Débora de Araújo, mestre em Direito do Trabalho, e Matheus Rigonatti, ativista pelas causas trabalhistas, promoveram uma palestra no que tange à inovação tecnológica aplicada à realidade do trabalho no Brasil, questionando os rumos dessa interseção.
Um positivista, ao assistir a essa abordagem, a conceberia como incorreta, infantil e passível de desestabilizar a ordem social, não compreendendo a problematização do avanço tecnológico.
O positivismo é um movimento do século XIX que visualiza a sociedade de maneira objetiva e racional, concebendo o avanço tecnológico como progresso.
Nesse sentido, Débora critica a razão instrumental, em que as mudanças tecnológicas são percebidas, entretanto, não há questionamento sobre se a sociedade as deseja ou por que ocorrem, o que pode resultar na uberização e no desemprego. Para o positivista, essa visão seria considerada ingênua, pois o avanço tecnológico é entendido como natural e como o ápice da civilização.
Ademais, a pesquisadora realiza um revisionismo histórico quanto ao ludismo (movimento de trabalhadores que destruíam máquinas) e, de certa forma, o enaltece por sua organização e por se opor à imposição da Revolução Industrial. Esse pensamento enfureceria o comtiano, tendo em vista que, para essa corrente, o desenvolvimento tecnológico e a ciência são o objetivo maior, enquanto a quebra das máquinas é considerada irracional.
Além disso, Débora também salienta que a tecnologia deveria servir aos trabalhadores, possibilitando, por exemplo, a diminuição da carga horária. Sob essa ótica, a inovação tecnológica seria valorizada por sua capacidade de gerar mais lucro e resultados, sem priorizar, necessariamente, a qualidade de vida ou o bem-estar dos trabalhadores.
Acrescido a isso, Matheus defende, principalmente, o fim da escala 6x1, critica a falta de reflexão das massas e a ausência de consciência de classe, além de apontar o incentivo à competição entre trabalhadores e máquinas. O positivista poderia analisar a questão da escala 6x1 por uma ótica cientificista, avaliando se ela geraria melhores resultados a longo prazo, entretanto, o bem-estar das massas não seria a prioridade. No que tange à consciência de classe e à organização da força produtiva para reivindicar melhores condições, essa perspectiva seria contrária, pois tais ações poderiam levar à desordem social. A competição entre o trabalhador e a máquina, por sua vez, seria vista de forma positiva, ao estimular a produtividade e a maximização dos resultados.
Dessa forma, a palestra seria encarada com desconfiança e reprovação, já que questiona o avanço tecnológico(entendido como positivo e progressista) e propõe formas de organização e reivindicação que poderiam ser vistas como ameaças à ordem social.
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