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domingo, 26 de julho de 2020

Narcisos modernos: entre responsabilidade e egoísmo


“Ordem e progresso”: em um lema, à luz do positivismo de Comte, atribui-se à República instituída no Brasil dois termos cuja população tutelada pelo regime busca constantemente deturpar. Fato é que se trata de dois fatores fundamentais para o estabelecimento de nossa sociedade e seu respectivo desenvolvimento. No entanto, ao passo que compete a ela render-se à noção de solidariedade em prol da prosperidade do bem comum, é indubitável a maneira com a qual a tal população vai de encontro a esse ideal tão necessário – de tal modo que a busca constante de direitos, e não deveres, leva-nos enquanto povo a um atraso generalizado.
Na contemporaneidade, tornou-se explícito que o pensamento de bem coletivo fora corrompido em nome do individualismo. Uma vez perdida a concepção de responsabilidade e dos papéis sociais que tomamos enquanto membros funcionais da coletividade, tem-se uma conjuntura que nos conduz diretamente à decadência e ao fracasso. Em um exemplo nítido dessa colocação, as cobranças incessantes do Auxílio Emergencial, durante a pandemia da Covid-19, demonstram como se exige do Estado mais do que ele pode contribuir, ao mesmo tempo em que a possibilidade de honra e mérito é omitida. Como uma metáfora da crítica supramencionada, tal reivindicação constante e inapropriada demonstra como é vigente no contexto tupiniquim a sobreposição de questões particulares às temáticas públicas, posto que colocam o governo do país em uma situação de desgaste devido a problemas individuais. Dessa forma, entende-se que existe espaço para a manifestação de verdadeiros Narcisos modernos – que, de maneira análoga à mitologia grega, só enxergam seus próprios interesses e pautas.
Além disso, como se a desconstrução do princípio de bem coletivo não fosse suficiente, a disseminação de ideias liberalistas na hodiernidade banaliza a moralidade ora instituída em nossa história e nos leva à perda progressiva de nosso avanço. Em um segundo exemplo, cabe mencionar a perpetuação das - como chamadas por Olavo de Carvalho - “mentiras gays”, que amplificam uma busca inviável e inútil por privilégios mascarados de direitos. Não obstante, a busca mesquinha por esses privilégios, além de interferirem diretamente em liberdades alheias, deixa evidente o modo com o qual a distribuição dos papeis de cada um em sociedade está difusa. Sendo um distúrbio gerado e cultivado pela modernidade e pela população mais jovem, compreende-se que, se nada for feito, a tendência é nos aprofundarmos em um sistema em que muitos possuem direitos e poucos possuem deveres. A partir disso, somos conduzidos ao fiasco e miséria de uma população cujo futuro econômico e tecnológico fora atordoado por suas reflexões inúteis e desnecessárias.
Mediante o sobredito, conclui-se que o que fora descrito por Comte como “revolucionarismo insustentável” retorna à superfície da sociedade contemporânea fazendo com que se perca agilidade no progresso e trazendo a destruição da moralidade anterior. Entretidos pelo próprio reflexo, exclui-se qualquer caminho viável para o estabelecimento do bem coletivo como prioridade e, ao serem alteradas as engrenagens que regem a integridade e a ordem, sabota-se diretamente qualquer possibilidade de avanço econômico. Estabelecida a balbúrdia no tecido social, o egoísmo há de ser imperativo e corromperá qualquer ordenamento, embora seja incontestável que a ordem e o progresso são indispensáveis para uma sociedade plena. Por fim, tem-se que entre mentiras e cobranças, a população brasileira está fadada ao fim em si própria.


OBSERVAÇÃO: As opiniões expressadas no texto não condizem com as opiniões da autora! Trata-se somente da argumentação requisitada para a produção textual.

Giovanna Spineli de Paiva – Noturno


Atualidade do positivismo

Quando o francês Auguste Comte escreveu o ‘’Curso de Filosofia Positiva’’ iniciou a abordagem de um pensamento que, mesmo séculos depois, ainda exerce muita influência na política e filosofia contemporânea.
Esse pensamento positivista disserta sobre a superação do estado teológico e do metafísico, a fim de se alcançar a ‘’maturidade’’ do pensamento, que seria produzir conteúdo baseado em fundamentações lógicas, usando a ciência de forma ‘’útil’’, para a manutenção das convicções positivistas.
Esses ideais, que são a ordem, o progresso e a solidariedade, visam a padronização de comportamentos sociais para a conservação da estrutura da sociedade, e da continuidade do progresso, em uma visão positiva, reforçando a ideia de que, deve-se abrir mão de interesses pessoais para o bem coletivo.

