O Direito é visto pelo marxismo como uma forma de dominação e proteção dos interesses das classes dominantes, se opondo ao idealismo de Hegel que o concebe como uma expressão "universal". Entretanto, através da corrente sociológica do marxismo é possível uma análise com base nas condições materiais concretas, como por exemplo o fenômeno da uberização.
As condições materiais concretas são os meios necessários à sobrevivência como moradia, alimento e dinheiro. Os trabalhadores que têm seus empregos intermediados por plataformas como Uber, 99 e iFood não escolheram tais empregos de modo isolado, mas sim dentro das condições materiais disponíveis a eles. Uma pesquisa da Remir Trabalho mostrou que entregadores trabalham em média 13 horas por dia ganhando menos de um salário mínimo. Desse modo, a realidade material explica as ideias e as leis, e não são as ideias e leis que explicam a realidade.
Na perspectiva de Hegel, o Estado e o Direito concretizam o interesse universal de todos. Na visão de Marx, os detentores dos meios de produção têm suas relações materiais expressas através do aparato jurídico. A uberização do trabalho explicita essa lógica ao se utilizar de categorias jurídicas como trabalho autônomo, garantias trabalhistas são afastadas e a precarização dos trabalhadores aumenta.
Muitas vezes esse modelo de trabalho é vendido como autonomia, mas a verdade é que os custos são transferidos ao trabalhador, enquanto o lucro e o controle ficam com as plataformas.
Diante do exposto, o marxismo é uma ferramenta crítica ao Direito, permitindo análises mais profundas e questionando normas no sentido de identificar qual classe as utiliza e quais desigualdades se escondem por trás da linguagem de igualdade formal.
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