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sexta-feira, 24 de abril de 2026

O paradoxo entre o avanço da ciência e o crescimento do negacionismo

 Em nenhuma época a ciência progrediu tanto quanto no século XXI. Em nenhuma época o negacionismo se exacerbou tanto quanto no século XXI. A um primeiro olhar, essas sentenças parecem não fazer sentido nenhum quando postas juntas, mas elas descrevem bem a realidade atual, dominada por relações humanas cada vez mais complexas e estruturas que evocam a polarização constante. Todavia, por mais estranha que essa conjuntura se apresente, ela pode ser explicada a partir dos conceitos do sociólogo Émile Durkheim, conforme discorrido nos próximos parágrafos.

A princípio, usando de respaldo histórico, percebemos que o papel da religião de ditar as crenças comuns vem, desde o Renascimento, gradativamente sendo enfraquecido. A ciência tomou seu lugar e vem produzindo impacto massivo na vida humana de lá para cá, com suas invenções que vão desde o carro até a recente inteligência artificial. Entretanto, essa substituição ocorreu de modo abrupto, não permitindo que as instituições conseguissem atualizar os laços morais da consciência coletiva na mesma velocidade – função indispensável para Durkheim, pois garante a coesão social.

Assim, ocorreu a fragmentação das crenças que conferiam aos indivíduos a ideia de pertencimento necessária para a continuidade da função de cada um no âmbito comum. O organismo social atual está “doente”, na medida em que não mais possui um forte conjunto de ideias em comum, o que, para o sociólogo, representa a anomia.

Desse modo, surgem correntes de pseudopensadores que desafiam as ideias desenvolvidas pela ciência – leia-se consciência coletiva – não a partir de fatos, mas por meio de informações enganosas que têm impacto direto na sociedade e, consequentemente, produzem essa onda de negacionismo, impulsionado pela descredibilização das conquistas científicas, comprometendo a ordem social.


Joaquim Rodrigues Viana Neto - 1 ano Direito Matutino

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