Os princípios positivistas, como dito anteriormente, exercem grande influência em autores contemporâneos, como Olavo de Carvalho, que no capítulo ‘‘mentiras gays’’ de seu livro ‘’O imbecil coletivo’’ onde ele majoritariamente discorre sobre sua crença na superioridade heterossexual, justifica esse argumento baseando-se na premissa positivista de que a ordem e o progresso devem ser mantidos acima dos interesses individuais, portanto, as relações homossexuais não devem se igualar com a heterossexualidade por não desempenharem um papel de reprodução da espécie.
Com base nessas ideologias, ele tenta deslegitimar reivindicações dos grupos LGBTQIA+, usando premissas positivistas para justificar sua homofobia velada.

‘’Se o homossexualismo é um direito, também o é o preconceito anti-homossexual, desde que, é claro, um e outro não se traduzam em atos criminosos, como por exemplo,para o homossexual, a sedução de menores, e, para o anti-homossexual, a rejeição de um candidato a emprego por motivo de opção sexual — coisas que, aliás, são a exceção e não a regra.’’ [CARVALHO,1999,p.239-240]

A manipulação da ciência e da informação como forma de perpetuar seus ideais pode ser notada nesse trecho de seu livro, onde dois exemplos igualmente tristes são usados, mas que não despertam o mesmo efeito no leitor. Além de que, o crime usado por Olavo como um exemplo de crime homossexual não se restringe a orientação sexual, diferentemente de outros crimes diretamente ligados a homofobia. Portanto, o autor seleciona somente as informações que são úteis para deslegitimar a homoafetividade e manter a ‘’ordem’’, assim como prega o positivismo de Comte.
Podemos fazer uma relação direta das falas do autor Olavo de Carvalho com outras figuras que propagam os mesmos pensamentos, como o presidente Jair Bolsonaro, e grande parte de seus ministros, onde a manipulação de notícias está presente em sua articulação política desde a época de sua campanha eleitoral, juntamente com a propagação de uma ciência rápida, superficial, imediatista e útil para seus objetivos, como a defesa por parte do presidente, mesmo contrariando estudos científicos, do uso da hidroxicloroquina como tratamento para a Covid-19.
Outros de seus companheiros de política, como ex ministro da educação Abraham Weintraub, também apresenta caráter positivista em suas falas, quando questionado sobre o adiamento do ENEM 2020, disse que “O ENEM não foi feito para corrigir injustiças, mas para selecionar”.
Muitas pessoas ficaram surpresas com a fala do ex ministro, mas devemos questionar também se como um adepto dessa filosofia, é de seu interesse quebrar a ordem social,já que, corrigir essas injustiças, seria ver pessoas pobres ocupando espaços que antes eram restritos a somente uma classe, o que vai contra os positivistas,assim como o próprio Comte diz em sua filosofia, a divisão do conhecimento é necessária, onde algumas pessoas detenham o conhecimento, e outras não, para assim continuarem a cumprir o seu papel social.
Infelizmente, alguns eleitores só estão percebendo agora qual os ideais que parte do governo brasileiro está realmente interessado em defender, apesar de sempre ter sido explicito.
Weintraub saiu, mas a filosofia positivista ainda se faz presente em muitas ações do governo brasileiro, onde as individualidades e os grupos minoritários são negligenciados em nome de uma ordem e progresso que beneficia poucos.

Bibliografia

CARVALHO, Olavo. “Mentiras gays”. In: O Imbecil Coletivo: Atualidades Inculturais Brasileiras. Rio de Janeiro: Faculdade de Cidade Editora, 1999
https://istoe.com.br/o-enem-da-desigualdade/ Entrevista com Abraham Weintraub 

