A Segunda Revolução Industrial exigiu uma produção em larga escala, com maior eficiência, o que permitiu o surgimento do fordismo, modelo baseado na padronização, na divisão rigorosa das tarefas e no controle do tempo, transformando o trabalhador em parte do sistema produtivo, como uma peça que deve ser altamente produtiva e organizada. Essa lógica dialoga com os pensamentos positivistas de Auguste Comte, que defendem a ordem, a disciplina e a racionalidade como fundamentos para o progresso social.
Apesar das
transformações tecnológicas, sociais e trabalhistas no mundo, a lógica
positivista permanece presente. A manutenção da escala 6x1 revela uma
dificuldade de adaptação dos meios de produção às novas demandas sociais, pois
a rotina do trabalhador é estruturada em função da produção, sem prioriza-lo como
indivíduo, com necessidades como lazer, descanso e saúde mental, ou seja, sem
preocupações com sua qualidade de vida.
Paralelamente, a
chamada uberização do trabalho, embora apresentada como flexível e autônoma,
reproduz essa mesma lógica sob novas formas. Os algoritmos criam uma falsa
sensação de autonomia, enquanto, na realidade, trazem instabilidade e exigem
longas jornadas de trabalho, sem garantias trabalhistas, precarizando o mercado
de trabalho.
Dessa forma,
tanto a escala 6x1 quanto a uberização evidenciam um modelo produtivo estático,
com valores positivistas, no qual o progresso econômico se sobrepõe ao
indivíduo. Ao priorizar a eficiência e a estabilidade do sistema,
negligencia-se o bem-estar social, sendo necessário repensar essa organização
para que seja possível conciliar a produtividade com a dignidade humana.
Amanda Akemy Henrique Takii - Direito matutino
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