Com a consolidação da Globalização como fator fundamental de influência na dinâmica
das comunidades, a microesfera social passou a estar cada vez mais intrinsecamente
relacionada à esfera global. Não obstante, a diversidade de conteúdos e informações
produzidos em contexto nacional e internacional teve seu acesso facilitado e praticamente
irrestrito, possibilitando a criação de uma rede de notícias compartilhadas sem averiguação.
Entretanto, consoante Wright Mills, as interferências mundiais acontecem de maneira alheia à
consciência coletiva, sem que os homens as percebam em seu cotidiano, de modo a torná-los
figuras absolutamente passivas nesse processo. Assim, na realidade hodierna, obtém-se uma
sociedade alienada pelo excesso de material editorial e discursivo disseminado, que se informa
de maneira insegura e irresponsável, colaborando com a propagação de fake news.
Diante do cenário exposto, o próprio Mills infere: “Não é apenas de informação que
precisam – nesta Idade do Fato, a informação lhes domina com frequência a atenção e esmaga
a capacidade de assimilá-la” – o que remonta a um contexto onde a prevalência da
hiperinformação, tão comum na Pós-Verdade, mais desinforma que educa. Nesse sentido,
cresce a necessidade ainda presente de um imaginário crítico que delimite a confiabilidade dos
fatos apresentados e permita aos indivíduos discernir o verdadeiro conhecimento. Desse modo,
debates políticos extremistas e alheios à democracia seriam melhor discriminados, e discursos
de ódio a minorias – frequentemente apoiados por figuras públicas --, desnormalizados.
Sob esse viés, à luz de Francis Bacon,no Novum Organum, a interpretação humana
sobre a sociedade deve partir da busca por um conhecimento genuinamente válido, que ignore
pré-concepções e se oriente por uma base investigativa, a fim de evitar assimilações errôneas
dos fatos sociais. Para Bacon, a Sociologia surge como a ciência que regula a ocupação da
mente por doutrinas prestabelecidas e facilita o alcance da verdade. Assim, na Idade
Contemporânea – dominada pela pluralidade de discursos que contrariam os avanços da
própria Ciência, desafiam valores humanamente concebidos e colocam em risco a manutenção
de uma ética sólida e regida pela verdade--, faz-se relevante a procura pela análise crítica das
informações, objetivo da Imaginação Sociológica.
Portanto, a Sociologia possibilita a capacidade de compreensão da realidade humana
através da investigação da estrutrutura que
ultrapassa a percepção do indivíduo, valendo-se da razão e da observação da natureza, como
proposto por Bacon e também por Descartes, na obra “O discurso do Método”, a fim de
alcançar uma verdade válida e atuar para o bem do homem para com o homem e do homem
sobre a natureza, sendo uma ferramenta urgente e imprescindível para a retomada de
consciência no combate às fake news instituídas pela Pós-Verdade no universo globalizado.
Laura Sophia Coelho de Oliveira
– 1o ano de Direito
Unesp-2026
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