O positivismo, formulado inicialmente por Auguste Comte, apoia-se na ideia de que o conhecimento científico deve ser objetivo e neutro, para assim ser capaz de alcançar uma verdade universal. No entanto, essa noção ignora as nuances das relações sob uma sociedade desigual, como é evidenciado por Grada Kilomba, em seu livro Memórias da Plantação, onde a autora destaca como o positivismo dificulta análises sociais.
O texto de Kilomba evidencia que a neutralidade científica é um mito, sendo atravessada por relações sociais de poder; ao analisar experiências racistas dentro do meio acadêmico, a autora demonstra que esse cientificismo pode funcionar como mecanismo de silenciamento, tachando vivências de violência racial como subjetivas ou específicas demais. Assim, percebe-se que a objetividade descrita por Comte é defeituosa, e se apoia em uma perspectiva historicamente restritiva que ignora fatores socioculturais externos.
Por exemplo, essa lógica é evidente nas teorias raciais do século XIX, que tinham como objetivo hierarquizar seres humanos sob critérios percebidos como científicos. Pesquisadores europeus utilizaram métodos arbitrários como medição cranial e fenótipos para afirmar a superioridade branca, e justificar, por extensão, suas práticas colonialistas. Esses estudos, alinhados ao positivismo, ignoravam o conhecimento e experiência dos povos subjugados, transformando sua crueldade em “fato científico”.
Em resumo, os conceitos de objetividade e neutralidade, pontos centrais do positivismo, são falhos, dado que são perpassados por desigualdades que são consistentemente ignoradas. O texto de Grada Kilomba, assim, mostra os limites do método positivo na produção de conhecimento, principalmente no reconhecimento da inevitável ligação entre a posição social de quem vive e interpreta a humanidade.
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