No início de 2.025, popularizaram-se nas redes sociais vídeos em que jovens relatavam sentir "medo de virar CLT". Para esses jovens, os trabalhadores contratados formalmente com a carteira de trabalho assinada são pessoas que trabalham muitas horas e recebem baixos salários, sendo exploradas por seus patrões.
Apesar de a exploração do trabalho ainda não ter sido totalmente superada, a Consolidação das Leis do Trabalho foram um grande avanço no Direito Trabalhista, uma vez que garantem direitos básicos do empregado, como férias, salário mínimo e uma carga horária máxima de trabalho diária. Mesmo assim, atualmente, esse movimento de "fuga da CLT" é cada vez mais comum. Mas por que isso acontece?
Segundo o sociólogo alemão Karl Marx, em seu livro "Ideologia Alemã", as elites criam ideologias - falseamentos da realidade, na visão de Marx - para alienar a população, fazendo com que não percebam que estão sendo enganadas e exploradas. Dessa maneira, é criada a ideia de que o trabalho informal é a melhor opção e que, nele, é possível enriquecer e se tornar um grande empresário, quando, na verdade, sem a CLT, o trabalhador não possui garantia de direitos.
Sob esse prisma, um motorista de aplicativo, por exemplo, não possui vínculo empregatício com a empresa para que trabalha. Assim, a empresa lucra com o trabalho do motorista, mas não precisa arcar com as despesas do veículo nem com as consequências de um possível acidente de trânsito. Logo, as pessoas que pensam estar buscando a melhor alternativa, na verdade estão sendo alienadas pelo sistema, o qual visa a manutenção do enriquecimento das elites e encontra uma nova maneira de explorar o trabalhador.
Em suma, a propagação da ideia de enriquecimento e melhores condições de trabalho por meio do microempreendedorismo é apenas uma ideologia elitista utilizada para alienar e explorar a população.
Giulia Ribaldo - Primeiro ano de Direito (matutino)
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