Entrei na sala com códigos nas mãos
e perguntas nos olhos.
Disseram que o Direito era equilíbrio,
uma balança imóvel,
cega para nomes, bairros e sobrenomes.
Mas eu vi.
Vi o homem cansado no ônibus às seis,
a mãe contando moedas no mercado,
o menino aprendendo cedo
que a justiça demora mais
quando o CEP é errado.
Então encontrei Marx
não como uma resposta pronta,
mas como quem acende uma luz
num corredor antigo.
E tudo começou a ranger.
As leis já não pareciam neutras.
Os tribunais já não pareciam tão altos.
Percebi que o Direito, às vezes,
escreve ordem
com a tinta do privilégio.
Mas também percebi outra coisa:
o Direito não é só muro.
Pode ser fresta.
Porque mesmo nascido entre poderes,
ele ainda carrega a possibilidade
de interrupção,
de denúncia,
de voz.
Talvez o marxismo não sirva ao Direito
como servo,
nem como inimigo.
Talvez sirva como espelho incômodo,
aquele que obriga a perguntar
quem a lei protege
quando diz proteger todos.
E eu, estudante entre livros e inquietações,
continuo sem certezas completas.
Mas aprendi que pensar o Direito
sem olhar para a desigualdade
é como julgar o mar
vendo apenas a superfície.
Lorena Antunes 1°Matutino
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