No dia 19 de março de 2.026, foi apresentada uma palestra na Unesp de Franca com o tema "Entre A Precarização, Automatização dos Processos e Escala 6x1: A quem serve o Direito do Trabalho?". Apesar de pontual, a palestra problematizou o sistema de trabalho vigente no Brasil, no qual o empregado trabalha seis dias da semana e tem apenas um dia de folga, relacionando-o com a automatização e destacando como esta interfere na realidade dos trabalhadores brasileiros. Dessa forma, é necessário discutir essa problemática, abrangendo também a perspectiva positivista sobre o assunto.
A princípio, vale destacar que, com a automatização do trabalho, esperava-se que a jornada de trabalho diminuísse, uma vez que as máquinas facilitariam a realização de tarefas. No entanto, ao invés de trabalharem menos, os empregados foram substituídos, provocando o aumento do desemprego e da exploração dos trabalhadores restantes, dado que o empregador pode, dessa maneira, aumentar seu lucro. Nesse viés, como resposta ao aumento dessa precarização, surgiram movimentos como o VAT - Vida Além do Trabalho - os quais lutam pelo fim da escala 6x1 e pelo bem-estar dos trabalhadores.
Em decorrência desse cenário, setores mais conservadores da sociedade passaram a afirmar que o fim da escala 6x1 provocaria uma crise econômica no Brasil. Isso ocorre, pois, essa parcela da população possui uma visão positivista, a qual considera que questionamentos são patologias sociais, uma vez que, segundo A. Comte, em seu livro "Sociologia", para haver progresso, é necessária a ordem, a qual é colocada em risco quando ocorrem subversões do pensamento, como, no caso, a mudança no sistema de trabalho brasileiro. Entretanto, a perspectiva positivista não considera o fator social, visto que representa apenas os interesses da elite e a manutenção de um sistema o qual se importa unicamente com o enriquecimento dos empregadores - o capitalismo.
É perceptível, portanto, que o positivismo é a favor da manutenção da exploração do trabalho, pois acredita que mudanças geram caos e impedem o progresso humano. No entanto, essa visão é falha, posto que apenas defende a ordem e o progresso para as camadas sociais mais elevadas, as quais dependem do sofrimento da população menos abastada para se manterem no poder.
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