Nota do autor: cumpre elucidar que a exposição apresentada é uma mimese ficcional do pensamento positivista. O objetivo desta incursão não é a defesa de tais teses, mas a exposição crítica das hipocrisias e incongruências que sustentam esse discurso diante da realidade social.
1º de Aristóteles de 238
Venho desabafar nestas linhas sobre o que fui compelido a escutar em uma palestra na minha faculdade. Hoje, as paredes da Unesp ecoaram um sentimentalismo perigoso!
Assisti à palestra sobre a escala 6x1 e a suposta “precarização” do trabalho com a fadiga de quem observa crianças tentando revogar as leis da gravidade. Os palestrantes apresentaram um discurso entusiástico sobre as recentes mudanças nos direitos trabalhistas como um avanço necessário para a população mais pobre. No entanto, eles ignoraram que, no contexto hodierno brasileiro, a pobreza é uma patologia necessária para o progresso da sociedade.
Em primeiro lugar, é importante ter em mente uma regra primordial: o Brasil está acima de todos, isto é, os interesses do país estão em primeiro lugar. Nessa vereda, as pessoas que trabalham na escala 6x1 devem saber que os seus instintos altruístas devem sobressair sobre os seus impulsos egoístas (como a busca por mais descanso). Um indivíduo que trabalha seis vezes na semana é a base para que o topo possa pensar e legislar, além de ser fundamental para a economia do seu país. Por isso, esse trabalhador não está fazendo nada mais do que o seu papel para o desenvolvimento da sua nação, já que o indivíduo deve estar submetido à sociedade, pois a coletividade é superior. Dessa forma, o essencial é que a vã e tempestuosa discussão dos direitos seja substituída por uma fecunda e salutar apreciação dos diversos deveres, com cada trabalhador ocupando o seu lugar para o todo funcionar, pois, como diz Auguste Comte, “ninguém possui outro direito senão o de sempre cumprir o seu dever”.
Ademais, em poucos minutos escutando subjetividades durante a palestra, tive a vontade de interpelar os palestrantes com a seguinte pergunta: estamos realmente promovendo um progresso efetivo ou apenas criando uma nova camada de desordem? Porque, para mim, a resposta é clara: caso a sociedade brasileira modifique o rigor da escala 6x1, ela irá flertar com uma anarquia produtiva. Penso isso porque as mudanças abruptas nas leis trabalhistas podem gerar mais incerteza e instabilidade, especialmente em um país onde a economia já é frágil. A proteção excessiva dos trabalhadores pode, paradoxalmente, resultar em uma diminuição da oferta de empregos, criando um ambiente em que menos pessoas têm acesso ao trabalho. Isso provocaria uma turbulência na estabilidade social, o que dificultaria a construção de uma ordem e, consequentemente, atrapalharia a chegada ao progresso. Nesse sentido, o que os palestrantes chamam de “conquista de direito” nada mais é do que a desintegração da Estática Social.
Os fatos sociais devem ser analisados sem juízos de valor, algo que passou longe daquele auditório. O discurso ideológico tentou manipular os estudantes através de forças abstratas e metafísicas, ignorando as leis universais que regem a evolução das civilizações.
Portanto, a ordem é o princípio; o progresso, o fim. Já o descanso? É apenas o começo da decadência.
Ass.: Um Apóstolo da Ordem
ARTHUR PARANHOS - 1° ANO DIREITO
Nenhum comentário:
Postar um comentário