Talita Bravo de Pestana Faria 
1 ano de Direito Matutino 

O reacionarismo positivo

“Ordem e progresso” este é o lema estampado de modo central em nossa bandeira nacional, fruto da infeliz influência positivista que ainda perpétua em território brasileiro. A ideologia de Auguste Comte, pautada na ordem para a busca de um progresso guiado exclusivamente pelo conhecimento científico simplista, ganhou grande notoriedade a partir do século XIX, principalmente entre a elite europeia, uma vez que, pelo seu princípio de ordem, combateu veemente as transformações sociais impulsionadas por movimentos de caráter liberal como a primavera dos povos. 
Dessa forma, o positivismo se perpetua até os dias atuais como pode ser visto no livro de Olavo de Carvalho, “O Imbecil Coletivo”, que dentre outros absurdos, se propõe a argumentar contra as “mentiras gays”, que segundo o referente autor, seriam as falácias propagadas no discurso homossexual. Da mesma forma que Augusto Comte foi retrógrado às mudanças sociais da época, Olavo de carvalho busca a manutenção da ordem por meio de um pensamento reacionário. 
De modo a legitimar seu posicionamento, o dito filósofo usa de uma argumentação reducionista, característica notória do positivismo. Em certo momento, usando de base o oficial alemão Ernst Röhm, é afirmado que os homossexuais ocupavam uma posição de prestígio na Alemanha Nazista, em uma tentativa de eufemizar a presente perseguição que estes sofrem. No entanto, ou por desinformação, ou pela sua própria escolha, o autor desconsidera as demais variáveis, dado exemplo que o mesmo regime em 1936 criou Escritório Central do Reich para Combate ao Aborto e à Homossexualidade.
No decorrer da leitura do texto, percebe-se novamente a influência da física social comtiana. Em certo trecho, o autor busca apresentar a dicotomia entre héteros e homossexuais baseado-se em um critério de superioridade do grupo heteroafetivo perante a sociedade. Segundo Olavo, pelo fato dos héteros se reproduzirem, estes estariam colaborando para a propagação da humanidade, chegando a dizer que o homossexualismo não passaria de um desejo/opção egoísta. Nesta passagem, vemos o ideal reducionista de progresso positivista, uma vez que, na busca da manutenção da ordem, este desconsidera o progresso social nas relações interpessoais.
Consequentemente, diante de uma argumentação simplista e falaciosa, o positivismo Olaviano conquista muitos seguidores, como o próprio presidente da República Jair Messias Bolsonaro, demonstrando a influência dessa ideologia na contemporaneamente. Por uma lógica positivista, a estratégia de Olavo de Carvalho faz total sentido, visto que a manutenção da dita ordem é muito facilitada diante de uma massa alienada com pouco ou sequer algum senso crítico, denotando assim, o caráter de controle social desta ideologia.

Em um momento de sua obra, Olavo de Carvalho afirma que o ato de colocar héteros e homossexuais em igualdade não passaria de, como nas palavras do autor: “um delírio infantil de onipotência”. Mas, o positivismo, que desde sua origem sob o alicerce de “Ordem e Progresso” combateu os avanços sociais, manipulando os indivíduos a raciocinarem por uma ótica simplista sob a justificativa de sua visão errônea de progresso não seria o verdadeiro delírio infantil de onipotência?

Aluno: Luiz Miguel Morais Navarro.
1° Ano Direito Matutino.

O progresso coletivo


O Brasil foi comandado por 13 anos pelo Partido dos Trabalhadores (PT) e durante esse período surgir uma avalanche de ideologias de esquerda que diz ser a favor dos direitos humanos, mesmo com a constituição garantindo que todos são iguais perante a lei. Desde igualdade de gênero até cotas raciais, essas ideias são ilusões que seus idealizadores propõem, e não podemos negar que são bem atrativas para as pessoas que delas se beneficiam. Porém, assim como o lema em nossa bandeira (ordem e progresso), a visão positivista não compactua com isso, fazendo-se valer a partir do progresso coletivo.
              As bases do pensamento Positivo foram estabelecidas pelo filósofo francês Augusto Comte. Para ele o positivismo consistia em demonstrar a sociedade como ciência, ou seja, que ela é construída através de uma ordem natural e sempre no sentido   do progresso, extinguindo as mazelas em busca da ordem, prevendo a primazia da sociedade sobre o indivíduo. Um exemplo desse ideal progressista é a negação do desejo carnal em prol da renovação da sociedade, assim como diz Olavo de Carvalho no seu livro O imbecil coletivo no capítulo que ele fala sobre “Mentiras gays”. Para ele “O homossexual utiliza do seu egoísmo carnal para ir contra o avanço da sociedade”, já que casais homossexuais não procriam, inviabilizando a continuidade da humanidade.
            Essa visão do bem público sobrepor o parâmetro individual pode ser atribuída nos tempos difíceis de pandemia. O uso da Cloroquina, muito discutido, deve ser incentivado como tratamento, em função do seu sucesso em alguns casos de infectados. Outro fator necessário para contribuir para o progresso é a flexibilização da isolamento social e da quarentena, mesmo com o aumento de casos e de mortes, será necessário para que não haja uma maior quebra na economia.
            Portanto, os valores morais que tem por objetivo o avanço e a coesão social devem ser restabelecidos, com cada indivíduo identificando seu lugar e sua função na sociedade, assim como Olavo comenta a função do masculino e feminino (a reprodução). Se quisermos seguir o lema em nossa bandeira devemos suprimir nossos desejos individuais, mesmo que para algumas minorias seja mais difícil, para que consigamos obter o progresso coletivo.

