedade funciona de acordo com seus fatos sociais, ou seja, as crenças e costumes pré-estabelecidos de sua população. Frente a isso, questiona-se: qual a função do Direito em uma sociedade? A partir dessa questão, podem surgir duas pautas antagônicas: o Direito normativo enquanto ferramenta de controle social ou o Direito como ferramenta de resistência à coerção.

A princípio, assim que surge um Estado, deve-se formar para ele uma Constituição. Dessa forma, a primeira função do Direito dentro de uma sociedade é elencar as principais regras que irão regê-la. Nesse cenário, o Direito figura como a principal ferramenta de controle do Estado, já que este o utiliza para formular as normas que serão obrigatoriamente respeitadas pela população. Um exemplo recente é o ECA Digital, que se tornou a principal ferramenta de regulamentação do Estado dentro da internet, impondo os interesses dos governantes em um ambiente que, anteriormente, era totalmente fértil para debates.

Ademais, de acordo com Marx, a sociedade deve ser analisada como um objeto vivo, passível de mudanças. Dessa maneira, mesmo após estabelecidas as normas regentes de uma sociedade, ela pode mudar de tal forma que uma norma "x" não seja mais plausível. Como exemplo, citam-se as Leis Jim Crow, que normatizavam a segregação racial nos EUA; na época em que foram estabelecidas, a sociedade concordava com elas, mas posteriormente passou a rejeitá-las. No entanto, vale ressaltar que a lucidez sobre tal questão não surgiu espontaneamente, mas após muitas discussões e o estopim causado pela prisão de Rosa Parks, por negar-se a cumprir a norma de ceder seu lugar a um passageiro branco. Essa situação deu origem ao debate mais acalorado sobre a questão, e é durante seu julgamento que podemos analisar a utilização do Direito como ferramenta de resistência.

Portanto, diante desses casos, pode-se concluir que o Direito, hoje, deve cumprir sua função não apenas de resistência, mas de garantia da integridade individual. Como ocorreu no caso de Parks, ou na defesa das crianças, como se propõe o ECA digital (mesmo que, nesse caso, a linha entre proteção e controle seja tênue). Sendo assim, o Direito garante que a sociedade evolua de maneira mais justa.


João Pedro Hernandes dos Santos | Direito Noturno 

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