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quinta-feira, 26 de março de 2026

Positivismo no trabalho: a persistência da escala 6x1

A Segunda Revolução Industrial exigiu uma produção em larga escala, com maior eficiência, o que permitiu o surgimento do fordismo, modelo baseado na padronização, na divisão rigorosa das tarefas e no controle do tempo, transformando o trabalhador em parte do sistema produtivo, como uma peça que deve ser altamente produtiva e organizada. Essa lógica dialoga com os pensamentos positivistas de Auguste Comte, que defendem a ordem, a disciplina e a racionalidade como fundamentos para o progresso social.

Apesar das transformações tecnológicas, sociais e trabalhistas no mundo, a lógica positivista permanece presente. A manutenção da escala 6x1 revela uma dificuldade de adaptação dos meios de produção às novas demandas sociais, pois a rotina do trabalhador é estruturada em função da produção, sem prioriza-lo como indivíduo, com necessidades como lazer, descanso e saúde mental, ou seja, sem preocupações com sua qualidade de vida.

Paralelamente, a chamada uberização do trabalho, embora apresentada como flexível e autônoma, reproduz essa mesma lógica sob novas formas. Os algoritmos criam uma falsa sensação de autonomia, enquanto, na realidade, trazem instabilidade e exigem longas jornadas de trabalho, sem garantias trabalhistas, precarizando o mercado de trabalho.

Dessa forma, tanto a escala 6x1 quanto a uberização evidenciam um modelo produtivo estático, com valores positivistas, no qual o progresso econômico se sobrepõe ao indivíduo. Ao priorizar a eficiência e a estabilidade do sistema, negligencia-se o bem-estar social, sendo necessário repensar essa organização para que seja possível conciliar a produtividade com a dignidade humana.

Amanda Akemy Henrique Takii - Direito matutino

 

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