Observação: O autor não concorda com as opiniões e argumentos do texto, sendo apenas uma atividade proposta pelo professor.


Rafael Martins Biernath - 1º ano - Direito noturno

Os novos tempos

Pobre jovem ingênuo
que mal sabe
que o fruto deste veneno
é só um vazio terreno.

Sem pessoas,
sem garoas,
sem ordem.
Acordem!

Pobre sociedade
que mal sabe
que tua metafísica
é bobagem para a física.

Sem progresso,
sem sucesso,
sem ordem.
Acordem!

Pobre índio
que mal sabe
que a tua natureza
é despida de grandeza.

Sem ciência,
sem eficiência,
sem ordem.
Acordem!

Pobre garota
que mal sabe
que direitos são resguardados
e nas leis assegurados.

Sem mais,
sem ademais,
sem ordem.
Acordem!

Pobre sociedade
que mal sabe
que dos trilhos já saiu,
que o progresso traiu,
que do futuro se excluiu.

E agora?
O que virá?
Os novos tempos?
Os contratempos?

Não...

O fim dos tempos!


Obs 1: Texto adicional, elaborado como complemento da nota da disciplina.
Obs 2: O texto não reflete as opiniões particulares do autor.

Fábio Eduardo Belavenuto Silva- 1º ano de Direito- Matutino

Abordagem positivista como falácia sociológica

          Do passado para cá, o ângulo pelo qual a sociedade humana é encarada sofreu modificações substanciais. Em meio a um contexto permeado pela consolidação da Revolução Científica- marcada pelas descobertas de Newton, Copérnico e Galileu e, posteriormente, amparada sob as teses de Descartes e Bacon- e do caminhar da política rumo às idealizações burguesas, Auguste Comte, pensador francês, enxergou, no século XIX, a possibilidade de se elaborar um método de estudo da sociedade humana congênere aos empregados nas ciências da natureza. Com isso, tem-se o desabrochar do Positivismo, e sua ideia de progresso retilíneo de uma sociedade, alçado aos princípios de ordem e progresso.
Todavia, em uma primeira análise, é pertinente destacar que, embora a teoria de Comte tenha sido imprescindível para o germinar da sociologia, suas teses podem ser consideradas incongruentes em vários sentidos, posto que baseiam-se em uma análise meramente reducionista e simplista de uma civilização. Nesse sentido, pode-se pontuar, de início, que o parecer positivista de que uma sociedade caminha de forma natural é bastante questionável por fazer do ser humano não um protagonista de sua própria história, mas sim um coadjuvante guiado pelas leis naturais. 
          Ora, a própria história evidencia que não é assim que os fatos se deram: cada sujeito retém, dentro de si, um conjunto de perspectivas e ideologias acerca da realidade, e são as complexas interações sociais derivantes desses valores que calibram o motor de transformações histórico-sociais. Desde a eclosão da Revolução Industrial, por exemplo, parte das condições de trabalho foi redefinida, já que, se antes os trabalhadores se viam imersos num vácuo absoluto de direitos, hoje a maioria das nações democráticas prevêem garantias constitucionais no que concerne à isso. Essa quebra de paradigma só pôde se concretizar em razão de sucessivas lutas da classe operárias- as quais, vale lembrar, contradizem a ordem positivista. Dessa forma, depreende-se que humano é o principal protagonista de sua própria história.
          Ademais, em uma segunda análise, cabe ressaltar que o Positivismo, por pautar-se também no enaltecimento da “normalidade” biológica, estimula uma série de visões distorcidas e extremistas quanto aos processos sociais. Essa tese é ratificada na obra “O imbecil coletivo”, de Olavo de Carvalho, a qual defende a inferioridade de grupos sociais que supostamente estejam em desacordo com o processo natural, como os homossexuais. 
          Essa concepção, porém, não apenas negligencia os mais recentes estudos científicos sobre gêneros- que refutam a tese de que a orientação sexual é uma escolha pessoal-, como também colabora para o fortalecimento de movimentos radicais que contestam conquistas sociais da comunidade LGBT. Como efeito, assiste-se a tentativa de coibir novos avanços legais de caráter protetivo à essa comunidade: a Bancada Evangélica, por exemplo, encabeçada por Marco Feliciano, lançou mão de um conjunto de críticas e questionamentos, em 2019, ao julgamento dirigido pelo STF que visava equiparar a homofobia e transfobia a crimes de racismo.
          Portanto, é evidente que, nos tempos atuais, a mentalidade positivista já não é conveniente para estudar e compreender os distintos fenômenos sociais, dotados de grande singularidade e complexidade. À vista disso, o estudo sociológico e o desenvolvimento de uma mentalidade aberta, plural e emancipada faz-se necessário para que se atinja o verdadeiro progresso, pautado não no conceito vago de ordem, mas sim na justiça social. 


