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terça-feira, 24 de março de 2026

O Positivista e a Escala

 

 Na noite da última quinta-feira, um amigo me convidou para uma palestra. Apenas ao chegar, descobri do que se tratava. Acontece que o movimento estudantil da faculdade de minha cidade estava doutrinando os estudantes acerca do combate à “abominável” escala 6x1. Essas crianças não sabem o que falam, praticam desserviços a essa cidade. Arrisco-me a dizer que esses discursos comunistas são os responsáveis pela decadência das indústrias da cidade. Elas simplesmente não conseguem encontrar mais mão de obra, pois os proletas estão enfeitiçados por essas ideias comunistas; ninguém mais quer trabalhar!

Sobre a palestra, num primeiro momento, estavam comentando sobre a questão das IAs e explicando sobre a queda nas vagas de empregos que elas vão gerar. Até esse ponto, concordei quase que plenamente — também abomino esses malditos robôs —, mas o que seguiu esse comentário foi asqueroso. Passaram a explicar a importância de assegurar o emprego de pessoas que tiveram seus trabalhos “automatizados”. Como fariam isso? Você pode estar se perguntando. A resposta: aumentando os impostos dos empresários! Isso é um ultraje. Como é possível que os bilionários sejam obrigados a pagar? Simplesmente porque encontraram uma forma de se esquivar dos trabalhadores preguiçosos criados pela esquerda? Dessa forma, ainda mais dinheiro será desviado para fora da economia nacional, para alguma indústria chinesa! Isso é inadmissível.

Depois disso, já irado, mal consegui acompanhar o resto da palestra. No entanto, o que recordo me desperta ainda mais cólera. Passaram, então, a explicar como o trabalho em escala 6x1 é “desumano”. Gostaria de saber de onde tiram esses dados. Todos os meus conhecidos trabalharam 6x1 e viveram até os 50 anos (e muito bem, eu diria). Atacam de todas as formas a boa e velha meritocracia, como se existisse outra força capaz de trazer o sucesso além do trabalho duro e incessante. Mal sabem eles que não há pobreza no mundo que resista a 16 horas de trabalho! No entanto, ao invés de trabalhar de verdade, só se preocupam com baboseiras como saúde mental e burnout.

Desse modo, sinceramente, estou desacreditado com o futuro desse país. Com esse pensamento preguiçoso, não sei de que maneira esses jovens vão conseguir continuar o progresso que minha geração buscou com tanto afinco. Ficam inventando doenças e transtornos simplesmente para não precisarem trabalhar. Não sei até que ponto irão conseguir sustentar essa maluquice. Por sorte, diante dos meus pesados 53 anos de idade, não vou ficar por aqui por muito tempo para ver qual o resultado desse caos.
 

João Pedro Hernandes dos Santos | Direito Noturno 

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