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terça-feira, 7 de abril de 2026

O papel da imaginação sociológica na era da Pós-Verdade

 Com a consolidação da Globalização como fator fundamental de influência na dinâmica

das comunidades, a microesfera social passou a estar cada vez mais intrinsecamente

relacionada à esfera global. Não obstante, a diversidade de conteúdos e informações

produzidos em contexto nacional e internacional teve seu acesso facilitado e praticamente

irrestrito, possibilitando a criação de uma rede de notícias compartilhadas sem averiguação.

Entretanto, consoante Wright Mills, as interferências mundiais acontecem de maneira alheia à

consciência coletiva, sem que os homens as percebam em seu cotidiano, de modo a torná-los

figuras absolutamente passivas nesse processo. Assim, na realidade hodierna, obtém-se uma

sociedade alienada pelo excesso de material editorial e discursivo disseminado, que se informa

de maneira insegura e irresponsável, colaborando com a propagação de fake news.

Diante do cenário exposto, o próprio Mills infere: “Não é apenas de informação que

precisam – nesta Idade do Fato, a informação lhes domina com frequência a atenção e esmaga

a capacidade de assimilá-la” – o que remonta a um contexto onde a prevalência da

hiperinformação, tão comum na Pós-Verdade, mais desinforma que educa. Nesse sentido,

cresce a necessidade ainda presente de um imaginário crítico que delimite a confiabilidade dos

fatos apresentados e permita aos indivíduos discernir o verdadeiro conhecimento. Desse modo,

debates políticos extremistas e alheios à democracia seriam melhor discriminados, e discursos

de ódio a minorias – frequentemente apoiados por figuras públicas --, desnormalizados.

Sob esse viés, à luz de Francis Bacon,no Novum Organum, a interpretação humana

sobre a sociedade deve partir da busca por um conhecimento genuinamente válido, que ignore

pré-concepções e se oriente por uma base investigativa, a fim de evitar assimilações errôneas

dos fatos sociais. Para Bacon, a Sociologia surge como a ciência que regula a ocupação da

mente por doutrinas prestabelecidas e facilita o alcance da verdade. Assim, na Idade

Contemporânea – dominada pela pluralidade de discursos que contrariam os avanços da

própria Ciência, desafiam valores humanamente concebidos e colocam em risco a manutenção

de uma ética sólida e regida pela verdade--, faz-se relevante a procura pela análise crítica das

informações, objetivo da Imaginação Sociológica.

Portanto, a Sociologia possibilita a capacidade de compreensão da realidade humana

através da investigação da estrutrutura que

ultrapassa a percepção do indivíduo, valendo-se da razão e da observação da natureza, como

proposto por Bacon e também por Descartes, na obra “O discurso do Método”, a fim de

alcançar uma verdade válida e atuar para o bem do homem para com o homem e do homem

sobre a natureza, sendo uma ferramenta urgente e imprescindível para a retomada de

consciência no combate às fake news instituídas pela Pós-Verdade no universo globalizado.

Laura Sophia Coelho de Oliveira

– 1o ano de Direito

Unesp-2026

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