O positivismo é uma corrente sociológica que estuda a sociedade a partir da observação, experimentação e comparação. Desse modo, seria possível descobrir leis gerais, como nas ciências naturais, que regem os indivíduos. Nesse sentido, tais leis da sociedade, que teriam sido encontradas pelos positivistas, expressam que a ordem social é um pressuposto do progresso. Isso significa que o desenvolvimento da humanidade somente ocorre em um ambiente estável, o qual é constituído por uma organização social baseada em padrões de relacionamento que garantem a harmonia e a estabilidade da sociedade. Tais padrões são provenientes das autoridades, leis, convenções e da moral de um grupo de indivíduos e, a partir disso, seria possível atingir o avanço científico, industrial e moral.
Atualmente, a pauta sobre o fim da escala de seis dias de trabalho para um dia de descanso tem sido debatida. Essa escala foi consolidada na Consolidação das Leis do Trabalho; porém, essa distribuição impossibilita que muitos trabalhadores tenham uma vida digna, já que um dia de folga é insuficiente para que consigam realizar seus afazeres domésticos, manter uma rotina saudável e ter tempo de lazer e descanso. Assim, trata-se de uma tentativa de fazer com que os trabalhadores possam viver, e não apenas sobreviver.
Diante disso, se um positivista presenciasse o movimento pelo fim da escala 6x1, ele afirmaria que essa situação representa um risco ao progresso, devido à desorganização social gerada por essa reivindicação.
Esse posicionamento ocorreria visto que, para os positivistas, a tentativa de mudança de valores já estabelecidos na sociedade é uma perturbação à estrutura. Dessa maneira, a luta pelo fim da escala 6x1, a qual foi estabelecida desde 1943 — o que não significa que seja a melhor configuração de jornada de trabalho —, atrapalharia a organização social, além de que iria contra a perspectiva empresarial. Essa visão contrária ao movimento é associada às classes dominantes, que colocam o interesse pelo lucro acima das demandas humanas ou que não consideram que, com o avanço tecnológico, a produtividade será mantida mesmo com uma jornada de trabalho reduzida. Dessa forma, ao seguir essa lógica positivista, esse debate resultaria em uma desordem social e, consequentemente, impossibilitaria o progresso.
Logo, para essa corrente sociológica, o movimento pelo fim da escala 6x1 é uma perturbação à ordem, já que é uma ideia oposta aos valores estabelecidos há décadas. No entanto, sem recorrer à ótica positivista, percebe-se a importância desse movimento para a melhoria da qualidade de vida de milhões de brasileiros.
Gabriela Escavassini Palhares
1° ano Direito
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