A imaginação sociológica, abordada por C. Wright Mills, permite ao indivíduo interpretar uma situação de uma maneira mais ampla, pois, naturalmente, as pessoas possuem uma visão restrita de tudo aquilo que circunda a sua vida privada. Seguindo essa linha de raciocínio, como o patriarcado está enraizado em toda a sociedade, quando a população tem conhecimento de um caso de abuso sexual, comumente noticiado pelas grandes mídias, ocorre o julgamento em relação à vítima: o que estava vestindo, o local do crime, o horário do ocorrido. Porém, no dia 21 de fevereiro, um homem de 33 anos invadiu um convento e matou uma freira de 82 anos, que foi vítima de violência sexual, dessa maneira desmistificando todos esses discursos pré-existentes.
Tais questionamentos apontam em como as pessoas se limitam a uma análise pré-estabelecida pelo patriarcado, ou seja, não realizam a imaginação sociológica, conforme explicado por Mills. Ademais, essa visão está presente no âmbito do direito, pois é uma ciência voltada para as relações sociais, que pode reproduzir tais discursos; isto é, por ter esses pensamentos enraizados, é suscetível que não aconteça a racionalização no momento do julgamento.
Portanto, para que o direito seja racional é necessário questionar o julgamento realizado, justamente para evitar uma análise limitada da situação, mas sim uma visão ampliada, como em casos de abuso sexual, é fundamental, no instante de sua análise ter consciência do patriarcado enraizado na contemporaneidade.
Estefani Mitsue Mashiba - Direito matutino
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