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domingo, 26 de abril de 2026

A função da escola em tempos de instabilidade social

 Ao longo da história, observa-se a importância da escola para o aprendizado e, de forma central, na construção do comportamento social, sendo o local que acompanha as fases da vida, desde a alfabetização à formação de profissionais. Por isso, para Émile Durkheim, a escola é entendida como instituição extremamente necessária para o funcionamento da vida em sociedade, juntamente à religião e à família. No entanto, hoje, a escola realmente cumpre esse papel, atendendo a todos os indivíduos?


Para Durkheim, a sociedade é constituída por instituições que a impedem de se desintegrar, ensinando o que é certo e o que é errado, assim influenciando na formação do caráter e na construção da coesão. No entanto, ao observar a sociedade atual, o contexto em que as instituições escolares estão inseridas exige outra movimentação, entendida como a modernidade líquida, conceito desenvolvido por Zygmunt Bauman, marcada por instabilidade e mudanças constantes.


Dessa forma, se, atualmente, a sociedade se encontra em constante transformação, a consolidação de normas, defendida por Durkheim, torna-se difícil, pois, como definir qual valor é o correto, se esses valores estão em período de transição, valorizando mais o individualismo? Assim, a instabilidade social interfere no processo de ensino das instituições, principalmente das escolares, podendo haver conflito entre valores “certos” na escola e na sociedade. Portanto, a modernidade líquida, de Bauman, conflita com a idealização de Durkheim para a função das escolas na modernidade atual.


Contudo, a escola continua sendo um pilar para a construção de indivíduos críticos e sociais, concluindo, portanto, que deve, além de formar pessoas e integrá-las na sociedade, se adaptar às mudanças que as acompanham. A problemática que Durkheim encontraria atualmente seria a de garantir que a escola cumpra sua função em um contexto de mudança no pensamento e comportamento, pois, quando ela não cumpre sua função, não é apenas o aluno que perde, mas toda a sociedade.


Ana Julia Generosa Gabriel Dionizio

1° ano de Direito, matutino

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