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terça-feira, 10 de março de 2026

Neo-neoconservadorismo?: o pensamento sociológico e a monofonia histórica

     Há muito que se fala do fim do Direito Internacional como o conhecemos. Costumou-se propagar um alarmismo da progressiva decadência do sistema global — esta sim, ouso dizer, mais certa do que aparente — e, à luz das recentes escaladas do intervencionismo estadunidense e das novas e repetidas demonstrações de inércia dos tribunais internacionais, somos forçados a questionar a autoridade efetiva dos organismos mundialistas aos quais nos fora ensinado desde meados do século passado a transferir a confiança da relativa paz que vigora na contemporaneidade. 

    C. Wright Mills, sociólogo compatriota do mesmo universo que produziria o atual MAGA, já nos limiares dos anos ’60 e às primícias dos movimentos sociais que marcaram a década americana, legou-nos a reivindicação do exercício imaginativo: ouçamos e prestigiemos a ópera social na confluência de todas suas microtonalidades; isto é, internalizemos os dilemas e hipocrisias do tecido social não como observações epifenomênicas de um sujeito individualizado, mas sim enquanto causalidades supervenientes umas às outras; eis o germe da pensamento crítico no mundo (pós-)moderno.

    Aos que assim se portando acompanham os glissandos do capitalismo tardio, talvez não soem estranhos os ecos que retumbam das ruínas iraquianas ou sibilem nos sirocos líbios. E, conquanto queiramos fugir das métricas "dialeticistas", hoje se convencionou corrigir a máxima "A História se repete" para a "A História rima". Diriam alguns autores que o modelo onuísta é obsoleto, que perdeu seu sentido desde o término da Guerra Fria com a dissipação da bivalência EUA-URSS: ora, a crise do Direito Internacional é um adágio de três decênios.

    Que a política internacional passa por transformações é incontestável: nossa única superpotência não ensaia mais os argumentos de "democracia mundial" nos palcos do multilateralismo — morreram-se aí as metanarrativas. A questão que fica é se essas novas danças serão harmonizadas com as mesmas partituras que tocaram desde o início do novo milênio ou se assistimos realmente à abertura de uma nova orquestra. 

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