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terça-feira, 10 de março de 2026

O que torna uma questão digna de debate no palco jurídico?

 

O direito é uma ciência social aplicada; portanto, cabe a ele mutar-se ao passo que a sociedade se transforma. Diante disso, ao analisar a história do direito, não é difícil encontrar inúmeras situações que, a priori, eram banais e hoje são repugnantes, enquanto outras eram abominadas socialmente e passaram a ser compreendidas.

Exemplificando o primeiro caso, pode-se mencionar a “legítima defesa da honra”, utilizada como justificativa válida para defender atos de feminicídio. Tal atrocidade permaneceu até agosto de 2023, quando as graças da lucidez pousaram sobre o STF, que derrubou oficialmente essa herança do patriarcado. Conquanto, exemplificando o segundo caso, evoco o fato de que a criminalização da homofobia e da transfobia no Brasil só se deu no ano de 2019. Anteriormente, a justiça ignorava o ódio ao qual as pessoas homossexuais eram submetidas, tratando tais monstruosidades com indiferença. Em vista disso, para alívio da sociedade, o Judiciário é mutável. Entretanto, o que provoca sua mutabilidade?

Esta advém da obrigação do direito de garantir as seguranças reconhecidas pela sociedade. Essa afirmativa provém da ideia de que os direitos dos indivíduos originam-se do popular para, posteriormente, tornarem-se legislados; ou seja, primeiro a sociedade reconhece uma injustiça para depois preocupar-se em combatê-la. No entanto, cabe ressaltar que, seguindo esse raciocínio, apenas aquilo que a sociedade reconhece como válido é efetivamente debatido para que um novo direito surja. Sendo assim, apenas aquilo que é considerado pela sociedade torna-se objeto de defesa jurídica.


João Pedro Hernandes dos Santos- Direito Noturno, 1° Ano

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