Mills descreve, em seu
livro de 1965, a “Imaginação Sociológica”, que consiste na habilidade de um
indivíduo de compreender e conectar, a partir da estrutura social e o período
histórico de um determinado período, suas experiências sociais e o seu destino.
Essa corrente sociológica apresenta-se no longa-metragem, “Corra!” (2017),
dirigida e produzida por Jordan Peele, que apresenta uma situação em que o
protagonista, Chris Washington, passa por maus bocados com a família de sua
namorada, os Armitage, uma família composta por gente branca e rica.
Durante
o filme, o público descobre junto ao protagonista que a família Armitage fazem
parte de um antigo sistema de aquisição e leiloamento de pessoas negras para a
elite branca, acreditando que os compradores obteriam maiores habilidades e
aumentariam a sua longevidade. O esquema da família pode ser dividido em três
partes: primeiro, Rose seduzia suas vítimas; segundo, sua mãe realizava hipnose,
utilizando do ponto fraco de suas vítimas; terceiro, o pai de Rose realizava
cirurgias para transplante do cérebro do comprador para o corpo dos leiloados.
A
imaginação sociológica, no filme, começa a ser observada quando Chris
desconfia, em um primeiro momento, de que a família seria racista e não
aprovasse seu relacionamento com Rose, uma vez que essa é uma inquietação
pessoal que envolve temas como o racismo estrutural e a conservação de
dinâmicas coloniais na contemporaneidade. Em uma segunda análise, Chris, já
hospedado dentro do sítio da família, observa a relação dos familiares com seus
empregados, ambos negros e de comportamento robótico, que são tratados de
maneira brusca e com repressão. Além disso, o filme apresenta uma festa em
homenagem ao avô de Rose – que, na realidade, foi um pretexto para leiloar
Chris -, onde os convidados distribuíam falas estereotipadas a respeito de
Chris e da população negra, deixando o protagonista desconfortável.
Chris,
já desconfiado com todas as situações, quer ir embora da casa e, ao tentar
arrumar as malas, acha fotos de Rose com várias outras pessoas negras, inclusive
com Georgina e Walter, os empregados da família, em um contexto de amizade e
romance, respectivamente. Desse modo, confirma que está sendo alvo de um
esquema criminoso, comandado por ideias estereotipadas e preconceituosas sobre
o povo afro-americano, assim como temia no início da trama.
Portanto, o filme
apresenta a imaginação sociológica através da tomada de consciência de Chris,
que percebe que toda a situação não foi um mal-entendido pessoal, mas um
sistema de opressão social. E, a partir do seu discernimento acerca dos
ocorridos, tenta escapar da armadilha.
- Catarina de Oliveira
Fernandes – 1°ano Direito matutino
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