Fonte usada:
BRÍGIDO, Carolina; PEREIRA, Paula. Na véspera do julgamento sobre homofobia, bancada evangélica é recebida no STF.  O Globo, Rio de Janeito, 12 fev. 2019. Sociedade. Disponível em: <https:/glo.bo/30NjFJ0>. Acesso em 24 jul. 2020.

Fábio Eduardo Belavenuto Silva- 1º ano de Direito- Matutino.

Decadência e atraso social como consequência da desordem.

A sociologia nasce de uma necessidade de explicações sobre as transformações que a Europa enfrentava durante o final do século XVIII e início do século XIX, nomeadamente, revoluções como a industrial e a francesa. As revoluções possuem um caráter inerente em si: questionar e contestar a ordem vigente de hierarquias sociais estabelecidas com o tempo, contrariando o ideal de prudência e estabilidade. Promovem a mudança radical, causando caos e desordem social, ocorrendo, por consequência, uma decadência moral que inibe a capacidade humana de desempenhar da função social.

Deixando o passado para traz, observa-se hodiernamente esse mesmo caráter revolucionário desordenado tomando forma, ideais perigosas falando de igualdade surgem, contrariando a noção de moralidade solidaria, assim como ocorreu antigamente. Grupos que se intitulam minorias tentam romper com a hierarquia por meio de revoluções estritamente progressivas, apartadas da ordem, são eles: mulheres com o movimento feminista, negros com os atuais conflitos denominados “Black Lives Matter” e homossexuais com a simbologia LGBT+. Prova-se necessário a retomada da física social de Augusto Comte para a solução da problemática, uma vez que já se mostrou eficaz no passado e que hoje, talvez, seja muito mais necessária do que na época de Comte.

Em princípio, deve-se fornecer o mínimo necessário para que esses grupos cumpram de maneira eficaz com sua função social, afim de evitar revoltas que se apresentam justamente pela insatisfação causada por um aviltamento que essas classes sofrem, pois como afirmou Julius Evola no livro Revolta Contra o Mundo Moderno: “Depois de acusarmos a decadência da mulher moderna, não podemos esquecer que o homem é o primeiro responsável por essa decadência. Tal como a plebe nunca teria podido irromper em todos os domínios da vida social e da civilização se tivessem existido verdadeiros reis e verdadeiros aristocratas.”.

Nesse interim, devemos considerar a sociedade como um organismo vivo, assim como na biologia cada órgão desempenha sua função, o homem também a desempenha na sociedade. Se o cérebro não cumpre de maneira eficiente a sua função de coordenar o restante do corpo, o corpo acaba por morrer, e o cérebro juntamente. Se os políticos, detentores do maior grau do conhecimento positivista, não fornecem o mínimo para que os outros membros da sociedade desempenhem suas funções, toda a sociedade perece, e os políticos juntamente. Um simples dedo cortado promove uma hemorragia e condena o restante do corpo. Uma simples mulher que deixar de desempenhar seu papel familiar em virtude de ideologias emancipatórias condenara toda a família e por fim, a sociedade. Um órgão sexual estéril não cumpre com sua função biológica, sendo caracterizado como algo anormal e patológico. Um homossexual não cumpre com o caráter reprodutivo na sociedade, sendo caracterizado como uma anomalia social. A moral individual deve ser sobreposta pela moral coletiva, pois a última é a única capaz de fornecer base para o desenvolvimento da sociedade.

