Título: O positivismo na realidade social brasileira
Tema: “Um positivista, assistindo à palestra do CADir, diria que ...”
Se um positivista estivesse assistindo às palestras do evento formado pelo Centro Acadêmico de Direito, ele teria feito um grande esforço para compreender o atual cenário brasileiro a partir de seu método.
Quando esse convidado estivesse assistindo aos discursos dos palestrantes, o primeiro ponto que iria ruir seria o ideal de evolução. Afinal, evolução para quem? Segundo a perspectiva do positivismo, o progresso é inevitável e igual para todos, pois não há diferenças entre a população, mas tal método desconsidera totalmente a realidade social, na qual persistem discriminações contra minorias.
No primeiro dia de palestra, é evidente a dificuldade para as mulheres alcançarem uma real segurança atualmente, as quais precisam lidar com a violência em todos os âmbitos, e agora com a internet, precisam se preocupar com a propagação do discurso misógino e redpill. No segundo dia, é revelado como os direitos internacionais criados após o final da Segunda Guerra Mundial ainda não estão sendo garantidos, sendo desconsiderados para interferirem na soberania de outros países a fim de tomar territórios e matérias-primas. E ao final do terceiro dia, torna-se claro como o desenvolvimento tecnológico não é feito para a melhoria da vida da população, e sim para gerar mais lucro aos burgueses, ignorando o clamor dos trabalhadores por direitos.
Se o progresso é inevitável para os positivistas, por que a população privilegiada não se mobiliza para a resolução dessas questões? Eles ainda não teriam passado pela lei dos três estados? A razão seria uma característica do positivismo, a ordem social. Os opressores não têm interesse em encerrar seus privilégios para crescimento da qualidade de vida do oprimido, e ainda tentam vender a ideia de que abalaria a “estabilidade” social, causando caos social. Dissemina-se esse pensamento para a população a fim de ludibriar e impedir a mobilização social a partir do medo, pois “o opressor não seria tão forte se não tivesse cúmplices entre os próprios oprimidos” ¹. Logo, não existe um progresso igualitário, e sim uma idealização, o que contrariaria o ideal concreto do positivismo.
Portanto, a partir dessa análise, um positivista teria suas bases teóricas abaladas ao final desses três dias, a não ser que escolhesse se alienar da realidade.
[1] BEAUVOIR, S. O Segundo Sexo Vol 2: A Experiência Vivida, Difusão Européia do Livro, 1967.
Thamiris Custódio Fernandes - 1º semestre, Direito/noturno.
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