Na obra “Sociedade do cansaço”, Byung-Chul Han entende que, com o advento da globalização, as relações do ser humano com o mundo e do homem com seu próprio íntimo são alvo de transformações. Assim, inseridos num contexto pautado pela rapidez das coisas, os limites antes pré-estabelecidos sofrem um esfacelamento, e a violência, antes caracterizada pela ação de um agente externo, torna-se interna, ou seja, é causada pelo próprio ser humano. A partir desse contexto de “evolução”, o homem não é capaz de se orientar no mundo e acompanhar suas transformações, o que implica num sentimento de encurralamento.
Esse tipo de sentimento de encurralamento, tratado na obra "A imaginação sociológica" por Charles Wright Mills, é expresso pela incapacidade do homem de relacionar suas ansiedades com as mudanças ocorridas na sociedade. Dessa forma, a imaginação sociológica surge como um meio de entender esse sentimento. Entende-se por imaginação sociológica a capacidade de compreender a relação entre o ser e o mundo, ou seja, o entendimento do homem e de seu lugar no mundo dentro de um cenário histórico. Além disso, tal concepção é de extrema importância para o trabalho do sociólogo, já que permite entender o que está acontecendo no mundo como um todo, traçando paralelos entre a biografia e a história de certos locais para a análise de seu contexto atual.
Atualmente, tem-se como principal exemplo a ser analisado, o aumento dos casos de transtornos e síndromes psíquicas, como a síndrome de Burnout, doença psicológica caracterizada por uma exaustão extrema causada pelo excesso de trabalho. É preciso compreender, por meio da imaginação sociológica, o contexto histórico globalizado no qual o mundo se encontra, onde produtividade e rapidez são, ao mesmo tempo, motores da economia e aparatos de desumanização. Assim, discussões acerca da hiper produtividade, da subjugação de trabalhadores de carteira assinada e do fim da escala 6x1 ganham relevância e permeiam a vida contemporânea.
Diante do exposto, pode-se inferir que a imaginação sociológica tem por objetivo conhecer o sentido social e histórico do indivíduo na sociedade, criando relações que possam explicar o sentimento de encurralamento que se perpetua na vida do homem.
Maria Clara Basile Fardin - Noturno
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