A desigualdade deve ser vista não como um mal a ser superado, mas como algo necessário e presente em todas as sociedades, não é sinônimo de pobreza, mas sim de diferença.  A única igualdade possível há de ocorrer no plano do poder moral, sendo este o verdadeiro poder na sociedade, pois é capaz de convocar a ordem ao questionar as ações que vão em contramão ao progresso. Sendo totalmente legitimado o questionamento de movimentos sociais que buscam se emancipar e ascender socialmente, em uma atitude egoísta contraria ao bem coletivo. Conforme afirmou o líder da organização ultranacionalista Guarda de Ferro da Romênia, Corneliu Zelea Codreanu: “Um povo torna-se consciente de sua existência quando tem noção de totalidade nacional, não ao apenas se interessar por suas partes convenientes e interesses individuais”.

Diante desse cenário, a moral positiva deve auxiliar-se na moral teológica, pois ela já estava presente antes do início da decadência moral, ou seja, ainda está no inconsciente da sociedade de maneira universal. Analisando os exemplos anteriores, existia sobre as mulheres um poder moral religioso que as coloca em seu devido lugar social. Há uma convergência entre a natureza humana e a moralidade das ações, as mulheres na perspectiva religiosa nasceram para gerar filhos e cuidar da família, para que então seus descendentes alcancem o reino dos céus. O papel da moral positiva seria então racionalizar a teológica, a função da mulher não seria mais religiosa, e sim social, cuidando da família (uma das principais instituições sociais) para que então a sociedade caminhe rumo ao progresso.

Na perspectiva religiosa o homossexualismo é visto como pecado, na racionalização positivista, ele deve ser visto como uma patologia que impossibilita a perpetuação social, assim como afirmou Olavo de Carvalho: “Nenhuma preferência pessoal, por mais justa ou legitima que seja, deve disputar a primazia com o que é necessário a subsistência da espécie humana.”. A vontade de ascensão social no âmbito religioso é vista como algo negativo, se Deus escolheu que você nascesse naquela posição social, com respectivas funções, não caberia a você contrariar a vontade de Deus. No positivismo, a vontade de elevar-se é contrária a ordem, pois altera o que já está definido e vai contra as leis sócias, e, portanto, ao progresso. Restauremos então aquilo que foi esquecido ao longo das gerações, mas que possibilitou chegarmos a tão elevado grau tecnológico. A nossa gloria do passado é devido a ordem, nossa atual decadência e atraso social é consequência da desordem, a estabilidade restaurada, o futuro é o progresso.



Otávio Eloy de Oliveira - 1º ano de Direito - Noturno

Obs.: O autor da postagem não concorda com o viés politico e ideológico adotado. O texto é apenas uma atividade argumentativa proposta pelo professor. 

Quer garantir o progresso do seu povo, Presidente?

Exemplos do que realmente pode fazer uma sociedade progredir: 
Educação. Saúde. Segurança. Direitos.  
 Ao contrário dos fundamentos positivistas, que no Brasil só querem o poder da elite garantir. 

Querem que a elite se mantenha no poder às custas da população que vive à margem da sociedade 
 Sem garantia de seus direitos para que a “nação” alcance o progresso, através da ordem e da moral 
Sistema que usa ideais positivos de entender a sociedade, através de leis invariáveis, a fim do “progresso racional 
Enquanto isso, o preto, pobre, gay e periférico, é morto por um sistema, que nega, mas sabe que legitima no judiciário a arbitrariedade. 

Quer garantir o progresso do seu povo, Presidente? 
Invista em educação de qualidade, que desenvolva o pensamento crítico  
E não em escolas militarizadas e ensino profissionalizante decadente 
Cujo objetivo é criar uma sociedade que se contenta com política de pão e circo. 

Quer garantir o progresso do seu povo, durante seu mandato presidencial? 
Invista na saúde para todos e de qualidade  
Para que o entregador, “cumprindo sua função social”  
Sem direitos e com trabalho precarizado, não pegue covid no cento da cidade e morra por conta da sua irresponsabilidade, presidente. 

Quer garantir o progresso do seu povo, Presidente?  
Invista em segurança para toda a população  
Não apenas em bairros ricos, onde a polícia cumpre seu dever corretamente  
Em contraste, nas periferias entram para matar, pois sabem que não serão criminalizados por sua subversão. 

O positivismo é antidemocrático  
Uma ideia de progresso restrita, preocupação apenas em manter funcionando as engrenagens do sistema  
Querendo impor a ordem de cima para baixo 
Sem levar em consideração a constante evolução da sociedade, aí está o problema. 

Milena dos Santos Camargo, 1°ano Direito-Noturno