“O verde das florestas, o amarelo do ouro, o azul do céu estrelado e a ordem e o progresso da sociedade brasileira.” A narrativa difundida por grande parte do território nacional acerca do significado da bandeira brasileira reduz-se a uma associação simplificada a elementos naturais do país, somada à ideia de uma sociedade em constante evolução. Contudo, o símbolo nacional expressa, na realidade, uma estrutura social enraizada em preceitos positivistas, sobretudo no que diz respeito à valorização da ordem, entendida como condição indispensável para o progresso. Diante das recentes reivindicações por direitos trabalhistas, especialmente no que se refere à escala 6x1, torna-se evidente que um positivista no Brasil do século XXI afirmaria que vivemos em um cenário de completa desordem e ausência de progresso.
A princípio, para compreender essa leitura do positivismo na atualidade, é necessário explicitar o conceito original de “ordem”. A partir das formulações de Augusto Comte, a ordem representa a harmonia e a estabilidade das estruturas sociais, consideradas pré-condições indispensáveis ao progresso. Trata-se de uma concepção que valoriza a preservação das instituições e a contenção de conflitos, sob a premissa de que mudanças abruptas ou reivindicações coletivas podem comprometer o equilíbrio necessário ao desenvolvimento. Assim, a ordem não se resume à ausência de caos, mas configura um estado de funcionamento regular da sociedade, no qual cada elemento desempenha seu papel sem rupturas significativas, ainda que isso implique a limitação de transformações impulsionadas por tensões sociais.
Com esses preceitos estabelecidos, é possível analisar a aplicação dessa perspectiva aos movimentos sociais trabalhistas contemporâneos. A reivindicação pelo fim da escala 6x1 confronta a ordem preestabelecida, evidenciando que parte da mentalidade empresarial brasileira ainda se alinha a concepções herdadas do século XIX. Esse cenário resulta em uma classe trabalhadora que busca melhores condições de vida, enquanto setores dominantes interpretam tais demandas como disfunções no funcionamento social. Desse modo, a tensão entre empregados e empregadores restringe processos de transformação, indicando a permanência de traços positivistas na organização da sociedade.
Portanto, a máxima “Ordem e progresso” ainda orienta, em certa medida, a dinâmica social brasileira no século XXI, gerando conflitos e limitando a efetividade de movimentos sociais essenciais para a concretização de um progresso mais amplo.
Laura Dias Pelarin - 1 (primeiro) ano Direito Matutino
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