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sexta-feira, 13 de março de 2026

Isso é coisa da minha cabeça?: Uma análise da presença da Imaginação Sociológica no filme "Corra!"

 

Mills descreve, em seu livro de 1965, a “Imaginação Sociológica”, que consiste na habilidade de um indivíduo de compreender e conectar, a partir da estrutura social e o período histórico de um determinado período, suas experiências sociais e o seu destino. Essa corrente sociológica apresenta-se no longa-metragem, “Corra!” (2017), dirigida e produzida por Jordan Peele, que apresenta uma situação em que o protagonista, Chris Washington, passa por maus bocados com a família de sua namorada, os Armitage, uma família composta por gente branca e rica.

            Durante o filme, o público descobre junto ao protagonista que a família Armitage fazem parte de um antigo sistema de aquisição e leiloamento de pessoas negras para a elite branca, acreditando que os compradores obteriam maiores habilidades e aumentariam a sua longevidade. O esquema da família pode ser dividido em três partes: primeiro, Rose seduzia suas vítimas; segundo, sua mãe realizava hipnose, utilizando do ponto fraco de suas vítimas; terceiro, o pai de Rose realizava cirurgias para transplante do cérebro do comprador para o corpo dos leiloados.

            A imaginação sociológica, no filme, começa a ser observada quando Chris desconfia, em um primeiro momento, de que a família seria racista e não aprovasse seu relacionamento com Rose, uma vez que essa é uma inquietação pessoal que envolve temas como o racismo estrutural e a conservação de dinâmicas coloniais na contemporaneidade. Em uma segunda análise, Chris, já hospedado dentro do sítio da família, observa a relação dos familiares com seus empregados, ambos negros e de comportamento robótico, que são tratados de maneira brusca e com repressão. Além disso, o filme apresenta uma festa em homenagem ao avô de Rose – que, na realidade, foi um pretexto para leiloar Chris -, onde os convidados distribuíam falas estereotipadas a respeito de Chris e da população negra, deixando o protagonista desconfortável.

            Chris, já desconfiado com todas as situações, quer ir embora da casa e, ao tentar arrumar as malas, acha fotos de Rose com várias outras pessoas negras, inclusive com Georgina e Walter, os empregados da família, em um contexto de amizade e romance, respectivamente. Desse modo, confirma que está sendo alvo de um esquema criminoso, comandado por ideias estereotipadas e preconceituosas sobre o povo afro-americano, assim como temia no início da trama.

Portanto, o filme apresenta a imaginação sociológica através da tomada de consciência de Chris, que percebe que toda a situação não foi um mal-entendido pessoal, mas um sistema de opressão social. E, a partir do seu discernimento acerca dos ocorridos, tenta escapar da armadilha.

- Catarina de Oliveira Fernandes – 1°ano Direito matutino

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