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sábado, 14 de março de 2026

De espectador a participante: o indivíduo racional em meio à instabilidade geopolítica

 Nessa atual década pós-pandemia, com o surgimento de diversas guerras e ascensões e derrubadas de líderes políticos, denota-se a instabilidade geopolítica na qual a população, em âmbito global, se localiza. Desde a declaração de guerra entre Rússia e Ucrânia e as posteriores guerras, como a entre Israel e Palestina, e a entre Estados Unidos, Israel e Irã, tornou-se mais cotidiano ao cidadão comum se deparar com anúncios jornalísticos de ameaças e sanções a países soberanos e com o início de novos conflitos armados.

 Esse ambiente, ao mesmo tempo em que leva ao medo imediato de uma maior generalização dessas guerras, incorre também na insensibilidade da pessoa comum a longo prazo. Com o fluxo constante de informações que percorrem os algoritmos de cada um, o contato com notícias de guerra se tornam cada vez mais frequente, mas ainda sim parece a ela algo distante. Esse fenômeno pode ser entendido através da reflexão de Charles Wright Mills em A Imaginação Sociológica, na qual ele discursa sobre a tendência do homem se sentir limitado ao seu cenário próximo, sem se reconhecer como parte do curso da história mundial. Dessa forma, os conflitos passam a ser vistos como algo distante, diante dos quais o sujeito, quando não os experiencia, assume a posição de espectador.

 Assim, para essa insensibilidade podem ser dadas algumas explicações: a primeira seria ligar ela apenas a um possível mau caráter; já a segunda destina-se à sensação de incapacidade de mudar algo de dimensão global pela falta de influência e poder por parte indivíduo comum.

 Diante dessa segunda perspectiva, é visível como esse sentimento se torna um problema até mesmo para o Direito, levando a consequências significativas. A naturalização da violação de direitos humanos e o desrespeito ao Direito Internacional são algumas delas. Nesse sentido, o uso da imaginação sociológica torna-se imprescindível para sair desse lugar particular do ser comum e começar a pensar a sociedade como um todo, bem como nas transformações positivas necessárias para a garantia da vida. 

  Assim, mesmo que o indivíduo não experiencie de perto os efeitos dessas calamidades, é nesse contexto que deve surgir o uso da racionalidade. Quando colocada de forma efetiva, ela permite que cada pessoa deixe de ser apenas um telespectador da história e passe a compreender seu papel como sujeito capaz de transformar a realidade que molda o mundo contemporâneo. Nesse sentido, ao se tornar consciente desse papel, o indivíduo pode levantar pautas, trazendo maior visibilidade a contextos ignorados e levar essa racionalidade a outros patamares, como o do Direito, contribuindo para que direitos essenciais a sobrevivência coletiva de povos atingidos sejam garantidos.

Leticia Barros Mendes Silva - 1° ano de Direito Noturno

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